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29 de julho de 2020
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Bolsonaro perde maioria no Congresso


Ainda não estão claras as consequências do cavalo de pau político dado por DEM e MDB no presidente Jair Bolsonaro, com a divisão do bloco no Congresso que lhe garantia apoio. Mas, ontem, a oposição celebrava a virada de jogo, de acordo com o Painel. A nova divisão entre os deputados tampouco está clara. Mas as negociações de hoje posicionarão o Congresso Nacional na briga política dos últimos dois anos de governo.

Vera Magalhães: “Não adianta nada nomes como Luiz Henrique Mandetta queimarem a largada especulando sobre candidatura presidencial a essa altura. Não bastasse haver um vírus à solta que terá matado 100 mil brasileiros até o início de agosto, ceifado milhões de empregos, virado o programa econômico de Paulo Guedes de cabeça para baixo e transformado as eleições municipais em nota de rodapé, isso para ficar só nos efeitos domésticos, outros acontecimentos em Brasília são pressupostos fundamentais para posicionar os corredores na linha de largada. Eles começam agora, nesse segundo semestre que inicia oficialmente em agosto. Não à toa Rodrigo Maia saiu do silêncio que vinha mantendo para comandar uma dissidência no ‘blocão’ de partidos da Câmara que deu suporte à sua presidência nesses quatro anos. Maia sabe que é vital não apenas para sua sobrevivência como líder político relevante, mas para a construção de qualquer projeto de centro dissociado do bolsonarismo e minimamente competitivo, manter o comando da Câmara no último biênio do governo. É ali, na Câmara, que pode nascer um dos temores maiores da existência do presidente, maior que acabar a cloroquina no meio da noite: a abertura de um processo de impeachment, algo que Maia evitou alimentar nesses dois anos de convivência tensa, mas que é um trunfo à mão de qualquer presidente da Casa, a depender do impulso das ruas, de um motivo jurídico e de combustível dos setores econômicos. Por tudo isso, para chegar competitivo a 2022 Bolsonaro tem de sobreviver não só ao 2020 do vírus e do desastre econômico como a dois últimos anos com atores no comando que ainda não estão em cena. Dois deles são escolhas de deputados e senadores, mas outros dependem da caneta do próprio Bolsonaro, que vai indicar, entre outros postos, um ministro do STF, Corte hoje hostil a ele e unida como poucas vezes, em novembro.” (Estadão)

Tales Faria: “Mesmo rachado, o Centrão não muda: continua em busca da maior expectativa de poder. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, soltou nota afirmando que a saída de seu partido e o MDB do Centrão é um fato costumeiro no Congresso, motivado apenas pela distribuição de cargos nas comissões. É o que se chama de uma meia verdade. O motivo foi político mesmo: Arthur Lira, líder do maior partido do centrão, o PP, resolveu apoiar abertamente o governo e encheu os olhos do presidente Bolsonaro com a possibilidade de fechar acordo com todo o bloco. O problema é que, até então, o grande líder do Centrão era o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. E ele não se dá com o presidente da República. Bolsonaro já se coloca como candidato à reeleição e Maia é postulante ao cargo. Com a saída do DEM e do MDB, o bloco de Arthur Lira caiu de cerca de 220 deputados para algo em torno de 150. Juntos, DEM e MDB têm apenas 63. Mas Rodrigo Maia deve tirar do bloco de Lira mais alguns integrantes. E deve manter-se com o apoio de partidos autointitulados ‘Centro independente’, ou ‘Novo centro’. Terá também cerca de 150 deputados. Assim, os dois Centrões que resultaram do racha do Centrão, tendem a continuar mandando na Câmara. Caso a maior parte se junte ao governo, sai vitorioso nas votações junto com Bolsonaro. Caso se junte à oposição, a derrota o é do governo.” (UOL)

Se a conversa com o vice-presidente Hamilton Mourão foi morna, líderes do setor privado recorreram ontem ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia — pediram a ele que trabalhe, no pós-pandemia, por uma retomada econômica que seja sustentável. Que tenha a preservação ambiental como prioridade. Um dos focos do grupo de 61 CEOs que inclui Itaú, Santander, Alcoa, BRF e Cargill é que nas linhas de crédito que venham a ser aprovadas pelo Congresso existam requisitos de sustentabilidade. (Poder 360)

A preocupação tem motivo de ser. A balança comercial brasileira anunciada na segunda está positiva — mas isto ocorre, em essência, porque a China importou muita soja. A exportação industrial está em queda, assim como as importações. Enquanto a dependência brasileira do agrobusiness cresce, aumentam também as pressões dos compradores, que exigem garantias de que o negócio é ambientalmente responsável. (Valor)

Pois é... O governo Bolsonaro publicou 195 atos relacionados a políticas ambientais durante o período da pandemia. No mesmo período de 2016, foram 16 atos. O aproveitar-se do momento de confusão ‘para passar a boiada’, como prometido pelo ministro Ricardo Salles, aconteceu. A maior parte das decisões foi com o objetivo de afrouxar as regras de proteção ambiental. (Folha)

Meio em vídeo: Colunista da Folha de S. Paulo, doutor em Sociologia, Celso Rocha de Barros é o entrevistado desta semana. Como está reorganizando seu governo Jair Bolsonaro? Quais os dilemas que o PT precisa resolver? Que caminhos há para a esquerda não-petista? Uma conversa com os liberais é possível? Em que parâmetros? Estas são apenas algumas das perguntas que ele responde. Assista.

Viver


O Brasil registrou 897 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas, chegando ao total de 88.634 óbitos. Com isso, a média móvel de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 1.005 óbitos, uma variação de -6% em relação aos dados registrados em 14 dias. Sobre os infectados, já são 2.484.649 brasileiros com o novo coronavírus desde o começo da pandemia, 38.252 desses confirmados no último dia. A média móvel de casos foi de 45.445 por dia, uma variação de 25% em relação aos casos registrados em 14 dias. No total, 8 estados e o Distrito Federal apresentaram alta de mortes: RS, SC, MG, DF, GO, MS, RO, RR e TO. E em relação aos dados de segunda (27), SC, AP e PA entraram em estabilidade.

Os números recentes não incluíram o do Estado de São Paulo, que não divulgou o balanço de mortes e de casos até as 20h. A Secretaria da Saúde alegou que mudanças no sistema do Ministério da Saúde dificultaram o processamento das informações.

Ainda sobre São Paulo, a prefeitura estima que a cidade já teve 1,3 milhão de casos — número sete vezes maior que os 182.027 oficiais.

A OMS chamou a atenção que esse vírus é uma grande onda e não se comporta como o da influenza que tende a seguir tendências sazonais. (Folha)

Pois é… O número de novos casos diários aumentou mais de 20% na Europa e no Canadá na semana passada. Cresceu cerca de 40% na Austrália e no Japão. Na segunda, Hong Kong registrou 145 casos, a maior contagem de um dia até agora e o sexto dia consecutivo de mais de 100 novos casos. E pelo segundo dia consecutivo, a China quebrou mais uma vez o recorde de casos diários desde março.

Sobre a volta das escolas, o Conselho Nacional de Educação recomendou aos sistemas de ensino de todo o país a flexibilização do controle de frequência escolar no retorno às aulas presenciais e a garantia aos pais para decidir sobre a volta dos filhos à escola. O Conselho da capital paulista se adiantou e prepara uma resolução que permite que o aluno que não for não receba falta e continue com o ensino remoto. Por outro lado, a Prefeitura vai pedir aos responsáveis que decidirem enviar os alunos às escolas que assinem um termo se comprometendo com regras sanitárias e se responsabilizando a estar disponível para buscá-los se tiverem qualquer sintoma.

A reação inicial do corpo à Covid-19 pode prever se a doença será grave. Isso que aponta um estudo de pesquisadores brasileiros em Yale e na Universidade Rockefeller publicado na revista Nature. Foram identificados, em alguns pacientes em estado moderado e grave da doença, excessos de substâncias do sistema imunológico, chamadas de citocinas, entre os dias 9 e 12 após o início dos sintomas. Assim, o desenvolvimento de um caso mais grave da doença não só estaria relacionado à carga viral, mas também a uma disfunção da resposta imune. (G1)

Sobre a vacina, a alemã BioNTech e a americana Pfizer anunciaram que vão começar a terceira e última fase da vacina BNT162b2 em voluntários de cerca de 120 locais por todo mundo, incluindo o Brasil. Segundo a OMS, outras quatro vacinas estão sendo testadas em humanos: a de Oxford, as chinesas da Sinovac e da Sinopharm, e da americana Moderna. (G1)

Segundo pesquisadores da Universidade de Pensilvânia, o vírus pode estar mais vulnerável às vacinas. A recente mutação chamada de D614G foi responsável por aumentar o número de espinhos que o vírus usa para invadir as células e tornar o novo coronavírus mais infeccioso. Porém, também pode tê-lo tornado alvo fácil para os anticorpos neutralizantes. (G1)

Morreu ontem, de Covid-19, o jornalista esportivo Rodrigo Rodrigues. Durante meia hora, os programas Sportscenter, da ESPN, e Troca de Passes, do SporTV, foram ao vivo conjuntamente, com dois apresentadores de cada na tela, para lembrar o companheiro perdido.

Cultura


Emmy 2020. A série Watchmen, da HBO, ficou em primeiro lugar nas indicações à premiação. Conquistou 26, incluindo melhor ator e atriz em série limitada para Jeremy Irons e Regina King. Em seguida, A Maravilhosa Sra. Maisel teve 20 nomeações, Ozark (18), Sucession (18) e The Mandalorian (15). A Netflix liderou indicações por plataforma com 160, estabelecendo um novo recorde anteriormente ocupado pela HBO com 137 em 2019. Este ano, a HBO aparece como a segunda com 107 nomeações, incluindo de melhor atriz de drama para Zendaya pela série Euphoria. A lista completa dos indicados.

Alguns ficaram de fora. Depois do sucesso em 2019, Big Little Lies só recebeu quatro nomeações, incluindo duas indicações de atuação para Laura Dern e Meryl Streep. Nicole Kidman, melhor atriz dramática em 2019, não foi reconhecida pelo seu papel na segunda temporada. O elenco de Better Call Saul também ficou em sua maioria de fora. Veja a lista dos nomes esnobados. A premiação acontecerá no dia 20 de setembro e deve ser virtual.

A prevalência de estantes em lives e entrevistas diversas não é coisa só brasileira. A turma do New York Times decidiu, pois, se divertir e investigar o que os livros dizem sobre quem aparece nas telas. Tom Hanks, por exemplo, é um rato de política e tem livro até com as transcrições das conversas de telefone do presidente Lyndon Johnson a respeito da Guerra do Vietnã. Gwyneth Paltrow tem volumes sobre a vida das estrelas na Riviera Francesa e as obras de Gustav Klimt. Yo-Yo Ma lê sobre como lidar com medo de palco. Cate Blanchett, por sua vez, tem livros sobre como o digital está matando o capitalismo como o conhecemos, além de uma edição completa do Dicionário Oxford. Em papel. São vinte volumes. E o príncipe Charles parece colecionar livros sobre cavalos ou que têm cavalos como personagens.

Cotidiano Digital


Pela primeira vez, hoje, os CEOs de Amazon, Apple, Facebook e Google serão confrontados em público a respeito das acusações de que suas empresas exercem monopólios. Os depoimentos, feitos na Câmara dos Deputados dos EUA, serão transmitidos ao vivo a partir das 14h30, hora de Brasília. As declarações iniciais que farão aos deputados já foram distribuídas e podem ser lidas.

A CES de 2021, maior feira de tecnologia do mundo e que sempre ocorre na segunda semana de janeiro, em Las Vegas, desta vez será 100% online.





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