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29 de maio de 2020
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Prezadas leitoras, caros leitores —

A questão das fake news está no centro dos debates. A nova direita populista, em todo o mundo, adotou uma estratégia de campanha eleitoral e de governança baseada na desinformação, na manipulação de dados e, muitas vezes, mentindo abertamente. Neste ano, em que o governo Bolsonaro apertou a retórica contra a democracia e há eleições presidenciais nos EUA, a pressão sobre as redes sociais aumentou.

No Brasil, o Congresso discute aprovar uma lei para pressionar as redes. Internacionalmente, Facebook e Twitter estão aumentando os controles. Nos EUA, os republicanos querem regulamentar para afrouxar estes controles.

Só que o debate não é trivial. Por que é tão difícil controlar a distribuição de fake news nas redes? Isto tem a ver com decisões técnicas que pareciam inocentes, tomadas pelas plataformas lá no início. Como são produzidas, por que, e quais as estratégias de quem as produz? Em que pé está, no Brasil e no mundo, a tentativa de regular o problema? Durante a pandemia, fake news mata. Assim como ameaça seriamente democracias por toda parte.

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Com rejeição pública em alta, Bolsonaro ataca STF


Ao sair ontem de manhã do Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro estava irascível. “Acabou, porra! Não dá para admitir mais atitudes de certas pessoas individuais tomando quase que de forma pessoal certas ações. Somos um país livre e vamos continuar livres, mesmo com o sacrifício da própria vida.” Sua ira era voltada contra o Supremo Tribunal Federal. “Chega! Chegamos no limite. Estou com as armas da democracia na mão.” Ele se queixava do inquérito em curso para investigar a origem do financiamento e a autoria da máquina de fake news de seu grupo político. “Agora, o condenado maior que está existindo nessa questão é a honra dessas famílias. Não foi justo o que aconteceu no dia de ontem” — referia-se à operação da Polícia Federal na terça-feira. E, subindo o tom do ataque, pela primeira vez se referiu a um ministro específico, o decano Celso de Mello, por ter tornado público o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril. “Ele é o responsável! Pelo amor de Deus, peço que reflitam, não prossigam esse tipo de inquérito, a não ser que seja pela lei do abuso de autoridade, que está bem claro que quem divulga vídeos, imagens, áudios, do que não interessa ao inquérito. Está lá: um a quatro anos de detenção. O criminoso não é o Weintraub, não é o Salles.” O ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou que alguns membros do Supremo deveriam ser presos e o do Meio Ambiente, Ricardo Salles, quis aproveitar a atenção do país com a pandemia para cancelar regulamentações ambientais. Weintraub foi convocado a depor e o ministério da Justiça, de forma inusual, entrou com pedido de habeas corpus em seu nome para evitar o testemunho. (Poder 360)

Em essência, o presidente estava ameaçando não cumprir ordens judiciais expedidas pela principal corte do país. Pois no Supremo os ministros acompanham a escalada retórica do presidente com atenção. Pelo menos um dos ministros acredita que Bolsonaro está apenas dando uma de suas “bravatas de sempre”. Por enquanto, é dentro da ordem legal que o Planalto tem se movido. Para evitar o depoimento de Weintraub, por exemplo, o Palácio entrou com um habeas corpus. Mas há apreensão e alerta no prédio do STF, enquanto as decisões vêm sendo tomadas para conter os arroubos do governo. (Estadão)

Enquanto os Bolsonaros aumentam o tom, os militares põem água na fervura. O mais bolsonarista dos generais, Augusto Heleno, já havia descartado na própria quarta a possibilidade de intervenção. Ontem foi a vez do vice-presidente, Hamilton Mourão, em conversa com a jornalista Andreia Sadi. “Quem é que vai dar golpe? As Forças Armadas? Que que é isso, estamos no século 19? A turma não entendeu. O que existe hoje é um estresse permanente entre os poderes. Eu não falo pelas Forças Armadas, mas sou general da reserva, conheço as Forças Armadas: não vejo motivo algum para golpe.” (G1)

A preocupação dos generais de se afastar da possibilidade de rompimento constitucional vem em bloco. O ex-ministro Carlos Alberto dos Santos Cruz publicou artigo. “As Forças Armadas são instituições permanentes do Estado brasileiro e não participam nem se confundem com governos, que são passageiros, com disputas entre Poderes ou autoridades. O militar da reserva, seja qual for a função que ocupa, não representa a instituição militar. Foi justamente no regime militar que as FA decidiram, acertadamente, sair da política e ater-se ao profissionalismo de suas funções constitucionais. As Forças Armadas, por serem instituições de Estado, não devem fazer parte da dinâmica de assuntos de rotina política.” (Estadão)

Míriam Leitão: “O tribunal aprovou o fim da condução coercitiva do investigado. E se Abraham Weintraub não atender à ordem do ministro Alexandre de Moraes? Bolsonaro acredita que neutralizou o Ministério Público com a nomeação de Augusto Aras, a quem ofereceu ontem publicamente o cargo de ministro no STF. Acredita que consegue o apoio das Forças Armadas, pelas vantagens que deu aos oficiais, e que tem o respaldo das PMs, pelo ganho dado aos policiais militares. Durante a tarde, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, mandou o recado: ‘É bom dialogar, mas é bom ficar claro que nós vamos continuar reafirmando que a nossa democracia é o valor mais importante do nosso país e as instituições precisam ser respeitadas.’ Bolsonaro tentará ignorar recados e passar por cima dos limites.” (Globo)

Pois é. Enquanto isso, o Supremo se prepara para avançar. O ministro Alexandre de Moraes já tem informações suficientes para operações policiais explosivas, conta Mônica Bergamo. (Folha)

Enquanto isso... O Datafolha registrou rejeição recorde ao governo. A administração é vista como ruim ou péssima por 43% dos brasileiros, entrevistados entre 25 e 26 de maio. Mas o ótimo e bom continua no patamar de 33%. (Folha)

Meio em Vídeo: As instituições estão começando a responder com mais do que notas de repúdio. Assista.

Liberdade de imprensa não é construída por robôs

Tony de Marco

 
Robolsonaro

Viver


Pelo 3º dia consecutivo, o Brasil registrou mais de mil mortes por coronavírus; total chega a 26.754. Foram 1.156 registros nas últimas 24 horas. Em apenas um dia, o Brasil também contabilizou 26.417 novos casos confirmados, maior aumento diário no registro da doença. Ainda segundo o balanço da Saúde, o país tem 233.880 casos em acompanhamento e 4.211 óbitos em investigação. Cerca de 177.604 pessoas já se recuperaram da doença

É o sexto país com maior quantidade de mortes do novo coronavírus e pode ultrapassar, em breve, a Espanha — que teve 27.119 mortes contabilizadas até hoje segundo levantamento da universidade Johns Hopkins.

E um estudo inédito realizado pela Funcional Health Tech, plataforma independente de dados do setor de saúde no país, aponta que o pico de contaminação de Covid-19 no Brasil se dará em 6 de julho, quando o país chegará a 1,7 milhão de infectados pelo novo coronavírus. De acordo com o trabalho, estados do Norte apresentam os piores cenários, e o pico em SP se dará no dia 10 de julho.

Pois é. Diferentemente do Estado de São Paulo, que anunciou retomada de atividades econômicas apenas 15 dias após registrar recorde de novos casos de coronavírus, os países mais afetados pela pandemia esperaram ao menos um mês depois do pico para iniciar a reabertura.

Ali Mokdad dirige projeções do IHME, instituto usado pela Casa Branca como um dos modelos para monitorar Covid-19. Em entrevista à Folha, Mokdad diz que a tendência de aumento de casos no Brasil vai resultar no crescimento das mortes. Segundo ele, o país não entrou em "lockdown" cedo para impedir a propagação do vírus e o governo e a população brasileira não levaram isso a sério.

Sobre a necessidade de lockdown: “As infeções e mortes vão crescer e, a parte mais assustadora, haverá a sobrecarga total do sistema de saúde. Isso vai causar mais prejuízo à economia do que se fizer o isolamento por duas semanas. Se a população ficar em casa e levar isso a sério por duas semanas, registraremos diminuição da propagação do vírus e poderemos reabrir em fases.”.

Os Estados Unidos alcançaram 101.617 mortes até às 6h22 de hoje, segundo a contagem da Universidade Johns Hopkins. Bem acima dos 60.000 que a Administração calculou em seus prognósticos mais otimistas. Donald Trump comparou este desafio à Segunda Guerra Mundial, mas os Estados Unidos saíram daquele conflito fortalecidos como um líder global e guardião mundial das liberdades. Desta vez, enquanto acelera na corrida planetária pela vacina, o país não conseguiu ir muito além. Uma análise. (El País)

Rio de Janeiro, Brasil. O estudante João Pedro Mattos, de 14 anos, que morreu dentro de casa durante uma operação das polícias Federal e Civil do Estado, foi atingido por um único tiro pelas costas segundo o laudo cadavérico ontem pelo jornal Extra.

Minneapolis, Estados Unidos. Centenas entraram em choque com a polícia e atearam fogo a uma loja durante mais um dia de protestos pela morte de George Floyd, 46, um homem negro que teve o pescoço prensado contra o chão pelo joelho de um policial branco. Carros também foram queimados, e uma loja de departamentos foi saqueada. Fotos.

Cultura


A Espanha deu luz verde para o Autocine Race drive-in reabrir em Madri. Mesmo assim, o cinema reduziu a capacidade para 100 carros e introduziu medidas de distanciamento social. A página deles no Facebook.

O filme escolhido para reabrir a temporada foi Grease: Nos Tempos da Brilhantina, de 1978. Disponível na Netflix.

Uma nova obra de arte gigante em homenagem às vítimas do Covid-19 e aos profissionais de saúde aparecerá em breve no estacionamento do Museu Queens, em Nova York. O mural de 20.000 metros quadrados do artista cubano-americano Jorge Rodríguez-Gerada retrata um médico com uma máscara facial. Intitulado Somos La Luz, o trabalho coloca um rosto nas vítimas invisíveis e também destaca o fato de que as maiores taxas de mortalidade por coronavírus ocorreram em bairros predominantemente negros e latinos - provavelmente porque essas populações representam a maioria dos trabalhadores essenciais.

Cultura no fim de semana. Na programação do projeto Sesc Ao Vivo, realizado no YouTube e no Instagram, hoje tem show de Maurício Pereira, amanhã de Leila Pinheiro e, no domingo, de Geraldo Azevedo. Em teatro, Denise Weinberg lê o monólogo de O Testamento de Maria hoje, enquanto, amanhã, Ailton Graça faz trechos de Solidão, espetáculo inspirado em Gabriel García Márquez. O Masp realiza daqui a pouco, às 11h, o seminário online Histórias do Brasil, que antecipa seu programa para 2022, com participações de Adriano Pedrosa, André Mesquita e Lilia Schwarcz. De hoje a domingo rola o Festival Rebel Vive, criado para ajudar a casa de shows carioca Audio Rebel. No sábado, o selo Rocinante realiza o festival Rocinante no Estábulo, com apresentações de nomes como Jards Macalé, Letieres Leite e Nelson Angelo. Como parte das comemorações de 50 anos, no domingo, o MIS exibe no YouTube o curta Nasce o MIS, realizado em 1972 por então alunos de cinema da USP. Colecionismo de arte: mulheres no comando é o tema do bate-papo promovido pela Galeria Aura hoje com as colecionadoras Jéssica Cinel, Juliana Crispe e Veridiana Brasileiro. Para mais dicas culturais, assine a newsletter da Bravo.

Cotidiano Digital


Donald Trump seguiu com sua ameaça e assinou ordem executiva para regular as redes sociais. O movimento vem depois da polêmica com o Twitter, que identificou dois tuítes do presidente americano como possivelmente falsos. A medida de Trump muda a lei americana conhecida como Seção 230, que poupa as empresas de tecnologia de serem responsabilizadas pelos conteúdos publicados pelos usuários. Com as mudanças, as agências do governo terão mais poder para investigar vieses na política das empresas na curadoria das publicações.

A ordem tem levantado o debate sobre liberdade de expressão e interferência do governo em empresas privadas. Antes do anúncio da medida, Mark Zuckerberg disse que o governo não pode escolher censurar uma plataforma porque está preocupado com censura. Mas criticou a política do Twitter, dizendo que as redes sociais não devem ser “árbitros da verdade”. Horas depois, o CEO do Twitter, Jack Dorsey, respondeu que a plataforma vai continuar a mostrar informações incorretas sobre eleições no mundo.

E mais um tuíte de Trump foi marcado por violar as regras do Twitter sobre enaltecimento à violência.





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