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3 de julho de 2020
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Prezadas leitoras, caros leitores —

Pelo valor de face, o presidente Jair Bolsonaro parece estável nas pesquisas, com apoio de aproximadamente 30% da população. Mas há muito movimento nestes números. Enquanto perde simpatia na classe média, ganha entre os mais pobres. Muito deste movimento é atribuído ao auxílio emergencial, e evidências medidas em pesquisas mostram que há ganho de apoio real neste grupo demográfico.

Não são poucos os comentaristas que veem neste fenômeno um paralelo com o ex-presidente Lula que, entre o primeiro e o segundo mandato, viu uma mudança similar em sua base eleitoral. Naquele período, imediatamente após o Mensalão, perdeu apoio nas classes médias e, com políticas sociais, ganhou entre os mais pobres.

Mas este paralelo faz algum sentido? Nas redes sociais, há quem aponte falsa simetria. Entre os defensores da tese, porém, existe até um ex-secretário de Comunicação do governo Dilma — Thomas Traumann. Na Edição de Sábado, o Meio contará em detalhes exatamente o que ocorreu naquele período, por que foi feita a transferência e como, dela, nasceu o fenômeno que um leal amigo de Lula, o cientista político André Singer, batizou de Lulismo. Assim, fica mais fácil compreender em quanto Bolsonaro está copiando — e mesmo quais suas chances de sucesso a longo prazo com a tática.

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E saúde! :-)

— Os editores.


Em plena pandemia, bares lotam no Rio


Aglomeradas na calçada, sem máscara e violando as regras de isolamento social. Foi assim a primeira noite da reabertura de bares e restaurantes no Rio de Janeiro após três meses de quarentena. Depois das 22h, alguns pontos tradicionais, como o Pavão Azul, em Copacabana, e o Guimas, na Gávea, ficaram lotados.

As ruas do Leblon também chamaram a atenção. Na Praça Cazuza, a Guarda Municipal precisou intervir: determinou que bares do entorno fechassem suas portas para tentar dispersar cerca de 300 pessoas. Não funcionou. Uma banca de jornal e ambulantes continuaram vendendo bebidas alcóolicas. A aglomeração permaneceu até por volta da meia-noite. quando a Polícia Militar foi acionada. Nas redes sociais, vizinhos dos bares lotados, motoristas que passaram pelo local, políticos e famosos postaram vídeos e textos demonstrando indignação. Um deles foi o estilista Carlos Tufvesson, que ocupou o cargo de coordenador especial da Diversidade Sexual na prefeitura do Rio, em 2011. “Acho que a vacina chegou no Leblon e não estamos sabendo”.

Enquanto isso, o Brasil registrou ontem 1.277 novas mortes pela Covid-19 e 47.984 casos. Com isso, o país chega a 61.990 óbitos pela doença e 1.501.353 total de casos. As informações são coletadas diretamente com as Secretarias de Saúde estaduais e o balanço é fechado diariamente às 20h.

São Paulo e Rio de Janeiro tiveram os maiores números totais de mortes nas últimas 24 horas. Respectivamente, foram registrados 321 e 134 óbitos. Os estados de Goiás, Minas Gerais e Roraima bateram o recorde de mortes, com 51, 52 e 40 óbitos registrados. O Brasil tem uma taxa de cerca de 29,6 mortos por 100 mil habitantes. Os Estados Unidos, que têm o maior número absoluto de mortos, têm 39,4, e o Reino Unido, 66,3 mortos para cada 100 mil habitantes. Na Argentina, onde a pandemia desembarcou nove dias mais tarde que no Brasil, o índice é de 3,1 mortes por 100 mil habitantes.

Pois é... O governo ignorou crise do coronavírus e decidiu manter prestações da faixa mais vulnerável do Minha Casa, Minha Vida.

E a Covid-19 avança nos EUA, com 37 dos 50 Estados vendo os casos aumentando nos últimos 14 dias quando comparados às duas semanas anteriores em junho, de acordo com uma análise da Reuters. Ontem, o país estabeleceu um novo recorde: 51.000 infecções em um único dia. A Califórnia, um dos epicentros da nova explosão de casos, viu os testes positivos subirem 37% e as hospitalizações 56% nas últimas duas semanas.

É a sexta vez em nove dias que o país atinge um novo recorde diário de casos, aponta o NYT. O total representa um aumento de 87% em casos diários em relação a duas semanas atrás, quando os estados foram reabertos. Em 1º de junho, as autoridades da Flórida anunciaram 667 novos casos. Em 1º de julho, mais de 6.500. Ontem, mais de 10.100, um recorde. Agora, o aumento de casos mudou para o sul e o oeste, enquanto o país caminha para o fim de semana do 4 de julho. Na terça-feira, à medida que o surto se expandia, o Dr. Anthony S. Fauci, principal especialista em doenças infecciosas do país, alertou que novas infecções poderiam subir para 100.000 por dia.

17 vacinas estão hoje em fase de testes clínicos e acompanhadas pela OMS. O anúncio foi feito depois de dois dias de reuniões da agência com 1,3 mil cientistas de 93 países. Uma das participantes foi a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima. Sob testes no Brasil, a vacina contra a Covid-19 pesquisada pela Universidade de Oxford e pela empresa AstraZeneca entrou em sua terceira fase de testes clínicos. É hoje a que mais está avançada no que se refere ao seu desenvolvimento.

Sobre o medicamento remdesivir, há pesquisas conflitantes em relação ao antiviral, disse a cientista-chefe da Organização Mundial da Saúde, Soumya Swaminathan. Mas o plano é continuar com as pesquisas para alcançar resultados mais consistentes nas próximas semanas.

O buraco negro que mais cresce no universo tem 34 bilhões de vezes a massa do nosso sol e consome o equivalente a um sol por dia. O estudo foi publicado ontem na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Pesquisadores acreditavam que ele consumia a massa equivalente ao nosso sol a cada dois dias.

O J2157, como é conhecido, existe há mais de 12 bilhões de anos-luz no universo e é 8.000 vezes maior que o supermassivo Sagitário A *, encontrado em nossa própria galáxia. “Se o buraco negro da Via Láctea quisesse engordar a esse ponto, teria que engolir dois terços de todas as estrelas da nossa galáxia”, disse Christopher Onken, principal autor do estudo e pesquisador da Escola de Astronomia e Astrofísica da Universidade Nacional Australiana. Enquanto a luz não pode escapar dos buracos negros, o J2157 emite raios-X e luz ultravioleta devido ao seu “enorme apetite”. Os astrônomos também definiram esse buraco negro em particular como o quasar mais luminoso já conhecido. Quasares são buracos negros supermassivos em galáxias que emitem tanta energia através de seus discos gasosos que aparecem nos telescópios como estrelas.

O Campeonato Carioca deste ano não será mais transmitido pela Globo. A emissora disse ter rescindido o contrato que mantinha com a Federação de Futebol do Rio de Janeiro e com os clubes, mas manterá os pagamentos desta temporada. O motivo foi o Flamengo ter transmitido o jogo diante do Boavista em suas redes sociais, o que levou a emissora a considerar o ato uma violação de seus direitos.


Apoie quem carrega o Brasil nas costas

Tony de Marco

 
Motoboy

Política


À saída do Alvorada, ontem, uma apoiadora se queixou ao presidente Jair Bolsonaro de que a educação estava definhando. “A educação está horrível, no Brasil”, ele respondeu. “Talvez escolha hoje o ministro”, terminou. Ontem, porém, a escolha não ocorreu. (Correio Braziliense)

Há muito este tipo de encontro público não ocorria. Desde 1ª de junho, o governo tem levado os apoiadores que madrugam no Palácio para o jardim onde, longe dos microfones, o presidente vem mais ouvindo do que falando. Está num esforço para evitar a criação de novas crises. Este modelo calado, abatido, chegou a levar um velho amigo a lhe sugerir que renunciasse. “Por que você não larga isso tudo?” Bolsonaro fez que não. “Essa missão é coisa de Deus.” (Crusoé)

De acordo com o Datafolha, adeptos fiéis a Bolsonaro compõem 15% da população. São os mais leais. Vivem mais no Sudeste do que no Nordeste, têm renda maior do que três salários mínimos mensais — superior à média da população. Dentre eles, apenas 47% reconhecem que houve ditadura no Brasil a partir de 1964. Este número é de 83% nos outros brasileiros. (Folha)

Meio em vídeo: Por quanto tempo o presidente consegue segurar seu temperamento explosivo? E o que isto nos diz sobre as possibilidades de impeachment — ou de reeleição? Assista.

Aliás... A profunda dificuldade que o presidente americano Donald Trump está enfrentando para conseguir sua reeleição acendeu o alerta vermelho no Planalto. Porque Bolsonaro tornou uma aliança pessoal com seu par nos EUA a fundação de sua política externa, conta Gerson Camarotti, há preocupação de que num possível governo Joe Biden o Brasil termine isolado. (G1)

E talvez não seja surpresa, mas diplomatas estão com dificuldades de cumprir a missão de listar os efeitos positivos da gestão de Ernesto Araújo no comando da política externa. As exportações brasileiras diminuíram 20% entre 2018 e 19, lembra Guilherme Amado. (Época)

Pois é... Os radicas do governo estão se refugiando. Os filhos do presidente, assim como o ex-ministro Abraham Weintraub, estão migrando para a rede social conservadora Parler, conta Bela Megale. A mudança ocorre em meio a uma ação maior do Twitter para conter o discurso de ódio, mas é também repetição do movimento feito nos EUA pelos seguidores de Donald Trump. Com menos impacto, e menos gente fora da direita estridente, é um ambiente no qual podem conversar com liberdade e sem gerar crises, preocupação que o governo tem neste momento. (Globo)

Um dos mais ativos bolsonaristas nas redes, Bernardo Küster, demonstrava preocupação, ontem, no Twitter. “Povo, a ideia não é abandonar todas as redes sociais e ficar no Parler somente. Isto é idiotice e nunca propus isto. A ideia é expandir. Se der treta por aqui, ainda teremos lá. Há, porém, coisas que podem ser ditas lá e aqui não.” O medo é de perder influência no ambiente em que a opinião pública é mais atingida. (Twitter)

O Ministério Público do Rio intimou o senador Flávio Bolsonaro e sua mulher, Fernanda, a prestarem depoimento na próxima semana. O tema: rachadinha em seu gabinete da Assembleia Legislativa. (Globo)

Cultura


Chegou o fim de semana. Na programação do Sesc, transmitida pelo YouTube e pelo Instagram, hoje tem show de Breno Ruiz; amanhã, de Elza Soares e, no domingo, de Sapopemba. O ator Laerte Késsimos apresenta hoje o monólogo Ser José Leonilson, inspirado no artista da Geração 80, pelo Teatro João Caetano e, amanhã, a peça entra em cartaz no esquema "pague quanto puder". Em teatro, Debora Lamm apresenta hoje Mata Teu Pai; no domingo, tem Renata Sorrah com Em Companhia. E confira a programação de concertos, aulas e debates sobre música clássica e ópera que estão no cardápio do Festival Internacional de Música em Casa. Até domingo, o MIS-SP transmite os debates do Festival de Finos Filmes, com participação de Antonio Pitanga, Christiane Jatahy e Michel Laub, entre outros. Amanhã, às 16h20, a cantora Alessandra Leão apresenta Macumbas e Catimbós pelo Teatro de Contêiner Mungunzá. A partir de segunda, o Estudiofitacrepe começa a série Conversas Espiraladas. No mesmo dia, a Biblioteca Mário de Andrade convida Dione Carlos para um papo sobre dramaturgia negra no Brasil. Para mais dicas culturais, assine a newsletter da Bravo.

Tudo indica que o livro de Mary Trump, sobrinha do presidente dos EUA, será mesmo publicado. Uma nova decisão da justiça permitiu que a editora Simon & Schuster siga com o lançamento programado para o final deste mês. O livro sobre o tio Donald, a julgar pelos vazamentos publicados na imprensa, é comprometedor.

Cotidiano Digital


Os CEOs das quatro big techs, Amazon, Apple, Facebook e Google, concordaram em testemunhar perante o Comitê Judiciário da Câmara dos EUA. Essa será primeira vez que Jeff Bezos, Tim Cook, Mark Zuckerberg e Sundar Pichai testemunharão juntos em frente ao Congresso como parte de uma investigação antitruste que deve resultar em novas propostas de regulamentações para empresas de tecnologia. Ainda não se sabe se a audiência será pessoalmente ou virtualmente, mas deve ocorrer no final do mês.

Aliás… O boicote das empresas contra as redes sociais, principalmente ao Facebook, começou na quarta (1) e se estendeu para outros países, incluindo o Brasil. Já são mais de 650 empresas que aceitaram parar temporariamente de anunciar na plataforma para pressionar novas políticas contra discurso de ódio e fake news. Mas Zuckerberg não está preocupado, segundo o Information. “Não mudaremos nossas políticas ou abordaremos nada por causa de uma ameaça a uma pequena porcentagem de nossa receita ou a qualquer porcentagem de nossa receita”.





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