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17 de julho de 2020
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Prezadas leitoras, caros leitores —

O item mais importante da próxima edição da revista americana Hapers Bazaar não é a capa, um artigo ou reportagem — é uma carta ao editor. Curta, com três parágrafos apenas, inicia elogiando os protestos por justiça racial e reforma da polícia, daí enfrenta as forças antidemocráticas representadas, nos EUA, pelo presidente Donald Trump. Mas então bate de frente com a militância que vem da resistência à direita extrema e cobra demissões, pede a suspensão de livros ou impõe vergonha pública em ondas várias de ataque a quem pensa fora do que se convencionou chamar politicamente correto.

A carta é assinada por gente de toda sorte. A autora de Harry Potter, J. K. Rowling, e o linguista Noam Chomsky. O cientista político Francis Fukuyama e o jazzman Wynton Marsalis. O escritor Martin Amis. O psicólogo cognitivo Steven Pinker. Num discurso diverso de nomes, perguntam em conjunto: não estará em curso uma onda de censura ao debate franco?

Pinker é o alvo da vez. Mais de 550 professores assinaram um pedido para que seja retirado dos anais da Sociedade Americana de Linguística. Acusam o escritor de insensível a injustiças raciais e antifeminismo por apontar que há declínio na violência. No New York Times, uma editora da página de Opinião, Bari Weiss, se demitiu argumentando que não há espaço para a direita nas páginas do jornal.

Mas estarão certos os autores da carta? O editor do site Vox, Ezra Klein, argumenta que não. Jornalista de credenciais liberais indiscutíveis, Klein argumenta que a vida para muitos que vêm de minorias é muito mais difícil e que isto tem de ser levado em consideração no debate público.

É neste tema que entramos na edição deste Sábado. Não será um tema para qual traremos posição: é difícil demais. Mas apresentaremos os dois lados do argumento. São os assinantes premium que recebem estas edições. São dez reais por mês ou cem ao ano — são estes assinantes que sustentam o Meio. Os assinantes premium têm acesso a todas as edições de Sábado passadas. Precisamos, muito, deste apoio. E agradecemos.

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— Os editores.


Salles e Pazuello ficam, diz Bolsonaro


Em sua live tradicional das quintas, sozinho no Alvorada por conta da Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que não cederá a pressões e manterá o comando do ministério do Meio Ambiente e da Saúde. “Temos hoje vinte e três ministérios”, afirmou, “temos nove ministros militares. Sem contar com o vice Mourão. É proibido militar entrar na política? Salles fica e Pazuello fica.” No caso de Salles, a pressão é internacional — fundos de investimento ameaçam deixar o país caso nada mude a política em relação a Amazônia. “A Europa é uma seita ambiental”, afirmou o presidente. “Não preservaram nada e o tempo todo atiram em cima de nós de forma injusta.” Assista. (Poder 360)

Pois é... Salles quer R$ 230 milhões a mais no orçamento. Sem a verba, diz, não conseguirá agir para preservar a floresta a partir de agosto. De acordo com um estudo da revista Science, até 20% da soja e da carne exportadas pelo país vêm de áreas desmatadas. (Estadão)

Vera Magalhães: “Os generais podem até falar grosso com Gilmar Mendes em público, representar contra o ministro na Procuradoria-Geral da União, mas a verdade é uma só: ele acertou em cheio num nervo exposto nas Forças Armadas que, desde então, só evidenciam a cada dia os sinais de desconforto com a associação entre seu papel institucional e as crises políticas do governo Jair Bolsonaro. Como se fosse possível dissociar uma coisa da outra. O general Eduardo Pazuello, pivô das críticas de Gilmar, deixa claro que gostaria de voltar para seu posto na Amazônia, embora diga que não pedirá para deixar o Ministério da Saúde, que ocupa interinamente. Da mesma forma, a passagem para a reserva de outro ministro, o responsável pela articulação política Luiz Ramos, mostra que oficiais da ativa não estavam mais tolerando a mistura de papeis.” (BR Político)

Meio em vídeo: O ministro Gilmar Mendes sugeriu que os militares podem terminar associados a um genocídio praticado pelo governo Bolsonaro. É exagero? Assista.

Dados obtidos pelo Ministério Público indicam que Fabrício Queiroz, ex-chefe de gabinete do senador Flávio Bolsonaro, depositou em espécie R$ 25 mil na conta da esposa do senador, a dentista Fernanda Bolsonaro, no ano de 2011. Não foi o único depósito sem origem clara, e ajudou o casal a pagar a primeira parcela de um imóvel que haviam adquirido. (Folha)

Thomas Piketty: “A despeito do aumento da desigualdade nas décadas recentes, se compararmos a situação de hoje com a de cem anos atrás, ou com o século 19, a desigualdade é bem menor do que antes. Uma das exceções é o Brasil, onde a desigualdade ainda é muito grande, maior até do que na Europa do século 19 ou do começo do século 20. Tanto a crise financeira de 2008 quanto a atual pandemia em 2020 poderiam nos ajudar a compreender que precisamos de um sistema econômico mais equilibrado, justo e sustentável do que o que temos tido nas últimas décadas. Há alguns sinais de que a crise atual possa levar nessa direção, como na Europa, onde os membros poderão vir a decidir de forma conjunta o que fazer com o endividamento dos países e as linhas de um plano de recuperação. Essa é uma grande novidade, pois até agora a Europa foi apenas na direção de uma área de livre-comércio e de circulação de capitais. Mas de pouco espaço para um sistema de tributação comum. Isso é algo importante que pode sair desta crise e que precisamos acompanhar de perto.” (Folha)

Com base em números gerais das declarações de imposto de renda do ano base de 2018, o G1 produziu a lista das profissões mais bem pagas do Brasil. Titulares de cartório recebem, em média, mais de R$ 100 mil por mês. A eles seguem os membros do Ministério Público e do Poder Judiciário — R$ 53 mil os primeiros, R$ 51 mil os outros. Diplomatas, que frequentemente recebem em moedas fortes por conta de onde vivem, encostam nos R$ 40 mil, advogados do setor público têm em média R$ 31 mil e, a primeira profissão do setor privado na lista, médicos aparecem com por volta de R$ 30 mil ao mês. (G1)


Baile de máscaras

Tony de Marco

 
Novo-normal-Teatro

Viver


O Brasil registrou 1.299 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas, chegando ao total de 76.822 óbitos. Com isso, a média móvel de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 1.081 óbitos, uma variação de 6% em relação aos dados registrados em 14 dias. É a maior média móvel da pandemia pelo 4º dia. Com mais 43.829 casos confirmados, já são 2.014.738 brasileiros com o novo coronavírus. (G1)

A "média móvel de 7 dias" faz um cálculo do número de mortes entre o dia em curso e os seis anteriores. Ela é comparada com a média de 14 dias antes para indicar se há tendência de alta, estabilidade ou queda. O cálculo é um recurso estatístico para conseguir enxergar a tendência dos dados.

Sobre os Estados nas duas últimas semanas, levando em conta a média de mortes dos últimos 7 dias. Subindo: PR, RS, SC, MG, DF, GO, MS, MT, RO e TO. Em estabilidade: SP, PA, AL, BA, CE, MA, PB, PE, PI e SE. Em queda: ES, RJ, AC, AM, AP, RR e RN. (G1)

Resultados preliminares de um estudo liderado pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, associaram o uso da hidroxicloroquina à piora do quadro e morte pela Covid-19 em 1,5 mil pacientes com a doença. Os ensaios fazem parte do conjunto de ensaios clínicos "Recovery", que analisa vários remédios para a Covid-19 em 11 mil pacientes britânicos. Segundo o estudo, que ainda não passou por revisão de outros cientistas (a chamada "revisão por pares"), a hidroxicloroquina não reduziu a mortalidade e foi associada a períodos de internação mais longos e risco aumentado de morte ou necessidade de ventilação mecânica para o paciente.

Enquanto isso, pesquisadores tentam achar substâncias que ao menos auxiliem na aceleração do tratamento. Um estudo apontou que a cannabis, por meio de um derivado da maconha, o CBD (canabidiol), é vantajoso quando usado para combater os sintomas da doença. Foi realizado pelos pesquisadores da Augusta University, na Geórgia.

Por falar em tratamentos, uma lista atualizada, incluindo alguns dos mais promissores e potencialmente prejudiciais. Nos EUA, a FDA não regulamentou totalmente nenhum tratamento específico, mas autorizou o uso emergencial a alguns. Para verificar o status atual do desenvolvimento da vacina, consulte o Rastreador de Vacinas contra Coronavírus, ferramenta criada pelo NYT.

Sobre a imunidade contra a Covid-19, um estudo publicado na Nature indica que ela pode ser duradoura. Células T, responsáveis por parte da resposta imune do corpo, 'guardam' marcadores para a Sars de 2003, apontando uma possível imunidade a longo prazo também para o Sars-CoV-2.

Pois é... O Brasil e outros 74 países apresentaram uma manifestação oficial de interesse em participar do programa de financiamento chamado COVAX Facility, um mecanismo projetado para garantir, futuramente, acesso rápido e equitativo global às vacinas contra o novo coronavírus. Todos terão que custear as doses, quando com seus próprios orçamentos de finanças públicas.

Sete em cada 10 pessoas não tiveram qualquer tipo de informação ou contato com parente encarcerado no estado de São Paulo ao longo da pandemia do novo coronavírus. Entre os que conseguiram alguma comunicação, 27,1% disseram que foi por carta, 7,3% por advogado e outros 2,1% por assistente social ou prisional. Ainda assim, os relatos mostram que as correspondências muitas vezes não chegam ou demoram a chegar. A pesquisa é do Núcleo de Estudos da Burocracia da FGV em parceria com a Associação de Familiares e Amigos de Presos e Presas. De acordo com dados mais recentes do Departamento Penitenciário Nacional, 6.218 pessoas em privação de liberdade foram infectadas. Há outros 2.015 casos suspeitos e 66 óbitos causados pela doença.

E as fotos mais próximas já tiradas da superfície do Sol foram reveladas por uma sonda solar construída pela Agência Espacial Europeia e a Nasa. As imagens mostram uma paisagem repleta de milhares de minúsculas chamas solares, que os cientistas chamaram de “fogueiras”, dando indicativos sobre o calor extremo da parte mais externa de sua atmosfera.

Cotidiano Digital


O FBI abriu investigação contra o ataque hacker no Twitter. Os temores de que a vulnerabilidade do sistema possa representar riscos mais amplos para a segurança internacional são crescentes. O Twitter acredita que a invasão das contas de celebridades foi feita por meio de funcionários que tinham acesso aos sistemas e ferramentas internas, mas não disse como eles teriam agido.

Depois da Claro, é a vez da Telefônica ativar o 5G no país. A partir de 24 de julho, a rede estará disponível em bairros de oito cidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Goiânia, Curitiba e Porto Alegre. A conexão também será feita aproveitando as frequências hoje destinadas ao 4G.

As big techs e veículos de notícias estão se juntando para conter a disseminação de fake news durante as eleições americanas. O Project Origin inclui Twitter, Facebook, Microsoft, Google, BBC, New York Times, Washington Post, entre outros. Um mês antes das eleições, o projeto vai colocar marcas d'água digitais em conteúdos originais que avisam automaticamente se a mídia foi manipulada ou falsificada.

Por falar nas big techs… A Europa deu mais um passo contra elas. A Justiça europeia anulou o acordo sobre a transferência de dados pessoais entre a UE e os EUA, conhecido como Privacy Shield. Assim, Google e Facebook, por exemplo, que guardam os seus dados nas suas matrizes americanas, deixam de ter livre acesso a informações de usuários europeus.

Cultura


O arquiteto Gian Carlo Gasperini morreu aos 93 anos na noite de quarta-feira após complicações causadas por uma pneumonia. Ele é autor de algumas das obras mais importantes de São Paulo.

Bully. Covarde. Vítima. A História de Roy Cohn. Ivy Meeropol, neta do advogado que apadrinhou Donald J. Trump - o "mais duro, cruel, leal, vil e brilhante da América", segundo a Esquire - dirige este documentário. Roy Cohn ajudou a mandar os avós de Ivy, Julius e Ethel Rosenberg, para a cadeira elétrica. Eles foram declarados culpados de espionagem em 1951 por supostamente entregar planos da bomba atômica para a União Soviética. O filme acompanha a longa carreira de Roy, sua posterior ascensão ao poder em Nova York e sua relação pessoal e profissional com Donald Trump. Disponível na HBO Go.

E uma entrevista com Ivy.

Programação do fim de semana. A Casa de Francisca inicia amanhã a série de transmissões Até o Fim, Cantar com show do violonista e compositor Guinga, que completou 70 anos em 2020. Na programação do Sesc, transmitida pelo YouTube e pelo Instagram, hoje tem show de Angela Ro Ro; amanhã, de Elba Ramalho e, no domingo, de Leci Brandão. O bandolinista Hamilton de Holanda lança o disco Canto de Praya às 17h no perfis da Casa Natura Musical e da CBN no Instagram. Mais tarde, às 21h, o pianista Vitor Araújo se apresenta pelo Teatro Sérgio Cardoso na plataforma #CulturaEmCasa. O Galpão do Folias inicia hoje a edição virtual do festival Ocupação Folias, com transmissões de espetáculos e intervenções artísticas. No mesmo dia, o rapper Edi Rock faz uma live do projeto Origens no YouTube. Mais cedo, às 16h20, a atriz e MC Dani Nega se apresenta na Mungunzá Digital. Alcione, por sua vez, promete um show "com jazz, blues e meus grandes sucessos" às 18h, no YouTube. Para mais dicas culturais, assine a newsletter da Bravo.





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