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22 de março de 2021
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Prezadas leitoras, caros leitores —

Queremos conhecer vocês melhor.

Somos, ao todo, uma comunidade de 120 mil assinantes da newsletter, mais de 60 mil no YouTube — e outras tantas dezenas de milhares nas outras redes. Obrigado por nos acompanhar. A desinformação é, hoje, a maior ameaça à democracia. Nosso principal esforço, cá no Meio, é de injetar informação de fácil acesso, prática de consumir, nas veias digitais.

Em 2019, fizemos uma pesquisa para compreender quem nos acompanha.

Aumentamos tanto desde então — sequer fazíamos vídeos, por exemplo, tampouco havia uma pandemia no mundo. É hora de uma nova edição.

Não toma tempo e a pesquisa é 100% anônima — não saberemos quem preencheu e como. E vai nos ajudar a planejar o futuro.

Por favor, responda.

Muitíssimo obrigado =)

— Os editores


Com popularidade em queda, Bolsonaro ameaça


“Só Deus me tira daqui.” A exclamação enfurecida foi feita por Jair Bolsonaro diante de mais uma aglomeração de apoiadores na porta do Palácio da Alvorada, desta vez para celebrar os 66 anos do presidente. De máscara, Bolsonaro voltou a criticar as medidas de restrição adotadas por governadores e prefeitos e disse, em tom de ameaça: “Estão esticando a corda. Faço qualquer coisa pelo meu povo. Esse ‘qualquer coisa’ é o que está na nossa Constituição, no nosso direito de ir e vir.” O presidente sacou, ainda, outra velha ameaça. “Contem com as Forças Armadas pela democracia e pela liberdade.” (Poder360)

A preocupação de Bolsonaro com sua permanência no cargo não é injustificada. Segundo a Coluna do Estadão, líderes em Brasília, até então “avessos a solavancos”, já discutem se, diante do descontrole da Covid e da crise econômica, o impedimento do presidente paralisaria mais o país ou o faria avançar. Além disso, o Centrão está contabilizando os riscos de continuar com apoio a Bolsonaro em 2022. (Estadão)

O fato é que a crise da Covid, auxílio emergencial restrito e de valor mais baixo e o efeito da reaparição do ex-presidente Lula no cenário eleitoral ameaçam a base do governo no Congresso. A sequência de más notícias para Bolsonaro é simbolizada pela pesquisa do Datafolha segundo a qual 54% dos brasileiros consideram sua gestão da pandemia ruim ou péssima. (Folha)

Mas isto não quer dizer que Bolsonaro cogite mudar de postura em relação à Covid. Na sexta-feira, o presidente telefonou para uma rádio de Camaquã, no interior do Rio Grande do Sul, para defender ao vivo a nebulização com hidroxicloroquina em pacientes com a doença. Uma médica da cidade havia sido demitida por usar o “tratamento”, que não tem qualquer base científica. (Época)

Bruno Boghossian: “A eterna ilusão de que Bolsonaro se tornaria um governante moderado circula há dois anos em Brasília. Na pandemia, essa fantasia ainda engana autoridades que aguardam pacientemente uma mudança de comportamento na gestão da crise. Essa esperança inútil legou ao país a tragédia impulsionada pelo radicalismo mortífero do presidente.” (Folha)

Se a situação de Jair Bolsonaro não é confortável, o mesmo pode ser dito sobre o ex-presidente Lula. Segundo o Datafolha, 57% dos brasileiros consideram que ele cometeu os crimes de que é acusado na Lava-Jato, e 51% criticam a decisão do ministro do STF Edson Fachin que anulou os processos contra ele. Para 51%, o líder petista não deveria ser candidato em 2022. (Folha)

Nove advogados entraram no Supremo Tribunal Federal (STF) com um pedido de habeas corpus coletivo para impedir que cidadãos sejam investigados com base na Lei de Segurança Nacional (LSN) por se referirem a Jair Bolsonaro como “genocida”. Segundo eles, o termo usado como crítica política se enquadra na liberdade de expressão, o que também é entendimento da Defensoria Pública da União. (Estadão)

Para Fabiana Santiago, professora de Direito especializada na LSN, a aplicação da lei para enquadrar protestos contra o presidente representa uma “tentativa de impedir o jogo democrático”. Ela acha que a LSN não precisa necessariamente ser extinta, mas pode ser “mantida com recorte de artigos que remontam ao período de exceção”. (Globo)

O cerco a críticos do governo atingiu um nome de peso na última sexta-feira. A Polícia Federal abriu um inquérito contra o ex-governador e virtual candidato do PDT ao Planalto Ciro Gomes. Ordem teria partido do próprio Bolsonaro, via Ministério da Justiça. Em entrevista a uma rádio, em novembro, Ciro chamou o presidente de ladrão. (CNN Brasil)

Também na sexta-feira o presidente do STF, Luiz Fux, telefonou para Bolsonaro pedindo explicações sobre as referência deste a estado de sítio ao criticar medidas de isolamento nos estados. O presidente negou que cogite adotar alguma medida do tipo. (G1)

Não há democracia, dizia Thomas Jefferson, sem eleitores informados. Mas, no século 21, os veículos tradicionais perderam o encaixe na vida. Mas o Meio encaixa. A gente já resolve para você, de segunda a sexta, o problema das notícias. Podemos resolver também o do contexto, da profundidade, com a edição de sábado. Assine. Não vai se arrepender. É tão barato…

Viver


A Índia vai atrasar o envio de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca prometidos para o Brasil a fim de priorizar a imunização da própria população, informou a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O Ministério da Saúde previa receber, entre abril e julho, oito milhões de doses fabricadas pelo laboratório indiano Instituto Serum. Ainda não se sabe o impacto que o atraso terá sobre o programa de imunização brasileiro. (Poder360)

Por outro lado, o país recebeu hoje um milhão de doses enviadas pela Covax Facility, uma iniciativa global coordenada pela Organização Mundial da Saúde. A previsão é do envio de mais 1,9 milhão de doses até o fim do mês. Pelo acordo com a Covax, o Brasil tem direito a 42 milhões de doses. (G1)

E o Ministério da Saúde mudou sua orientação e recomendou que todo o estoque de vacinas seja usado para a aplicação da primeira dose, em vez de guardar metade para uma segunda dose, o que havia provocado interrupção em várias cidades. A decisão se baseia na previsão de que o Instituto Butantan e a Fiocruz produzam doses suficiente para a segunda aplicação. (UOL)

O governo acionou a máquina diplomática para tentar comprar no exterior “kits intubação”, como sedativos e equipamento, que estão chegando ao limite dos estoques. (Folha)

No domingo, quando o número de mortes por Covid normalmente cai devido à subnotificação em estados, foram registrados 1.259 óbitos, num total acumulado de 294.115. A média móvel de mortos em sete dias ficou em 2.255, 23º recorde registrado desde 27 de fevereiro. O número de casos chegou a 11.996.442 com os 47.107 registrados ontem. (G1)

E não são apenas os números de mortos e doentes que provocam alarme, mas a mudança no perfil das vítimas. Em cada dez mortos por Covid no país em março, três são jovens ou adultos com menos de 60 anos, o que representa um salto de 35% em relação às mortes com esse perfil no ano passado. (UOL)

A exemplo de São Paulo, a prefeitura do Rio vai adotar feriados entre os dias 26 de março e 4 de abril, como tentativa de conter a circulação de pessoas e a disseminação do coronavírus. Esse foi um dos poucos resultados da reunião entre os prefeitos do Rio, Eduardo Paes, e de Niterói, Axel Grael, com o governador em exercício Cláudio Castro. Outro consenso foi o fechamento das escolas públicas e privadas no período. Paes e Grael querem medidas mais duras, mas Castro, aliado da família Bolsonaro, resiste. (Globo)

E a pandemia vem atingindo com igual intensidade cidades do interior em todo o país, aumentando a pressão sobre prefeitos. Vários desses administradores se elegeram no ano passado com um discurso negacionista estão vendo a conta chegar na forma de colapso na saúde e aumento descontrolado no número de mortos. (Folha)

E, ainda assim, pessoas não entendem a gravidade da situação. Em São Paulo, fiscais e policiais acabaram uma festa clandestina com mais de 50 pessoas numa casa noturna, que foi fechada. No Rio, vídeos viralizaram nas redes mostrando um baile funk (com DJ e bebida alcoolica) dentro de um trem da Supervia. (G1)

Com os templos fechados, um pastor em São Paulo resolveu violar a lei realizando cultos dentro de um micro-ônibus lotado. (Congresso em Foco)

Painel: “O anúncio da escolha de Marcelo Queiroga para ministro sem nomeá-lo de fato e sem que Eduardo Pazuello deixe o cargo levou a pasta da Saúde a ficar sem comando, dizem os secretários de Saúde. A expressão usada é a de que não há lá ‘absolutamente ninguém’ para estabelecer diálogo ou tomar decisões.” (Folha)

Então... A demora na oficialização de Queiroga tem motivo. Bolsonaro busca uma forma de garantir a Pazuello foro privilegiado no STF. Cogita-se até a recriação de algum ministério para abrigá-lo. O temor é que, exposto à Justiça comum, o general seja até preso por sua atuação na pandemia. (Congresso em Foco)

É possível imaginar uma criança passando quatro horas num ambiente sem um banheiro? Difícil, não? Mas essa é a realidade em 4,3 mil escolas públicas em todo o Brasil, 3,2% do total. Em 2019 eram 3,5 mil (2,4%). Os dados são do próprio Censo Escolar da MEC. E não foi só isso que piorou. O número de escolas urbanas sem acesso a internet de banda larga subiu de 15 mil (18,1%) para 17,2 mil (20,5%) entre 2019 e 2020. Houve uma ligeira melhora no saneamento. Hoje, 35,8 mil escolas públicas (26,6%) não têm coleta de esgoto. Eram 36,6 mil (27,1%) em 2019. O MEC não informou se algo está sendo feito para corrigir essas deficiências.  (G1)

E no momento que a volta ou não às aulas presenciais provoca debates acalorados, um dado chama a atenção. Somente 44,8% das escolas estaduais e 46,5% das municipais contam com ventilação adequada. Elas respondem por 80% das matrículas na educação básica no país. (Folha)

Cultura


Mesmo sem uma determinação oficial, os três principais museus de arte do Rio de Janeiro fecham suas portas por três semanas, a partir de hoje, como medida de prevenção contra a Covid-19. São eles o Museu de Arte Moderna (MAM), o Museu do Amanhã e o Museu de Arte do Rio (MAR), que já haviam adotado uma medida semelhante no ano passado. Em nota, as diretorias das instituições disseram que “o momento exige coragem e bom senso” e que era hora de repetir a ação diante do iminente colapso do sistema de saúde e da lentidão na vacinação. (Folha)

Internado em UTI no Rio com Covid-19, o comediante Paulo Gustavo, de 42 anos, precisou ser intubado neste fim de semana, segundo sua assessoria de imprensa. Pelas redes sociais, amigos e colegas manifestaram votos pela recuperação do artista. (UOL)

Aclamado pela crítica dos EUA e classificado pelo Pan American Film Festival, de Los Angeles, como “melhor filme brasileiro desde Cidade de Deus (2002)”, Medida Provisória, de Lázaro Ramos ganhou o que para muitos pode ser um motivo a mais para assisti-lo. Sérgio Camargo, polêmico presidente da Fundação Cultural Palmares, conclamou um boicote ao longa, estreia na direção do ator baiano. Estrelado por Thaís Araújo, Medida Provisória mostra um futuro próximo em que o governo decide “repatriar” à força a população negra para a África. Primeiro, Camargo publicou um tuíte dizendo que o filme, “bancado com recursos públicos”, acusava “o governo Bolsonaro de crime de racismo”, o que não é verdade. Ele apagou a publicação, mas continuou o ataque, chamando o longa de “lacração vitimista” e concluindo com um “não vi e não gostei.” (Poder360)

Cotidiano Digital


A decisão da Apple de lançar o iPhone 12 sem carregador saiu caro por aqui. A empresa recebeu uma multa de mais de R$ 10,5 milhões do Procon de São Paulo. O órgão alega que a decisão da Apple é uma prática abusiva, pois o acessório é fundamental para o funcionamento do produto. A empresa alega que decidiu pela remoção com fins de sustentabilidade. O Procon já tinha obrigado a big tech vender o celular com o carregador para os consumidores que exigissem.

Após a China banir o Clubhouse, como feito com outras redes sociais estrangeiras, a dona do TikTok já pensa em criar o seu próprio app de áudio. A ideia da ByteDance é desenvolver uma plataforma focada no mercado chinês, pelo menos inicialmente, segundo a Reuters. Mesmo assim, vai ter competição: a outra big tech chinesa, a Xiaomi já está reformulando o seu app Mi Talk para operar de forma semelhante ao Clubhouse. E mais de 10 aplicativos semelhantes ao app foram lançados no mês passado em território chinês, principalmente depois do bloqueio. O movimento se repete pelo mundo - além de Facebook e Twitter também desenvolverem os seus próprios, o Clubhouse ganhou um novo ecossistema ao seu redor.

Por falar em TikTok… O app ultrapassou o Instagram e chegou a 1,289 bilhão de usuários ativos, só perdendo para Facebook, com 2,740 bilhões, e YouTube, com 2,291 bilhões. Deixou para trás o Instagram, que tem 1,221 bilhão, segundo a plataforma de dados Statista.





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22 de março de 2021
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