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24 de setembro de 2020
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Impeachment de Governador do Rio começa por unanimidade


Foi por unanimidade — 69 votos a zero — que os deputados estaduais do Rio encaminharam a julgamento o governador Wilson Witzel. Acusado de crime de responsabilidade por desvio de dinheiro público, cinco deputados e cinco desembargadores do Tribunal de Justiça local definirão primeiro se ele deve ser afastado do cargo e, depois, se perderá os direitos políticos. Na próxima terça-feira a Assembleia Legislativa escolherá os parlamentares, enquanto no TJ serão sorteados os desembargadores. O prazo do processo é de 120 dias a começar de hoje. “Esta casa está em vias de aceitar, pelo visto já é unanimidade, então para que vou tentar me defender”, questionou Witzel por vídeo remoto. “Não posso me defender quando os juízes já previamente manifestaram que vão votar sim no meu processo. Que julgamento é esse?” Witzel é acusado de ter recebido pelo menos meio milhão de reais em contratos falsos do escritório da primeira-dama — dinheiro oriundo da saúde, durante a pandemia. (G1)

Maiá Meneses: “O placar de 69 a 0 da Alerj indica que os cinco deputados não mudarão seu voto. Os desembargadores serão cruciais para o destino do ex-juiz. Para ter maioria, precisará que os magistrados se convençam de sua inocência. É um momento histórico para o TJ do Rio decidir sobre o impedimento permanente de um governador. Com a decisão da Alerj, o outsider, eleito no esteio do anseio do morador do Rio por novas formas de fazer política, volta para sua casa, no Grajaú, Zona Norte da cidade. Terá que deixar o Palácio Laranjeiras. Seu conhecimento jurídico, acumulado na magistratura e nos tempos que atuou como advogado, deverá ser usado na defesa também da ação criminal que corre no Superior Tribunal de Justiça. Enquanto o destino político do ex-juiz era chancelado, o governador em exercício, Cláudio Castro, despachava normalmente em seu gabinete. Nem à votação assistiu. O desfile de parlamentares que falaram no plenário, em uma inédita exibição de máscaras, chancelou o que era esperado: depois de afastado juridicamente, por seis meses, pelo STJ, Witzel recebeu o carimbo político para a decisão. O estado do Rio está nas mãos de Castro. O futuro do ex-juiz caiu oficialmente nas mãos da Justiça do Rio.” (Globo)

Há uma onda de impeachments em curso no Brasil. Desde que a ex-presidente Dilma Rousseff foi afastada do cargo, estiveram ameaçados do processo os ex-governadores de Minas, Fernando Pimentel, e do Rio, Luiz Fernando Pezão. E estão sob ameaça, além de Witzel, o catarinense, Carlos Moisés, e o amazonense, Wilson Lima. “O que foi pensado, em 1950, para ser um instrumento absolutamente excepcional, vem se tornando lugar-comum na disputa político-partidária, sobretudo como forma de tensionar as relações entre Executivo e Legislativo”, afirma Guilherme Casarões, da FGV. “2016, nesse sentido, foi um marco importante, pois mostrou que o argumento jurídico do impeachment — o crime de responsabilidade — era menos importante que as condições políticas”, continuou, se referindo ao caso de Dilma. “O custo de se fazer um impeachment abaixou. O custo era muito alto. Ou pelo menos era percebido como muito alto, quando aconteceu com o Collor”, vê o consultor João Villaverde. (BBC)

O candidato dos Republicanos, Celso Russomano, lidera a corrida pela prefeitura paulistana com 29% dos votos, de acordo com o Datafolha. Bruno Covas, do PSDB, tem 20% e os eleitores que dizem planejar votar branco ou nulo compõem 17% do conjunto. Guilherme Boulos (PSOL) tem 9% e, Márcio França (PSB), 8%. A margem de erro é de três pontos percentuais. Russomano vem fazendo campanha como candidato do presidente Jair Bolsonaro. (Folha)

Então... Com 1% de intenção de votos, o candidato do Partido Novo à prefeitura da capital paulista, Filipe Sabará, foi suspenso pela legenda. O Conselho de Ética Nacional analisa um pedido de impugnação da candidatura que é mantido em sigilo. A acusação não foi divulgada. Há um racha interno do Novo, entre bolsonaristas — o que inclui boa parte da bancada de deputados federais e o governador mineiro, Romeu Zema — e antibolsonaristas, capitaneada pelo fundador, João Amoêdo. Sabará, que elogiou Paulo Maluf como o maior prefeito que São Paulo teve, faz parte do primeiro grupo. (Estadão)

Com aval de Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a defender a criação de um novo tributo que ele chamou de “alternativo”, nos moldes da extinta CPMF. O tributo ainda não foi detalhado, mas incidiria sobre operações de pagamentos, principalmente as digitais como contrapartida para a desoneração da folha de salários. “Queremos desonerar, queremos ajudar a criar emprego, facilitar a criação de empregos? Então vamos fazer um programa de substituição tributária”, disse o ministro. “Da mesma forma, queremos criar renda? Sim (...) Descobrimos 38 milhões de brasileiros, que eram os invisíveis, temos que ajudar essa turma a ser reincorporada no mercado de trabalho, então temos que desonerar a folha, por isso que a gente precisa de tributos alternativos para desonerar a folha e ajudar a criar empregos”. (UOL)


Um júri de Louisville, Kentucky, indiciou o policial responsável pela morte de Breonna Taylor por ação irresponsável que a expôs ao risco. Breonna, que é negra, foi morta quando três policiais invadiram sua casa. Seu namorado acreditando se tratar de um assalto, disparou em defesa — os policiais, brancos, retribuíram com mais de 32 tiros. Manifestantes imediatamente tomaram as ruas da cidade em protesto contra a acusação leve e o fato de que os outros dois não irão a julgamento. Breonna, que tinha 26 anos, é um dos símbolos do movimento Black Lives Matter. (New York Times)


O clã Bolsonaro e a matilha de dinheiro vivo

Tony de Marco

 
Dinheiro-vivo

Viver


O país registrou 906 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas, chegando ao total de 139.065 óbitos desde o começo da pandemia. Com isso, a média móvel de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 699 óbitos, uma variação de 1% em relação aos dados registrados em 14 dias. No total, 5 estados apresentaram alta de mortes: RJ, GO, AM, AP e BA. Em casos confirmados, já são 4.627.780 brasileiros com o novo coronavírus desde o começo da pandemia, 32.445 desses confirmados no último dia. (G1)

Uma das cidades mais afetadas no país, a capital do Amazonas atingiu a “imunidade de rebanho”, segundo estudo realizado por pesquisadores brasileiros em parceira com cientistas de Harvard, Imperial College e Universidade de Oxford, além de institutos como o Ipea e a Fiocruz. O pico de pessoas imunizadas em Manaus foi em junho, com 51,8% da população apresentando anticorpos. Corrigidos os falso-negativos, até 66% da população teria sido infectada. Mas essa imunidade teve como custo mais de 130 mil infectados e quase 4.000 mortos. (Folha)

Sobre a vacina… A chinesa CoronaVac não causou efeito colateral em 94,7% dos 50 mil voluntários na China, segundo o dados divulgados pelo Governo de São Paulo. Só foram percebidos efeitos adversos de grau baixo em 5,3% daqueles que foram imunizados, sendo os mais frequentes dores leves no local da aplicação (3%), fadiga (1,5%) e febre moderada (0,2%). No Brasil a vacina está na fase 3 de testes e o governador João Doria disse que a previsão é a de que a vacinação comece na segunda quinzena de dezembro em médicos e paramédicos. (G1)

A Johnson & Johnson também anunciou que sua vacina com o laboratório Janssen e o NIH (Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos) entrou na fase 3, se tornando a nona do mundo. (Folha)

Na Europa, a França é mais um país a impor novas restrições. O governo dividiu o país em várias zonas de alerta, com diferentes níveis de restrições para a população. Em Paris, grupos de mais de 10 pessoas serão proibidos nas ruas e os bares fecharão suas portas mais cedo.

Quinta é dia de Panelinha. Se você é da turma que nunca compra carne de porco porque teme que fique ressecada, Rita Lobo tem três soluções para incluir bistecas e lombinhos no cardápio. A bisteca, para ficar suculenta, ganha um banho de soro antes de ser grelhada. Veja a receita. Já o lombo, além de ser marinado, é selado na panela antes de ir ao forno. E no site Panelinha, você também encontra um post que explica por que o Guia Alimentar para a População Brasileira é tão importante. Para se familiarizar com o conteúdo em vídeo, assista ao curso Comida de Verdade, em que o professor Carlos Monteiro (organizador do Guia) e a Rita Lobo apresentam os conceitos e falam sobre maneiras de colocá-los em prática.

Cotidiano Digital


Depois de sofrerem um boicote, o Facebook, YouTube e Twitter chegaram a um acordo com os anunciantes. Uma série de diretrizes devem ser adotadas pelas redes sociais para detectar discurso de ódio, como o estabelecimento de uma supervisão independente e ferramentas para evitar anúncios com conteúdo prejudicial. Em junho mais de 100 empresas suspenderam por um mês seus anúncios nas plataformas como parte da campanha Stop Hate for Profit e mais recentemente várias celebridades deixaram de usar Facebook e Instagram por 24 horas para enviar uma mensagem semelhante.

A pressão não é só externa. Os funcionários do Facebook tem demostrado descontentamento com as políticas da empresa. O Verge teve acesso a 16 áudios e dezenas de posts internos de reuniões entre maio e agosto dos altos executivos se defendendo contra os funcionários, os quais pressionam os líderes sobre as políticas contra desinformação, eleições americanas, direitos civis e Donald Trump. “Uma das coisas sobre as quais falamos um pouco menos dentro da empresa é que ... a comunidade que servimos tende a ser, em média, ideologicamente um pouco mais conservadora do que nossa base de funcionários”, disse Mark Zuckerberg em uma das ocasiões. “Talvez ‘um pouco’ seja um eufemismo. ... Se quisermos realmente fazer um bom trabalho servindo as pessoas, [temos que levar] em consideração que existem diferentes pontos de vista sobre diferentes coisas, e que se alguém discordar de um ponto de vista, isso não significa necessariamente que são odiosos ou com más intenções.”

Cultura


Luto, toga e símbolo do feminino. A próxima capa da revista New Yorker é minimalista e pode passar despercebida para muitos. Não para os americanos. A arte assinada por Bob Staake é uma homenagem à juíza Ruth Bader Ginsburg. Em 1956, foi uma das nove mulheres escolhidas por Harvard para o curso de Direito no primeiro ano em que mulheres foram permitidas. Foi RBG que convenceu a Suprema Corte de que não se podia negar legalmente, a mulheres, o que era dado a homens. Levou à Corte, no total, seis casos de discriminação por gênero. Venceu cinco. Sua morte, na última sexta-feira, promete agitar a campanha eleitoral americana.

Para os fãs de Sob Pressão, da Globo, um especial sobre a pandemia de coronavírus, gravado em agosto, será lançado na terça-feira, 6 de outubro. Mauricio Stycer, em sua coluna, informou que o segundo episódio será exibido uma semana depois. A história de Sob Pressão — Plantão Covid, uma coprodução da Globo com a Conspiração Filmes, vai se passar ao longo de três semanas durante o auge da pandemia.





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