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17 de junho de 2020
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STF se aproxima de quem paga atos antidemocráticos


O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, ordenou a quebra dos sigilos bancários de dez deputados e um senador, todos ligados ao presidente Jair Bolsonaro. Os pedidos fazem parte de uma nova investigação, aberta a pedidos do procurador-geral da República Augusto Aras, para identificar quem financia as manifestações antidemocráticas que pedem fechamento do Supremo, do Congresso e intervenção militar. Diferentemente do inquérito das fake news, este não envolve polêmica sobre sua legalidade. Ontem pela manhã, a Polícia Federal cumpriu 26 mandados de busca e apreensão contra 21 pessoas, incluindo empresários, blogueiros, youtubers e o deputado Daniel Silveira, responsável em campanha pela quebra da placa de rua com o nome da vereadora assassinada Marielle Franco. Entre os investigados estão Luís Felipe Belmonte, advogado fazendeiro que organiza e financia o futuro partido Aliança pelo Brasil, o blogueiro-youtuber Allan dos Santos, responsável pelo programa Terça Livre, e o publicitário Sérgio Lima, que desenhou o logo do novo partido e montou o app para coleta de assinaturas da legenda. (G1)

Bruno Boghossian: “As investigações sobre o núcleo radical do bolsonarismo chegaram ao pé da rampa do Planalto. As buscas autorizadas contra operadores partidários e a quebra de sigilo de parlamentares expõem os detalhes da máquina política que trabalha a serviço do presidente. A operação se aproximou ainda mais de deputados e empresários que fazem a ponte entre os manifestantes e o núcleo de poder do presidente. Ao anunciar a ação, a Procuradoria-Geral da República esboçou as conexões. ‘Uma linha de apuração é que os investigados teriam agido articuladamente com agentes públicos que detêm prerrogativa de foro no STF para financiar e promover atos que se enquadram em práticas tipificadas como crime pela Lei de Segurança Nacional’, afirmou o órgão. Bolsonaro já endossou o funcionamento dessas engrenagens e se beneficiou delas. As investigações também poderão mostrar até que ponto o presidente e seus auxiliares participaram da articulação dos ataques.” (Folha)

Vera Magalhães: “O Supremo já começou a sanear o inquérito das fake news. Primeiro, Alexandre de Moraes franqueou aos advogados dos investigados acesso às provas obtidas e aos indícios que balizaram as diligências determinadas por ele. As novas operações realizadas pela Polícia Federal e as quebras de sigilo de bolsonaristas se deram já no inquérito dos atos antidemocráticos, também relatado por Moraes, que teve trâmite padrão: foi aberto a partir de representação, e não por decisão do próprio STF, teve relator sorteado, e não designado, e o Ministério Público participa desde o início. Isso porque Moraes tem boas razões para crer que, no julgamento a ser retomado nesta quarta-feira, seus pares optem por estipular prazo, objeto e limites para o inquérito ‘supertrunfo’ das fake news, aberto por determinação de Dias Toffoli há mais de um ano e no qual cabe tudo e mais um pouco.” (Estadão)

Então... Bolsonaro respondeu de forma comedida. Escreveu um longo fio de tuítes sóbrios, na tentativa de construir o argumento de que o seu é um governo democrático. “Luto para fazer a minha parte, mas não posso assistir calado enquanto direitos são violados e ideias são perseguidas. Por isso, tomarei todas as medidas legais possíveis para proteger a Constituição e a liberdade do dos brasileiros”, concluiu. Respondia ao grupo mais radical que acusa o STF de perseguição. (Twitter)

Josias de Souza: “Em 20 dias, o capitão evoluiu de um linguajar autoritário — ‘Acabou, porra’ — para um palavreado civilizado — ‘Tomarei todas as medidas legais’. O diabo é que todos sabem que o Bolsonaro real é aquele do palavrão dito no improviso do cercadinho do Alvorada, não este do texto domesticado pela assessoria. O Bolsonaro genuíno superestima seu poder de mudar o Supremo no grito. O presidente do timbre terceirizado subestima o seu poder de mudar a si mesmo. Perdido em algum lugar entre a bravata e a realidade, o inquilino do Planalto sofre algo muito parecido com um cerco judicial. Precisa definir rapidamente um rumo. Sob pena de ser compelido a mudar não por enxergar a luz, mas por sentir o calor das investigações. Ficou claro que, além de pôr a língua na coleira, Bolsonaro precisa colocar os pés no chão. Na sequência, basta que o presidente comece a presidir, fechando a indústria do ódio e a fábrica de crises.” (UOL)

Aliás... Militares da ativa ocupam, hoje, 2.930 cargos nos Três Poderes. Destes, 92,6% estão no Executivo. (Poder 360)

No Planalto, está em curso a substituição de Abraham Weintraub no ministério da Educação. A ala ideológica tentou segurá-lo no cargo, mas a pressão para que saia é grande. O presidente busca ‘uma saída sem traumas’. Chegou-se a cogitar a possibilidade de uma embaixada, mas o Senado dificilmente aprovaria. Os filhos do presidente lutam para indicar seu sucessor. (Estadão)

Então... O ‘ideal’, conta Andreia Sadi, é a garantia de que, saindo, o ministro não será preso. Mas o Judiciário não dará esta garantia. (G1)

O vice-governador do Rio, Cláudio Castro, começou a falar em ‘gestão parlamentarista’. Ouviria mais os deputados. Embora não estimule, está a pleno vapor em conversas com parlamentares que decidirão o impeachment de Wilson Witzel. (Folha)

Viver


O Brasil teve 1.338 novas mortes registradas em razão do novo coronavírus nas últimas 24 horas, aponta levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias estaduais de Saúde. Com isso, já são 45.456 óbitos pela Covid-19. Esse é o 2º maior registro de mortes divulgadas pelas secretarias estaduais de Saúde em 24 horas desde o início da pandemia. O recorde anterior foi de 1.470 mortes no dia 4 de junho. (G1)

Segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde, o Brasil ultrapassou os 900 mil diagnósticos em três meses e meio. O primeiro foi registrado em 26 de fevereiro. Apenas em 4 de abril o Brasil atingiu 10 mil casos. Vinte dias depois, em 24 de abril, e os 100 mil diagnósticos eram confirmados, número que bateu em 500.000 no dia 31 de maio. O Brasil tem pelo menos 441 mil recuperados e 436 mil pacientes em acompanhamento. (Uol)

Após registrar primeira queda semanal, SP voltou a bater recorde de óbitos e novos casos em um dia desde o início da pandemia: 365 em 24 horas. O recorde anterior era de 340 vítimas, registrado no dia 10 de junho. No total, São Paulo contabiliza 11.132 mortes e 190.285 de casos de pessoas infectadas. O secretário estadual da saúde, José Henrique Germann, disse que para analisar o quadro da pandemia é levada em conta a observação semanal, e não o número registrado em um dia. O número, disse o coordenador, não reflete uma mudança de atitude do que aconteceu na semana passada. “O número de óbitos é um efeito bastante retardado, ele é alterado pelo que aconteceu há vinte, trinta dias”.Ainda segundo os dados divulgados pelo governo, o estado de SP tem uma ocupação de 70,6% nos leitos de UTIs. Na Grande São Paulo o número é de 77,1%. (Folha)

E o Rio de Janeiro dá início à Fase 2 da reabertura da economia. Veja as regras e as próximas etapas.

Resultados de testes anunciados ontem pela Universidade de Oxford mostraram que a dexametasona, que é usada para diminuir inflamações de outras doenças, reduziu as taxas de mortalidade em cerca de um terço entre pacientes de Covid-19 hospitalizados em estado grave. O teste comparou as reações de cerca de 2.100 pacientes que foram designados de forma aleatória para receber o esteroide com cerca de 4.300 pacientes que não o receberam. O remédio, entretanto, não mostrou benefícios em pacientes que não precisaram de suporte de oxigênio. Ou seja, não se mostrou eficaz em casos leves e nem como prevenção. (Reuters)

Médicos reforçam a importância de que as pessoas não se automediquem. Na maioria das vezes em que é indicado, o remédio não é usado sozinho. Ele age junto com antibióticos, antivirais ou antiparasitários.

Luciano Azevedo, médico do Hospital Sírio-Libanês: “Toda vez que a gente divulga uma pesquisa como essa, acaba gerando uma corrida às farmácias e as pessoas acabam querendo tomar até como prevenção. Não faz o menor sentido usar o corticoide nem como prevenção nem para pacientes em estado leve. Se tiver alguma indicação, é para os pacientes em estado grave, que precisam de oxigênio ou de respirador artificial”. (G1)

Uma thread. Vale lembrar que a Covid-19 tem fases bem distintas. Na fase inicial (azul) o que predomina é replicação viral. “Sabe o que corticoide faz com replicação viral? AUMENTA. Então é possível que nessa fase dar o remédio seja jogar mais gasolina na fogueira”, alertou o médico Fred Fernandes.(Twitter)

O medicamento é objeto de um estudo clínico também no Brasil. A Coalizão Brasil Covid, esforço coordenado pelos hospitais Sírio Libanês, Albert Einstein, HCor, Moinhos de Vento, Oswaldo Cruz e Beneficência Portuguesa para testar diversas drogas candidatas, está recrutando voluntários no País para testar a dexametasona em um estudo randomizado e com grupo controle também com pacientes com quadro severo da infecção pelo novo coronavírus. (Estadão)

Ao mesmo tempo, um estudo recente da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, oferece evidências de que as máscaras podem ser cruciais para evitar uma nova onda de infecções. A pesquisa afirma que os lockdowns sozinhos não serão suficientes para impedir futuras ondas de contágio. Segundo Richard Stutt, coautor do estudo, o uso generalizado de máscaras pelo público combinado com distanciamento físico e algum confinamento, poderá oferecer uma maneira "aceitável de lidar com a pandemia e retomar a atividade econômica muito antes de haver uma vacina." (BBC)

Pois é... Em plena quarentena, Brasil teve alta de 8% no número de assassinatos em abril. Foram 3.950 homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte em abril de 2020, contra 3.656 no mesmo mês do ano passado. Índice nacional de homicídios criado pelo G1 acompanha os crimes violentos mês a mês.

Cotidiano Digital


A plataforma de programação GitHub vai eliminar linguagem racista. Em meio aos protestos que acontecem nos EUA, a empresa da Microsoft anunciou que master (mestre) vai ser substituído por main (principal). Na programação, o termo costuma ser usado para indicar quando um processo tem controle sobre outro. A mudança não é nova no meio. Em 2018, o Python, uma das principais linguagens de programação, além de eliminar master também removeu a palavra slave (escravo) de sua linguagem.

A gigante chinesa dos games NetEase anunciou uma parceria com a Warner Bros Interactive Entertainment para desenvolver um novo jogo para celulares de O Senhor dos Anéis. O nome: The Lord of the Rings: Rise to War. (Reuters)

Cultura


Mais de 80 obras de arte contemporânea serão leiloadas no dia 24 de junho pela Sotheby's. O leilão, que mapeia a cena do pós-guerra europeu, reunirá obras notáveis de alguns dos artistas mais famosos dos últimos 80 anos. Destaques da venda incluem obras importantes de Jean Fautrier, Asger Jorn, Manolo Valdes e Victor Vasarely. Não custa olhar.

Brendan Gleeson interpreta o presidente dos EUA, Donald Trump. Jeff Daniels interpreta o ex-diretor do FBI, James Comey. A Showtime divulgou "um vislumbre" da série The Comey Rule. Será o primeiro retrato dramático de Trump desde sua eleição para a presidência. Anunciada no ano passado, The Comey Rule é baseada no best-seller do ex-diretor do FBI, A Higher Loyalty, e foi adaptada e dirigida pelo indicado ao Oscar Billy Ray. Estreia no final de novembro.





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