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2 de junho de 2021
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Prezadas leitoras, caros leitores —

Em virtude do feriado nacional de Corpus Christi, cá este Meio não circulará amanhã, 3 de junho. Estaremos de volta na sexta-feira com tudo o que você precisa saber para começar o dia bem informado em apenas oito minutinhos de leitura.

Aproveitem o feriado com responsabilidade. Fiquem bem, fiquem seguros.

— Os editores


Bolsonaro dobra a aposta: Pazuello no Planalto e Copa América no Brasil


A despeito do recrudescimento da Covid-19 e todas as críticas, o presidente Jair Bolsonaro confirmou oficialmente ontem que a Copa América vai acontecer no Brasil, entre os dias 13 de junho e 30 de julho. Além do Distrito Federal, primeira sede escolhida, Rio de Janeiro, Goiás e Mato Grosso, todos estados alinhados com o Planalto, se dispuseram a receber partidas. Confira a situação em cada estado. (Globo)

As críticas vêm de todos os lados. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), considera a Copa América inoportuna. “Ela podia ter sido postergada para o final do ano, para o começo do ano que vem, ou até para o ano que vem”, disse ele. Em ofício aos governadores, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) afirma que o evento é “absolutamente desaconselhável” e pode agravar a epidemia no país. E o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que cogitava aceitar jogos em público, voltou atrás e vetou partidas no estado. (Folha)

Enquanto isso... O ministro do STF Ricardo Lewandowski deu cinco dias para o Executivo explicar os detalhes sobre a realização do torneio no Brasil. Ele é relator de uma ação movida pelo PT no Supremo contra o evento. (Poder360)

O general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, virou secretário de Estudos Estratégicos da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, o que engordará em R$ 16.944,90 sua renda mensal. A nomeação acontece na semana em que o comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira, tem de decidir a punição de Pazuello por violar as leis das Forças Armadas ao participar de ato político com Jair Bolsonaro no Rio. (Estadão)

Malu Gaspar: “O Alto Comando do Exército realiza hoje uma reunião virtual que vai discutir a crise causada pela participação de Pazuello na manifestação de apoio a Bolsonaro. Os generais de quatro estrelas estão indignados com a nomeação de Pazuello para um cargo no Planalto. Foram pegos de surpresa, assim como o comandante Paulo Sérgio, e se consideram traídos por Bolsonaro e pelos também generais e ministros Luis Eduardo Ramos, da Casa Civil, e Walter Braga Netto, da Defesa.” (Globo)

Num dos depoimentos mais tensos e confusos à CPI da pandemia, a médica Nise Yamaguchi negou que o governo tivesse elaborado um decreto para incluir na bula da cloroquina a indicação para Covid-19 e que houvesse um “gabinete paralelo” que aconselhasse Jair Bolsonaro na condução da pandemia à revelia do ministério da Saúde. Ao tentar comprovar suas negativas, porém, ela fez o contrário. Apresentou uma troca de mensagens na qual ela recebia a minuta de um decreto sobre a prescrição de cloroquina e desaconselhava a publicação para “não expor o presidente” e confirmou ter feito parte das reuniões de um “conselho independente” e se encontrado com o empresário Carlos Wizard e com Arthur Weintraub, supostos integrantes do “gabinete paralelo”. (UOL)

A sessão foi tensa. Quando Yamaguchi comparou tratamentos precoces sem eficácia às vacinas, o presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), a interrompeu. “Tem que vacinar todos os brasileiros, pelo amor de Deus! Todos os brasileiros precisam de duas vacinas. Duas! Não acreditem nela. A vacina salva!”, exclamou. Em outro momento, o médico e senador Otto Alencar (PSD-BA) questionou a oncologista sobre conceitos básicos de infectologia, e ela não respondeu. Em seguida, o parlamentar apontou a irresponsabilidade da prescrição de cloroquina a qualquer paciente, sem checagem de seu histórico cardíaco. (Globo)

E confira o placar entre o falso e o verdadeiro no depoimento da médica pela checagem da Agência Lupa. Alerta de spoiler: falso ganha de goleada. (Folha)

O comandante da PM de Pernambuco, Vanildo Maranhão, entregou o cargo ao governador Paulo Câmara (PSB) ontem, três dias depois de uma manifestação pacífica contra Bolsonaro no Recife ser dispersada com requintes de violência pela tropa de choque. (Jornal do Commercio)

Dois dias antes da exibição de violência da PM, o Ministério Público alertou três secretários do governo sobre o risco de truculência e a necessidade de orientar a ação dos policiais. A informação faz parte de um inquérito aberto pelo próprio MP para apurar a responsabilidade pela repressão. (Folha)

Igor Gielow: “Episódios em que policiais militares abusaram de suas funções para fazer valer posições favoráveis a Jair Bolsonaro acenderam o sinal de alerta entre líderes políticos acerca da tática do presidente para o ano eleitoral de 2022. Como é notório, Bolsonaro e seus filhos são apoiadores históricos dos estratos inferiores das corporações militares e policiais.” (Folha)

Octavio Guedes: “Em guerra com os governadores há mais de um ano, Bolsonaro encomendou uma pesquisa nacional sobre a qualidade de vida de todos os policiais brasileiros. O Ministério da Justiça colocará à disposição dos profissionais de segurança, entre eles policiais militares e policiais civis dos 26 estados e do Distrito Federal, um questionário que abordará questões salariais e de moradia, entre outros pontos. Governadores estão preocupados com uso político que o presidente Bolsonaro fará com os resultados. ‘Vem coisa por aí’, resumiu um deles. ‘Preocupante. Vamos monitorar’, anunciou outro.” (G1)

Meio em vídeo. Por mais que o governo negue, as manifestações do dia 29 contra a má gestão da pandemia e pedir por vacinas e pelo impeachment de Bolsonaro foram grandes, especialmente para um tempo de pandemia. No Conversas com o Meio desta semana, o editor Pedro Doria discutiu os efeitos desses atos com três especialistas: Marco Ruediger, diretor de Análises de Políticas Públicas da DAPP-FGV, Ricardo Rangel, analista político e colunista de Veja, e Orlando Thomé, estrategista eleitoral e idealizador do Foca na Estratégia. Confira no YouTube.

O relator do processo contra a deputada Flordelis (PSD-RJ) no Conselho de Ética da Câmara, Alexandre Leite (DEM-SP), recomendou que ela tenha o mandato cassado por quebra do decoro parlamentar. Ela é acusada de ser a mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, em junho de 2019. (Poder360)

A edição de sábado do Meio, exclusiva para assinantes premium, vai além de um tema principal e mergulha em outros assuntos como tecnologia, música e literatura. Quer um exemplo? Já falamos do impacto do ano 1959 na história do jazz, dos rituais diários de artistas, do fotógrafo que popularizou o slogan Black is Beautiful, e até mesmo sobre Computação Quântica. É uma edição feita para ser curtida com calma, no fim de semana. Assine você também.

Viver


A aproximação do inverno, que começa oficialmente no próximo dia 21, traz para a Região Sul o risco de uma nova explosão da Covid-19 num momento em que os serviços de saúde estão em virtual colapso. O Paraná está com 95% de seus leitos de UTI para a doença ocupados. Em Curitiba, onde a ocupação é de 94%, somente os serviços essenciais estão autorizados a funcionar. Segundo especialistas, durante o inverno as pessoas tendem a se concentrar mais em lugares fechados, aumentando a chance de contaminação. (Globo)

Nesta terça-feira, o Brasil teve 2.346 óbitos causados pela Covid-19, elevando o total a 465.312. A média móvel de mortes em sete dias foi de 1.870, marcando a quinta alta consecutiva. Na comparação com os 14 dias anteriores ainda há uma redução de 4%, mas isso indica estabilidade. (G1)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou ontem o uso emergencial para maiores de 18 anos da CoronaVac, vacina desenvolvida pela chinesa SinoVac e fabricada no Brasil pelo Instituto Butantan. Com isso, o imunizante poderá ser usado na iniciativa Covax, que busca ampliar a distribuição de vacinas pelo mundo. Um benefício indireto para os brasileiros é que, com o reconhecimento pela instituição internacional, pessoas imunizadas com a CoronaVac sejam admitidas em áreas com barreiras sanitárias, como a União Europeia.  (UOL)

Também ontem, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) assinou com a AstraZeneca o contrato de transferência de tecnologia para produzir no Brasil a matéria prima da vacina desenvolvida pelo laboratório britânico. Hoje todo o material é importado, principalmente da China. (Folha)

E chegou na noite de ontem a primeira das três remessas de vacinas da Pfizer prometidas para esta semana. O lote de 936 mil doses foi entregue no aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP). (G1)

O Congresso derrubou na noite de ontem o veto do presidente Jair Bolsonaro ao fornecimento de internet gratuita para alunos e professores da educação básica pública durante a pandemia. A estimativa é que a medida, idealizada para facilitar o ensino remoto, beneficie 18 milhões de estudantes e 1,5 milhão de professores. (Globo)

A China confirmou nesta terça-feira o primeiro caso de contágio em um ser humano da gripe aviária H10N3. O paciente é um homem de 41 anos de Jiangsu, no leste do país. Segundo a FAO, órgão da ONU para agricultura e alimentação, esse vírus é pouco comum, enquanto o governo chinês afirma que o risco de propagação entre pessoas é baixo. (G1)

O Papa Francisco anunciou ontem uma das mais abrangentes reformas do Código de Direito Canônico, a lei da Igreja Católica. Passam a ser crimes corrupção de menores e posse de pornografia infantil, por exemplo, enquanto a prática de fraudes e a ordenação de mulheres recebem agora punições maiores. Ao anunciar a revisão, a maior em quase 40 anos, o Pontífice cobrou responsabilidades de bispos na aplicação dessas leis. (CNN Brasil)

Cultura


Com a Educação entregue à ala evangélica e Ernesto Araújo fora do Itamaraty, a Secretaria da Cultura, comandada por Mario Frias, tornou-se a última trincheira da ala ideológica no governo Bolsonaro. O resultado? Projetos empacados, representantes do setor negociando diretamente com o Congresso, interferência em assuntos estranhos à pasta e muito, mas muito conservadorismo. (Globo)

Um dos exemplos mais claros dessa situação é a Fundação Palmares, cujo diretor, Sérgio Camargo, devota sua gestão ao expurgo da obra e da memória de personalidades negras que não se enquadram na ideologia do governo. A vítima da vez é o escritor, político e guerrilheiro Carlos Marighella, que será excluído do acervo. (Globo)

Tido por contemporâneos como “regionalista” e praticamente esquecido em arquivos do início do século passado, o maranhense Astolfo Marques (1876-1918) tem sua obra resgatada na coletânea O Treze de Maio e Outras Estórias do Pós-Abolição, organizada pelo professor Matheus Gato, da Unicamp. São 17 contos em que o escritor negro autodidata lançava um olhar sobre a condição dos ex-escravizados, com um destaque para o protagonismo feminino incomum para a época. (Folha)

Quando se fala em bactérias, o que vem à cabeça primeiro alguma coisa suja ou contaminada. Pelo menos na Capela Médici, em Florença, lar de espetaculares esculturas de Michelangelo, a situação é o extremo oposto. Após quase uma década de restauração, especialistas constataram que o grosso da sujeira resistente a seu trabalho vinha de matéria orgânica dos corpos (mal) sepultados. Eles então espalharam diferentes espécies de bactérias que devoram esse material. O resultado é que a capela recuperou a beleza original. (Estadão)

Cotidiano Digital


As criptomoedas chegaram ao Google e à Apple. Em parceria com a Coinbase, os usuários da plataforma poderão adicionar seus cartões aos sistemas de carteira digital operados pelas duas big techs. O anúncio vem depois do PayPal também liberar as moedas digitais nos EUA.

A Embraer ainda não concluiu o projeto de seu “carro voador”, mas já tem uma encomenda de 200 unidades, com previsão de entrega a partir de 2026, para a Halo, empresa de mobilidade aérea que atua nos EUA e no Reino Unido. Além dos veículos, que são elétricos e parecem superdrones, o contrato inclui o desenvolvimento conjunto de um sistema de gestão de tráfego aéreo urbano. (Estadão)

Meio em vídeo. Quem nunca silenciou ou bloqueou um perfil nas redes sociais? Para evitar incômodos e discussões desnecessárias, às vezes, é preciso tirar algumas pessoas de nossa timeline. Dar um mute ou um block é ser chato ou é priorizar a sua saúde mental? Em mais um episódio de Pedro+Cora, os jornalistas Pedro Doria e Cora Rónai discutem assuntos do mundo digital e ainda compartilham de um mantra: “Block é vida, block é saúde”. Confira no YouTube.

E chegou ao fim o armazenamento ilimitado gratuito do Google Fotos. Confira alternativas.





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