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22 de janeiro de 2021
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Prezadas leitoras, caros leitores —

Em 2018, justamente quando Jair Bolsonaro estava para se eleger presidente do Brasil, os cientistas políticos americanos Steven Levitsky e Daniel Ziblatt puseram na rua o pequeno 'Como as Democracias Morrem', um livro curto e rápido que mostrava o caminho sem golpes de Estado pelo qual populistas eleitos corroíam por dentro o sistema democrático até matá-lo.

De todos os exemplos de Levitsky e Ziblatt, até ali, havia uma história em comum: nenhum deles havia fracassado. Todos esses chefes de Estado demonstravam incrível capacidade de se reeleger e reeleger enquanto, a cada mandato, destruíam um pouco mais do que restava dos regimes. Criavam o que mais de um apelidou democracia iliberal — ainda com eleições, mas de uma democracia plena só restava sombra.

Pois: de todos os populistas que seguiram a fórmula, enfim um não conseguiu destruir sua democracia. Foi o americano Donald Trump. Ele está fora — o sistema saiu escoriado, mas sobreviveu. Esta é uma história que nos interessa. Afinal, em dois anos vamos nós, brasileiros, às urnas. Será que Bolsonaro pode ser o segundo exemplo de fracasso?

Na edição deste sábado do Meio vamos rever a fórmula compilada pelos dois professores para mostrar onde foi que Donald Trump errou. Como ele fracassou. Para, assim, comparar com a história que o nosso presidente segue. Jair Bolsonaro, quem sabe, pode ser o segundo a não ser capaz de destruir por completo o regime que o elegeu.

Os assinantes premium do Meio receberão, pois, a história de Como as Democracias Sobrevivem. Quem sabe, pode ser também a nossa.

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— Os editores.


Índia finalmente libera vacinas para o Brasil


Terminou o drama da importação de dois milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca da Índia. O governo local autorizou a transação, e o avião trazendo o imunizante deve decolar para o Brasil ainda hoje. Como a vacina já teve o uso emergencial autorizado pela Anvisa, sua distribuição deve ser imediata.

Já os insumos para fabricação tanto da CoronaVac pelo Butantan quanto da Oxford/AstraZeneca pela Fiocruz continuam na China. Segundo o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, o embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming, disse que os entraves ao envio são burocráticos e não políticos. Ele negou ainda que as remessas estejam atrasadas.

A preocupação no Planalto, porém, é grande. Há o temor de que, sem insumos, crie-se um hiato de 30 a 40 dias sem vacinas no Brasil, o que seria desastroso para a imagem do governo.

A falta de material para produzir vacinas expõe a fragilidade do setor no Brasil. Apenas 5% da matéria-prima é feita no país. (Globo)

E o Butantan alertou ontem que não tem como garantir a eficácia da CoronaVac se a segunda dose for adiada, como querem alguns estados, para aplicar a primeira em um número maior de pessoas. (Globo)

Correndo por fora, representantes do laboratório União Química se reuniram ontem com a Anvisa para tentar a autorização de uso da vacina russa Sputnik V. A agência rejeitou o pedido feito no dia 16 por “falta de requisitos mínimos”, incluindo a realização de estudos da fase 3 (testes com grande número de voluntários no país). O laboratório, que tem dez milhões de doses da vacina, quer que a utilização dela em países como Argentina, Paraguai e Hungria seja considerada suficiente para a liberação.

Monica Bergamo: “O ex-presidente Lula foi diagnosticado com Covid-19 no dia 26 de dezembro em Cuba e precisou ficar 14 dias de quarentena no país. O escritor Fernando Morais, que foi com ele à ilha, chegou a ficar internado, mas já está curado. Eles desembarcaram na quarta no Brasil. Lula foi a Cuba participar de um documentário sobre a América Latina dirigido por Oliver Stone.” (Folha)

A Covid-19 fez o que parecia impossível: cancelou o carnaval carioca e, aparentemente, os Jogos Olímpicos. No Rio, o prefeito Eduardo Paes avaliou ser impossível realizar a festa em julho, como previa lei sancionada pelo governador em exercício, Cláudio Castro. Entusiasta assumido do carnaval, Paes diz que o mais sensato é deixar para o ano que vem. (Globo)

Nos bastidores, o governo japonês concluiu, segundo o jornal inglês The Times, que é inviável a realização da Olimpíada de Tóquio, prevista para o ano passado e transferida para este. A prioridade é garantir para a cidade a próxima vaga em aberto, 2032. Oficialmente, porém, o Japão nega o cancelamento.

Com o agravamento da pandemia, São Paulo endureceu a quarentena. Bares, restaurantes e comércio não essencial ficam fechados à noite e nos fins de semana. (Folha)

E como se Manaus já não tivesse dramas suficientes, a vacinação na cidade foi suspensa diante de suspeitas de irregularidades na distribuição das doses e de aplicação em pessoas fora da lista de prioridade. Somente profissionais que atuam no Samu seguem recebendo o imunizante. A previsão é que a aplicação seja retomada hoje.

O MP apura suspeitas de desrespeito à prioridade em pelo menos sete estados. (Estadão)

Já não era sem tempo. O Ministério da Saúde tirou do ar o aplicativo que recomendava “tratamento precoce” e remédios sem eficácia contra Covid-19.

Mais uma vez o número de mortos por dia no Brasil ficou acima de mil. Foram 1.335 óbitos, num total de 214.228 e alta de 16% na média móvel. Por outro lado, 109 mil pessoas já foram vacinadas em cinco estado e no DF.

E por conta da Covid 19, o número de mortes no país cresceu 24% em 2020.

O segundo dia de Joe Biden na Casa Branca teve praticamente um tema: a guerra contra a Covid-19. Não é para menos. Os Estados Unidos acumulam a liderança mundial tanto em casos (24.570.340) quanto em mortes (408.887). Contrastando com a postura de Donald Trump, que sempre minimizou a pandemia, o novo presidente falou às claras e disse que a situação ainda vai “piorar antes de melhorar”. Segundo Biden, a contagem de mortos deve chegar a meio milhão até o próximo mês, mas é possível salvar pelo menos 50 mil vidas se os americanos levarem a sério o uso de máscaras. Isso sem falar nos danos econômicos. Cerca de 900 mil pessoas entraram com pedidos de seguro-desemprego apenas na última semana. (Washington Post)

Diante desse cenário, Biden detalhou uma nova política de combate à pandemia, com medidas bem mais duras. Além da já anunciada obrigatoriedade de máscaras em prédios federais, elas serão exigidas em todas as modalidades de transportes interestaduais, e passam a ser obrigatórios teste negativo e uma quarentena para viajantes que cheguem aos Estados Unidos. Foi criado ainda um órgão para centralizar nacionalmente a testagem e haverá regras nacionais para a reabertura de escolas e empresas. Leia a íntegra das novas regras. (New York Times)

O presidente não foi o único personagem do dia. Hostilizado abertamente por Trump, Anthony Fauci, conselheiro da Casa Branca para assuntos de saúde, voltou aos holofotes para detalhar as medidas anunciadas por Biden. Ele não escondia o contentamento. “A ideia de poder estar aqui, falar do que se sabe, do que as provas dizem, do que a ciência diz, é um sentimento libertador”, resumiu. (CNN)

“Venha comigo se quiser viver.” Com essa frase clássica da franquia Exterminador do Futuro, Arnold Schwarzenegger, de 73 anos, conclamou em as pessoas a seguirem seu exemplo e tomarem a vacina. (Folha)

E enquanto todos olham para a Covid-19, os republicanos tentam adiar a votação do impeachment “retroativo” de Donald Trump. (New York Times)


Embora o procurador-geral da República, Augusto Aras, tenha espalmado o papel de investigar ações contra a atuação do Executivo na Pandemia – e sido duramente criticado – procuradores federais de primeira instância abriram pelo menos duas ações nesse sentido, uma no Distrito Federal e outra no Amazonas. De qualquer forma, caberá a Aras transformá-las em denúncia ao STF. (Globo)

Liderando com folga a corrida pela presidência do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-RJ), disse hoje não ver na atuação de Bolsonaro durante a pandemia crime de responsabilidade que justifique um processo de impeachment. À frente de um amplo grupo que vai do centrão ao PT, Pacheco disse que vai “concentrar as energias e esforços para a pacificação”.

Mais cedo, sem falar a palavra impeachment, Bolsonaro disse a apoiadores que, “se Deus quiser”, vai continuar seu mandato. Hoje, 61 processos pedindo seu afastamento, sendo 54 do ano passado, dormem na gaveta do presidente da Câmara.

Por isso, aliás, todos os olhos estão na disputa pela cadeira de Rodrigo Maia (DEM-RJ). Ontem, o PSL trocou de lado e passou a apoiar o governista Arthur Lira (PP-AL). Baleia Rossi (MDB-SP), candidato de Maia, tem, oficialmente, 238 votos, contra 230 de Lira. Mas essa é a conta dos partidos. Como a votação é secreta, cada parlamentar vota em quem quiser.

O movimento Livres, de orientação liberal, entrou na Justiça Federal com uma ação contra o presidente Jair Bolsonaro para que ele apresente as provas que diz ter de fraude na eleição de 2018. No ano passado, em Miami, ele afirmou que teria vencido no primeiro turno, não fosse por fraudes, e que podia provar. (Veja)

E o MBL, o Vem Pra Rua e o ex-candidato João Amoêdo (Novo) lançaram um abaixo assinado pedindo o impeachment de Bolsonaro.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) foi condenado pela Justiça de São Paulo a pagar uma indenização de R$ 30 mil à jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha. Em maio, ele disse no Youtube que a repórter “tentava seduzir (fontes) para obter informações prejudiciais ao presidente Jair Bolsonaro”. O deputado ainda pode recorrer.


Os mecanismos da democracia

Tony de Marco

 
Trump-Bobo

Não há democracia, dizia Thomas Jefferson, sem eleitores informados. Mas, no século 21, os veículos tradicionais perderam o encaixe na vida. Mas o Meio encaixa. A gente já resolve para você, de segunda a sexta, o problema das notícias. Podemos resolver também o do contexto, da profundidade, com a edição de sábado. Assine. Não vai se arrepender. É tão barato…

Cultura


Retomando nossa agenda cultural, em transmissão hoje à noite, a Osesp interpretaSuíte Antiga de Alberto Nepomuceno e a Sinfonia nº 2 de Beethoven sob a regência de Thierry Fischer.

Em tempo para o Mês da Visibilidade Trans, celebrado em janeiro, a exposição virtual Afetividades Ordinárias reúne retratos de artistas e ativistas trans realizados por João Bertholini. A curadoria é de Neon Cunha.

O Grupo Tapa apresenta amanhã O Urso, peça cômica em um ato de Anton Tchekhov, sob direção de Eduardo Tolentino de Araújo. Inspirada por Bertolt Brecht, a companhia chileno-brasileira Tercer Abstracto investiga crises políticas e sanitárias na peça Épico, que cumpre temporada digital.

Com saudades de passear pelas ruas de Belo Horizonte? No domingo, a Casa Fiat de Cultura promove um percurso virtual por marcos da cidade conduzido pela historiadora Clarita Gonzaga.

No aniversário de São Paulo, celebrado na segunda, o Museu do Ipiranga conta a história da cidade através de fotos, pinturas e mapas de seu acervo. O conteúdo estará disponível neste endereço a partir do dia 25.

De segunda a quinta, as mulheres do coletivo Radialivres oferece curso gratuito sobre rádio e podcast. Também na segunda, o crítico Cássio Starling Carlos inicia o curso O CinemaSonho de David Lynch, que percorre as principais obras do criador de Twin Peaks.

Em edição online e gratuita, a Semana Paulista de Dança reúne a partir de segunda coreografias de grupos como o Balé Folclórico da Bahia e a Studio3 Cia. de Dança. As transmissões acontecem no canal do Masp no Youtube.

Na quinta, Linn da Quebrada e Jup do Bairro participam da série de encontros musicais Afetos da Casa Natura Musical.

No mesmo dia, a Cia. Druw de Dança Contemporânea estreia o espetáculo infanto-juvenil Por Ti Portinari, que mergulha no universo do pintor. A peça será transmitida às 18h no Youtube.

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Após a debandada de Zé Renato e Lourenço Baeta – fazendo com que circulasse nas redes o apelido “Meia Boca Livre” –, foi a vez de David Tygel, outro fundador do quarteto, anunciar a saída. O motivo foi o mesmo, divergências com o bolsonarista Maurício Maestro, dono da marca e único remanescente da formação de 1978.

Viver


Em comunicado à Organização Mundial da Saúde (OMS), da qual voltou a fazer parte, o governo dos EUA informou ter abandonado a política de Donald Trump contra a inclusão de saúde reprodutiva e direitos sexuais em programas e resoluções internacionais. A agenda antiaborto era uma das muitas bandeiras ultraconservadoras que uniam o antigo governo americano a Jair Bolsonaro.

O Pix foi desenvolvido como uma ferramenta para transferências bancárias instantâneas... até, claro, cair na mão do brasileiro. Está também sendo usado como aplicativo de paquera, inclusive com o próprio neologismo, “Pixsexual”. O mecanismo é simples. A pessoa faz uma transferência de valor irrisório, R$ 0,01, e, em vez da identificação da operação, escreve alguma variante de “oi, sumido/a”. O Banco Central não achou a menor graça e já soltou um comunicado lembrando que “o PIX é um meio de pagamento, não uma rede social”.

Cotidiano Digital


A Huawei deve ser beneficiada com o impasse nas vacinas no Brasil. Isso porque o governo brasileiro vai baixar o tom contra a participação da chinesa na rede 5G para agilizar a importação dos insumos para a vacina. A decisão se a Huawei vai ou não ser proibida do leilão, previsto para o fim de junho, no entanto, vai ocorrer nas próximas semanas. Além de esperar a solução para as vacinas, Bolsonaro também vai ver o resultado da viagem do ministro das Comunicações, Fábio Faria, que visitará todos os fornecedores, incluindo Nokia, Samsung, Huawei e ZTE. A ideia é em seguida lançar um decreto com normas com as condições para as teles. (Folha)

As contas de Donald Trump no Facebook e Instagram vão continuar bloqueadas. A decisão de suspender definitivamente vai ser tomada pelo comitê independente da empresa e não tem prazo.





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22 de janeiro de 2021
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