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31 de julho de 2020
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Prezadas leitoras, caros leitores —

As eleições americanas vão atingir em cheio a política brasileira. É inevitável. Pela primeira vez na história, um presidente decidiu se manifestar publicamente em favor de um candidato à Casa Branca. Bolsonaro tem Donald Trump como referência de líder mundial — e Trump está muito atrás nas pesquisas. Tanto atrás que, ontem, sugeriu adiar as eleições argumentando que seria por segurança. Até parlamentares de seu próprio partido rechaçaram imediatamente a ideia.

O estado atual da política americana será o tema da edição especial do Meio neste sábado. Na semana que vem, o candidato democrata, Joe Biden, deverá anunciar o nome da mulher que vai compor sua chapa no cargo de vice. Biden fará 78 anos em novembro, um ano a mais do que Ronald Reagan tinha ao deixar a presidência. E Reagan é o homem que deixou mais velho a Casa Branca. Assim, o candidato democrata provavelmente não se candidatará à reeleição. É um dos motivos que fazem da escolha da vice chave. Ela pode vir a ser a primeira mulher presidente dos EUA em quatro anos.

Da Segunda Guerra para cá, todos os presidentes que estavam atrás na corrida, neste momento da campanha, não foram capazes de se reeleger. Mas isto não quer dizer que Trump não tenha possibilidade de virar o jogo. Porque pode, sim. E como uma derrota sua pode afetar o governo Bolsonaro? Vamos responder a esta pergunta.

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Weintraub vai pro Banco Mundial e luta contra corrupção arrefece


O ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, foi eleito por Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Haiti, Panamá, Filipinas, Suriname e Trinidad e Tobago para ser diretor-executivo no conselho do Banco Mundial. Será um mandato curto, tampão, que começa com a posse, na semana que vem, e se encerra em 31 de outubro. Houve muita resistência de funcionários do banco, mas o indicado é escolha dos países acionistas. O placar da votação não foi revelado. (Poder 360)

Pois é... Enquanto vai botando panos quentes nos radicais por um lado, por outro o presidente Jair Bolsonaro vai trabalhando para dificultar a vida dos procuradores que miram combate à corrupção, entre eles os que investigam seus filhos e ex-mulher. Em visita ao Piauí, aliás, Bolsonaro foi recebido por uma população entusiasmada que gritava ‘fim da Lava Jato’. (Yahoo!)

Enquanto isso... O procurador-geral da República, Augusto Aras, estuda dividir a força-tarefa no Paraná em quatro, eliminando a liderança de Deltan Dallagnol. É, de acordo com Mônica Bergamo, uma forma de enfraquecer a operação. (Folha)

E... O governo federal, em conjunto com o Supremo Tribunal Federal, quer tirar do Ministério Público parte de seu poder de fazer acordos de leniência com empresas. Estes acordos estiveram entre as principais ferramentas dos procuradores em investigações de corrupção. A J&F, por exemplo, havia oferecido inicialmente R$ 700 milhões por corrupção confessa mas, no final, aceitou pagar R$ 10,3 bilhões de ressarcimento. (Globo)

Não que surpreenda. Como lembra Guilherme Amado, durante o recesso do Supremo, o presidente Dias Toffoli suspendeu buscas e duas investigações contra José Serra, atuou para pressionar um juiz de primeira instância que investiga Aécio Neves, dissolveu a a comissão na Assembleia do Rio que analisa o impeachment de Wilson Witzel e arquivou um inquérito que investiga o presidente do STJ, João Otávio Noronha. Não satisfeito, arquivou também três inquéritos contra ministros do STJ e do TCU abertos após delações do ex-governador fluminense Sergio Cabral. (Época)

Bem... O ex-governador paulista Geraldo Alckmin se tornou réu, ontem, por corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral (caixa dois), quando o juiz Marco Antonio Martin Vargas aceitou denúncia do Ministério Público Eleitoral. A ação é por conta de um suposto caixa paralelo de R$ 11,9 milhões pago pela Odebrecht durante as campanhas de 2010 e 14, quando o político concorreu ao governo estadual. (Estadão)

Meio em vídeo: Política tem muito de jogo. Essa semana, quem levou a melhor foi Rodrigo Maia, que tirou da base de Bolsonaro o MDB e o DEM. Este é só o início da disputa que levará à campanha presidencial de 2022. Quer entender como estão as peças? Assista.

Mais de metade das empresas brasileiras tiveram dificuldades para realizar seus pagamentos na segunda quinzena de junho. E quase metade precisou postergar o pagamento de impostos para ajustar as contas. Os dados são do IBGE. A expectativa é de que os números de julho sejam piores. A região em que as empresas tiveram mais dificuldades foi a Centro-Oeste e a menos afetada foi a Sul. O setor mais duramente atingido foi o de Serviços prestados às famílias e o menos foi o de Construção. (Folha)


O deputado John Lewis, herói da causa antirracista nos EUA, foi enterrado ontem com honras. Fizeram elegias a ele os ex-presidentes Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama — o atual presidente não foi. O New York Times publicou um ensaio escrito pelo parlamentar nos dias anteriores à sua morte. Leia o original ou a tradução, publicada pelo Globo.

John Lewis: “Como muitos jovens de hoje, eu estava procurando uma saída, ou, como alguns poderiam dizer, uma entrada, quando ouvi a voz do Dr. Martin Luther King Jr. em um rádio antigo. Ele falava sobre a filosofia e a disciplina da não violência. Disse que todos somos cúmplices quando toleramos a injustiça. Disse que não basta dizer que isso vai melhorar a cada dia. Disse que cada um de nós tem uma obrigação moral de se levantar, erguer sua voz e se manifestar. Quando você vê algo que não está certo, você deve falar. Deve fazer alguma coisa. Democracia não é um estado. É um ato, e cada geração deve fazer sua parte para ajudar a construir uma nação e sociedade mundial em paz consigo mesma. Pessoas comuns podem resgatar a alma dos Estados Unidos, se envolvendo no que chamo de bons problemas, problemas necessários. Votar e participar do processo democrático são fundamentais. A votação é o agente de mudança não violenta mais poderoso que existe em uma sociedade democrática. Você deve usá-lo, porque não é garantido. Você pode perdê-lo.”


Pião da Causa Própria

Tony de Marco

 
Piao-da-causa-propria

Viver


O Brasil registrou 1.189 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas, chegando ao total de 91.377 óbitos. Com isso, a média móvel de novas mortes nos últimos 7 dias foi de 1.024 óbitos, uma variação de -3% em relação aos dados registrados em 14 dias. Em casos confirmados, já são 2.613.789 brasileiros com o novo coronavírus desde o começo da pandemia, 58.271 desses confirmados no último dia. No total, 7 estados apresentaram alta de mortes: RS, SC, RJ, GO, MS, AC e RR. (G1)

Centenas de mortes são causadas por falta de assistência. Só no Estado do Rio, ao menos 730 pessoas morreram entre abril e junho à espera de um leito de enfermaria ou UTI, segundo a Defensoria Pública do Rio. Uns foram internados quando o estado já era grave. Outros morreram em casa. Só na capital paulista, dobrou o número de óbitos por problemas respiratórios ocorridos no domicílio. As histórias de quatro brasileiros que morreram à espera de atendimento, sedativo ou dispensa do trabalho. (Estadão)

A pandemia do novo coronavírus completou ontem seis meses de emergência de saúde pública global. Em 30 de janeiro, a Covid-19 circulava por 19 países e nenhuma morte fora da China havia sido registrada. Atualmente, a transmissão está em 216 países e são mais de 17 milhões de casos e mais de 668 mil mortes, segundo a Universidade de Johns Hopkins. Para o diretor da OMS, a resposta à pandemia foi lenta. (G1)

Pois é… O Ministério da Saúde tem 9,85 milhões de testes parados por falta de insumos. O número é quase o dobro do que foi entregue até agora pelo governo federal aos Estados e municípios. O exame encalhado é do tipo RT-PCR, considerado o mais efetivo para o diagnóstico da doença. (Estadão)

A falta de testes afeta principalmente os mais vulneráveis. Só um em cada três profissionais de saúde dizem ter sido testados, segundo a FGV. No levantamento, apenas metade dos profissionais ainda disseram ter recebido equipamentos de proteção individual (EPI). E mais de 80% desse grupo conhece algum colega que já foi infectado. (Globo)

Ainda centenas de profissionais de saúde pelo Brasil estão com seus salários atrasados, e alguns continuam trabalhando inclusive sem receber. (BBC Brasil)

Algumas pessoas que não foram infectadas pelo novo coronavírus podem mesmo assim estar protegidas de uma infecção. É o que sugere um estudo publicado pela revista Nature. Mesmo sem ter sido expostos ao vírus, ao menos 35% dos participantes do estudo tinham, em seu organismo, células T reativas ao coronavírus, que são capazes de reconhecer e combater este invasor. Segundo os pesquisadores, essas células teriam adquirido uma “memória” para o vírus a partir de infecções anteriores — é o que eles chamam de imunização cruzada. A descoberta pode explicar porque a doença atua de forma diferente em cada pessoa. (G1)

Outro estudo do Hospital Infantil Ann & Robert H. Lurie de Chicago descobriu que crianças pequenas têm carga mais alta de coronavírus do que adultos. Testes moleculares (PCR) encontraram mais fragmentos do material genético do vírus em crianças doentes com menos de cinco anos do que em crianças com 5 a 17 anos ou mesmo adultos. A autora Taylor Heald-Sargent ressalta que o estudo ainda não comprova que as crianças são mais transmissíveis, mas é mais um passo para saber sobre o potencial de transmissão do grupo. (BBC Brasil)

Pois é… A reabertura das escolas tem tido resistência. Os professores de escolas estaduais de São Paulo realizaram uma carreata na quarta (28) contra a volta às aulas presenciais, prevista para acontecer no dia 8 de setembro. E não é só por aqui, nos EUA, os sindicatos de professores estão ameaçando entrar em greve caso vá para frente os planos de aulas presenciais e ainda estão pressionando para limitar o ensino remoto ao vivo.

Os EUA voltaram a registrar mais de 70 mil novos casos nas últimas 24 horas, com alguns Estados quebrando seus próprios recordes diários de mortes. Um relatório recente, enviado à Casa Branca, concluiu que 21 estados tiveram surtos graves o suficiente para justificar mais restrições. Segundo a Universidade de Johns Hopkins, o país soma mais de 4,4 milhões de casos e mais de 150 mil mortes.

Enquanto o tom mais moderado de Donald Trump sobre a pandemia durou pouco. (Estadão)

Às 8h50 de ontem a Nasa lançou o robô Perseverance rumo a Marte. O objetivo da missão é buscar vida em um local do planeta que já teve um lago há bilhões de anos. Se tudo ocorrer como previsto, o pouso no Planeta Vermelho deve acontecer em 18 de fevereiro do ano que vem. O robô vai ficar por lá dois anos para coletar amostras e, depois, enviá-las de volta à Terra. O Perseverance também carrega instrumentos para transformar dióxido de carbono em oxigênio para viabilizar futuramente uma missão com humanos para Marte.

Cultura


Chegou o fim de semana. Na programação do Sesc, hoje tem show de Alice Caymmi, amanhã, de Erasmo Carlos e, no domingo, de Larissa Luz. As apresentações serão transmitidas pelo YouTube e pelo Instagram. Em teatro, Fabiana Gugli interpreta Terra em Trânsito sob direção de Gerald Thomas e, no domingo, Soraya Ravenle apresenta o monólogo Instabilidade Perpétua, baseado no livro de Juliano Garcia Pessanha. Hoje à noite, Milton Nascimento interpreta clássicos de sua carreira na companhia de Liniker e Xênia França para arrecadar doações para o Fundo da Cidadania. A atriz, dramaturga e diretora Janaina Leite apresenta hoje a palestra-performance Stabat Mater na Mostra Fogo nas Entranhas, do projeto Sala Aberta #REC. Amanhã, o Núcleo Pequeno Ato estreia temporada digital do espetáculo Caso Cabaré Privê, concebido e dirigido por Pedro Granato. No domingo, às 21h30, é a vez de Denise Fraga revisitar A Vida de Galileu, de Brecht, no festival #CulturaEmCasa. A Sala Cecilia Meireles retoma a programação de concertos no ambiente virtual neste sábado, com uma apresentação voltada para todas as idades do Duo Santoro e familiares. Na segunda, a professora de teoria musical da Unesp, Yara Caznok dá uma palestra sobre o ciclo de canções Winterreise, de Schubert. No domingo, a atriz Camila Pitanga e a diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck, participam do seminário Adiante – Cultura em Futuros, da plataforma Antro Positivo. E agora em versão virtual, a série de concertos Osesp Masp volta nessa quarta com a apresentação de obras de câmara de Villa-Lobos, Ernst Dohnányi e Benjamin Britten, que serão articuladas com uma tela de Tarsila do Amaral em palestra de Sidney Molina. Para mais dicas culturais, assine a newsletter da Bravo.

Cotidiano Digital


Pagamentos mudarão radicalmente ainda este ano, no Brasil, com a chegada ao mercado do PIX e do Facebook Pay. O PIX será implementado por todas as casas bancárias que têm mais de 500 mil contas. Uma ordem de pagamento, que dispensa cartão ou dinheiro, chega instantaneamente à conta de quem recebe, pelo PIX. Deve acabar com o TED. Pelo Facebook Pay, será possível fazer pagamentos e transferência direto via WhatsApp. De fazer a feira no cotidiano a uma compra online, o uso de dinheiro deve diminuir muito.

Aliás... Não é coincidência, o Mercado Livre vai integrar o sistema PayPal de pagamento ao serviço. A companhia já tem seu próprio sistema de pagamentos online, o MercadoPago.

Em breve, o WhatsApp deve anunciar a função de silenciar grupos de conversa por tempo indeterminado. Outra função que está sendo testada é a possibilidade de até quatro dispositivos se conectarem a uma mesma conta simultaneamente. (Estadão)





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