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4 de junho de 2021
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Prezadas leitoras, caros leitores —

A pandemia da Covid-19 está sendo o acontecimento definidor de nossas vidas, pelo menos para aqueles que nasceram após a Segunda Guerra Mundial. Nenhum aspecto de nosso cotidiano passou incólume por ela. A saúde, a economia, a educação e as relações familiares, sociais e de trabalho são os mais óbvios. E todos eles desaguam em nossa saúde mental.

Ao mesmo tempo, o coronavírus alargou e aprofundou abismos sociais, econômicos e culturais. A pandemia cai mais pesada sobre os mais vulneráveis. Não estamos todos no mesmo barco; estamos na mesma tempestade em embarcações diferentes, e algumas são muito frágeis.

O que acontece quando esses dois aspectos se encontram? Como está a saúde mental de um dos grupos mais vulneráveis do Brasil, o dos povos indígenas? Especialmente os mais jovens, geralmente divididos entre dois mundos.

Pela primeira vez, uma ampla pesquisa deu voz a esses rapazes e moças em suas aldeias e comunidades para que falassem de suas angústias, de sua visão do que é a saúde mental – própria e de seus povos – e de como o fantasma da Covid-19 os afeta.

Os resultados – muitos surpreendentes – e os desdobramentos desse estudo são o tema do Meio deste sábado, exclusivo para os assinantes premium.

A próxima segunda-feira é o Dia Nacional da Liberdade de Imprensa, que poucas vezes foi tão necessária nesse país.

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— Os editores


Exército quebra disciplina e se curva a Bolsonaro


No fim da tarde de ontem, o general Paulo Sérgio Nogueira, comandante do Exército, decidiu não punir o general Eduardo Pazuello por participar de um ato político com o presidente. Atividade política é proibida a militares por lei. O anúncio, feito calculadamente no final da tarde do primeiro dia de um feriado prolongado, causou surpresa, choque e uma imediata profusão de reuniões por Zoom, telefonemas e reavaliações do cenário por toda Brasília. Boa parte dos generais de quatro estrelas vinham comentando, nos bastidores, que alguma punição haveria. A conduta de Pazuello foi criticada pelo vice-presidente Hamilton Mourão e motivou a abertura de um inquérito, arquivado ontem. Para mostrar apoio a seu ex-ministro da Saúde, Bolsonaro nomeou Pazuello para um cargo no Planalto, o que foi considerado uma afronta por generais. Ao fim, venceu Bolsonaro. O presidente quebrou a espinha dorsal de disciplina e hierarquia na Força.

Foi por medo de uma nova crise que o Exército engoliu a impunidade de Pazuello. Embora defendessem a punição do ex-ministro indisciplinado, os 15 generais de quatro estrelas avaliaram que ela levaria à renúncia do comandante, pois Bolsonaro certamente a anularia. A despeito do apaziguamento, o Alto Comando passou a monitorar mais atentamente movimentações políticas na tropa. (Folha)

Porém... Pelo menos dois quatro estrelas da reserva, conhecidos por serem conservadores, se manifestaram. “Sou disciplinado, acredito na disciplina, fiz isso minha vida inteira”, afirmou Sérgio Etchegoyen, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) durante o governo de Michel Temer. “Não vou criticar uma atitude do Comandante do Exército. Mas não vou aviltar meus valores morais para defender o indefensável.” Ex-candidato bolsonarista ao governo de Brasília, também falou Paulo Chagas. “Não tenho dúvida de que isso vai causar indisciplina dentro do Exército. Abre um precedente que vai ser explorado por aqueles que querem aparecer. A política está entrando no portão das Forças Armadas, a disciplina vai sair pela porta dos fundos.” (Globo)

Não vem sem alarme. A decisão acendeu o sinal amarelo no STF, que teme a politização da tropa. Para os integrantes do Supremo, o ministro da Defesa, Braga Netto, é um “novo Pazuello”, disposto a ceder às vontades de Bolsonaro a qualquer custo. (Estadão)

Políticos, parlamentares e autoridades de diversas correntes criticaram duramente nas redes sociais a capitulação do Exército. Somente os bolsonaristas louvaram a decisão. (Poder 360)

Merval Pereira: “A quebra da disciplina e hierarquia só aconteceu porque os militares estão convencidos de que apenas Bolsonaro pode derrotar o PT e Lula na eleição do ano que vem, e quiseram dar respaldo político a ele. Bolsonaro convenceu os militares, e o núcleo duro de seus seguidores, de que a volta do PT ao poder, que hoje as pesquisas de opinião detectam como provável, é um perigo comunista que tem que ser evitado. Por isso está criando um clima antecipadamente de possibilidade de fraude nas urnas eletrônicas, para ter um pretexto para comandar um golpe caso seja derrotado por Lula. A decisão do Comandante do Exército representa um golpe de Bolsonaro. Não há mais dúvidas, agora, de que Bolsonaro age como age devido ao apoio do ‘seu’ Exército.” (Globo)

Marcelo Godoy: “Bolsonaro venceu a batalha, mas arrisca perder seu Exército. Brigar por Pazuello, que hoje não é capaz de pôr em forma dois recrutas num quartel, pode não ter sido a decisão mais apropriada. O presidente escandaliza os soldados profissionais que se mantêm em silêncio, mas que se manifestam dentro da cadeia de comando. Na quarta, um general ouvido pelo Estadão disse que quem conhece a história não repete o erro. Referia-se ao presidente João Goulart, que flertou com a anarquia militar. As ameaças a Bolsonaro, por enquanto, são veladas. Mas ele está mais uma vez afrontando o estabelecimento militar. Da última vez, quem o fez, há 30 anos, acabou defenestrado. Quem pagará o preço da solução imposta por Bolsonaro? O Exército, que verá sua imparcialidade, isenção e neutralidade questionadas pelas forças políticas de oposição. E o País, que pode ser mergulhado em uma campanha eleitoral em 2022 em que militares da ativa se sentirão autorizados a intervir como militantes.” (Estadão)

Malu Gaspar: “Ao Brasil, que não espere do Exército nenhum esforço de proteção à ordem democrática ou ao estado de direito se, do outro lado, forçando os limites, estiver Jair Bolsonaro. Se não foi capaz de contê-lo nem para proteger um pilar básico da força, o respeito a hierarquia e aos códigos militares; se aceitou se humilhar diante do presidente num impasse em que tinha a seu favor uma regra cristalina e inequívoca, não há por que supor que o comandante terá força para fazê-lo quando estiver em jogo alguma questão politicamente difusa, do tipo que se justifica pelas narrativas delirantes de Bolsonaro.” (Globo)

A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, responsável pela segurança pública, afastou o policial militar que atirou no olho de um dos dois civis parcialmente cegados na repressão violenta aos protestos do dia 29. (Jornal do Commercio)

Panelaços nas maiores cidades do país, como não eram ouvidos em anos, foram a reação ao pronunciamento de Jair Bolsonaro na noite de quarta. Na cadeia de rádio e TV, o presidente, irreconhecível na moderação lida no teleprompter, defendeu sua atuação na pandemia e a vacinação. (G1)

Meio em vídeo. Na televisão vimos um Jair Bolsonaro bastante diferente do habitual. Vestiu terno e gravata com alinho e fez discurso de chefe de Estado. Mentiu o tempo todo, distorceu o quanto pode. Acusou o golpe de que a CPI está desgastando e a oposição foi às ruas. É hora de o centro se juntar à esquerda e mostrar o tamanho da repulsa que um autoritário causa em democratas de todas as cores. Veja o Ponto de Partida no YouTube.


A pressão das panelas

Tony de Marco

Bandeira-panela
Momentos ensurdecedores registrados no blockchain. As animações do Meio estão no Open Sea.

A edição de sábado do Meio, exclusiva para assinantes premium, vai além de um tema principal e mergulha em outros assuntos como tecnologia, música e literatura. Quer um exemplo? Já falamos do impacto do ano 1959 na história do jazz, dos rituais diários de artistas, do fotógrafo que popularizou o slogan Black is Beautiful, e até mesmo sobre Computação Quântica. É uma edição feita para ser curtida com calma, no fim de semana. Assine você também.

Destrave sua gestão

Destrave sua gestão


As franquias têm se espalhado pelo país e com elas novas estratégias para sobreviver não só a crise atual, mas adaptar o franchising para o futuro. Com um “espírito de startup”, tem se adotado modelos de negócio nas franquias mais dinâmicos, enxutos, tecnológicos e colaborativos do que antes.

A logística ainda é uma das principais barreiras para o avanço dos negócios. O AliExpress tem investido em tecnologia para diminuir o seu tempo de entrega no Brasil. O seu braço logístico Cainiao, além de parcerias, usa um algoritmo para otimizar a eficiência e o custo. Para Yan Di, diretor-geral do AliExpress para o Brasil, ainda é possível no Brasil replicar modelos logísticos chineses, como converter lojas de conveniência em mini-centros de distribuição. (Folha)

O e-commerce não só tem ajudado a manter muitos negócios, mas também se tornou alavanca de crescimento. Quase 10% dos que iniciaram o próprio negócio como microempreendedores individuais em 2019 viraram empresas maiores, segundo estudo da Serasa Experian. Essa taxa é mais que o triplo da registrada entre 2017 e 2019. (Estadão)

Viver


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai discutir hoje se autoriza a importação das vacinas russa Sputnik V e indiana Covaxin, mas impondo restrições ao uso indiscriminado no país. Ainda não há consenso na diretoria da entidade, mas a posição que vem ganhando força é que estados e municípios possam importar esses imunizantes e usá-los somente quando o Ministério da Saúde não entregar vacinas de uso autorizado em quantidade suficiente para os grupos prioritários. (CNN Brasil)

O Brasil vai receber parte do lote de seis milhões de doses de vacinas para a América Latina da Covax Facility doadas pelo governo dos EUA. Outros 13 milhões de doses serão doados pela Covax a outros países no resto do mundo. O governo americano vai doar ainda seis milhões de doses a “prioridades regionais”, como os vizinhos México e Canadá e regiões como Gaza e Cisjordânia. (Veja)

E chegou quarta a São Paulo mais um lote de vacinas da Pfizer, com 527 mil doses. Até o momento, o laboratório americano entregou 5,8 milhões dos 200 milhões de doses encomendados pelo Brasil em fevereiro. (G1)

Então… O governo paulista está cobrando do ministério da Saúde a entrega destas vacinas da Pfizer. A secretaria estadual afirma que o ministério tirou folga no feriado e segurou as doses, que não foram imediatamente distribuídas para o país. (G1)

Nesta sexta-feira o Brasil registrou 2.082 mortes por Covid-19, elevando o total a 469.784 e fazendo uma média móvel de sete dias de 1.862 óbitos. Mato Grosso do Sul, Tocantins, Bahia, Roraima, Pernambuco e Acre estão com tendência de alta nas mortes. (UOL)

E a expectativa dos cientistas é de termos, no ano que vem, remédios para a Covid-19. As medicações já foram testadas em animais e agora passam por testes em humanos. (Estadão)

Um prédio de quatro andares construído irregularmente desabou na madrugada de ontem na comunidade de Rio das Pedras, Zona Oeste do Rio, matando um homem e uma criança. Mãe, que ficou presa nos escombros, está internada em estado grave. Segundo moradores, o prédio foi construído por um comerciante para a própria família sem participação de engenheiros ou arquitetos. Embora Rio da Pedras tenha sido o berço das milícias no Rio, o prefeito Eduardo Paes (DEM) negou que os criminosos impeçam a fiscalização de construções. (Globo)

Brasil e Equador jogam hoje, às 21h30, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. E uma crise vai se instaurando dentro da Seleção. Um grupo de jogadores, formado pelos mais experientes, não quer disputar a Copa América que o presidente Jair Bolsonaro trouxe para o Brasil. Ontem estava prevista a participação do volante Casemiro, capitão da equipe, na coletiva com o técnico Tite. Foi dispensado. “Pedimos aos atletas para focarem apenas no jogo contra o Equador”, afirmou o treinador. “Eles solicitaram uma conversa direta ao presidente da CBF. Foi uma conversa muito clara, direta. Temos uma posição, mas não vamos externar isso agora. Temos uma prioridade agora de jogar bem e ganhar o jogo contra o Equador. Entendemos que depois dessa Data Fifa as situações vão ficar claras.” (Globo Esporte)

Cultura


O Festival de Cannes, cancelado em 2020 e que este ano volta a ser presencial, divulgou ontem sua lista de filmes. Desta vez o Brasil só entra na mostra competitiva como coprodutor de Bergman Island, da francesa Mia Hansen-Love, uma das quatro mulheres no páreo pela Palma de Ouro, ao lado de diretores como Sean Penn e Wes Anderson. Para não dizer que os cineastas brasileiros foram barrados, Karim Aïnouz vai apresentar o seu O Marinheiro das Montanhas nas sessões especiais. (Folha)

Edith está crescendo sozinha. A mãe trabalha demais para as sustentar. O pai foi tentar a vida longe. Quando volta da escola, só convive com telas. Edith não sabe brincar. Como vai descobrir o que é ser criança. Esta é a história de Edith e a Velha Sentada, novo livro infanto-juvenil do ator, roteirista e cineasta Lázaro Ramos com ilustrações de Edson Ikê. Confira o “booktrailer” narrado pelo autor (YouTube).

O escritor franco-senegalês David Diop ganhou o International Booker Prize com seu segundo romance, Irmão de Alma. Já lançado no Brasil, o livro se passa na Primeira Guerra Mundial e trata dos traumas de um soldado senegalês lutando no Exército da França. (Estadão)

Cotidiano Digital


Chegou o Twitter Blue, versão paga da rede social. Traz funcionalidades como edição de tuítes e organização de conteúdo em pastas. Por enquanto, só foi lançado no Canadá e Austrália, ainda sem previsão para outros países.

Por falar em novidade… Segundo o Verge, o Windows 11 deve ser o grande lançamento que a Microsoft vem há meses chamando de “nova geração” do Windows. Deve ser anunciado em evento no dia 24 de junho.

Enquanto isso… Durante o F8, evento de desenvolvedores do Facebook, foi anunciado que a plataforma voltou a ser aberta para que pesquisadores possam utilizar dados da rede social em estudos. A prática estava proibida desde 2018 após um de seus maiores escândalos — quando teste de personalidade para fins acadêmicos acabaram sendo usados pela Cambridge Analytica para marketing político.





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