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14 de julho de 2021
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CPI ameaça chamar Braga Netto e crise se aproxima das FFAAs


Está se formando, na CPI da Covid, consenso para convocar o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, a depor. O general da reserva era ministro da Casa Civil durante a gestão de Eduardo Pazuello na Saúde e há suspeitas de ingerência de sua pasta nas negociações sobre compra de vacinas. Segundo Bela Megale, o Alto Comando das Forças Armadas diz que, dependendo de como o general da reserva for tratado e de eventuais “associações genéricas” entre militares e corrupção, pode haver uma reação como a nota em tom agressivo emitida na semana passada pelo ministério e pelos comandos das Armas. (Globo)

E a Câmara dos Deputados quer que Braga Netto explique a dita nota. Para amenizar o clima, o ministro da Defesa foi convidado e não convocado pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle. (Globo)

Enquanto isso... Num encontro organizado pelo presidente do STF, Luiz Fux, Jair Bolsonaro, os presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e o próprio Fux se reúnem hoje de manhã no Supremo. O objetivo, diz o ministro é reafirmar “respeito às instituições e os limites impostos pela Constituição Federal”. (CNN Brasil)

E a cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR) pressiona o chefe, Augusto Aras, a pelo menos apurar as falas de Bolsonaro contra o sistema eleitoral e suas agressões verbais a ministros do STF. À espera de ser mantido no cargo, tudo o que Aras não quer é desagradar o presidente. (G1)

Foi dia tenso na CPI da Pandemia. Munida de um habeas corpus, a diretora-executiva da Precisa Medicamentos, Emanuela Medrades, recusou-se a responder até mesmo qual seria seu cargo na empresa. Irritado, o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), interrompeu a sessão para consultar o presidente do STF, Luiz Fux, sobre os limites da ordem que ele havia concedido. Fux respondeu que ela só estava autorizada a se calar diante de perguntas que a incriminassem e que caberia a CPI avaliar se a depoente estava abusando do direito ao silêncio. O depoimento foi reiniciado à noite, mas, como Medrades se declarava exausta, acabou transferido para a manhã de hoje. (UOL)

E uma nova polêmica foi aberta ontem na CPI. Os senadores questionaram o fato de a Polícia Federal interrogar como investigadas pessoas que deporiam à comissão no dia seguinte como testemunhas, facilitando a obtenção se habeas corpus como o de Medrades. Só investigados, e não testemunhas, podem ficar em silêncio para não se incriminar. Os senadores desconfiam que a polícia esteja propositalmente mudando o status de suas testemunhas para atrapalhar a comissão. Em nota, a PF disse que apuração “não está atrelada a outras investigações em andamento sobre o caso”. (CNN Brasil)

E o Ministério da Saúde deu uma explicação surreal para a demora em aderir à Covax Facility, iniciativa da OMS para distribuição de vacinas. Como conta o Radar, os documentos chegaram em setembro de 2020, mas só foram respondidos em março de 2021 porque estavam em inglês e o servidores não tinham “conhecimento suficiente de tal língua estrangeira a ponto de emitir manifestação conclusiva”. (Folha)

O ministro do STF Alexandre de Moraes compartilhou com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) provas obtidas nos inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos envolvendo o presidente Bolsonaro no disparo em massa de notícias falsas durante as eleições de 2018, revela o Painel. Em tese, essas acusações poderiam levar à cassação do registro da chapa — portanto, dos mandatos — de Bolsonaro e do vice Hamilton Mourão. (Folha)

Meio em vídeo: De um lado, a CPI da Covid começa a levantar a ‘sujeira embaixo do tapete’ na compra de vacinas pelo Ministério da Saúde, com nomes ligados às Forças Armadas, resvalando até em Bolsonaro. Por outro, o pacto de sobrevivência do governo com o Centrão o blinda contra um processo de impeachment. Mas, será que a parceria continuará forte até 2022? E a ameaça de um golpe? Deve ser levada a sério? O cientista político Christian Edward Cyril Lynch, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ, volta ao Conversas com o Meio para analisar o momento. Confira no YouTube.

A relatora da PEC da reforma eleitoral, deputada Renata Abreu (Podemos-SP), incluiu em seu parecer a adoção, já em 2022, do chamada “distritão”, sistema pelo qual são eleitos para o Legislativo os candidatos mais votados individualmente. Segundo cientistas políticos, esse é o pior sistema possível, por enfraquecer os partidos e o debate de ideias em favor da popularidade dos candidatos. (G1)

Radar: “Ex-presidente do Senado Eunício Oliveira arrematou nesta segunda, num leilão judicial, o apartamento do desafeto Ciro Gomes em Fortaleza, que foi vendido pela Justiça por R$ 451.000 para pagar uma indenização devida pelo presidenciável do PDT ao senador Fernando Collor. ‘Arrematei de sacanagem… O homem não administra nem o patrimônio dele, quer administrar o Brasil?’, diz Eunício.” (Veja)

Está difícil acompanhar as notícias, não é? Anda tudo muito rápido, muito dinâmico e barulhento. O Meio te ajuda a separar o que é importante. Aos sábados, uma edição especial em que te oferecemos um contexto sobre grandes temas do momento. Assine o Premium e não perca tempo no seu dia.

Finanças em Dia

Finanças em Dia


A inflação voltou a preocupar os brasileiros. E não é por menos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve variação de 0,53% em junho, chegando a 8,35% no acumulado de 12 meses — bem acima do teto da meta de inflação de 5,25% perseguida pelo Banco Central. No último Boletim Focus, os economistas ainda subiram suas projeções de 6,07% para 6,11%. Inflação em alta significa pressão maior no bolso: os preços que estão subindo mais é exatamente o de itens essenciais como alimentos. Essa alta dos preços não tem como mudar, mas há diversas alternativas para proteger seu dinheiro da inflação.

Apesar de ainda ser popular no Brasil, deixar o dinheiro na poupança não é um bom negócio. A rentabilidade real da poupança (descontada a inflação medida pelo IPCA) em 12 meses ficou em -6,26% em junho, segundo a Economatica. O poupador vem tendo perdas de poder aquisitivo acumuladas em 12 meses desde setembro de 2020. (Valor Investe)

Pois é… O receio de investir em outras modalidades ainda é grande no país. Oito em cada dez brasileiros ainda guardam dinheiro na poupança e temem se arriscar em aplicações menos conservadoras. Mas investir não precisa ser complicado. Algumas dicas de especialistas para perder o medo. (UOL)

A Serasa está relançando este mês o seu programa que permite renegociar dívidas por até R$ 100. Serão oferecidos mais de R$ 12 bilhões em descontos em cerca de 14 milhões de dívidas, em 24 empresas parceiras de diversos segmentos. (Agora)

Viver


A taxa de transmissão da Covid-19 no Brasil caiu ao menor nível desde novembro do ano passado, segundo o Imperial College de Londres. O número hoje está em 0,88. Isso significa que, em tese, cada grupo de cem pessoas infectadas contamina outras 88, o que indica uma desaceleração da doença no país. (G1)

Outra boa notícia é que, segundo pesquisa do Datafolha, 94% dos brasileiros são favoráveis à vacina. Entre os ouvidos, 56% disseram já terem se vacinado com ao menos uma dose e 38% afirmaram que pretendem se vacinar. Só 5% são contrários à imunização. (Poder360)

Mas eis que surge outro motivo de preocupação. Pesquisadores da Unicamp afirmam que a CoronaVac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, tem pouca eficácia contra a variante Gama, identificada inicialmente em Manaus. Além de “driblar” os anticorpos produzidos pela vacina, a Gama também evita os de outras cepas, aumentando a chance de reinfecção. (Metrópoles)

O município do Rio de Janeiro decidiu não seguir a orientação do governo do estado para encurtar de 12 para oito semanas o intervalo entre as doses da AstraZeneca. A decisão se baseia num estudo indicando que a eficácia do imunizante cai 20% com a redução do intervalo. Por outro lado, a vacinação de adolescentes pode ser antecipada para agosto. (Globo)

A Fiocruz, que produz a AstraZeneca no Brasil, reafirmou em nota que o intervalo de 12 semanas produz uma resposta imunológica mais robusta, além de permitir a imunização de um número maior de pessoas. A fundação citou estudos britânicos e canadenses sobre a eficácia da vacina contra a variante delta em suas formas mais graves já na primeira dose. (Agência Fiocruz)

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, criticou duramente a decisão de governadores e prefeitos de encurtar o intervalo entre as doses e anunciar a vacinação de adolescentes. Segundo ele, essas decisões unilaterais rompem o pacto em torno do Programa Nacional de Imunização (PNI). ‘É claro que existem peculiaridades, coisas muito próprias de cada município. Mas as bases técnicas têm que ser tomadas no âmbito técnico com todos para que tenhamos homogeneidade na conduta de aplicação da vacina”, disse o ministro, após reunião com governadores. (Folha)

Enquanto isso, Israel, um dos países com programa de vacinação mais avançado no mundo, começou a aplicar uma terceira dose da Pfizer para pessoas imunocomprometidas como forma de conter a variante delta. Dependendo do resultado, o reforço será estendido a idosos e pessoas vulneráveis. (Estadão)

Nesta terça-feira o Brasil registrou 1.613 mortes por Covid-19, elevando o total a 535.924. A média móvel em sete dias ficou em 1.273 óbitos, completando três dias abaixo de 1.300. O patamar, porém, ainda é considerado muito alto. (UOL)

Diante do alarmante número de queimadas o governo decidiu tomar uma atituto. Não para reduzi-lo, claro. De agora em diante, esses dados serão divulgados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ligado ao Ministério da Agricultura, não mais pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), cujos satélites fazem o monitoramento do fogo. (Globo)

Enquanto isso... O Ibama tem hoje 26,6% do número de profissionais necessários para a fiscalização, especialmente devido à não reposição de vagas de aposentados. (Globo)

Cultura


Só deu streaming na lista de indicações para o Emmy, principal prêmio da TV nos EUA (e no mundo), anunciada ontem. Produções da HBO/HBO Max receberam 130 indicações, uma a mais que as da concorrente Netflix. Individualmente, porém, a Disney+ brilha. The Mandalorian, primeira série ambientada no universo de Guerra nas Estrelas, foi indicada em 24 categorias, o mesmo número do drama The Crown, da Netflix. Entre as minisséries, Wanda+Vision, da Disney+ lidera com 23 indicações. Depois um ano virtual, a cerimônia de entrega, no dia 19 de setembro, contará com os concorrentes e um número limitado de convidados. (Globo)

Também ontem foi divulgada a programação do Festival de Gramado, que, como no ano passado, terá uma parte exibida na TV – longas e curtas nacionais os longas estrangeiros e da mostra gaúcha no Canal Brasil – e parte em streaming, com os curtas estrangeiros no Canal Brasil Play. O festival acontece entre os dias 13 e 21 de agosto.  (Folha)

Uma salva de palmas de 15 minutos após a exibição é sinal de que Marinheiro das Montanhas, do cearense Karim Aïnouz, é seriíssimo candidato ao L’Oeil d’Or, o prêmio oferecido a documentários no Festival de Cannes. O filme é um relato de viagem da primeira ida de Aïnouz à Argélia, terra natal de seu pai. Um lugar onde seu nome não causava estranheza, mas que a condição de brasileiro o tornava uma atração; uma comparação entre as montanhas do Norte da África e o cenário de Fortaleza, onde nasceram o cineasta e sua mãe. “É uma autoficção, uma viagem de reconhecimento de dois países”, disse Karim. (Estadão)

Cotidiano Digital


A recente rede 3G de Cuba tem ajudado a tornar os atuais protestos no país num dos mais visíveis desde o início do regime. Embora ainda muito monitorada pelo governo, a rede móvel, que começou a ser implementada em 2018, permitiu que os manifestantes se organizassem por meio de aplicativos de mensagens criptografadas como o Telegram, e ainda exibissem ao vivo os protestos nas principais redes sociais como Facebook e Twitter. (Quartz)

Pois é… O governo cubano já restringiu o acesso à internet móvel, além de ter reforçado o policiamento nas ruas. (Estadão)

Os algoritmos do YouTube recomendam vídeos que violam as suas próprias políticas. Segundo levantamento da Mozilla Foundation, 71% dos vídeos reportados por usuários foram recomendados pela própria plataforma. As categorias mais frequentes de vídeos avaliados como lamentáveis foram desinformação, conteúdo violento ou explícito, discurso de ódio e spam/golpes. (Época Negócios)

Então… Desde 2019, o YouTube vem implementando alterações no algoritmo e aumentou sua base de moderadores humanos para diminuir vídeos que incitam discursos de ódio, teorias da conspiração e desinformação.

Meio em vídeo. Cora Rónai e Pedro Doria comentam mais um processo antitruste contra o Google. Confira no YouTube.





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