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25 de janeiro de 2021
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Prezadas leitoras, caros leitores —

A edição de hoje, vocês logo verão, abre com a conversa a respeito do impeachment do presidente Jair Bolsonaro esquentando no país. As condições tradicionais para que o impedimento de um presidente seja posto para votar, na Câmara dos Deputados, ainda não estão presentes. De acordo com a ciência política, elas são: crise econômica grave, popularidade abaixo dos 15%, e grandes ondas de protesto nas ruas. Foi assim com Collor e Dilma.

Mas, na Nova República, nenhum presidente cometeu em quantidade crimes de responsabilidade como Bolsonaro. A virulência em relação a Venezuela e China, por exemplo, está prevista na lei 1.079 de 1950, que define estes crimes. “Cometer ato de hostilidade a nação estrangeira expondo a República ao perigo da guerra ou comprometendo-lhe a neutralidade.” Quando defendeu PMs amotinados, no Ceará, cometeu outro. “Incitar militares à desobediência.” Na fatídica reunião ministerial tornada pública, explicou que seu objetivo ao liberar armas para a população era para permitir resistência às decisões de governadores. “Subverter ou tentar subverter por meios violentos a ordem política e social.” A lista não para aí e é longa.

Cá neste Meio, porém, nada nos parece tão grave quanto sua decisão de ativamente trabalhar contra a vacinação. Está na campanha de meses contra a Coronavac. Está na publicidade absurda de um pacote de remédios sem efeito vendidos como ‘tratamento precoce’. Está nos ataques irracionais à China que se tornaram empecilho para a negociação de compra de insumos. Na desastrada negociação com a Índia para compra de doses da vacina da AstraZeneca. E, fundamentalmente, está na recusa de negociar com a Pfizer a compra de 70 milhões de doses de sua vacina. Hoje, no Brasil, temos 8 milhões de doses — e somos mais de 200 milhões.

Pessoas já morreram por conta da condução da pandemia por Bolsonaro. Mais pessoas morrerão por conta da teimosia, da agressividade, e fundamentalmente pela irracionalidade anticientífica recheada de crendices que culminam no surto paranoico que tomou este governo.

A República de 1988, nossa Terceira República, elegeu cinco presidentes, já fez o impeachment de dois. A República de 1946 era ainda mais instável — elegeu quatro presidentes e apenas dois terminaram o mandato normalmente. Temos um problema estrutural de governança no país e precisamos de uma solução melhor do que o impeachment para troca de líderes. Só que esta é uma conversa para o futuro. Agora temos um problema muito mais grave do que qualquer um do passado.

É hora de fazer o terceiro impeachment. Para salvar vidas.

— Os editores.


Impeachment de Bolsonaro entra na pauta


O Estadão já havia se posicionado com um editorial sisudo, na última sexta-feira. “A maioria das denúncias contra o presidente por crime de responsabilidade ocorreu em função de sua conduta no enfrentamento da crise sanitária”, publicaram os editorialistas. “Jair Bolsonaro deu mostras mais que suficientes de que não vai mudar. O Direito e a Política dispõem de instrumentos para sanar essas situações. Que o presidente da Câmara não tenha receio de usá-los.” No domingo, foi a vez da Folha de S. Paulo. “O impeachment é recurso extremo, vagaroso e sempre traumático. Infelizmente não há como ignorar a conduta indigna de Bolsonaro, nem os quase 60 pedidos de abertura de processo que aguardam decisão já tardia.” Nenhum teve, porém, a verve da coluna de Míriam Leitão, publicada também no domingo, pelo Globo. “Muitos dizem não ser estratégica a defesa do impeachment agora, porque ele seria barrado pela anomia das instituições. Isso não é argumento para não defender o impeachment do presidente Bolsonaro” escreveu. “Ele cometeu inúmeros crimes e precisa responder por eles. Se a democracia brasileira não tiver forças para tanto, ela mudará o passado. Serão injustos os impeachments anteriores. O mais grave, contudo, não é a mudança do passado, mas a do futuro. Brasileiros estão morrendo hoje pela gestão criminosa da pandemia. Em nome dos sem futuro a democracia brasileira precisa encarar o seu maior desafio.”

As ruas também já se movimentam, ainda que discretamente. Separadas, esquerda e direita protestaram em favor do impeachment, no fim de semana. No sábado, a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo, de esquerda, organizaram carreatas em pelo menos 21 capitais e grandes cidades do país. Ontem foi a vez da direita, com o MBL e o Vem Pra Rua seguindo o mesmo modelo de protesto motorizado (para evitar o contágio pela Covid-19) em pelo menos sete cidades. (UOL)

Em Brasília, Bolsonaro passeou de moto com apoiadores e se recusou a comentar os protestos. (Poder 360)

As pesquisas caminham. De acordo com a pesquisa Atlas, 53% da população considera que hora de abrir o processo. (El País)

E o bolsonarismo sofreu um racha inesperado. Sob pressão do Sleeping Giants Brasil, a rede de farmácias Drogas Raia removeu seus anúncios do canal do Youtube Terça Livre, cujo dono, Allan dos Santos, é um dos investigados no inquérito sobre fake news aberto no STF. No Twitter, a empresa disse não compactuar “com disseminação de notícias falsas”. Foi a senha para que virasse alvo de pedidos de boicote por parte de apoiadores do governo. O curioso é que, pelo menos até o início do ano passado, a Raia era uma empresa listada como apoiadora de Bolsonaro, com opositores ao governo pedindo seu boicote.

No mesmo dia em que a Procuradoria-Geral da República abriu um inquérito para investigar sua conduta no combate à Covid-19, o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, foi despachado para Manaus sem previsão de volta. Ele levou na bagagem 132,5 mil doses da vacina de Oxford/AstraZeneca recebidas pelo Brasil na sexta-feira.

Manaus (e o Amazonas em geral) virou uma espécie de epicentro das diversas crises envolvendo a pandemia. Diante das denúncias de violação da prioridade na vacinação, a Justiça Federal exigiu que a prefeitura manauara divulgue diariamente a lista de vacinados e determinou que os fura-fila não recebam a segunda dose da vacina. (A Crítica)

Após quatro dias viajando por algumas das piores estradas do país, chegaram ontem a Manaus seis carretas vindas de Roraima transportando 160 mil m3 de oxigênio – o suficiente para dois dias da atual demanda no estado. Em apenas oito dias, o Amazonas registrou mais mil mortes pela doença, incluindo quem morreu asfixiado. Desde o início da pandemia até o último dia 15, haviam sido 6.043 óbitos. Pelos números divulgados neste sábado, eram 7.051. (A Crítica)

Mas o colapso não está mais restrito ao Amazonas. O governador de Rondônia, Marcos Rocha (PSL), pediu o envio de mais médicos ao estado e anunciou a transferência de doentes para outras unidades da Federação.

Em todo o país já foram registrados 8,8 milhões de casos de Covid-19 e mais de 217 mil mortes. Somente no domingo foram 606 óbitos, lembrando que costuma haver subnotificação nos fins de semana, corrigida nos dias úteis seguintes. Em oito estados há tendência de alta nas mortes: MG, GO, MT, AM, RO, RR, TO e AL.

No Rio, o MP investiga contratos suspeitos assinados pelo governador afastado Wilson Witzel com base na “Lei Covid”. São respiradores que não funcionam, testes de coronavírus rejeitados e outros equipamentos guardados em galpões que custam R$ 1 milhão por mês.

E começaram a ser distribuídas ontem as doses da vacina de Oxford/AstraZeneca importadas pela Fiocruz.

Mas a vacina que deu o que falar por aqui no fim de semana foi a da Pfizer. Na sexta-feira, a CNN Brasil informou que o CEO mundial do laboratório, Abert Bourla, havia escrito a Bolsonaro em setembro pedindo pressa nas negociações para venda do imunizante a fim de garantir a entrega diante da demanda de outros países. Não obteve resposta.

No sábado, o Ministério da Saúde divulgou uma nota dura, dizendo que a Pfizer buscava uma “conquista de marketing” e mencionando a necessidade armazenar a vacina a uma temperatura de -70ºC. Para especialistas, a resposta do governo demonstrou inabilidade e pode afastar outras empresas. (Estadão)

Então... Em Israel, que adotou a vacina da Pfizer e já imunizou 25% de sua população, a internação de pessoas com mais 60 anos por Covid caiu mais de 60% desde o início da vacinação. O país começou a imunizar jovens entre 16 e 18 anos para evitar contaminação durante os exames vestibulares.

Painel: “Empresas privadas brasileiras negociam com o governo uma autorização para importar 33 milhões de doses da vacina de Oxford/Aztrazeneca. O plano é que a pasta edite um ato descrevendo as condições para a liberação. Pelo acordo em andamento, metade do total dos imunizantes seria doado ao SUS. O restante iria para funcionários e familiares das companhias que fazem parte da negociação (Vale, Gerdau, JBS, OI, Vivo, Ambev, Petrobrás, Santander, Itaú, Claro, Whirlpool e ADN Liga, entre outras).” (Folha)

E o Reino Unido anunciou ter detectado pelo menos 77 casos de Covid-19 provocados pela variante sul-africana do Sars-Cov-2 e nove pela mutação amazonense. O governo pediu reforço no isolamento social pois ainda não há certeza de que as vacinas em uso são eficientes contra essas variantes.


Numa eleição marcada pelas rígidas normas de isolamento social, Marcelo Rebelo reelegeu-se presidente de Portugal no primeiro turno, com 61,1% dos votos. A abstenção de 60% foi recorde, mas esperada, devido à pandemia. (Público)

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Fique no Verde


Um dos legados da pandemia será o avanço dos superapps. A ideia por trás é reunir o maior número de atividades na mesma plataforma, desde troca de mensagens até serviços de entregas e compras. Só que o grande trunfo dos superaplicativos está também na possibilidade de hospedar serviços financeiros. Além da massificação do smartphone, esse foi um dos fatores decisivos para o sucesso do WeChat na China, que hoje tem mais de um bilhão de usuários. No Brasil, o conceito de superapp ainda é desconhecido por 83%, segundo pesquisa da MindMiners. Mas, apesar de ainda estar distante do padrão chinês por preferência por transações digitais, a pandemia tem ajudado a mudar os hábitos dos brasileiros: no primeiro semestre de 2020, as vendas pela internet cresceram 47%.

Com parte da população desbancarizada, o Brasil é atraente para esse mercado pela possibilidade de oferecer micropagamentos. Para especialistas, os setores mais promissores para os superapps são varejo, mobilidade e saúde. Magazine Luiza, Mercado Livre, WhatsApp e Rappi são alguns que têm avançado esse modelo no Brasil. (Valor)

Pois é… O celular cada vez mais será usado como meio de pagamento. A adoção de QR Code para transações financeiras vai crescer de 1,5 bilhão para 2,2 bilhões de usuários até 2025, o que correspondente a quase um terço dos usuários de telefonia móvel no mundo, segundo a consultoria Juniper Research. Os EUA, junto com países emergentes, como o Brasil, vão ser os principais responsáveis por essa alta, alterando um cenário global hoje liderado por China e Índia, onde essa tecnologia já está praticamente consumada.

Para entender melhor… Investir em COE significa diversificar a carteira mantendo um bom controle de riscos. Esse título emitido pelo banco permite combinar investimentos de renda fixa, como CDB, LCI ou LCA, com renda variável, como ações. Assim, independentemente do tipo de COE escolhido, o investidor já tem mais segurança: ainda que a renda variável dê prejuízo, a renda fixa ajuda a segurar o rendimento. Ainda é estruturado baseado em cenários diversos, sendo possível conhecer, no início da estrutura, os de ganho e perda máxima. Saiba como investir.

Viver


A abstenção no Enem 2020, que já havia sido recorde com 51,5% na primeira prova, subiu para 55% na segunda, realizada ontem. O presidente do Inep, Alexandre Lopes, admitiu que o número ficou acima das expectativas. Já o ministro da Educação, Milton Ribeiro, minimizou. Segundo ele, pelo menos 500 mil ausentes eram “treineiros”, alunos do primeiro e do segundo ano do ensino médio que fazem a prova apenas como treinamento.

Carros elétricos, torre Eiffel, poluição, Harry Potter etc. Teve de tudo no segundo dia de provas. Quer dizer, quase tudo. Mais uma vez a pandemia de Covid-19 ficou de fora das questões, normalmente alinhada com os assuntos atuais – e olhe que uma das provas era de Biologia. Para especialistas, o exame foi mais fácil que nos anos anteriores. (Globo)

Antônio Gois: “A abstenção recorde da atual edição do Enem foi apenas mais um sinal de um problema que já existia antes da pandemia, mas que foi agravado por ela: a desmotivação dos jovens em concluir o ensino médio ou, no caso específico, tentar uma vaga no ensino superior. Muitos podem ter deixado de fazer a prova por medo de contaminação por Covid-19, mas uma parcela significativa pode também ter desistido, mesmo estando escrito, por não se sentir preparado. Será urgente, portanto, insistir para que esses estudantes tenham novas oportunidades de ingresso no ensino superior ou que, no caso daqueles que abandonaram os estudos, voltem a estudar.” (Globo)

Em média, as escolas do mundo passaram 2/3 do ano letivo fechadas por conta da pandemia, segundo relatório da Unesco. Neste momento, cerca de 800 milhões de alunos, mais da metade da população estudantil mundial, ainda enfrentam interrupções. O Brasil está entre os países com maior tempo de interrupção, 40 semanas.

Cultura


A voz podia ser suave, mas as opiniões que ela exprimia eram mais que cortantes. No livro Ninguém Pode Com Nara Leão, o jornalista Tom Cardoso mostra que a musa da Bossa Nova era tudo, menos a mocinha frágil que sua voz suave sugeria. Quase foi presa em 1966 ao defender numa entrevista, em plena ditadura militar, a extinção do Exército, por exemplo. (Globo)

A lista de personalidades do entretenimento vítimas da Covid-19 em todo mundo infelizmente não para de crescer. No sábado, Larry King, um dos mais famosos entrevistadores da TV americana, morreu aos 87 anos. Durante 25 anos ele comandou programas como Larry King Live, Larry King Now e Politicking with Larry King, entrevistando mais de 50 mil personalidades de todos os setores. Chegou a participar de filmes, como Os Caça-Fantasmas (1984), muitas vezes “interpretando” a si mesmo.

Cotidiano Digital


Os primeiros óculos de realidade virtual da Apple podem chegar em 2022. Segundo a Bloomberg, a ideia é ser semelhante ao Oculus do Facebook: não precisaria se conectar a outro dispositivo e seria projetado para jogar, assistir vídeos e se comunicar. O protótipo também inclui câmeras externas para habilitar algumas funções, como seguir as mãos do usuário e aindapermitir que ele escreva no ar. Os óculos, no entanto, ainda estão em desenvolvimento e devem ser um dispositivo caro e de nicho.

A SpaceX quebrou o recorde e lançou de uma vez 143 satélites em órbita. Destes,10 foram para a rede de internet da Starlink, que promete disponibilizar internet de alta velocidade em todas as partes do mundo.





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