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24 de agosto de 2021
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Indisciplina nas PMs e ameaça de golpe põem em alerta governadores


A segunda-feira era para ser o dia em que os governadores, em reunião virtual, tentariam botar água na fervura entre o Planalto e o STF. Em vez disso, o dia começou em plena ebulição, com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afastando sumariamente o coronel da PM Aleksander Toaldo Lacerda do Comando de Policiamento do Interior (CPI) 7. Ele usava sua conta no Facebook para atacar autoridades, incluindo o próprio Doria, e convocar “amigos” para o ato bolsonarista no Sete de Setembro. A insubordinação das PMs passou a ser o tema do encontro. (G1)

Embora alarmados com o clima de radicalização, os governadores não soltaram uma nota oficial. Em vez disso, pediram uma reunião com Bolsonaro e os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e o STF, ministro Luiz Fux. No pedido formal do encontro, o Fórum de Governadores diz buscar uma agenda comum e estratégias para “salvaguardar a paz social, a democracia e o bem-estar socioeconômico da população brasileira”. Nenhum dos líderes dos Poderes respondeu ainda. (UOL)

Bernardo Mello Franco: “Governadores aliados de Bolsonaro vetaram a divulgação de uma carta conjunta contra as ameaças do presidente à democracia e ao STF. A proposta foi bombardeada por Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Carlos Moisés (PSL-SC), que pretendem concorrer à reeleição em 2022 com apoio do presidente.” (Globo)

A preocupação dos governadores não é exagerada. Pelo menos no Rio e em São Paulo já foram identificadas movimentações de PMs, principalmente via Whatsapp, para engrossar as manifestações bolsonaristas. (Poder360)

Militares avaliam que João Doria e seu secretário de Segurança, o general da reserva João Camilo Pires de Campos, agiram rápido e corretamente no caso de Lacerda e mandaram um recado duro que pode arrefecer os ânimos nas polícias estaduais. (UOL)

E o vice-presidente Hamilton Mourão, ele próprio general da reserva, faz pouco caso de todo o barulho em torno das manifestações prometidas para o feriado. Na avaliação dele, os atos são “fogo de palha”. (Estadão)

Pois é... Mas o editorial que abre a página de opinião do Estado de S. Paulo, hoje, veio ainda mais duro do que o habitual. “Como os próprios organizadores têm alertado, o objetivo das manifestações bolsonaristas não é manifestar apoio ao presidente Jair Bolsonaro. A convocação não é para expressar determinada posição política e sim para invadir o Supremo Tribunal Federal e o Congresso. Depois de tudo o que já foi divulgado, eventual tentativa de golpe no dia 7 de setembro não será nenhuma surpresa. Será a estrita realização das táticas e objetivos anunciados, repetidas vezes, por bolsonaristas.” (Estadão)

Em tempo. Pelo menos um dos ministros mais leais a Bolsonaro, o general Luiz Eduardo Ramos, vem se mostrando preocupado com a escalada de sua retórica. Entenda a crise fabricada pelo presidente. (Folha)

Meio em vídeo. O governador João Doria suspendeu um coronel PM que, no Facebook, chamou ministro do Supremo de Hitler, chamou o presidente do Congresso de covarde, o próprio Doria de “cepa indiana” e a partir daí convocou seus “amigos” para a manifestação bolsonarista. Não é o único caso. A PM bolsonarista está começando a botar a cabeça para fora. Confira o Ponto de Partida no YouTube.

Em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, na noite de ontem, Doria disse que é preciso ter cuidado, pois “as milícias bolsonaristas estão agindo com força redobrada com vistas às manifestações” do feriado, com risco inclusive de invasão do STF e do Congresso. Ele reconheceu que foi um erro ter apoiado Bolsonaro no segundo turno em 2018. “Escolhemos o remédio errado para resolvermos o problema histórico do PT”, admitiu, afirmando que Bolsonaro faz um governo “pior que os de Lula e Dilma”. E fez uma previsão sombria para 2022: “Não será uma eleição para bonzinhos. Se preparem para um festival de fake news.” (Poder360)

Assista à integra da entrevista no YouTube.

Integrantes do Conselho Superior do MPF acusam o procurador-geral da República, Augusto Aras, de ter interceptado uma representação contra ele mesmo por prevaricação ao não investigar denúncias contra Bolsonaro. Segundo os procuradores, Aras fez uma “ação ágil, celeremente coordenada e bem orquestrada” para barrar a investigação. Eles pretendem recorrer ao STF. (Estadão)

Enquanto isso... O ministro do STF Alexandre Moraes arquivou uma notícia-crime contra Aras enviada ao Supremo pelos senadores Fabiano Contarato (Rede-ES) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que também acusavam o PGR de prevaricação. (Poder360)

Pois é... Está marcada para hoje a sabatina de Augusto Aras na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para analisar sua recondução ao cargo. (G1)

E o pastor Silas Malafaia vai procurar o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente da CCJ, para tentar um milagre e salvar a candidatura de André Mendonça ao STF. (Globo)

Recém-migrado do PSOL para o PSB, o deputado Marcelo Freixo está de acenos com o PP, principal partido da base de Jair Bolsonaro, em busca de adesão a sua candidatura ao governo do Rio, apoiada por Lula. Pausa para respirar. Malu Gaspar explica que, com esse movimento, Freixo busca ao mesmo tempo isolar os bolsonaristas raiz no estado e entrar em áreas onde o PP é forte, como a Baixada Fluminense. O presidente do PP e ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, estaria a par da movimentação. (Globo)

Falando em alianças, Lula se encontrou ontem no Ceará com os senadores Tasso Jereissati (PSDB), candidato às prévias tucanas, e Cid Gomes (PDT), irmão de Ciro Gomes. A despeito da disputa nacional, PT e PDT devem manter a parceria no estado. Já com Tasso a conversa foi, nas palavras do ex-presidente, “um diálogo sobre a democracia”. (Folha)

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Viver


O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, fez um apelo nesta segunda-feira para que países adiem a aplicação de uma dose de reforço de vacinas e que esses imunizantes sejam repassados a nações com taxas de vacinação entre 1% e 2% da população. Ele alerta que, se a imunização não for aumentada globalmente, há maior risco de surgimento de novas variantes. (Globo)

“Não.” Esta foi a resposta de Washington ao apelo da OMS. O presidente Joe Biden defendeu o direito de os americanos tomarem a terceira dose – embora muitos ainda recusem a primeira – independentemente da situação no resto do mundo. A aplicação deve começar no mês que vem. Ontem também a FDA, equivalente americano da Anvisa, deu registro definitivo à vacina da Pfizer. (CNN Brasil)

O Rio de Janeiro, guardadas as devidas proporções, também não se sensibilizou. A prefeitura anunciou que vai começar em setembro a aplicar a terceira dose em idosos que vivem em asilos e casas de repouso. (Extra)

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, anunciou na manhã de ontem que seria instituído um “passaporte de vacinação” para acesso a bares, restaurantes e estádios. Só poderia entrar quem apresentasse o certificado digital de vacinação ou um comprovante original em papel, sob pena de multa aos estabelecimentos. Horas depois, secretário Municipal de Saúde, Edson Aparecido, disse que não era bem isso. O tal certificado será exigido apenas em eventos, com base em um protocolo ainda em elaboração. (Metrópoles)

Na segunda-feira o Brasil registrou 370 mortes por Covid-19, resultando numa média móvel em sete dias de 766, com redução de 15% em relação ao período anterior e indicação de estabilidade. No total, 574.944 pessoas morreram da doença no país desde o início da pandemia. (UOL)

A Marinha afastou de suas funções Alice Costa, uma oficial transgênero que havia conseguido na Justiça o direito de usar uniforme e corte de cabelo femininos. O juiz federal Daniel Chiaretti, substituto da 1ª Vara Federal de Corumbá (MT) deu até esta quinta para que a Arma se explique. Enquanto isso, o advogado da União Juliano Fernandes Escoura levou a transfobia a outros patamares. Em seu recurso contra a decisão inicial, ele comparou a oficial trans a um “piloto de avião cego” e um “segurança armado tetraplégico”. (G1)

Panelinha no Meio. Hoje é dia de apoiar São Paulo, nem que seja por meio de uma receita. E como o apoio tem de ser de todos – onívoros, vegetarianos ou veganos —, vamos com o cuscuz paulista de legumes. O segredo é o caldo. Não podemos deixá-lo engrossar.

Cultura


Quem já se emocionou com a pungente introdução de Anunciação (YouTube), de Alceu Valença, sabe o quanto a música brasileira perdeu com a morte ontem, aos 66 anos, do guitarrista Paulo Rafael. O músico pernambucano estava internado no Rio, tratando de um câncer. Como nos conta Mauro Ferreira, Paulo Rafael surgiu na cena psicodélica de Pernambuco com o Ave Sangria (ouça Dois Navegantes, no YouTube) e despontou ao iniciar uma longa parceria com Alceu, dando a eletricidade de que este precisava para criar sua mistura de rock com ritmos do Nordeste. (G1)

Em homenagem a Paulo Rafael, a incendiária Agalopado ao vivo (YouTube), melhor síntese de sua alquimia com Alceu.

Se o governo joga contra, Fábio Porchat resolveu mexer no próprio bolso e investir R$ 240 mil em três espetáculos de humor. Entre as regras para participar, os projetos precisam ter, por exemplo, 50% de pessoas negras no elenco. “Minha forma de fazer política é incentivando a cultura”, diz o humorista. (UOL)

Dois líderes negros contemporâneos entre si nos EUA, dois fins trágicos, dois legados muito diversos. Martin Luther King (1929-1968) é lembrado pela cultura e pelo discurso pacifista, mas firme, o que assustava o FBI. Malcolm X (1925-1965) passou pelo crime e pelo radicalismo islâmico e tinha um discurso de confronto. Mas duas novas publicações dão nova profundidade a ambos, além dos estereótipos. A premiada graphic novel King finalmente chega ao Brasil, mostrando um homem que pensava a relação racial nos EUA a longo prazo. Já o livro Malcolm X Fala traz entrevistas e discursos nos quais, longe da imagem do “negro violento”, ele se revela um enfático defensor dos Direitos Humanos. (Folha)

Cotidiano Digital


Pois é… Um dos recursos mais cobiçados do Instagram está prestes a acabar. A rede social confirmou que a função “arrasta para cima” usada nos Stories será substituída por stickers com link a partir do dia 30. O recurso, que já foi lançado em formato de teste em junho é a mesma coisa do “arrasta para cima”. A diferença é que o novo formato ficará alocado com outras funcionalidades do aplicativo, como adição de enquetes e músicas. Segundo a empresa, o objetivo da medida é “agilizar a experiência de criação de Stories”. (Gizmodo)

A Xiaomi anunciou a data do seu próximo evento, marcado para 15 de setembro. A companhia deve apresentar um novo smartphone: Mi 11T Pro 5G. (Tecnoblog)

Então… a crise global no fornecimento de chips também teve efeitos na Xiaomi, que é uma das maiores fabricantes de celulares e eletrônicos. A empresa já começou a encerrar a produção do Redmi Note 10, menos de seis meses após o lançamento. (Canaltech)

Ontem aconteceu o “apagão da Twitch”, movimento organizado por um grupo de pequenos e médios criadores de conteúdo da plataforma que decidiram suspender as transmissões ao longo do dia. Um dos principais motivos da mobilização é a redução de receita de streamers após a queda no valor da inscrição paga pelo público. Entenda a greve. (Canaltech)

O ataque hacker à plataforma da Poly Network está cada vez mais próximo de um desfecho. A empresa confirmou que quase todos os US$ 610 milhões em criptomoedas roubados este mês foram devolvidos pelas pessoas por trás do ataque. (Forbes Brasil)

E depois de ter oferecido uma recompensa de US$ 500 mil aos responsáveis pela invasão, a Poly convidou o hacker para ser consultor da empresa. (O Globo)





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