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25 de março de 2021
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Prezadas leitoras, caros leitores

A partir de amanhã, São Paulo e Rio de Janeiro, as maiores cidades do país, entram em um “megaferiado” de dez dias na tentativa de conter a circulação de pessoas e, consequentemente, do Sars-Cov-2, revertendo o colapso nos sistemas de saúde.

Embora tenha sua equipe baseada nas duas cidades, o Meio não vai parar. Nossa produção é feita de forma remota, não acarretando riscos aos profissionais. E, principalmente, a informação de qualidade é mais necessária que nunca.

A Covid-19 já matou mais de 300 mil brasileiros sem dar sinais de recuo. Contra o vírus em si, o jornalismo de qualidade pode pouco, mas cabe a ele enfrentar os aliados deste morticínio: a desinformação e o negacionismo.

Assim, o Meio será enviado normalmente amanhã, no sábado para assinantes premium (assine, custa pouco), e ao longo da próxima semana, com exceção do dia 2 de abril, feriado nacional.

Na medida do possível, fiquem em suas casas, protejam-se. Cada vida é preciosa, e os profissionais de saúde já estão sobrecarregados.

— Os editores


300 mil


Um ano e 12 dias após a primeira morte por Covid-19, o Brasil atingiu a assustadora marca de 300 mil vítimas fatais da doença. Mais precisamente, 301.087, contando os 2.244 óbitos registrados ontem, com uma média móvel em sete dias de 2.279. Mas o número pode estar subestimado. Na terça-feira o Ministério da Saúde mudou os critérios de confirmação de óbitos, fazendo cair artificialmente o total de mortos em pelo menos três estados, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. Após protestos, o ministério desistiu da mudança. (G1)

Veja em um gráfico animado a evolução das mortes no Brasil e a comparação com o resto do mundo. (Globo)

Então... Com um ano e 300 mil mortes de atraso, Jair Bolsonaro reuniu ontem no Palácio da Alvorada os presidentes dos Três Poderes, seus ministros e um grupo de governadores aliados para criar um comitê anti-Covid que coordenará as ações contra a pandemia. Os governadores presentes cobraram mudanças de postura do presidente, incluindo autonomia do Ministério da Saúde, uma retórica menos radical e o abandono da defesa de “tratamento precoce” sem respaldo científico – que Bolsonaro voltou a defender após o encontro. (Folha)

Excluídos da reunião, os governadores de oposição veem com ceticismo o comitê, classificado pelo paulista João Doria (PSDB) como adulação. (Estadão)

Se a ideia da reunião era blindar o presidente, não parece ter funcionado. Horas depois do encontro, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), fez um discurso duro no Plenário da Casa. Ele criticou a política externa do governo e cobrou ações contra a pandemia. Lira lembrou que os “remédios políticos” do Congresso são “conhecidos” e “todos amargos”, em referência indireta a um processo de impeachment. (Globo)

Gerson Camarotti: “Integrantes do Palácio do Planalto ficaram preocupados com o discurso de Arthur Lira. Na avaliação de um interlocutor de Bolsonaro, Lira acenou com um processo de impeachment, mesmo que não tenha citado isso explicitamente. Na Câmara, o consenso é que a fala de Lira reflete um sentimento dos parlamentares de esgotamento com as ações erráticas do governo.” (G1)

Em sua primeira entrevista coletiva já como ministro da Saúde, Marcelo Queiroga disse que a meta do governo é vacinar um milhão de pessoas por dia “no curto prazo”. Na prática, isso significa mais que dobrar o ritmo atual de vacinação. Segundo dados do consórcio de veículos de comunicação, a média de vacinas aplicadas nos últimos sete dias foi de 421,2 mil doses. O ministro não explicou como pretende atingir essa meta. (UOL)

Painel: “O escolhido por Queiroga para supostamente coordenar um grupo sobre protocolos de combate a Covid-19 é um dos maiores críticos do país sobre a utilização da cloroquina. Carlos Carvalho, professor da USP, apontou desde o início da pandemia que não havia comprovação de eficácia do medicamento. O novo ministro da Saúde pediu os protocolos usados no Hospital das Clínicas e no InCor, onde ele trabalha, para levar a todo Brasil.” (Folha)

Durante a posse reservada de Queiroga, na terça-feira, seu antecessor, o general Eduardo Pazuello, soltou um pote de mágoas, dizendo que foi alvo de boicotes por parte de integrantes do próprio ministério e que sofreu pressões de políticos interessados num “pixulé”. Sem dar nomes, ele afirmou ter identificado oito “ações orquestradas” contra sua gestão. (Veja)

Enquanto isso, a Anvisa autorizou o Instituto Butantan a testar em seres humanos um soro contra a Covid-19. Os testes serão feitos em pacientes voluntários internados em hospitais. (Poder360)

No Rio, que entra amanhã junto com São Paulo num recesso de dez dias, o prefeito Eduardo Paes anunciou um auxílio emergencial para 900 mil pessoas no município. Os valores vão de R$ 108 a R$ 500. Já o governador interino Cláudio Castro baixou decreto fechando todas as praias do estado. O documento autoriza abertura de bares e restaurantes até 23h, mas ressalta que, se as regras municipais forem mais rígidas, elas terão precedência. (Globo)

Três pessoas que receberam nebulização de hidroxicloroquina diluída em soro morreram em um hospital de Camaquã (RS). O tratamento, sem qualquer comprovação científica e fora dos protocolos, foi prescrito pela médica Eliane Scherer, que foi demitida e denunciada ao Conselho Regional de Medicina do RS e ao Ministério Público. (Zero Hora)

Mesmo assim, o Conselho Federal de Medicina se recusa rever o aval ao uso da cloroquina. (Estadão)

Em Minas Gerais, um grupo de empresários do setor de transportes e de políticos é suspeito de ter se vacinado clandestinamente. Contrariando a lei, eles teriam importado vacinas da Pfizer sem fazer a doação obrigatória ao SUS. Segundo a denúncia, os responsáveis pelas cem doses, suficientes para imunizar 50 pessoas, foram os irmãos Rômulo e Robson Lessa, donos da viação Saritur. Cada pessoa teria pagado R$ 600 pelas duas doses. O ex-senador Clésio Andrade admitiu que tomou a vacina, mas disse que a recebeu gratuitamente. (Piauí)

Mônica Bergamo: “O deputado federal e ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT-SP) pediu ao Ministério Público de Minas Gerais que confisque as vacinas contra a Covid-19 adquiridas por políticos e empresários mineiros sem que fossem repassadas doses ao SUS.” (Folha)

Meio em vídeo. No #MeioExplica desta semana, relembre 12 momentos em que o presidente Jair Bolsonaro negou ou minimizou os impactos da pandemia no Brasil. Isso ajuda a explicar como chegamos até aqui e reforça a necessidade de medidas urgentes para que vidas sejam salvas. Confira no Youtube.

Enquanto o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), fazia perguntas ao chanceler Ernesto Araújo no Congresso, câmeras flagraram um gesto de Filipe Martins, assessor para assuntos internacionais de Jair Bolsonaro e prócer da ala ideológica do governo. (Época)

A princípio pensou-se que fosse um gesto obsceno, até que, no Twitter, o sociólogo Celso Rocha de Barros identificou-o como um símbolo usado por supremacistas brancos nos EUA. (Twitter)

Nos últimos anos, gesto que os americanos usavam para “ok” foi apropriado por racistas como “White Power” (Poder Branco). (New York Times)

Um dia depois de ser declarado parcial pelo STF ao condenar o ex-presidente Lula no caso do tríplex do Guarujá, o ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro afirmou em nota ter “absoluta tranquilidade” em relação a suas decisões tomadas no processo. Segundo ele, todos os casos da Lava Jato que julgou na 13ª Vara Federal de Curitiba foram “fundamentados nos processos judiciais”. Moro lembrou ainda que a condenação de Lula foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e pelo Superior Tribunal de Justiça. (Poder360)

E a tendência dos ministros do STF é manter a decisão de Edson Fachin anulando todos os processos contra Lula em Curitiba. O julgamento está previsto para o início de abril. (Globo)

Meio na Twitch. Os 300 mil mortos são o tema da coluna animada de sexta-feira que Tony de Marco desenha ao vivo hoje, às 15h. Acompanhe pela PixotoscoTV.


Os israelenses foram às urnas pela quarta vez em dois anos para tentar resolver um impasse parlamentar, mas parece que não conseguiram. Com a apuração praticamente concluída, a coalizão de direita liderada pelo Likud do premiê Benjamin Netanyahu não obteve os assentos necessários para garantir a maioria no Parlamento. No poder desde 2009, Netanyahu pode ter que fechar um acordo com outro partido de direita, o Yamina, para continuar governando. (BBC Brasil)

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Embratel

Tech no próximo nível


A implantação do 5G tem gerado oportunidades para empresas camuflarem as estruturas da tecnologia no design urbano. A Valmont Industries, uma das maiores empresas de ocultação do mundo, tem trabalhado com operadoras e cidades americanas para esconderem os equipamentos do 5G em postes de luz e semáforos. As duas estruturas se tornaram ideias para a nova tecnologia, que não pode ser colocada em compartimentos fechados, precisa estar exposta, mas sem chamar a atenção para não ser vandalizada. Outras ainda instalam os equipamentos em locais um tanto inusitados: as estruturas de 4G, que costumam ser “disfarçadas” com folhagens comuns a cada região dos EUA, como palmeiras ou cactos, também estão sendo readaptadas para o 5G.

A Amazon está expandindo aos seus armazéns nos EUA seu programa de gamificação para aumentar a produtividade. Chamado de FC Games, o programa inclui até seis mini-jogos no estilo arcade que podem ser jogados apenas ao completar tarefas no local de trabalho. Desde 2019, a Amazon usa gamificação para incentivar a produtividade, mas essa é a primeira vez aplicada em armazéns. Para alguns, é uma forma de reduzir o tédio e a repetição do trabalho. Mas outros temem que sirva como ferramenta de monitoração.

O alinhamento entre o líder de tecnologia e o de negócio se tornou fundamental para a transformação digital de uma empresa. No entanto, a transição para um relacionamento mais transparente e colaborativo entre os dois não é fácil. Um primeiro passo de aproximação do CIO é criar uma interpretação dos projetos de tecnologia. Assim, todos conseguem entender quais os resultados são os mais desejados e o desempenho deles em cada etapa. É importante também que todo o time de TI seja integrado ao negócio, uma vez que são eles que tomam decisões de como estruturar o projeto e como extrair o valor dele, enquanto os líderes sentam para falar de resultados. Confira mais dicas.

Viver


O estado americano da Virgínia se tornou ontem o 23º no país a abolir a pena de morte. Aprovada pelo Legislativo local, a medida foi sancionada pelo governador Ralph Northam, para quem a pena de morte afetou, de maneira desproporcional, a população negra do país por conta de um “sistema judicial falho”. (G1)

Panelinha no Meio. Dando continuidade a nossas sugestões de cardápio para a Semana Santa, que tal uma variação de um prato tradicional da Páscoa, o cordeiro. Neste caso, um ensopado de cordeiro com cerveja escura. Mas atenção, os 350 ml (uma latinha) de cerveja se destinam à receita, não a quem estiver cozinhando.

Cultura


Morreu nos EUA, aos 87 anos, o ator George Segal, um dos astros mais requisitados dos anos 1960 e 70. George começou a carreira fazendo papéis dramáticos em filmes como A Naus dos Insensatos (1965), A Morte do Caixeiro Viajante (1966) e, no mesmo ano, Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, que lhe valeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Em 1970, estrelou uma série de comédias, com destaque para O Corujão e a Gatinha, com Barbra Streisand, mudando o eixo de sua carreira. Manteve-se ativo até o fim, participando de sucessos como Amor e Outras Drogas e 2012. Segundo a família, Segal morreu de complicações em uma cirurgia vascular.

Dez bilhões de dólares (cerca de R$ 55 bilhões) todo ano. Isso é quanto a indústria cinematográfica e de TV dos EUA deixa de faturar por ano devido à falta de representatividade racial, indica um relatório da consultoria de gestão McKinsey. A empresa entrevistou profissionais negros e brancos que atuam no setor e constatou que, além de as produções não terem foco no público não branco, a indústria é mais fechada racialmente que outros setores da economia. (Folha)

Cotidiano Digital


As videochamadas se tornaram a alternativa para realizar reuniões, encontros e festas sem o risco da aglomeração. Porém, após mais de um ano sob pandemia, os efeitos do “zoom fatigue” (ou “fadiga de zoom”) começam a aparecer. Segundo pesquisadores de Stanford, exposição excessiva às videochamadas são prejudiciais a curto e longo prazo. Entre os sintomas estão dores de cabeça, depressão e crises de ansiedade. As causas não parecem ser ameaçadoras em um primeiro momento, como o contato visual constante com outros ou olhar para a própria imagem durante a conversa. Mas, com o excesso, os efeitos começam a surgir. “Quando o rosto de alguém está tão próximo do nosso na vida real, nossos cérebros interpretam isso como uma situação intensa que vai levar ao acasalamento ou a um conflito”, diz o estudo.





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