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28 de maio de 2020
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Investigação do STF se aproxima do Planalto


A Polícia Federal cumpriu ontem 29 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e no Distrito Federal — todos relacionados ao inquérito das fake news aberto no Supremo e relatado pelo ministro Alexandre de Moraes. Entre os alvos estiveram o ex-deputado mensaleiro Roberto Jefferson, o empresário Luciano Hang (lojas Havan) e os blogueiros bolsonaristas Allan dos Santos e Winston Lima. A investigação busca compreender como funciona a máquina de desinformação que, nascida para a campanha do presidente Jair Bolsonaro, ainda funciona no Palácio do Planalto. Entre os financiadores, além de Hang, está também Edgard Corona, das academias Smart Fit. Foram pedidos ainda os bloqueios nos perfis de Facebook, Twitter e Instagram de todos os 17 investigados. Embora não tenham sido alvo de mandados, Moraes também determinou que sejam interrogados seis deputados federais, entre eles Bia Kicis, Carla Zambelli e Luiz Phillipe de Orleáns e Bragança, do núcleo duro governista.

A primeira reação do governo foi, através de um grupo de deputados federais, protocolar um pedido de impeachment de Alexandre de Moraes. Mas o cerco ao governo promovido pelo Supremo preocupa o Planalto. Agindo como se advogado fora, o ministro da Justiça, André Luiz Mendonça, apresentou pedido de habeas corpus para tentar evitar que seu par da Educação, Abraham Weintraub, deponha em até 5 dias como determinou Moraes por ter pedido a prisão de membros do STF na reunião presidencial gravada em vídeo, em 22 de abril. Moraes considerou que a declaração de Weintraub foi “gravíssima, pois constitui ameaça ilegal à segurança dos ministros do Supremo Tribunal Federal, como também reveste-se de claro intuito de lesar a independência do Poder Judiciário e a manutenção do Estado de Direito.” (Poder 360)

Os seis deputados federais também seriam alvo de busca e apreensão. Mas, como o procurador-geral Augusto Aras se opôs a toda a operação, Moraes achou por bem recuar um pouco e inicialmente só pedir seus depoimentos, informa o Painel. (Folha)

Dentre os receios no governo são de que os resultados do inquérito das fake news, que abrange também o segundo semestre de 2018, sejam encaminhados ao TSE. Segundo ouviu Andreia Sadi, poderiam ser usadas nas ações pendentes do Tribunal que pedem a cassação da chapa Bolsonaro, Hamilton Mourão. (G1)

Jair Bolsonaro: “ Ver cidadãos de bem terem seus lares invadidos, por exercerem seu direito à liberdade de expressão, é um sinal que algo de muito grave está acontecendo com nossa democracia. Nenhuma violação desse princípio deve ser aceita passivamente!” (Twitter)

O filho Zero Três, deputado Eduardo Bolsonaro, anoiteceu numa live transmitida pelo blogueiro investigado Allan dos Santos. “Não tenho nem dúvida que amanhã vai ser na minha casa, que se nós tivermos uma posição colaborativa, vão entrar na nossa casa, dando risada”, afirmou. “Até entendo quem tem uma postura moderada para não tentar chegar a momento de ruptura, mas falando bem abertamente, opinião de Eduardo Bolsonaro, não é mais uma opção de se, mas, sim, de quando isso vai ocorrer.” Em tom belicista, foi além nas ameaças. “Essas reuniões entre altas autoridades, a gente discute esse tipo de coisa porque a gente estuda história. A gente sabe que a história vai apenas se repetindo. Não foi de uma hora para outra que começou a ditadura na Venezuela, foi aos poucos.” (Estadão)

Ricardo Rangel: “Há uma curiosa, e irônica, simetria entre a Operação Lava-Jato e o inquérito das fake-news, que esta semana determinou diversas ações contra apoiadores do presidente. Na Lava-Jato, Sergio Moro várias vezes ultrapassou os limites do Código de Processo Penal e da Constituição, desrespeitando direitos dos cidadãos para conseguir provar os crimes dos investigados. Muitos criticaram Moro — com razão — por avançar o sinal sobre as liberdades democráticas. Muitos outros o defenderam, argumentando — também com razão — que a legislação prevê tantos direitos e garantias para réus e investigados, que, se for cumprida à risca, jamais um rico irá para cadeia no Brasil. Quando o inquérito das fake-news foi criado por Dias Toffoli, todos os democratas protestaram. Afirmavam — com razão — que era um absurdo e uma violência que um inquérito fosse conduzido pelo Supremo, pois é inaceitável, na democracia, que o juiz atue também como promotor: a condução do inquérito seria prerrogativa do Ministério Público. De lá para cá, ficou claro que as fake-news se transformaram em uma enorme ameaça à própria democracia e ao Estado de Direito, e vêm sendo usadas, aparentemente, como meio para pavimentar o caminho em direção a um possível golpe de Estado. E é ainda mais curioso e irônico que tantos dos que antes defendiam em altos brados os arroubos da Lava-Jato, hoje vociferem, indignados, contra os arroubos de Alexandre de Moraes.” (Veja)

Foi sancionado pelo presidente o projeto que prevê ajuda financeira de R$ 60 bilhões a estados e municípios. Bolsonaro vetou apenas dois trechos. Um que abria exceções para que fossem dados aumentos a servidores, e outros que permitia a suspensão do pagamento de dívidas com bancos e organismos internacionais. (G1)

Meio em Vídeo: O analista político Alexandre Borges, que acompanhou de perto o nascimento da nova direita, conta essa história desde o início da popularidade de Olavo de Carvalho até a eleição de Bolsonaro. Assista.

Viver


O Brasil passou de 400 mil casos confirmados e chegou a 25.598 mortes por Covid-19. Foram 1086 registros de morte incluídos em 24 horas. O estado de São Paulo tem o maior número de mortes (6.712).

Mesmo com óbitos em alta
, o governo de São Paulo anunciou para junho a retomada de atividades em cinco fases, enquanto a capital tem 91% dos leitos de UTI ocupados. Entenda.

A capital paulista está na fase dois, de cor laranja. Podem ser reabertas, com restrições, as imobiliárias, concessionárias, escritórios, comércios e shopping centers.

No Rio de Janeiro, cinco bairros cariocas já acumulam mais de cem mortes por Covid-19. De acordo com informações atualizadas ontem, no painel da Prefeitura do Rio, o bairro recordista em óbitos é Campo Grande, com 189 vítimas fatais da doença, seguido de Bangu (143), Copacabana (138), Realengo (108) e Santa Cruz (104). Os dados de óbitos por bairros deixaram de ser divulgados no dia 19 e voltaram a ser publicados ontem. A mudança de metodologia criou um abismo no total de mortes: enquanto o Painel Rio Covid-19 exibia 1.801, o estado divulgava 2.978 vítimas fatais — ou 1.177 casos a mais. A nova contabilização, que descartou informações dos hospitais e também excluiu o recorte por bairros, recebeu críticas de especialistas.

Sobre os dados, o que vemos nas notícias, e como reportado pelo próprio painel do coronavírus elaborado pelo Ministério da Saúde, são óbitos organizados por data de notificação. Um óbito que acontece hoje provavelmente só será registrado nas estatísticas do coronavírus daqui a alguns dias, semanas, até meses. Algumas iniciativas acessíveis têm feito um excelente trabalho na coleta, análise e divulgação dos dados públicos brasileiros referentes à pandemia.

Pois é... O novo relatório semanal do InfoGripe, relativo à semana epidemiológica 20 (17 a 23 de maio), mostra uma retomada ou manutenção da tendência do crescimento do número semanal de casos de SRAG em diversas regiões do país. Segundo o estudo da FioCruz, essa propensão - considerada muito elevada - aliada ao alto percentual de detecção de Covid-19 entre os casos com teste laboratorial positivo, sugere a necessidade de manutenção das recomendações de distanciamento social para evitar demanda hospitalar acima da capacidade de atendimento.

As pessoas fumantes, infectadas com o novo coronavírus (Covid-19), têm 14 vezes mais chances de morrer do que as não fumantes. O alerta é da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.

Os Estados Unidos superaram a marca de 100 mil mortes pela Covid-19.

Enquanto isso, o governo da França proibiu oficialmente o uso da hidroxicloroquina para tratar a Covid-19 nos hospitais depois que dois organismos responsáveis pela saúde pública no país se declararam contrários à utilização da substância. O uso em testes clínicos continua autorizado. A Agência de Medicina da Itália (AIFA) também suspendeu a autorização de uso da hidroxicloroquina contra a Covid-19 fora de testes clínicos.

Na Nova Zelândia, autoridades de saúde informaram que não há mais nenhum paciente internado nos hospitais do país em razão da Covid-19, após cinco dias seguidos sem nenhum registro de novos casos. O total de casos confirmados no país se manteve em 1.154. Atualmente, apenas 21 pessoas estão infectadas pelo novo coronavírus, e não houve novas mortes. O governo neozelandês anunciou uma estratégia no valor de 37 milhões de dólares para apoiar os esforços nacionais e internacionais para o desenvolvimento de uma vacina contra a doença.

Já a Coreia do Sul registrou ontem o maior aumento diário de casos do novo coronavírus em sete semanas: em 24 horas, foram 40 novas infecções. O novo surto ocorre em um momento chave para o país, que iniciou nesta a segunda fase de reabertura de escolas, com cerca de 2,4 milhões alunos retornando às salas de aula. Os novos números elevam o total de infecções na Coreia do Sul para 11.265, com 269 mortes.

George Floyd, 46 anos, morreu depois de ter sido algemado e ter o pescoço prensado contra o chão pelo joelho de um policial em Minnesota, EUA. O vídeo viralizou causando indignação no país.

Jacob Frey, prefeito de Minneapolis: “Ser negro nos EUA não deve ser uma sentença de morte. Por cinco minutos, vimos um policial branco pressionar o joelho no pescoço de um negro. Cinco minutos”.

Hora de Panelinha. E vamos falar do maior clássico brasileiro: a feijoada. E mesmo que não dê para reunir os amigos, pode preparar, porcionar, congelar e garantir o almoço do sábado. No site da Rita Lobo, um passo a passo bem detalhado garante a feijoada saborosa e nada pesada. E a pimentinha caseira?! Temos.

Cultura


Uma live reunirá parte do elenco do Castelo Rá-Tim-Bum na sexta-feira, 29, às 20h, como parte das comemorações do aniversário de 50 anos do Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo. No mesmo dia,  a mostra Castelo-Rá-Tim-Bum – A exposição será disponibilizada na internet com um tour virtual em 360 graus. A exposição, que ocorreu entre 2014 e 2015, é a mais visitada em toda a história do museu. Exibido pela TV Cultura, o Castelo Rá-Tim-Bum completou 20 anos no ano de lançamento da mostra. Conheça outros conteúdos da iniciativa #MISemCasa.

E o Museu Nacional Tcheco está abrindo uma exposição de máscaras faciais feitas pelo público. Vídeo.

Cotidiano Digital


Em 2018, uma análise interna do Facebook descobriu que a plataforma estava ajudando a polarizar e disseminar fake news. Mas os executivos seniores decidiram arquivar a análise e não tomar medidas, segundo o Wall Street Journal. A apresentação alertava que se nada fosse feito, o algoritmo forneceria conteúdo cada vez mais divisivo, como forma de ganhar a atenção do usuário e aumentar o seu tempo na plataforma. E foi o que aconteceu. No mesmo ano, Mark Zuckerberg foi ao Congresso americano responder sobre interferências e desinformação nas eleições americanas.

Por falar em fake news… Donald Trump ameaçou regular ou até fechar as redes sociais. O presidente não gostou nada de, pela primeira vez, ter tuítes rotulados como possivelmente falsos.

O IGTV do Instagram vai começar a ter anúncios. A partir da próxima semana, a novidade estará disponível para cerca de 200 influenciadores nos EUA. A ideia é expandir para outras partes do mundo e tornar a plataforma mais competitiva e atrativa para os criadores de conteúdo em relação ao YouTube. Algumas marcas e influenciadores também poderão vender itens por meio do Instagram Live.





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