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23 de abril de 2021
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Prezadas leitoras, caros leitores —

Um hipotético astronauta que deixasse a Terra no final de 1992 e regressasse esta semana acharia que estava no planeta errado ou até em um universo paralelo. Pelo menos em relação ao Meio Ambiente. O cenário geopolítico que ele deixou para trás mudou a ponto de ser quase irreconhecível.

Em junho de 1992, o Rio de Janeiro sediou a segunda Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92. A despeito do clima de instabilidade interno — o presidente Fernando Collor sofreria um impeachment meses depois —, o evento foi notável e colocou o Brasil numa posição de destaque na agenda do planeta. O vilão da fita, por sua vez, era o presidente dos EUA, George Bush (pai). Enfrentando uma dura e no fim malsucedida campanha para a reeleição, ele apostou na imagem de defensor da poluidora indústria americana contra qualquer medida que comprometesse a competitividade de sua economia.

Eis que nosso astronauta volta à Terra durante uma nova Cúpula do Clima e descobre que os papéis estão trocados. O Brasil é praticamente um pária ambiental, enquanto EUA e a nova superpotência China (outra surpresa) lideram a corrida por energia limpa e economia verde.

Na edição de sábado deste Meio vamos analisar como essa inversão aconteceu. Devemos essa explicação ao astronauta e aos assinantes premium, que recebem a edição exclusiva.

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EUA ouvem com ceticismo promessas de Bolsonaro


“Alguns dos comentários que o presidente Bolsonaro fez hoje me surpreenderam, e isso é muito bom. A questão é: eles vão cumprir?” Essa foi a reação de John Kerry, representante do governo americano para questões de meio ambiente, à fala de Jair Bolsonaro na Cúpula do Clima convocada virtualmente por Joe Biden. O brasileiro prometeu reduzir emissões de carbono, acabar com o desmatamento ilegal até 2030 e buscar neutralidade na emissão de carbono até 2050. (G1)

A imprensa internacional seguiu a linha de Kerry. Elogiou a mudança de tom no discurso, mas lembrou a falta de credibilidade de Bolsonaro, enquanto ONGs destacaram a falta de políticas públicas reais para proteção ambiental no país. (Estadão)

Assista ao discurso em vídeo.

Foram quase sete minutos de fala do presidente brasileiro, com promessas, anúncios de políticas públicas e louvor a realizações que não refletem as ações de seu governo nem correspondem exatamente aos fatos. Ele minimizou as emissões de carbono, ignorou os recordes seguidos de desmatamento e não se referiu ao desmonte dos órgãos de fiscalização ambiental promovido pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. (Folha)

Meio em vídeo. Não é que Bolsonaro não minta, ele mente. Aliás, mente muito. Mas é transparente — até criança percebe. Na Cúpula dos Líderes sobre o Clima, onde o Brasil é sempre um dos primeiros, ele foi escanteado para décimo nono. E Joe Biden se levantou e não assistiu. Pois é, todo mundo percebe. Confira o Ponto de Partida no YouTube.

Escamoteado do evento, apesar de presidir o Conselho da Amazônia, o vice-presidente Hamilton Mourão minimizou o encontro e ironizou as promessas de longo prazo feitas, inclusive pelo Brasil. “Neguinho chega ali: ‘Em 2060...’. Pô, nós todos já viramos pó. O que nós temos que fazer, qual o nosso problema hoje? Claro, objetivo: temos que reduzir o desmatamento na Amazônia. A gente fez isso”, disse o vice. (Globo)

Não. Não fez, como mostram os dados da Imazon.

Sérgio Abranches: “Bolsonaro ficou em 20o lugar na lista de oradores. Irritou-se, mas era de se esperar. Ele e seu então ministro das Relações Exteriores regozijaram-se em fazer do Brasil um pária, em nome da manutenção de suas visões negacionistas. Todos os chefes de estado que o precederam mostraram atitude muito mais cooperativa e, além de mostrar ações efetivas já em prática, indicaram a intenção de elevar suas metas para cumprir os compromissos do Acordo de Paris mais rápida e agressivamente. A única meta nova que anunciou foi a de neutralizar as emissões até 2050. Para contruibuir para esta meta, Bolsonaro teria que retirar os garimpeiros das terras indígenas, inibir e punir os grileiros e desmatadores e adotar uma série de outras medidas que dependem apenas de sua vontade.”

Aliás... Em uma das reuniões preparatórias, Salles causou espanto na equipe de Kerry. Segundo participantes, a apresentação dele incluía a ilustração de um cão olhando frangos com cifrões no peito girando numa assadeira vertical. O cão seria o Brasil à espera de ajuda financeira. Como não conhecem a popular “televisão de cachorro”, os americanos não entenderam nada. (Folha)

Pois é... Segundo Bela Megale, o Planalto acredita que após a Cúpula, a pressão para demitir Salles diminuirá. (Globo)

Sete dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) votaram pela validade do julgamento na Segunda Turma da Corte que declarou o ex-juiz Sérgio Moro parcial nos casos envolvendo o ex-presidente Lula.  Ao anular as ações contra Lula em Curitiba, alegando que aquele não era o juízo competente, o relator Edson Fachin decretou que o pedido de suspeição de Moro estava prejudicado, mas a Segunda Turma, presidida por Gilmar Mendes, retomou esse julgamento e, por 3 votos a 2, considerou Moro parcial. Na semana passada, o Plenário manteve a anulação dos processos e ontem começou a votar a validade do julgamento da parcialidade. O presidente Luiz Fux tentou interromper a sessão quando o placar estava 3 (Gilmar, Nunes Marques e Alexandre Moraes) a 2 (Fachin e Luiz Roberto Barroso) pela validade, mas os ministros Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Rosa Weber anteciparam seus votos acompanhando Gilmar e formando a maioria. Ficaram para a semana que vem os votos de Fux e do decano Marco Aurélio, que já haviam votado contra a anulação das ações em Curitiba. (UOL)

Aliás... Gilmar e Barroso travaram um diálogo áspero como não se via no Supremo desde os embates entre o próprio Gilmar e Joaquim Barbosa. Assista. (Poder360)

Responsável pela campanha para a reeleição de Dilma Rousseff em 2014 e depois delator da operação Lava-Jato, o marqueteiro João Santana foi anunciado ontem como responsável pela comunicação do PDT e da potencial candidatura de Ciro Gomes ao Planalto. No ano passado, Santana defendeu em entrevista que Lula, na época inelegível, formaria uma “chapa imbatível” como vice de Ciro. (Poder360)

Vera Magalhães: “A chegada de Santana ao barco cirista deve afastar, ao menos num primeiro momento, uma aliada recente do pedetista, a ex-ministra e ex-presidenciável Marina Silva. Santana foi o responsável pela campanha de desconstrução da imagem de Marina na pesada campanha de Dilma em 2014, em que a ex-ministra (e ex-petista) era apresentada como alguém que iria liquidar com o Bolsa Família e sumir com a comida do prato dos brasileiros.” (Globo)


Queimando a floresta, o frango e o filme

Tony de Marco

Frango-Assado

Essa animação pode ser sua. Colecione NFTs das animações do Meio no Open Sea.

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O Mundo transformado pelo 5G


Enquanto escrevíamos esta série sobre 5G, nossos leitores vieram lançando perguntas. “Não é só uma banda mais larga?”, indagou bem mais do que um. “Para onde irão os empregos?”, trouxeram com alguma tensão outros. Neste que é o último artigo, trazemos respostas. Porque, não, é bem mais do que uma internet muito rápido. É também uma internet que fará com que alguns dados cheguem instantaneamente a centenas de quilômetros de distância, permitindo por exemplo que um médico opere um robô de cirurgias sem perder precisão. E, sim, há empregos que acabarão. Como há profissões radicalmente novas que vão surgir. Estas não são as únicas dúvidas e nossas respostas entram em mais detalhes. Leia.

Claro... Temos também o vídeo da Valentina. Imagine a cena: você chega em casa, aperta um botão e Michael Jackson é projetado bem no centro da sua sala para cantar nada menos do Thriller. Sim, o entretenimento mudará de forma radical com o 5G. Assista.

Viver


Secretários de saúde de estados e municípios alertaram ontem, em audiência no Senado, para o risco de escassez de vacinas nos próximos dois meses. Segundo eles, o país tem capacidade de vacinar três milhões de pessoas por dia, mas faltam imunizantes. Eles também relataram aos senadores a falta de “kits intubação”, usados nos pacientes em estado grave. (Globo)

E não é só no Brasil. A União Europeia prepara um processo contra a AstraZeneca por atraso na entrega de vacinas. O laboratório havia prometido 100 milhões de doses no primeiro trimestre deste ano, mas entregou somente 30 milhões. (Estadão)

Falando em AstraZeneca, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que representa o laboratório no Brasil, estima que a produção da vacina será alavancada com o recebimento de insumos esperados para amanhã. Por outro lado, a fundação admitiu que dependerá de material importado até outubro, quando deve entregar os primeiros lotes de vacinas 100% nacionais. (Folha)

Mesmo onde há vacinas, elas podem não ser confiáveis. A Pfizer confirmou que vacinas atribuídas ao laboratório e vendidas no México e na Polônia eram falsas. (G1)

Mas há também boas notícias. São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Salvador apresentaram queda na ocupação de leitos de UTI por pacientes com Covid-19 desde o fim de março. Não que estejam confortáveis, Porto Alegre foi de 114% para 95,7%, enquanto Curitiba baixou de 100% para 93%. Mas a situação é menos desesperadora. (Veja)

Nesta quinta-feira, foram registradas 2.070 mortes por Covid-19 no país, elevando o total a 383.757. A média móvel de óbitos em sete dias foi de 2.543, com queda de 13% em relação ao período anterior. A média móvel vem caindo desde o dia 17, mas essa variação ainda indica estabilidade num patamar elevado. Desde março do ano passado foram registrados 14.172.139 casos, com 50.023 na quinta-feira. (G1)

Mesmo com a gradual redução do número de mortes e de infecções e com a ampliação da vacinação, a pandemia de Covid-19 pode se estender até 2023, na avaliação de Ricardo Palácios, diretor médico de pesquisa clínica do Instituto Butantan. E, mesmo depois, o Sars-Cov-2 vai continuar circulando e provocando infecções. (Poder360)

E o Japão, que insiste em manter os Jogos Olímpicos em julho deste ano, identificou o primeiro contágio da Covid-19 no revezamento da tocha olímpica. (G1)

Cultura


Para marcar o Dia Mundial do Livro, a Companhia das Letras promove de hoje a domingo o festival Na Janela Reflexos – Diálogos Literários, que reúne autores como Luisa Geisler, Ferréz, Marçal Aquino e Noemi Jaffe.

A Pinacoteca converteu a mostra OSGEMEOS: Segredos em uma experiência virtual em 360º, que pode ser visitada online.

Sob a batuta de Neil Thomson, Aleyson Scopel interpreta hojeConcerto nº 2 para Piano de Shostakovich com a Osesp. Na segunda, o pianista Lucas Thomazinho abre a temporada digital da Cultura Artística com obras de Wagner e Scriabin. Na quinta, a Filarmônica de Minas Gerais volta aos palcos e transmite ao vivo um concerto com obras de Schubert e Dvořák com regência de José Soares.

Entre sábado e domingo acontece a edição virtual do Festival Música Estranha, que traz apresentações de M. Takara, Carla Boregas e Kiko Dinucci, entre outros. Estão programadas ainda mesas de debate, como a que rola amanhã entre o crítico Bernardo Oliveira, a artista Giselle Beiguelman, o publisher da Bravo! Guilherme Werneck e a pesquisadora Pérola Mathias.

Identidade como Problema é o eixo da segunda rodada de encontros do ciclo 1922: Modernismos em Debate, que acontece na segunda com convidados.

BaianaSystem, Criolo, Jadsa e Jup do Bairro estão entre os destaques do m-v-f- reloaded, evento online que celebra o encontro entre a música e o audiovisual em estreias de clipes, visual sets e bate-papos com realizadores.

Na terça, o Sesc Pompeia recebe o lançamento do novo número da revista Legítima Defesa em seu canal no YouTube. Criada pela Cia. Os Crespos, a publicação é um dos principais espaços de debate sobre teatro negro no país.

Shows, workshops e debates estão na programação do Festival Luz, Câmera e Close de Música de Cinema, que começa na quarta no YouTube.

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Cotidiano Digital


Projetos de moedas digitais têm avançado pelo mundo. O banco central do Reino Unido criou uma força-tarefa para avaliar a criação de um “Britcoin”. Enquanto isso, o Japão já começou a primeira fase do seu projeto que se estenderá por um ano, até o fim de março de 2022. E por aqui, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que trará “em breve” novidades sobre o lançamento do dinheiro digital oficial, que vem sendo desenhado pela autoridade monetária nos últimos meses. A instituição já trabalha com alternativas para a implementação para até 2022. A ideia é que a moeda funcionaria como um complemento ao Pix e seria distribuída pelo sistema financeiro, como é feito com o dinheiro físico, só que por meio digital.

Mas a China é o país mais avançado: recentemente os testes do yuan digital avançaram para Hong Kong e já começou a explorar protocolos de transferência com a Tailândia e os Emirados Árabes Unidos. A moeda, no entanto, é diferente da criptomoeda: é controlada pelo Banco Central chinês e não prevê anonimato, o que para muitos especialistas, seria mais uma forma de controle do governo chinês.





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23 de abril de 2021
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