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26 de junho de 2020
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Prezadas leitoras, queridos leitores —

Na madrugada de 28 de junho de 1969, um grupo de policiais anunciou sua presença no Stonewall Inn, um bar popular na comunidade gay nova-iorquina. Ser homossexual era um profundo desafio. Aquela batida se dava por um conflito entre policiais corruptos e a máfia, que tinha no centro a exploração do preconceito, chantagem e um viver que se aproximava do pesadelo. Mas aquela batida policial, naquela madrugada, de alguma forma se tornou a gota d’água. Porque explodiu. No ano seguinte, a celebração do aniversário deu espaço para a primeira Marcha do Orgulho Gay. De lá vieram, nos EUA, os primeiros políticos assumidamente gays, a longa luta na pandemia da Aids até que enfim a Suprema Corte considerasse legal o casamento homoafetivo. Stonewall faz 51 anos no domingo e sua história, uma das mais importantes dos direitos civis do último meio século é a que contaremos na edição de Sábado.

É uma história dura, por vezes triste, mas também com momentos de intensa alegria. Uma história que ainda não terminou.

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— Os editores.


Justiça do Rio dá foro privilegiado a Zero Um


A 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio aceitou ontem, por 2 votos a 1, o recurso imposto pela defesa do senador Flávio Bolsonaro e concedeu a ele direito a foro privilegiado. O inquérito que o investiga deixa então as mãos do juiz Flávio Itabaiana, aquele que pediu a prisão preventiva do ex-chefe de gabinete Fabrício Queiroz, e passa para a segunda instância. É justamente o TJ o foro de deputados estaduais, mandato que Zero Um ocupava quando da rachadinha. A defesa do hoje senador agora pedirá que as provas colhidas durante a prisão de Queiroz sejam desconsideradas. (Poder360)

No Supremo, a decisão do TJ-RJ causou estranheza. O STF considera que o direito ao foro privilegiado termina com o fim do mandato. É uma análise que os desembargadores fluminenses escolheram ignorar. Se o Ministério Público recorrer da decisão, é justamente o Supremo que dará a última palavra, lembra Mônica Bergamo. (Folha)

Aliás... O ex-juiz Sergio Moro jamais teria julgado o ex-presidente Lula se o critério dos desembargadores fosse levado em conta, aponta Bela Megale. (Globo)

Enquanto isso... Três testemunhas afirmam que o agora ex-advogado de Flávio e do próprio presidente, Frederick Wassef, conhece Queiroz há pelo menos um ano e meio. Segundo o Jornal Nacional, Wassef acompanhava Queiroz quando ele deu entrada em um hotel em Atibaia dias após a lista do Coaf com seu nome ser divulgada, em 2018. (G1)

Em outro período, de acordo com o Jornal da Band, Queiroz ficou morando em outro apartamento de Wassef, no Guarujá, litoral paulista. O imóvel, de 200m2, ficava na Praia de Pitangueiras. (Band)

Carlos Alberto Decotelli, um oficial reserva da Marinha que presidia o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, substituirá Abraham Weintraub no comando do MEC. Evangélico, afirmou que sua prioridade é resolver os problemas da Educação. “O presidente solicitou a máxima dedicação para fortalecer a gestão e a comunicação do MEC para favorecer o diálogo”, afirmou, com um aceno de pacificação. “Nossa atitude será conversar com o conselho dos secretários de Educação para que, juntos, possamos pensar a maneira ideal de ajustar, porque a realidade brasileira é muito diferenciada na estrutura da saúde pública no atendimento à Covid. Então, não se pode adotar um padrão nacional.” Dacotelli é o primeiro ministro negro do governo Bolsonaro. (Estadão)

O auxílio emergencial seguirá nos próximos meses com mais R$ 1.200 — que poderão ser divididos em duas ou três parcelas. O anúncio foi feito pelo presidente em sua tradicional live das quintas-feiras. “Deve ser R$ 500, R$ 400 e R$ 300”, ele afirmou. O terceiro pagamento do benefício inicial, que durou três meses e pagou R$ 600, atingirá 64 milhões de brasileiros. (Poder 360)

O novo Datafolha, realizado entre 23 e 24 de junho, ouviu que 44% dos brasileiros consideram o presidente Jair Bolsonaro ruim ou péssimo. 32% o põem em ótimo ou bom e, 23%, regular. 46% dizem nunca confiar nas declarações do presidente. 32%, confiam às vezes. E 64% dos ouvidos acreditam que ele sabia onde Fabrício Queiroz estava escondido. (Folha)

Não custa observar... São três pesquisas distintas, com metodologias diferentes, e tomadas em datas próximas, embora separadas. As perguntas que cada uma faz também mudam resultados. Ainda assim, cá este Meio publicou estes resultados nos últimos dias. Segunda-feira, a Quaest, com o Jota, indicou que 21% dos brasileiros têm avaliação positiva do governo Bolsonaro. O DataPoder360, na quinta-feira, indicou que 41% aprovam o governo. E, hoje, o Datafolha afirma que 32% avaliam como ótimo ou bom o presidente. Estamos às cegas.

Cristiana Lôbo: “O presidente Jair Bolsonaro virou a chave e agora está no modo pacificação com a política e o Judiciário. ‘O presidente está em outra vibe e já sabe onde mora o perigo’, disse um interlocutor frequente. A mudança vem sendo notada há alguns dias. No último domingo, não compareceu a atos públicos de seus apoiadores, como vinha fazendo. Depois, aconteceu a demissão do ministro Weintraub que vocalizava de forma mais agressiva o discurso da ala ideológica do governo. E, nesta quinta, escolheu Carlos Alberto Decotelli para ministro da Educação, escolha que representa uma derrota da chamada ala ‘olavista’, uma vez que o novo ministro é militar e, embora afinado com políticas do governo, tem uma missão de abrir o diálogo com a academia, ponte que os militares gostariam de ver. O presidente deve sancionar a apelidada Lei Aldir Blanc, recém-aprovada pelo Congresso, que concede auxílio emergencial a músicos e artistas, ato que deve ser entendido como um aceno ao setor cultural, sobretudo aos músicos sertanejos, forró e gospel, segmento no qual ele já tem apoio. Bolsonaro estaria se afastando do discurso mais radical que, para aliados, foi comparado ao que aconteceu com o então presidente Lula, ao final de seu primeiro ano de mandato. Naquela ocasião, Lula tentou ‘enquadrar’ os mais radicais do PT que ficaram contra as reformas propostas pelo governo. O resultado foi a expulsão dos rebeldes que acabaram criando o PSOL. ‘Será que vai ser criado o PSOL da direita?’, questionou um aliado. Ideia difícil porque o entorno do presidente é o mais radical, incluindo aí seus filhos.” (G1)

O ministro Luiz Eduardo Ramos, da secretaria de Governo, pôs a farda de general de Exército e foi ontem ao Alto Comando. Anunciou a seus companheiros de armas que, em 1º de julho próximo, assina o documento pedindo sua transferência à reserva, conta Andréia Sadi. Já havia pressão há algum tempo para que o fizesse. Muitos militares temiam que seu trabalho, iminentemente político, passasse a impressão de envolvimento das Forças Armadas no governo. Ramos disse que tomou a decisão por acreditar que o governo Bolsonaro dará certo. (G1)

Meio em vídeo: Quem vê só bots ou fake news percebe árvores mas não vê a floresta. No Brasil, a campanha (e o governo) de Jair Bolsonaro aplicaram e aplicam as técnicas desenvolvidas na Itália para manipulação da opinião pública. O modelo foi usado antes na eleição do Movimento 5 Estrelas, depois no Reino Unido, durante o Brexit, e também pelo time de Donald Trump, nos EUA. Funciona. Quer entender o que fazem? Assista.


Corona Times

Tony de Marco

 
Velho-anormal

Viver


O Brasil teve 1.180 mortes registradas em razão do novo coronavírus em 24 horas, mostra levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias estaduais de Saúde. Com isso, são 55.054 óbitos pela Covid-19 até quinta-feira no país.

A evolução das mortes por Covid-19 em São Paulo cresceu em um ritmo cinco vezes maior do que nas duas primeiras semanas no mês de junho, segundo dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados. Passadas duas semanas do início do programa de reabertura econômica, os especialistas são unânimes em falar que medidas para atrasar ou acelerar a evolução dessa doença só tem impacto para a pandemia duas semanas após serem adotadas. O Plano São Paulo teve início no dia 1.º de junho.

E um estudo preliminar feito com pacientes hospitalizados com a Covid-19 descobriu que a doença pode causar danos no cérebro, causando complicações como derrames, inflamações, psicoses e sintomas análogos ao da demência em alguns casos graves. As descobertas da pesquisa são o primeiro olhar detalhado a uma série de complicações neurológicas ligadas à Covid-19, disseram pesquisadores, e ressaltam a necessidade de estudos mais amplos para descobrir os mecanismos por trás desses danos e ajudar na busca por tratamentos.

Há uma dúzia de surtos de Covid-19 ativos na Espanha, e eles não seguem um padrão. O coronavírus continua por aí. As sociedades médicas não estão vendo por enquanto nada que saia do roteiro previsto: sabiam que haveria surtos, e o crucial, dizem, é controlá-los a tempo. Mas mostram preocupação por certo relaxamento das medidas de prevenção por parte da população, que podem levar a um novo descontrole da epidemia. Estes surtos se refletem nos dados epidemiológicos. O relatório de  quarta-feira mostrou o maior número de novos positivos em três semanas: 196, sem somar os de Castela-La Mancha, que não puderam ser divulgados por problemas técnicos. É preciso recuar a 3 de junho para encontrar uma cifra pior: 219. Embora Madri, onde não se registrou nenhum foco, seja a região que mais notifica (50), foi em Aragão (49) que houve o maior repique, obrigando inclusive quatro comarcas da província de Huesca a retrocederem nos planos de reabertura.

Nos EUA, o NYT mostra visualmente como a epidemia saiu do controle.

Cultura


A Netflix anunciou suas novidades para o mês de julho. Entre as produções originais da empresa estão Cursed - A Lenda do Lago, série inspirada em uma obra de Frank Miller que estreia no próximo dia 17, os episódios finais de As Telefonistas e a 2ª temporada de The Umbrella Academy.

E 12 séries para ver no Amazon Prime Video em 2020. A seleção é da Revista Bula.

Destaque para Upload. A série se passa num cenário futurista, no qual os humanos podem ter a consciência transferida para um ambiente virtual pós-morte. Para assistir.

Gilberto Gil celebra hoje 78 anos em uma live a partir das 20h no YouTube. Além da comemoração, o show tem como objetivo arrecadar doações para profissionais da música afetados pela pandemia. Na programação do Sesc, transmitida pelo YouTube e pelo Instagram, hoje tem show de Letrux, amanhã de Fafá de Belém e, no domingo, de Tom Zé. O Itaú Cultural estreia hoje seu Palco Virtual com Viúvas – Performance sobre a Ausência, da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. A programação segue com A Borracheira, do Grupo Imaginário, no sábado, e Frida Kahlo – Viva la Vida, do Teatro do Ornitorrinco, no domingo. A cantora Mahmundi lança hoje, às 17h, o disco Mundo Novo em transmissão simultânea no Instagram da Casa Natura Musical e da CBN. Termina nesse fim de semana o Festival Rebel Vive, da casa de shows carioca Audio Rebel, com apresentações de Thiago Amud, Arismar Espírito Santo e André Muato, entre outros. A galeria Bergamin & Gomide promove hoje em seu Instagram uma conversa sobre Andy Warhol com Eric Shiner, ex-diretor do Andy Warhol Museum. No sábado, a Art Unlimited e a Agência Galo realizam um ciclo de conversas sobre Abraham Palatnik, pioneiro da arte cinética no Brasil que faleceu neste ano (é preciso se inscrever). No mesmo dia, Artur Lescher abre seu ateliê para o MAM de São Paulo. Outra boa opção para o sábado é a conversa entre a curadora Denise Mattar e a crítica Blanca Brites no Instagram da Fundação Iberê Camargo. No domingo, Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, algumas das principais drag queens brasileira se apresentam no Cabaret Pride Show. Jovem talento do violão clássico, Gabriele Leite participa de recital e entrevista da Cultura Artística, instituição da qual é bolsista, nessa segunda-feira. Aquecendo os motores para a sua 13ª edição, que ocorre no mês que vem, o Festival Latinidades, dedicado às mulheres negras da América Latina, realiza uma série de atividades no Instagram do CCSP a partir de quinta. Para mais dicas culturais, assine a newsletter da Bravo.

Cotidiano Digital


Por causa das quarentenas, o setor de games da América Latina deverá crescer 10,3% em 2020 na comparação anual, gerando US$ 6 bilhões em receita, segundo empresa de pesquisa Newzoo. A expectativa é de que a região tenha o segundo maior crescimento esperado para este ano, atrás apenas da região composta por Oriente Médio e África (+14,5%). Mas mesmo com esse crescimento, a América Latina representa apenas 4% da receita total esperada de US$ 159 bilhões no mundo — uma alta de 9,3% ante 2019.

Aliás… O setor, majoritariamente masculino, pode estar vivendo o começo de um #MeToo. Dezenas de mulheres foram às mídias sociais nos últimos dias para denunciar assédios sofridos por homens de destaque no mundo dos videogames e streaming. Algumas das denúncias já causaram demissões.

Para privacidade, o Google vai começar a apagar, automaticamente, a cada 18 meses, o histórico de busca e localização dos usuários.

E a Adobe avisou para começar a desinstalar o Flash Player, que só ficará disponível até 31 de dezembro de 2020.





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