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15 de abril de 2021
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Bolsonaro entre Guedes e Lira


Pressionado como poucas vezes em seu mandato, Jair Bolsonaro se vê no dilema de escolher, por conta do Orçamento da União, entre o já combalido ministro Paulo Guedes e sua instável base no Congresso. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), avisou que não admite vetos no Orçamento aprovado pelo Legislativo, que prevê cortes em despesas obrigatórias em favor de emendas parlamentares e estouro do teto de gastos. Se Bolsonaro vetar, ameaça Lira, nenhum projeto do governo andará no Congresso, além da eterna ameaça dos processos de impeachment guardados na gaveta do presidente da Câmara. Já Guedes diz que a sanção do Orçamento como está seria crime de responsabilidade, justificativa para um impedimento do presidente. Com a “palavra com i” em todos os cenários e mais uma CPI da Covid a assombrá-lo, Bolsonaro busca alternativas. Lira propôs a sanção do Orçamento e o envio de um Projeto de Lei para “corrigir os excessos”, mas assessores do Planalto temem que, com as emendas garantidas, o Centrão não aprove o projeto, deixando o governo com o ônus do Orçamento estourado. Guedes, dizem fontes, teria posto o cargo à disposição, mas não foi levado a sério por Bolsonaro. (Estadão)

O Plenário do STF manteve, por 11 votos a 1, a liminar concedida pelo ministro Luiz Roberto Barroso determinando a abertura da CPI da Covid no Senado. À exceção do decano Marco Aurélio, os ministros concordaram que, atendidas as exigências regimentais, como era o caso, a presidência do Senado não pode barrar a instalação de uma comissão de inquérito. A Corte, porém, não opinou sobre o formato da CPI. Caberá ao Senado decidir se as sessões serão remotas ou presenciais. (Poder360)

Nem foi preciso esperar a CPI para virem à tona problemas no combate à pandemia pelo governo federal. O Tribunal de Contas da União (TCU) indicou ontem que deve punir o general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, por “omissões graves”. Uma delas foi mudar o plano de contingência do ministério para tirar responsabilidades do governo federal sobre o gerenciamento de estoques de medicamentos, insumos e testes. (Estadão)

Bernardo Mello Franco: “Jair Bolsonaro está com medo da CPI. Ele sabe o que fez e deixou de fazer para que o Brasil se transformasse no epicentro da pandemia. Agora a CPI poderá identificar suas digitais na falta de vacinas, na sabotagem às medidas sanitárias e na morte de pacientes por falta de oxigênio. No melhor cenário para o capitão, a investigação ampliará seu desgaste às vésperas da campanha. No pior, ajudará a responsabilizá-lo criminalmente pelo morticínio.” (Globo)

Se o segundo turno das eleições presidenciais acontecesse hoje, o ex-presidente Lula (PT) venceria Jair Bolsonaro (sem partido) por uma diferença de 18 pontos percentuais, 52% a 34%, segundo pesquisa divulgada pelo PoderData. O presidente também perderia, por 48% a 35%, para o apresentador Luciano Huck (sem partido), que ainda não se lançou candidato. E Bolsonaro estaria tecnicamente empatado com Ciro Gomes (PDT), ambos com 38%, e com João Dória (PSDB) e Sérgio Moro (sem partido) – nos dois casos o presidente está numericamente à frente, com 38% a 37%. Nas simulações de primeiro turno, Lula e Bolsonaro surgem em empate técnico, 34% a 31%, respectivamente, com todos os demais candidatos abaixo de 10%. (Poder360)

E por falar em Lula... O plenário do Supremo começa a votar hoje a liminar do ministro Edson Fachin que pode anular todos os processos contra o ex-presidente no âmbito da Lava-Jato em Curitiba. (UOL)

Bela Megale: “A sessão do STF desta quarta-feira não trouxe boas notícias para o ex-ministro Sergio Moro. Em seu voto, a ministra Carmén Lúcia destacou que não cabe ao plenário se debruçar sobre a parcialidade de Moro, já que o assunto foi decidido pela Segunda Turma no mês passado, que reúne cinco ministros. Gilmar Mendes e Marco Aurélio fizeram coro com a colega e Rosa Weber sinalizou que tem o mesmo entendimento. Ricardo Lewandowski também já mostrou que seguirá nessa linha. Dessa maneira, as chances da suspeição de Moro ser revertida diminuem.” (Globo)

O governo brasileiro mudou sua retórica sobre meio ambiente, mesmo que não tenha mudado as práticas. Em carta ao presidente americano Joe Biden, Jair Bolsonaro se comprometeu a eliminar o desmatamento ilegal até 2030 e até a trabalhar com o terceiro setor e com indígenas, alvos constantes de seus ataques. Com a carta, Bolsonaro espera melhorar sua imagem diante da conferência de líderes convocada por Biden para tratar das mudanças climáticas. O encontro, que acontece dia 22, é apontado como “última chance” de o Brasil mudar sua postura sobre o tema. (Folha)

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Tech no próximo nível


A pandemia mudou os hábitos de consumo e essas mudanças devem perdurar nos próximos anos. Em recente relatório, a IBM identificou quatro dessas tendências que passam por setores de varejo e turismo, como também o futuro do trabalho — 62% dos entrevistados esperam continuar trabalhando das suas casas após serem imunizadas — e as relações sociais — a Geração Z (pessoas de 18 a 24 anos), por exemplo, diz que continuará priorizando as experiências digitais mesmo pós-pandemia. Para as empresas, o relatório sinaliza a necessidade de criar experiências mais personalizadas para cada segmento.

Internet das coisas e inteligência artificial também podem ser aplicadas na saúde para acelerar o atendimento ao paciente. Uma startup brasileira criou um laboratório portátil: por meio de cápsulas descartáveis, coleta o sangue, que é digitalizado e analisado pelo sistema inteligente e por especialistas. O resultado sai em questão de minutos e pode ser usado para a realização de exames, como HIV, dengue, zika, hepatite e covid-19.

Meio em vídeo. Em 2014, um malware invadiu os servidores da Sony Pictures. Cinco filmes inéditos foram parar em sites piratas, e-mails internos com informações sigilosas caíram na internet. Atores, diretores e ex-funcionários foram expostos. Um prejuízo tremendo. Os detalhes desse vazamento digno de uma produção cinematográfica é contado pelo editor Pedro Doria no #MeioDigital desta semana. E ele ainda explica porque a cibersegurança é um investimento necessário. Assista.

Viver


João Pessoa (PB), Rio Branco (AC) e Salvador (BA) suspenderam ontem a vacinação contra Covid-19 por falta de doses, sendo que a capital paraibana não tem imunizantes sequer para aplicar a segunda dose nos que já receberam a primeira. (Poder360)

Não são só vacinas que estão em falta. Os estados de São Paulo, Rio e Minas enfrentam escassez do “kit intubação”, necessário para manter os pacientes sedados. O governo paulista disse ter mandado nove ofícios sobre a situação ao Ministério da Saúde nos últimos 40 dias, sem obter resposta. O ministério diz que o material deve estar disponível em dez dias. (Jornal Nacional)

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, informou que a Pfizer vai antecipar a entrega de dois milhões de doses de sua vacina, com a metade chegando ainda em abril. A expectativa é que 15,5 milhões de doses do imunizante estejam disponíveis até julho. (Poder360)

E o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), disse que há muita resistência na Casa ao projeto aprovado pela Câmara flexibilizando as regras para compra de vacinas por empresas para imunizar funcionários. (Globo)

Nesta quarta-feira foram registradas 3.462 mortes por Covid no país, elevando o total a 362.180. Pelo quinto dia consecutivo a média móvel diária de óbitos em uma semana ficou acima de 3 mil, 3.012. Esses números não incluem o Ceará, que não divulgou seus dados. (UOL)

O Meio errou. O total de mortos por Covid na terça-feira foi de 358.718, não 758.718, como publicado. Rogamos que o Brasil jamais chegue a esse número.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alertou em seu boletim que a pandemia deve continuar em “níveis preocupantes” até o final de abril, pelo menos. Segundo os pesquisadores, medidas restritivas começam a mostrar “êxitos localizados” e não devem ser flexibilizadas, pois o número de mortos e a demanda hospitalar seguem em níveis altos. (Estadão)

A despeito das recomendações da Fiocruz, pelo menos 18 estados estão flexibilizando as regras de isolamento. No Mato Grosso do Sul, por exemplo, todas as atividades econômicas foram liberadas. O Ceará estabeleceu, no máximo, restrição no horário de funcionamento do comércio. Especialistas condenam as medidas, dizendo que o país está indo “de uma crise sanitária para uma crise funerária.” (UOL)

Tanto Mato Grosso do Sul quanto o Ceará estão entre os 12 estados brasileiros com média de mortos por 100 mil habitantes acima do índice nacional, 168,7. (Veja)

Para o público externo, um empresário-modelo, um sobrevivente do nazismo que recomeçou do zero no Brasil e construiu um império no setor de varejo, as Casas Bahia. Para dezenas de mulheres, um predador sexual que usava de seu poder econômico para praticar abusos contra meninas e mulheres jovens. Esse é o retrato de Samuel Klein, que morreu em 2014, que emerge de uma longa e detalhada reportagem elaborada por seis repórteres da Agência Pública. Karina Carvalhal, uma das dez mulheres ouvidas, conta que começou a sofrer os abusos aos 9 anos de idade quando seu nome foi recomendado por uma irmã de 12. “Ká, não se assuste porque ele vai te dar um beijinho”, mas Klein, segundo ela, acariciou seu corpo em troca de dinheiro e um par de tênis. “A segunda vez, ele já me levou pro quartinho”, completa Karina, hoje aos 40, referindo-se a um anexo do escritório onde havia uma cama hospitalar e aconteciam os abusos sexuais mais sérios. Segundo funcionários da rede, era comum meninas e jovens chegarem às lojas com bilhetes assinados por Klein autorizando-as a pegar produtos, geralmente eletrônicos, como “agrado”. As vítimas tinham sempre o mesmo perfil: meninas de famílias pobres entre 9 e 17 anos – pelo menos uma maior de idade disse aos jornalistas que fingia ser mais nova. Segundo a reportagem, auxiliares próximos do empresário organizavam festas que reuniam dezenas das “samuquetes”, como as garotas eram chamadas. Algumas das denúncias chegaram à Justiça, mas terminaram em acordos ou na prescrição pela idade de Klein, que morreu sem jamais ter ido a julgamento. (Agência Pública)

Panelinha no Meio. Quem disse que café-da-manhã precisa ser só café, pão e manteiga (ou mesmo frios e frutas)? Por que não partir logo para uma solução exótica, mas cheia de energia? É o que garante o cuscuz de milho com ovo pochê, que ainda faz bonito num brunch ou até num jantar leve.

Cultura


Um senhor inglês de 77 conta suas desventuras na quarentena imposta pela Covid-19, incluindo uma “aula de samba” que o levou “de bunda ao chão”. Seria um caso banal não fosse o dito senhor Mick Jagger, líder dos Rolling Stones, e a história não estivesse contada numa canção endiabrada em parceria virtual com Dave Grohl, do Foo Fighters. Eazy Sleazy foi lançada nesta terça-feira em comemoração à reabertura dos pubs ingleses. Mick gravou vocal e guitarra base em Londres, enquanto Dave fez os vocais de apoio e todos os demais instrumentos em Los Angeles. Confira. (G1)

Cotidiano Digital


As compras pelos aplicativos bateram recorde. O primeiro trimestre de 2021 foi o maior já registrado com os usuários gastando US$ 32 bilhões — US$ 9 bilhões a mais do que o mesmo período do ano passado. Embora o iOS tenha visto um gasto maior do que o Android, as duas lojas cresceram 40%. E foram os jogos que geraram a maior parte dos gastos do consumidor no trimestre, respondendo por US$ 22 bilhões.

Por falar em jogos… A Entertainment Electronic Expo (E3) 2021 vai acontecer de forma totalmente gratuita e virtual. A feira mais importante dos games será nos dias 12 a 15 de junho e terá nomes como Nintendo e Xbox. A Sony e a EA, no entanto, ainda não confirmaram presença.

E… O Instagram está testando a volta das curtidas nas publicações.





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15 de abril de 2021
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