Assine o Meio: notícia confiável para quem não tem tempo de ler jornal.



16 de novembro de 2020
Consultar edições passadas

meio_greenweek_1408x608_cabecalho

Ataques coordenados tentaram desacreditar eleição


Os sistemas do Tribunal Superior Eleitoral sofreram dois ataques distintos numa operação coordenada para desacreditar a Justiça Eleitoral. Esta é a conclusão de uma investigação da SaferNet, que trabalha em conjunto com o Ministério Público Federal, e divulgada hoje em reportagem de Patrícia Campos Mello. O primeiro ataque é antigo, certamente anterior a 23 de outubro, e resultou na invasão de algum servidor da Corte. Os dados capturados, porém, só foram vazados no dia da eleição, de manhã, às 9h25, para fazer parecer que o voto poderia ser inseguro. Mas o sistema de votação é independente da internet aberta e não pode ser violado através dela. O segundo ataque, que os especialistas de segurança chamam de DDoS, não rouba dados. Serve para derrubar servidores e deixar sites ou serviços indisponíveis. Este veio de fora do país, às 10h41, e deixou parte do TSE fora do ar. Em paralelo com ambos os ataques, perfis bolsonaristas nas redes divulgavam mensagens nas redes insinuando fraudes eleitorais. Era, de acordo com Thiago Tavares, presidente da SaferNet, justamente este o objetivo: criar a impressão de insegurança. (Folha)

Segundo o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, a totalização lenta como ocorreu ontem nada tem a ver com os ataques. Pela primeira vez, a soma dos votos das eleições municipais foi centralizada em Brasília, ao invés de ser resolvida em cada Tribunal Regional Eleitoral. E houve um problema técnico. “Um dos núcleos de processadores do supercomputador que processa a totalização falhou e foi preciso repará-lo”, explicou Barroso. (G1)

Então... A demora causou irritação a desembargadores em TREs de todo o país. (Poder360)

A lentidão do TSE em divulgar as totalizações serviu de matéria-prima para uma das grandes indústrias nacionais, a dos memes. (Folha)

O Brasil foi às urnas neste domingo escolher prefeitos e vereadores. Ou melhor, quase todo o Brasil, pois a abstenção chegou a 23,14%. Embora maior que nas eleições anteriores, a ausência de eleitores não surpreendeu o presidente do TSE, ministro Roberto Barroso. A pandemia de Covid-19 já permitia prever um comparecimento abaixo do normal.

Houve pontos fora da curva, claro. Em Porto Alegre (RS), a abstenção de 33,09% (a maior nas capitais) ficou acima dos índices obtidos por Sebastião Melo (MDB - 31,01%) e Manuela D'Ávila (PCdoB - 29%), que vão disputar o segundo turno.

Macapá (AP) não teve eleições devido ao apagão que atingiu o Amapá. Nas 25 capitais onde houve votação, apenas oito ficaram abaixo da média nacional de abstenções: Cuiabá (MT - 22,01%), Fortaleza (CE- 21,84%), João Pessoa (PB - 21,28%), São Luís (MA - 20,92%), Belém (PA - 20,78%), Teresina (PI - 20,03%), Recife (PE - 19,89%) e Manaus (AM - 18,46%).

Em linhas gerais, a urnas confirmaram, nas capitais, o que as pesquisas apontavam, mais em nomes que em números. Em São Paulo, Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL) vão disputar o segundo turno. Eduardo Paes (DEM) e Marcelo Crivella (Republicanos) farão o mesmo no Rio. Seis capitais reelegeram seus prefeitos em primeiro turno: Belo Horizonte (Alexandre Kalil - PSD), Campo Grande (Marquinhos Trad - PSD), Curitiba (Rafael Greca - DEM), Florianópolis (Gean Loureiro - DEM), Natal (Álvaro Dias - PSDB) e Palmas (Cínthia Ribeiro - PSDB). A capital do Tocantins não tem segundo turno por ter menos de 200 mil eleitores. Quem também levou no primeiro turno foi Bruno Reis (DEM), em Salvador, candidato de ACM Neto. Veja a lista completa das capitais onde haverá segundo turno e a apuração em cada cidade.

Alguns resultados surpreenderam, detectados somente na boca de urna. O mais notável foi de Manuela D’Ávila, líder nas pesquisas desde o início da campanha e que vai em desvantagem para o segundo turno. Quem também passou um aperto foi João Campos (PSB), em Recife. Já havia previsão de que ele disputaria o segundo turno com a prima Marília Arraes (PT), mas não se esperava um resultado tão apertado: 29,17% a 27,95%.

Nem bem as pesquisas de boca de urna apontaram o fracasso de Celso Russomanno (Republicanos) em São Paulo, que foi de líder isolado a quarto colocado, o presidente Jair Bolsonaro apagou a postagem no Facebook pedindo votos para ele, para o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, e outros cinco candidatos a prefeituras. Dos sete mencionados, apenas Crivella e o Capitão Wagner, em Fortaleza, chegaram ao segundo turno. Ah, ele também pedia votos para vereadores, incluindo a notória Wal do Açaí, suspeita de ser funcionária-fantasma de seu gabinete na Câmara. Ela também não se elegeu.

Orlando Silva, candidato do PCdoB à prefeitura paulistana, criticou Lula, de quem foi ministro, via Twitter por conta da maneira como o PT tratou seu próprio candidato, Jilmar Tatto. A direção do partido pressionou-o a apoiar Boulos na reta final da campanha, mas ele resistiu. “Para se afastar da derrota, se oferece a cabeça do companheiro?”, questionou Orlando. Tatto curtiu a postagem. (Folha)

Líder da disputa em Goiânia, Maguito Vilela (MDB) vai ter dificuldades para fazer campanha no segundo turno. Internado em São Paulo com Covid-19, ele foi intubado e está sedado. (BandNews)

Vera Magalhães: “Existe a máxima segundo a qual eleições municipais levam em conta apenas fatores diretamente ligados aos municípios. Mas também é impossível, sobretudo nos grandes centros urbanos, dissociar esse voto de algumas balizas nacionais. A primeira delas é a pandemia. Os gestores que demonstraram responsabilidade no trato da pandemia foram reconhecidos pelo eleitor. A segunda grande conclusão possível é que houve um resgate da política do pântano no qual ela foi jogada. A maneira irresponsável com que Bolsonaro se comportou ao longo do ano e a rápida debacle de outras figuras histriônicas eleitas na sua aba levaram a que agora, apenas dois anos depois, a ‘nova’ política fosse devolvida às redes sociais. A terceira conclusão é o surgimento de uma nova esquerda não petista com musculatura em todo o País. PSOL, PDT, PSB e o PC do B vão avançando em várias capitais, ao passo que o PT tem a cabeça de chapa em apenas duas disputas de segundo turno – sem ser favorito em nenhuma delas. Por fim, a eleição mostra um espaço de reconstituição do centro, também ele dizimado em 2018. A abrangência desse centro, suas delimitações à esquerda e à direita e quem será aceito na festa do céu são questões postas desde já.” (Estadão)

Bela Megale: “O presidente Jair Bolsonaro já tem um discurso ensaiado para tentar tirar do seu colo derrotas amargadas por boa parte de candidatos que ele apoiou nas eleições municipais. O caso mais emblemático é o de Celso Russomano, que ficou em 4º lugar em São Paulo. Segundo integrantes do governo, a estratégia é defender a tese de que o apoio público dado pelo presidente serviu para mostrar ao eleitor o seu contínuo incentivo ao voto conservador, com o propósito de aprofundar os laços com essa base, em especial, com os evangélicos.” (Globo)

Josias de Souza: “Jair Bolsonaro será candidato à reeleição em 2022. A eleição municipal não altera esse plano. Mas o eleitorado sinalizou ao presidente que o segundo mandato depende do êxito, não do gogó. O terraplanismo sanitário e a ideologia sem resultados foram como que jurados de morte no primeiro turno da eleição da pandemia. Mas Bolsonaro reagiu como se sua Presidência estivesse cheia de vida. Crivado de recados, o presidente assistiu pela TV à derrota de candidatos que apoiou. Sem se dar conta de que internet não tem borracha, correu às redes sociais para apagar a lista dos seus preferidos. A onda de extrema-direita que levou Bolsonaro ao Planalto virou marola em 2020. Mas o presidente leva a mão à prancha. Enxerga na conjuntura eleitoral uma ‘clara sinalização de que a onda conservadora chegou em 2018 para ficar’.” (UOL)

 


Durou apenas seis dias a presidência de Manuel Merino no Peru. Líder do Parlamento, ele assumiu a chefia do Executivo com o impeachment de Martín Vizcarra no dia 9. Porém, manifestações populares, duramente reprimidas pela polícia, tornaram sua situação insustentável, e ele renunciou neste domingo, pressionado até por deputados de seu partido. Os legisladores estão divididos entre escolher entre eles um novo presidente ou anular a deposição de Vizcarra, que pode voltar também por meio de uma ação no Tribunal Constitucional. (Folha)

Viver


A Covid-19, infelizmente, não parou por conta das eleições. Ontem o Brasil registrou, segundo o consórcio de veículos de comunicação, 138 mortos e 12.489 novos casos, o que elevou as médias móveis em 22% e 41%, respectivamente. Para as infecções, a tendência é de alta, enquanto os óbitos estão estáveis em um patamar elevado.

Se a situação no Brasil é grave, nos EUA ela se tornou um desastre humanitário, na avaliação do médico Sanjay Gupta, principal especialista em saúde da CNN. O país passou dos 11 milhões de casos, com mais de 246 mil mortos. E a tendência é de piora. James Phillips, diretor da área de Medicina de Desastres do hospital da Universidade George Washington, prevê um “salto sem precedentes” nos números da doença em função do Dia de Ação de Graças, comemorado no dia 26 de novembro.

Foi um sucesso o lançamento, na noite de ontem da Crew Dragon, uma nave da empresa privada SpaceX, levando três astronautas americanos (dois homens e uma mulher) e um japonês para uma temporada de seis meses na Estação Espacial Internacional (EEI). A companhia pertence ao bilionário Elon Musk, dono da Tesla. Essa é a segunda vez que a SpaceX leva astronautas ao espaço, mas o lançamento de maio é considerado um teste - bem sucedido aliás. A primeira missão de fato começou ontem. Desde 2011, com o fim do programa de ônibus espaciais, a NASA dependia de veículos estrangeiros para suas missões no espaço. (New York Times)

Duas curiosidades sobre a missão. Uma é que ela leva o primeiro tripulante negro dos EUA para a EEI, o piloto da Marinha Victor J. Glover, desde que a estação entrou em funcionamento, há 20 anos. A outra é que, com a chegada de novos quatro tripulantes, a EEI vai ficar com sete tripulantes, acima da capacidade de seis dormitórios. Alguém vai ter que dormir na capsula.

Cotidiano Digital


O Chrome pode ser separado do Google. A proposta está sendo considerada pelos promotores americanos no caso do processo antitruste contra a big tech. Se a ideia for levada pra frente, pode causar efeitos pra além dos próprios negócios do Google. As receitas de publicidade, por exemplo, podem cair pela metade. O Chrome é o último grande navegador que não bloqueia cookies de terceiros, que os anunciantes usam para rastrear os usuários. Um novo proprietário poderia significar mais configurações voltadas pra privacidade. A divisão também poderia colocar em dúvida esse modelo de negócios centrado em anúncios adotado por outras plataformas gratuitas como o Facebook. (Quartz)

A disputa continua. O TikTok ganhou mais 15 dias do governo americano pra definir um acordo de aquisição com uma empresa americana e não ser removido do país. A ByteDance, responsável pelo app, está em negociações com a Oracle e o Walmart. Os detalhes do acordo, no entanto, incluindo quanto controle as empresas americanas teriam sobre o aplicativo, continuam em discussão.

E hoje começa a funcionar o PIX, plataforma de pagamentos instantâneos do BC. Veja como funciona.

Cultura


Chegou ontem à Netflix a quarta temporada de The Crown, que romantiza o longo reinado de Elizabeth II. A grande atração agora é a entrada em cena de Lady Di, vivida pela jovem Emma Corrin. A série despertou um interesse renovado pela figura de Diana Spencer, que se reflete em novos livros, documentários e até musicais. Ao ficar noiva do príncipe de Gales em 1981, aos 20 anos, ela parecia encarnar um conto de fadas, mas terminou num amargo divórcio em 1996. Um ano depois ela morreria num acidente de carro e se transformaria num mito que quase tragou a coroa britânica. É a história que The Crown começa a contar. (Globo)

Confira outras estreias de séries desta semana. (Globo)





Bem-vindo ao Meio. A assinatura básica é gratuita, comece agora mesmo.



16 de novembro de 2020
Consultar edições passadas