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9 de julho de 2021
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Prezadas leitoras, caros leitores —

E voltamos à primeira casa do tabuleiro, discutindo corrupção no governo. Não há nada de novo, no primeiro olhar. Todos os governos da Nova República tiveram seus escândalos de corrupção e sempre havia partidos do Centrão envolvidos. Mas, quando olhamos de perto, é de chocar. Afinal, enquanto brasileiros estavam morrendo às centenas de milhares, o governo Jair Bolsonaro estava boicotando a compra de vacinas nas quais não conseguiria cobrar propina para buscar outros imunizantes, bem menos conhecidos, e onde havia jogo.

É isso que estamos aprendendo na CPI. Não era só radicalismo. Junto havia também negociata.

Deveríamos olhar com mais atenção para o nível de corrupção que permeia o Estado brasileiro — os indícios que vêm da ciência política são de que ela causa danos muito superiores aos mensurados apenas em dinheiro desviado. Quando comparamos as pesquisas de percepção de corrupção com o nível de engajamento político numa sociedade, as retas fogem uma da outra. Quanto mais corrupto é percebido um sistema, menos engajados são os eleitores.

A corrupção tira dos cidadãos vontade de serem ativos politicamente. Poucas coisas provocam mais desprezo pelo sitema democrático do que existência de corrupção.

O problema não é trivial. Políticos corruptos, ora, costumam ser reeleitos — e o eleitor tem sua responsabilidade nisso. O Centrão, por exemplo, só cresce em poder, sua bancada um pleito após o outro nunca diminui. Se a lógica numa democracia é de que o eleitor pode mudar comportamentos, por que nada ocorre? Um dos motivos, principalmente na população mais pobre, é mesmo uma compreensão de utilidade pessoal do voto — oferecido em troca de interesse locais, a pavimentação de uma rua, o erguer de uma praça, ou mesmo pessoais. O avançar numa fila para cirurgia em hospital público. Uma cesta de alimentação.

A máquina se retroalimenta. Quanto pior o Estado funciona, quanto menos ele é impessoal, mais o tipo de político que faz o Estado funcionar mal é eleito.

Isso acontece no Legislativo. Isto aconteceu no Executivo no último ciclo eleitoral.

Corrupção é o assunto de nossa edição de Sábado. Não pelo aspecto moralista, a indignação fácil. Mas uma busca por compreender o problema, entender sua origem histórica e encarar de frente como constitui uma ameaça séria à democracia.

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— Os editores


Bolsonaro é questionado oficialmente sobre corrupção de seu líder


São, hoje, 14 dias. Há duas semanas redondas, na CPI da Covid, o deputado Luiz Miranda acusou o presidente da República de ter sido informado de um esquema de desvio de dinheiro na compra de vacinas. Segundo Miranda, Jair Bolsonaro teria sinalizado na conversa que o responsável pela corrupção é o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR). E nada foi feito. Ontem, oficialmente, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM) enviou carta inquirindo Bolsonaro, cobrando resposta. “Somente Vossa Excelência pode retirar o peso terrível desta suspeição dos ombros deste experimentado político, o deputado Ricardo Barros”, escreveu. (G1)

A resposta de Bolsonaro veio na tradicional live das quintas. “Caguei para a CPI”, disse. “Não vou responder nada. São sete pessoas que não estão preocupadas com a verdade.” (Estadão)

O problema de Bolsonaro é outro. Se compra uma briga com Barros e o demite, ameaça apoio do partido que é o núcleo duro do atual Centrão — o Progressistas. Se desmente Miranda, por outro lado, periga ser confrontado com a gravação que o deputado diz ter feito da conversa. Está numa encruzilhada. (CNN Brasil)

Gerson Camarotti: “O silêncio prolongado do presidente sobre a conversa com Miranda causa saia-justa para a tropa de choque do governo na CPI. Senadores governistas não escondem o desconforto com as várias versões sobre o episódio, além da ausência de uma fala contundente do próprio Bolsonaro. ‘Fica difícil falar sobre esse tema quando não há um norte seguro por parte do Planalto’, desabafou um senador governista.” (G1)

Só que... A situação pode ser ainda mais delicada para Bolsonaro. Nesta gravação, segundo Diogo Mainardi, ele citou também o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) e o principal líder do Progressistas, Ciro Nogueira (PP-PI). Lira é quem tem o poder de abrir caminho para um impeachment. (Crusoé)

Então... A um ponto, a CPI hoje pareceu um jogral. Após Bolsonaro passar 50 minutos no cercadinho do Alvorada detonando os senadores, o presidente da comissão pediu a palavra para responder. “Nunca chamei de genocida”, afirmou. “De que, presidente?”, respondeu de sua cadeira o vice da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP). “Genocida”, reiterou Aziz. “Genocida?”, confirmou Randolfe. Após reiterar positivamente, o senador seguiu com seu discurso. “Nunca disse que o senhor praticou rachadinha” — e, novamente, Randolfe quis confirmar. “Rachadinha?” O vídeo vale cada segundo. (Estado de Minas)

E, sim, no auge da crise política Bolsonaro passou 50 minutos batendo papo com seus fãs. “Ó, a agenda lá está folgada hoje de manhã, por isso estou aqui”, explicou, de acordo com Lauro Jardim. (Globo)

Quem depôs ontem na CPI foi a ex-gestora do Programa de Imunizações, Francieli Fantinato. Chegou com um habeas corpus do Supremo que lhe garantia o direito de se manter em silêncio — mas escolheu contar. “Qualquer indivíduo que fale contrário à vacinação vai trazer dúvidas à população brasileira”, ela argumentou, por vezes se mostrando exasperada. “Quando o líder da nação não fala favorável isso pode trazer prejuízos.” Durante a sessão, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) tomou a decisão de retirá-la da lista de investigados. (G1)

Meio em vídeo: Assistir à CPI da Covid não é simples. Acontece no meio do dia, a maior parte das pessoas está trabalhando e muitas vezes as sessões são confusas. Mas aos poucos os senadores estão revelando que havia um plano por trás do radicalismo e anticientificismo do governo Bolsonaro durante a pandemia. O crime é pior do que imaginávamos. Assista no YouTube.

Saiu particularmente dura para o presidente a nova rodada da pesquisa Datafolha — a maioria da população considera Bolsonaro incompetente (58%), desonesto (52%), falso (55%), indeciso (57%), despreparado (62%), autoritário (66%) e pouco inteligente (57%). Os índices de aprovação não são muito melhores. 51% dos entrevistados classificam o presidente como ruim ou péssimo, enquanto 24%, ótimo ou bom. É o pior nível desde o início do governo. (Folha)

Então... 26% das pessoas que votaram em Bolsonaro nas eleições passadas hoje defendem seu impeachment, de acordo com o PoderData. Dentre os que votaram em branco, 47% defendem que ele deixe o cargo. Metade dos brasileiros defende o impeachment e 45% defende que Bolsonaro continue governando. (Poder 360)

Sérgio Abranches: “Em análise política a gente tem às vezes de largar os modelos e observar a direção do vento. E a direção do vento é muito fortemente contra Bolsonaro. As pesquisas todas estão convergindo na direção de uma taxa de reprovação na casa dos 60%. É muito mais difícil reverter a impopularidade do que parece. No ano que vem entramos em campanha, as críticas da oposição vão circular mais pela sociedade, a inflação e o desemprego vão continuar altos. Esse quadro sócio-econômico é muito negativo. E há o desempenho pífio do governo, que não consegue dar conta de nenhuma emergência.” (CBN)

Olavo de Carvalho está em São Paulo. Após mais de década e meia sem pisar no país, o guru do bolsonarismo desembarcou em Guarulhos direto para o Instituto do Coração do Hospital das Clínicas, ligado à USP. Olavo estava internado em um hospital na Virgínia, EUA, desde abril. Segundo Igor Gadelha, ele veio tratar da doença de Lyme, que causa irritação na pele, dores nas articulações e fraqueza nos membros. (Metrópoles)

O escritor foi internado pelo SUS, segundo queixas de médicos de hospitais públicos paulistanos, furando a fila da central de regulação de leitos. O Hospital das Clínicas afirma que, como ele entrou pela emergência do InCor, não precisaria passar pela triagem. A vinda de Olavo foi organizada por ex e atuais membros do governo. (Folha)


Batalha perdida

Tony de Marco

Urna-versus-bolsonaro
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Viver


O receio ao avanço da variante delta no país já está mudando o protocolo de vacinação em estados. Pernambuco, Acre, Ceará, Espírito Santo e Piauí, Alagoas e Sergipe encurtaram o intervalo adotado entre as doses das vacinas. E São Paulo já manifestou intenção. O Ministério da Saúde escolheu o maior prazo, de 12 semanas, previsto em bula para aumentar o total de pessoas vacinadas com ao menos 1 dose. Até o momento, a variante gama é a dominante no país, mas, no último mês, foram confirmados casos da delta inclusive na cidade de São Paulo. (G1)

Estudo divulgado na revista Nature, apontou que é a variante é parcialmente resistente a alguns tipos de anticorpos, mas que duas doses da vacina da Pfizer ou da AstraZeneca/Oxford são capazes de neutralizá-la. Mesmo assim, os laboratórios Pfizer e BioNTech anunciaram que pedirão, em agosto, autorização para uma terceira dose.  O correspondente a Anvisa nos EUA, o FDA disse que ainda não é necessário uma dose extra e não cabia apenas às empresas decidir sobre isso.

Por aqui… O Instituto Butantan disse que a Coronavac apresentou bons resultados contra a variante em testes realizados em laboratório. No entanto, ainda faltam dados populacionais sobre a proteção da vacina em relação à variante originária na Índia.

Por falar em vacinas… As grávidas sem comorbidades poderão se vacinar contra a Covid-19, desde que isso seja feito com a vacina da Pfizer ou a CoronaVac. O novo protocolo do Ministério da Saúde ainda determina que as mulheres não poderão misturar doses de vacinas — aquelas que já receberam a vacina da AstraZeneca vão completar a imunização com a mesma vacina após o puerpério. Mesmo assim, no Rio de Janeiro a orientação de misturar doses para grávidas se manterá, segundo as secretaria de Saúde do estado.

Nas últimas 24 horas, foram registradas 1.733 mortes por Covid-19 no país, chegando a 530.344 óbitos desde o início da pandemia. A tendência de queda continua pelo 12º dia seguido. A média móvel de mortes nos últimos 7 dias chegou a 1.451 — o menor registro desde o dia 5 de março.

O avanço da variante delta também está mudando os planos dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Com adoção do estado de emergência pelo avanço de casos de Covid-19, a capital japonesa não receberá mais torcedores. A decisão, entretanto, não é válida para outras províncias japonesas, que também receberão alguns outros eventos da Olimpíada e poderão decidir se terão espectadores ou não. (Estadão)

Cultura


Ainda não foi lançado, mas o novo álbum If I Can't Have Love, I Want Power da cantora Halsey já está gerando polêmica. O motivo é a capa em que ela aparece, sentada em um trono, com seio à mostra e segurando um bebê. Grávida, a artista explicou que a imagem é uma referência à pintura renascentista Madonna, de Jean Fouquet. “A ideia de que eu como um ser sexual e meu corpo como um recipiente e um presente para meu filho são dois conceitos que podem coexistir de forma pacífica e poderosa”, escreveu.

A poeta e dramaturga, Renata Pallottini morreu aos 90 anos. Na luta contra um mieloma, estava internada desde semana passada em São Paulo. Começou sua carreira nos anos 50 e desde lá escreveu e produziu trabalhos para teatro e televisão, entre os quais Vila SésamoMalu Mulher e Joana. Publicou livros de poesia, prosa, teatro e ensaios. Ao longo de sua trajetória, ganhou uma série de prêmios, incluindo o Prêmio Jabuti de Poesia em 1966. (Estadão)

Celebrando 20 anos, o Núcleo Bartolomeu de Depoimentos começa hoje um ciclo de releituras, onde peças da companhia são retrabalhadas por grupos convidados, como o Clariô. Já o Grupo Tapa apresenta a comédia em um ato O Urso, de Tchekhov, amanhã e no domingo.

O Trio Porto Alegre estreia hoje uma obra de Ernst Mahle dedicada ao grupo em recital na Sala Cecília Meireles. No domingo, a Jazz Sinfônica recebe a cantora Vanessa Moreno na Sala São Paulo para um concerto com canções de Chico Buarque e Edu Lobo, entre outros.

A cantora Alessandra Leão apresenta hoje o show Macumbas e Catimbós direto do Sesc Pinheiros. No sábado e no domingo, Margareth Menezes e o bloco Olodum são destaques no Festival Afropop.

O Céu Socialista, do diretor norte-americano Ken Jacobs, abre o panorama de experimentações audiovisuais do Festival Ecrã, que neste ano apresenta mais de 100 filmes de cinco continentes.

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A lógica dos realities shows chegou aos palcos. E numa versão macabra. Na peça virtual The Kill One Race, dividida em oito episódios, um apresentador guia o público pelas provas enquanto os participantes tomam decisões como sacrificar uma pessoa para salvar outras cinco. E o prêmio para quem ganhar essa disputa é morrer. Essa lógica de misturar a realidade com entretenimento também foi tema da peça brasileira ExReality, apresentada em 2020 no teatro Porto Seguro. (Estadão)

Cotidiano Digital


Pela quarta vez, o Google é alvo de processo antitruste nos EUA. Quase 40 estados americanos, liderados por Nova York, Utah, Carolina do Norte e Tennessee, acusam a big tech de abusar ilegalmente de seu poder na Google Play Store. No centro da acusação está a cobrança de 30% sobre todas as transações feitas pela loja virtual. Os estados acusam o Google de pagar desenvolvedores para não seguirem o Fortnite, que burlou a taxa e foi excluído da Play Store. A big tech também teria pagado a Samsung para garantir que ela não desenvolvesse sua própria loja de aplicativos. O Google tem mais três processos antitruste, incluindo um do Departamento da Justiça americano. (Globo)

A Microsoft pediu para que todos os seus usuários do Windows atualizem o sistema devido a uma brecha de segurança. A falha afeta o serviço Windows Print Spooler, reponsável pela comunicação com as impressoras e permitiria, por exemplo, que um hacker invadisse e controlasse o computador por meio do sistema de impressão usado em locais de trabalho que possuem impressoras em rede. Saiba como atualizar.





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