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1 de abril de 2021
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Prezadas leitoras, caros leitores —

Amanhã é Sexta-Feira Santa, feriado por aqui no Brasil, e cá, de nossa parte, iremos tirar o dia e almoçar peixe. O Meio volta a circular no sábado, para os assinantes premium. E na segunda-feira, para todos.

Ao que tudo indica, o presidente Jair Bolsonaro comprou uma briga com as Forças Armadas e se viu obrigado a retroceder. Mas isto não quer dizer que não haja mais risco de violência. O movimento ensaiado por deputados da base governista, que tentaram insuflar a PM baiana a um levante no início da semana, é mostra disso. PMs e militares de baixa patente formam a tradicional base eleitoral da família Bolsonaro, e eles vêm sendo cultivados.

Já aconteceu antes.

Uma das formas como tentamos trazer contexto para o que acontece na semana nas edições premium é mergulhando na história do Brasil. É revelando o que já aconteceu não para adivinhar o futuro, mas para ler ali nas entrelinhas nossa cultura política os cacoetes que temos como povo e que por vezes se repetem. E, sim, a PM já se levantou antes, já se levantou inclusive contra o Exército, e já ajudou a derrubar presidentes.

Em 1924, a Polícia Militar paulista tomou a capital e expulsou o governador. Quis derrubar da presidência Arthur Bernardes, não conseguiu. As Polícias Militares de Minas e Rio Grande do Sul deram estrutura ao exército de Getúlio Vargas que derrubou do poder outro presidente, Washington Luís. Aliás, o principal líder militar vitorioso, em 1930, era o coronel Miguel Costa. Da PM paulista.

Sim, no Brasil, PMs já entraram em conflito armado, tentaram e até deram golpes. É uma história importante de lembrar.

Todos os assinantes premium receberão esta edição no sábado. Assine. Vocês sabem: custa só R$ 9,90 por mês. É menos que um café bacana, menos que um chope.

— Os editores.


Manifesto pela democracia une presidenciáveis do centro


A instabilidade provocada pelas mudanças feitas pelo presidente Jair Bolsonaro no Ministério da Defesa e no comando das Forças Armadas conseguiu o que até então parecia impossível, unir seis presidenciáveis da centro-esquerda à centro-direita em torno de uma causa comum. Os ex-ministros Ciro Gomes (PDT) e Luiz Henrique Mandeta (DEM), os governadores do São Paulo, João Doria, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, ambos do PSDB, o candidato do Novo em 2018, João Amoêdo, e o apresentador Luciano Huck, que ainda não se lançou oficialmente, assinaram um manifesto em defesa da democracia e da Constituição e contra o autoritarismo. (Estadão)

“A conquista do Brasil sonhado por cada um de nós não pode prescindir da Democracia. Ela é nosso legado, nosso chão, nosso farol. Cabe a cada um de nós defendê-la e lutar por seus princípios e valores”, diz o manifesto. “Não há Democracia sem Constituição. Homens e mulheres desse país que apreciam a LIBERDADE, sejam civis ou militares, independentemente de filiação partidária, cor, religião, gênero e origem, devem estar unidos pela defesa da CONSCIÊNCIA DEMOCRÁTICA. Vamos defender o Brasil.” Confira a íntegra.

Os próprios signatários e outros políticos que participaram da elaboração do manifesto avaliam que ele é o primeiro passo para a construção de uma candidatura única em 2022. Visto como parte da polarização política, o ex-presidente Lula (PT) não foi convidado para assinar o documento. (Globo)

A união do centro vem numa péssima hora para Bolsonaro. Segundo pesquisa do PoderData, o governo é rejeitado por 59% dos brasileiros, e o presidente é considerado ruim ou péssimo por 53%. Entretanto, 33% aprovam o governo e 26% consideram Bolsonaro ótimo ou bom. (Poder360)

O Ministério da Defesa anunciou ontem os novos comandantes das Forças Armadas, todos com experiência nas gestões anteriores. Apesar das especulações dos últimos dias, Bolsonaro respeitou o critério de antiguidade, de forma a reduzir atritos. Os perfis são variados. Para o Exército, foi o general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, que já defendeu publicamente medidas de isolamento social criticadas pelo Planalto. Para a Marinha, o almirante Almir Garnier, próximo da gestão anterior na Defesa, mas visto como bolsonarista moderado. Na FAB, o brigadeiro Carlos Almeida Baptista Jr., próximo do bolsonarismo.

Gerson Camarotti: “O nome do general Oliveira foi recebido com uma discreta comemoração entre generais da ativa e da reserva. A aposta é que o general vai blindar a força de qualquer tentativa de engajamento político.” (G1)

E, no que foi classificado como “um vacilo” da base governista, a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara convocou o novo Ministro da Defesa, Walter Braga Netto, para dar explicações sobre a compra de itens como picanha e cerveja puro malte pelas Forças Armadas. Mas é certo que os deputados vão interrogá-lo sobre as mudanças no comando da tropa. (Poder360)

Terminou em divergência a primeira reunião do comitê criado por Jair Bolsonaro para discutir medidas contra a pandemia de Covid-19. Os presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, defenderam as medidas de restrição social e recomendaram que as pessoas ficassem em casa. Já Bolsonaro, mais uma vez, condenou os lockdowns, disse que “as pessoas querem trabalhar” e comparou as medidas tomadas por estados e municípios a um estado de sítio, o que foi considerado “uma aberração” por juristas. (UOL)

Sob o apoio de Lira, a Câmara quase aprovou um projeto que jogaria para o contribuinte a fatura da importação por empresas de vacinas para seus funcionários. Pelo projeto, a empresas poderiam abater integralmente do imposto de renda o gasto com a importação. Com a reação negativa, a deputada Celina Leão (PP-DF) apresentou um substitutivo sem o mimo aos empresários. (Folha)

O governo federal teria pago mais de R$ 1,3 milhão para que 19 influenciadores digitais fizessem propaganda do “tratamento precoce” contra a Covid, que não tem respaldo científico. (Agência Pública)

E viralizou nas redes sociais um vídeo em que o prefeito da cidade paulista de Mongaguá, Márcio Melo Gomes (Republicanos), responde à acusação de lojistas e donos de academias de que queria “quebrar a cidade” com um lockdown. Emocionado, Gomes lembrou ser ele mesmo comerciante, assim como o pai e o irmão, acrescentando que seu maior desejo era que, após a live, ouvir dos dois que seus negócios quebraram. Não vai acontecer. O pai e o irmão morreram de Covid-19. (G1)

Não há democracia, dizia Thomas Jefferson, sem eleitores informados. Mas, no século 21, os veículos tradicionais perderam o encaixe na vida. Mas o Meio encaixa. A gente já resolve para você, de segunda a sexta, o problema das notícias. Podemos resolver também o do contexto, da profundidade, com a edição de sábado. Assine. Não vai se arrepender. É tão barato…

Embratel

Tech no próximo nível


Casas feitas por impressão 3D cada vez mais têm se tornado uma realidade. Na Califórnia, está em construção o primeiro bairro inteiramente feito com a tecnologia nos EUA. Enquanto em Austin, no Texas, um ex-morador de rua se tornou a primeira pessoa do país a se mudar para uma moradia feita a partir de impressoras 3D. Esse projeto Community First Village da startup Icon alia robótica, manuseio automatizado de materiais, softwares avançados e um tipo de concreto customizado que, segundo a startup, permite uma impressão rápida de casas com uma estrutura sólida e a um custo mais baixo. Um vídeo desse e de mais cinco projetos que têm avançado em moradia de impressão em 3D.

No Brasil, existem projetos como Projeto 3D Home Construction e Inova House 3D que já imprimiram casas em Brasília e Rio Grande do Norte.

Com a pandemia, o ecommerce cresceu no país e junto a ele, seu processo de interiorização. Em 2020, as compras online atingiram R$ 87,4 bilhões, com crescimento de 41% em relação ao ano anterior. O maior avanço desde 2007. Segundo a consultoria Ebit-Nielsen, o comércio online deixou de ser algo restrito e passou a ser uma realidade de todo Brasil: o Sudeste foi a região que deteve mais da metade das vendas em valor, mas o Nordeste dobrou a sua participação, de 18,5% em 2019 para 31,7% em 2020. (Estadão)

As compras online também cresceram nos campos do país. Os agricultores brasileiros foram os que mais avançaram na adoção de canais digitais, segundo a McKinsey. Em relação ao ano passado, aumentou 10 pontos percentuais para 46% de agricultores que preferem canais online para compras para suas propriedades. Enquanto nos EUA e na Europa, o avanço foi de 7 pontos, para 31% e 22%, respectivamente. (Valor)

Meio em vídeo. Criado na área de TI, o conceito do DevOps tem sido replicado para outros setores das empresas, promovendo ambientes mais inovadores, seguros e com entregas rápidas de resultados. No #MeioDigital desta semana, o editor Pedro Doria explica por que você deveria considerar o DevOps e o método ágil no seu negócio para resolução de problemas, tomada de decisões, criação e entregas constantes. Assista.

Viver


Com a Covid-19 fora de controle, o Brasil se aproxima do número assustador de quatro mil óbitos diários. Segundo dados consolidados pelo consórcio de veículos de comunicação, ontem houve 3.950 vítimas fatais, elevando o total a 321.886, com novo recorde também na média móvel em sete dias: 2.971. E tem mais. Março foi o mês mais mortífero da pandemia no país, com 66.868 motos, mais do que a soma dos piores meses até então, julho de 2020 (32.912) e fevereiro deste ano. (30.484)

Até ontem, 788 pessoas aguardavam em todo o país uma vaga em UTI para Covid. A situação é generalizadamente grave, pois 19 capitais estão com ocupação desses leitos acima de 90%, sendo que não há mais vagas em Campo Grande, Rio Branco, Porto Alegre, Curitiba e Porto Velho. (Folha)

E conseguir vaga na UTI não é garantia de cura. Segundo o projeto UTIs brasileiras, 29,7% dos pacientes de Covid em unidades de tratamento intensivo da rede privada morrem. Na rede pública, o cenário é ainda pior: 52,9%. (Poder360)

Ah, o governo de São Paulo informou ter identificado em Sorocaba o primeiro caso no país da variante sul-africana do Sars-Cov-2, mais resistente a vacinas. (Globo)

A Anvisa aprovou ontem o uso emergencial da vacina produzida pela Janssen, do grupo Johnson & Johnson. É o quarto imunizante liberado para aplicação no Brasil, junto com a Coronavac, a Comirnaty (Pfizer) e Covishield (Astrazeneca/Oxford/Fiocruz), sendo que as duas últimas já têm registro definitivo. Uma das grandes vantagens do produto da Janssen é que ele necessita de apenas uma dose. O Ministério da Saúde tem um contrato com o laboratório para a entrega de 38 milhões de doses até o fim do ano. (UOL)

Na mesma reunião, porém, a diretoria da Anvisa vetou a importação da vacina indiana Covaxin, do laboratório Bharat Biotech. Segundo a agência, a empresa não apresentou documentos que atestassem a eficácia e a segurança do medicamento. (CNN Brasil)

Em audiência na Câmara dos Deputados, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, reduziu quase à metade a previsão de doses de vacinas disponíveis em abril. Serão 25,5 milhões de doses, não os 47,3 milhões previstos anteriormente. Queiroga atribuiu a redução a atrasos na produção da Fiocruz e do Butantan e ao veto da Anvisa à Covaxin. (Folha)

Mas há uma boa notícia. A Pfizer informou que a Comirnaty, sua vacina, é 100% eficaz em adolescentes entre 12 e 15 anos, segundo estudo nos EUA. Lá, o imunizante já é aplicado em maiores de 16 anos. O laboratório segue testando a vacina em crianças. (G1)

E já que hoje é 1º de abril, confira as principais mentiras sobre a pandemia de Covid-19. (Folha)

Nova York se tornou ontem o 14º estado americano a legalizar o uso recreativo da maconha. Segundo o governador Andrew Cuomo, que inicialmente era contra a liberação, a lei “promove uma nova indústria que fará crescer a economia”. Será cobrado um imposto estadual de 9% e um municipal de 4% sobre a venda da cannabis. Parte do dinheiro será usado em campanhas contra as drogas que continuam ilegais. (Poder360)

Panelinha no Meio. Fechando a série temática de Semana Santa da forma mais tradicional possível, trazemos a receita de paleta de cordeiro assada para o almoço de domingo. Mas atenção. Esse preparo foi pensado para um grupo maior de pessoas, o que não é recomendável na pandemia. Então reduza à metade a quantidade de ingredientes. Para acompanhar, um molho de damasco e vinho e um arroz com ervas.

Cultura


Ao contrário de outras premiações, a festa do Oscar 2021 será inteiramente presencial. Porém como alguns indicados enfrentam restrições de viagens em seus países de origem, a entrega do prêmio da academia terá partes transmitidas a partir do Reino Unido e da França, além da cerimônia principal em Los Angeles. A entrega do principal prêmio do cinema está marcada para o dia 25 de abril. (Folha)

Cotidiano Digital


Acabou o Peixe Urbano. Há dois meses fora do ar e sob suspeita de falência, o site de cupons ainda não se manifestou sobre a situação da empresa e tem ignorado os seus próprios advogados. Mas em março, a companhia desligou todos os funcionários, sem pagar ninguém por falta de dinheiro. Enquanto isso, milhares de usuários estão com créditos retidos na plataforma. A crise da empresa já dura pelo menos um ano e meio e foi potencializada pela pandemia, com o seu modelo de ofertas tradicionalmente concentradas em estabelecimentos físicos, como restaurantes.

Meio em vídeo. Já imaginou como será a cidade do futuro com o 5G? Câmeras e sensores vão fazer dos centros urbanos lugares mais seguros e sustentáveis. Os semáforos saberão quando alguém precisa atravessar a faixa de pedestre, os postes vão ligar e desligar as luzes automaticamente e a segurança estará garantida com sistemas de alerta em tempo real. A rede também vai ajudar no monitoramento da qualidade do ar, na eficiência energética, no controle do volume pluviométrico e até no potencial de reciclagem do lixo. Erramos ontem e repetimos o episódio anterior e é esse o novo da semana do mundo transformado pelo 5G: a cidade do futuro. Assista.





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1 de abril de 2021
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