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25 de agosto de 2020
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Bolsonaro e Guedes não se entendem, pacote adiado


Um impasse entre o presidente Jair Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, forçou o adiamento do pacote econômico que o governo pretendia anunciar hoje. Bolsonaro gostaria de estender o auxílio emergencial até o final do ano, com valor reduzido, mas que chegasse a pelo menos R$ 300. A equipe econômica fez uma proposta de R$ 270. As projeções da dívida pública em 2020 chegam a 100% do PIB e o desembolso com o auxílio já ultrapassou a conta de R$ 254 bilhões — são aproximadamente R$ 50 bi mensais. Guedes gostaria de acelerar a transição do auxílio para um novo programa, que substituirá o Bolsa Família e terá maior abrangência, batizado Renda Brasil. Mas também sobre isto há debate — o Renda Brasil custará, anualmente, R$ 20 bi a mais do que o Bolsa Família. Para compensar os gastos, o ministro gostaria de extinguir assistências que sua equipe considera ineficientes — caso do abono salarial, seguro-defeso e farmácia popular. Tampouco foram definidos o perfil dos beneficiários do novo programa ou o número, fundamentais para o cálculo do valor mensal a ser distribuído. (Folha)

Do presidente, em conversa com militantes à porta do Alvorada: “Tem um pessoalzinho chato querendo prorrogar indefinidamente, mas são R$ 50 bilhões por mês. Não dá. Estão pensando em prorrogar alguns meses, mas não com R$ 200 e nem R$ 600, um meio termo.” (BR Político)

Então... O Ministério Público pediu ao Tribunal de Contas da União que olhe com lupa para as relações entre Banco Central e Tesouro Nacional. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, perguntou ao TCU se poderia repassar R$ 400 bi para o caixa do governo. De acordo com Lauro Jardim, os procuradores veem nesta transação pouco habitual, em um governo que demonstra ímpeto de gastar, espaço para pedalada fiscal. (Globo)

O temor de muitos a respeito do debate sobre manter ou não o teto de gastos, assim como sobre o pacote por ser anunciado, não passa apenas pela discussão de teoria econômica. Se explica por um trecho do editorial do Globo de hoje. “A ideia é reunir sob um mesmo slogan, Pró-Brasil, um emaranhado de propostas capazes de dar ao presidente Jair Bolsonaro uma nova bandeira eleitoral, de olho na reeleição. Antes de programa para a economia, portanto, o que vem aí é mais uma peça de propaganda.” (Globo)

Aliás... Bolsonaro teve, entre domingo e segunda, seu pior momento no Twitter. Foram mais de 2,4 milhões de tuítes o citando, 85% deles negativos. De acordo com levantamento da Arquimedes, em média foram 2,7 mil tuítes por minuto, em resposta ao ataque do presidente ao repórter do Globo que lhe perguntou sobre os R$ 89 mil depositados por Fabício Queiroz na conta da primeira-dama, Michelle. (Piauí)

O presidente ainda não explicou a origem do dinheiro.

Outro tema popular no Twitter: o trecho do documentário O Fórum em que o ex-vice-presidente americano Al Gore comenta com Bolsonaro, em Davos, de sua preocupação com a Amazônia. “Temos muitas riquezas”, ele responde. “Gostaria muito de explorá-la junto com os Estados Unidos.” Gore, atônito, lhe retorna. “Não tenho certeza se entendi.” (Twitter)

O ministro Edson Fachin determinou que o Conselho Nacional do Ministério Público julgue, hoje, a representação do ex-presidente Lula contra o procurador Delta Dallagnol. Lula quer que o coordenador da Lava Jato em Curitiba seja punido por abuso de poder por ter acusado o ex-presidente de chefiar uma organização criminosa com um PowerPoint. (Poder 360)

A deputada federal Flordelis foi denunciada pelo MP-RJ por ser mandante da morte do seu marido o pastor Anderson do Carmo, executado com mais de 30 tiros em 2019. Ontem, oito pessoas foram presas, entre elas, estão cinco de seus filhos e uma neta. No total, sete filhos de Flordelis estão presos. A deputada, que nega participação, não pôde ser presa por causa da imunidade parlamentar. Após o assassinato, ela passou a prometer vantagens financeiras para manipular os filhos e tentar evitar que fosse envolvida no crime. Segundo a polícia, já em 2018, Flordelis começou a tentar matar o marido botando arsênico na comida dele. O pastor controlava todo o dinheiro do Ministério Flordelis, hoje rebatizado de Comunidade Evangélica Cidade do Fogo. (G1)

Viver


O Brasil registrou 679 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas, chegando ao total de 115.451 óbitos. Com isso, a média móvel de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 971 óbitos, uma variação de -3% em relação aos dados registrados em 14 dias. Em casos confirmados, já são 3.627.217 brasileiros com o novo coronavírus desde o começo da pandemia, 21.491 desses confirmados no último dia.

Na linha de frente. A cada minuto um profissional de saúde é infectado pelo novo coronavírus no Brasil. São 258.190 trabalhadores com a Covid-19, segundo dados do Ministério da Saúde. Os profissionais mais atingidos são técnicos de enfermagem.

E mais registros de pessoas aglomeradas e sem máscara, desrespeitando decretos estaduais. Dessa vez no Piauí, durante uma vaquejada.

Humanos podem ser infectados mais de uma vez com o coronavírus. O primeiro caso documentado é de um homem de 33 anos em Hong Kong que contraiu o vírus no final de março e, mais de quatro meses depois, foi infectado novamente durante uma viagem à Europa. A prova está no sequenciamento do genoma do vírus das duas infecções, que os pesquisadores descobriram ser significativamente diferentes. A segunda cepa era uma que circulava na Europa quando ele estava lá. A possibilidade teórica de reinfecção não é uma surpresa segundo especialistas. “Não podemos simplesmente obter imunidade de rebanho de forma natural, porque apenas as vacinas podem ser capazes de produzir o tipo de resposta imunológica que pode prevenir a reinfecção”, aponta Mandavilli, repórter de Ciência do New York Times.

Ainda não se sabe muito sobre o caso. Os pesquisadores anunciaram sua descoberta em um comunicado à imprensa. O detalhe mais importante: o homem não era sintomático durante sua segunda infecção, o que mostra que seu sistema imunológico respondeu ao vírus. “Isso não é motivo para alarme”, tuitou a imunologista de Yale Akiko Iwasaki sobre os novos resultados de Hong Kong. “Este é um exemplo clássico de como a imunidade deve funcionar”.

A confirmação do 1º caso de reinfectado pode ter impacto direto no desenvolvimento de uma vacina. A reinfecção indica que a imunidade contra o vírus seria temporária. Assim, uma dose única do imunizante não seria suficiente para garantir proteção por longo prazo. Além disso, quem já teve a doença também teria de receber a vacina. No Brasil, a Universidade de São Paulo e a Fiocruz investigam 20 suspeitas de reinfecção.

Mas o fato não deixa de levantar mais dúvidas sobre os testes de anticorpos. Considerados imprecisos, alguns procuram os anticorpos errados e mesmo os anticorpos certos podem desaparecer, aconselharam especialistas da Infectious Diseases Society of America. E porque os testes de anticorpos não podem dizer se você está imune a infecções subsequentes, eles são inúteis como justificativa para flexibilizar o uso de máscara e distanciamento social.

Quase todos os países do mundo — exceto 10 — tiveram casos de Covid-19. Palau, Micronésia, Ilhas Marshall, Nauru, Kiribati, Ilhas Salomão, Tuvalu, Samoa, Vanuatu e Tonga. (BBC)

E era o oceano azul-celeste que mantinha Palau ocupada por conta do turismo. Antes da pandemia, os 54 quartos do hotel mais antigo da pequena ilha tinham uma taxa de ocupação de 70% -80%. Mas quando as fronteiras se fecharam, não havia mais hóspedes.

Enquanto isso, os casos de coronavírus estão diminuindo nos EUA e a explicação estaria nas restrições: máscaras e distanciamento. Entenda o porquê segundo especialistas. (New York Times)

Hora de Panelinha no Meio. Tem aniversariante em casa? Visite o especial com receitas para festinhas em versão quarentena. Tem bolo, brigadeiro, sanduíche, drinques. Aí é só marcar o Zoom com os convidados e exibir a linda mesa (e se deliciar enquanto comemora). Não tem aniversariante? Um bolo gostoso pode virar um projeto para o fim de semana, para sair da rotina nesses tempos tão estranhos. Muita gente tem encontrado na cozinha um refúgio, para desligar um pouco da dura realidade. Confira o especial Festa em casa no site da Rita Lobo.

Cultura


Precisamos falar de Luster, livro de Raven Leilani, talvez a estreia mais elogiada do ano na literatura americana. É um livro que tem sido tão elogiado que talvez desagrade alguns. Normal...

Edie, a protagonista, é uma mulher negra, de 23 anos, desiludida e cética, que trabalha como editora assistente e não alimenta sonhos sobre a indústria. Ela se apaixona por Eric, um homem branco muito mais velho que vive um casamento aberto. O enredo nos leva de seu namoro online para Edie indo morar com ele e sua esposa, Rebecca. É um ménage tenso, iniciado por Rebecca - uma mulher que tem um interesse frio por Edie e espera poder aconselhar a filha adotiva de 12 anos do casal. É a estranha atração entre Edie e Rebecca - “dois ímãs de carga idêntica” - que impulsiona a história. Ainda sem tradução para o português, mas disponível no Kindle.

Lang Lang, um dos mais bem pagos artistas da música clássica, retorna gradativamente após a lesão sofrida em 2017 - e com um novo repertório. Este ano, isso significou focar em uma turnê com as Variações Goldberg, de Bach, e uma gravação deste trabalho na Deutsche Grammophon no próximo mês.

Sobre o que aprendeu com as Variações Goldberg: “Bach é um outro planeta. Quando me encontrei com Andreas (Andreas Staier, organista alemão), ele me disse que essa peça exigia um conhecimento real por trás da estratégia. Não se pode pensar nela como uma peça ou concerto de 10 ou 30 minutos. Ele disse que eu tinha de aprender cada variação com calma e não ficar agitado na Variação 1.”

Tocando Chopin para alegrar seu dia.

E Beethoven, Piano Concerto No. 5. Vídeo completo e comentado.

A SP-Arte realiza desde ontem sua primeira edição virtual em 16 anos de existência – criada pela empresária Fernanda Feitosa, ela continua sob sua direção, abrigando agora em ambiente virtual 136 galerias, número ligeiramente menor que o registrado na edição física do ano passado (164 expositores). A feira pode ser visitada no site .

Cotidiano Digital


A pressão contra o TikTok nos EUA teve um ajudante: Mark Zuckerberg. Segundo o Wall Street Journal, em reuniões privadas com legisladores americanos no ano passado, o CEO do Facebook argumentou que a ascensão das empresas chinesas de internet ameaçava a economia americana e deveria ser uma preocupação maior do que controlar o Facebook. A conversa deu resultado. Dias depois senadores que estavam presentes escreveram uma carta a autoridades de inteligência pedindo um inquérito sobre o TikTok. O Facebook tem muito a ganhar com a pressão contra a chinesa e já aproveitou e lançou o seu competidor, o Feels, no Instagram. A big tech ainda criou um grupo de defesa, chamado American Edge, que começou a veicular anúncios exaltando as empresas de tecnologia dos EUA e no primeiro semestre deste ano, gastou mais em lobby do que qualquer outra empresa.

Enquanto, como esperado, o TikTok entrou na Justiça contra o decreto do governo americano.

Ficou sem Zoom? Ontem a principal plataforma de videoconferência saiu do ar durante a manhã em diversas partes do mundo, principalmente no Reino Unido e nos EUA, mas também com vários casos por aqui. O problema foi na autenticação, que impediu a conexão dos usuários.





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