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9 de setembro de 2021
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Bolsonaro perde controle dos seus e caminhoneiros ameaçam parar o país


Na esteira dos atos bolsonaristas, caminhoneiros bloquearam estradas federais em pelo menos 16 estados nesta quarta-feira. Em vez das reivindicações da categoria, os cartazes nos caminhões traziam ataques ao STF e a outras instituições da democracia. Houve incidentes de violência contra motoristas que se recusaram a aderir, e já há registro de falta de combustíveis em postos no Norte de Santa Catarina devido ao bloqueio de uma base de distribuição. (Metrópoles)

Ainda durante a tarde de ontem, o analista de redes Pedro Barciela percebeu que o movimento bolsonarista dos caminhoneiros, desta vez, não foi deslanchado pelas vozes habituais do bolsonarismo. O grupo do presidente perdeu o controle do levante que incitou. (Twitter)

O Planalto entrou em pânico. No fim da noite, o presidente Jair Bolsonaro gravou um áudio pedindo que os caminhoneiros liberem as estradas, dizendo que ação “atrapalha a economia” e “prejudica todo mundo, em especial, os mais pobres”. (G1)

Com prisão preventiva decretada pelo STF, o ativista Marcos Antônio Pereira Gomes, conhecido como Zé Trovão, questionou a autenticidade do áudio. Foragido, ele cobrou um “vídeo com data e hora”. Em resposta, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, publicou um vídeo confirmando a fala do presidente e reiterando o pedido de desbloqueio. (Metrópoles)

Entidades sindicais dos caminhoneiros autônomos, como o Sindicatos dos Transportadores Autônomos de Carga de Goiás (Sinditac-GO), dizem que os bloqueios são organizados pelo agronegócio bolsonarista. (Poder360)

Fazendo coro aos sindicatos, o presidente da Frente Parlamentar de Caminhoneiros e Celetistas, o deputado Nereu Crispim (PSL-RS), que representa os motoristas autônomos, cobrou da Polícia Rodoviária Federal (PRF) garantia de segurança para os profissionais que não aderirem ao movimento. (UOL)

“Ninguém fechará esta Corte!” Esse foi o tom do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, em resposta aos discursos golpistas de Jair Bolsonaro no 7 de Setembro. Ao abrir a sessão de ontem na Corte, Fux reagiu a ameaça do presidente de não cumprir decisões do ministro Alexandre Moraes, chamado de “canalha” por Bolsonaro. “O Supremo Tribunal Federal também não tolerará ameaças à autoridade de suas decisões. Se o desprezo às decisões judiciais ocorre por iniciativa do chefe de qualquer dos Poderes, essa atitude, além de representar atentado à democracia, configura crime de responsabilidade, a ser analisado pelo Congresso Nacional.” A pena é o impeachment. (UOL)

Porém... No que depender do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), por enquanto o Congresso não vai analisar nada. Aliado de Bolsonaro, o deputado fez um pronunciamento em que condenou “bravatas em redes sociais, vídeos e um eterno palanque” e garantiu que a “Constituição jamais será rasgada”, mas não fez qualquer menção aos mais de 130 pedidos de impeachment do presidente que repousam em sua gaveta, tampouco à ameaça de ignorar decisões judiciais. A crítica mais direta a Bolsonaro se referiu à insistência deste no voto impresso, apesar de a Câmara já ter derrubado a proposta. (Poder360)

Então... Na avaliação do presidente do PSD, Gilberto Kassab, Lira “não vai conseguir se contrapor a um movimento crescente da sociedade” a favor da destituição de Bolsonaro. Ele fez a afirmação no podcast Café da Manhã. (Folha)

Nos bastidores, Lira e o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, procuraram o decano do STF, ministro Gilmar Mendes, para tentar estabelecer alguma ponte entre o Planalto e o Supremo. Os dois buscavam também uma solução para o impasse do rombo dos precatórios. Ouviram de Gilmar que, no atual clima, essa solução não existe. (Folha)

Enquanto aliados tentam refazer pontes, Bolsonaro as queima. Em reunião com seus ministros, ele deixou claro que não vai baixar o tom no confronto com o STF e ainda cobrou “soluções jurídicas” para que a PF não cumpra ordens de Moraes, o que, como apontou Fux, é crime de responsabilidade. (Estadão)

Então... Fux falou duro, Lira reclamou, mas o procurador-geral da República fez a Polyanna. Augusto Aras ignorou todas as exortações golpistas de Bolsonaro e saudou as manifestações do feriado como “uma festa cívica” de uma “sociedade plural e aberta”. Essa postura não é gratuita. Aras ainda não desistiu da indicação, que no momento está com André Mendonça, para uma vaga no STF. E tem seus motivos. (UOL)

Segundo Bela Megale, após os discursos de Bolsonaro, a perspectiva de o Senado marcar a sabatina de Mendonça diminuiu ainda mais. (Globo)

Lira quer deixar o Sete de Setembro para trás porque sua prioridade é outra: aprovar ainda hoje o Código Eleitoral. Ele queria ter fechado a fatura na quarta-feira, mas teve que adiar a votação por falta de acordo. “Amanhã (hoje) ou nós resolvemos, ou nós não votamos e deixamos a legislação como está”, disse. Para entrar em vigor já nas eleições do ano que vem, o código precisa ser aprovado na Câmara e no Senado e sancionado pelo presidente até 1º de outubro, daí a pressa de Lira. (Poder360)

A executiva nacional do PSDB decidiu ontem, por unanimidade, se declarar em oposição ao governo Bolsonaro e buscar uma “frente oposicionista de centro”. Porém, talvez por força do hábito, não conseguiu chegar a um acordo sobre o apoio a um processo de impeachment e vai iniciar um debate interno. Resta saber como a direção pretende enquadrar a expressiva ala bolsonarista de sua bancada na Câmara. (Poder360)

Aécio Neves (MG), tido como mentor dos deputados tucanos governistas, nem se dignou a participar da reunião virtual da executiva, conta Guilherme Amado. Coube a aliados dele, como o também mineiro Paulo Abi Ackel, brigar para que o apoio ao impeachment não passasse. (Metrópoles)

Empenhado em rivalizar com as manifestações bolsonaristas, o MBL anunciou ontem a participação em seus atos marcados para o dia 12 de centrais sindicais, à exceção da CUT, e de políticos e artistas de esquerda, como a deputada estadual Isa Penna (Psol-SP) e o cantor Tico Santa Cruz. Um dos mais esperados fora da direita e da centro-direita é o deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), líder da Oposição na Câmara, que busca adesão de mais siglas de esquerda. (Poder360)

Alexandre Moraes dá sinais de que também não vai fugir das polêmicas com o Executivo. Ontem ele liberou para votação do Plenário virtual do STF três projetos que questionam decretos do governo facilitando a compra e importação de armas de fogo e munições. As ações estavam paradas devido a um pedido de vistas de Moraes e devem ser decididas no próximo dia 17. (G1)

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Tech no próximo nível


A profissão de cientista de dados é relativamente nova, mas os desafios para essa área já são imensos. Além de conhecer uma gama de novas tecnologias e conceitos, como visualização de dados, machine learning e inteligência artificial, o cientista precisa ajudar companhias que estão acumulando cada vez mais dados para suas estratégias de operações, produtos e serviços. Por isso, um projeto da Purdue University, nos Estados Unidos, tem usado pesquisa, inovação e empreendedorismo para que os cientistas de dados saiam da academia aptos a encontrarem soluções para as necessidades reais das empresas. Conheça o The Data Mine e veja como a instituição prepara as novas gerações de cientistas de dados para o trabalho do futuro.

Usando interfaces cérebro-computador (BCI), a Mercedes-Benz apresentou um novo veículo em que o motorista pode controlar o carro com o pensamento. A fabricante demonstrou o conceito do Vision AVTR durante o IAA Mobility 2021, em Munique, na Alemanha. A tecnologia exige que o motorista use um dispositivo BCI com eletrodos vestíveis na parte de trás da cabeça. Assim, o dispositivo consegue ler as ondas cerebrais que podem ser traduzidas em ações para o veículo, como controlar a luz, a música ou o destino para onde o motorista quer ir. Entretanto, segundo a Mercedes, a tecnologia não deverá estar nos veículos de consumo tão cedo. (Olhar Digital)

Um estudo do Centro Europeu para Competitividade Digital analisou o avanço de 140 países a respeito da concorrência no setor tecnológico. De acordo com o Digital Riser Report, o Canadá teve o melhor desempenho entre os países do G7, os mais industrializados do mundo. No G20, formado pelas 19 maiores economias, o Brasil aparece em 3º lugar no ranking comandado pela China. A Arábia Saudita aparece em 2º. (Época Negócios)

Viver


Pela primeira vez desde 13 de novembro a média móvel de mortes por Covid-19 em sete dias ficou abaixo de 500. Foram registrados 250 óbitos na quarta-feira, um número subdimensionado pelo feriado, puxando a média móvel para 461. No total, 584.458 pessoas morreram desde o início da pandemia. (G1)

Enquanto países ricos e emergentes avançam rapidamente na imunização de suas populações, as nações mais pobres devem completar o ano com somente 20% de seus habitantes vacinados. A estimativa sombria é do sistema Covax, da Organização Mundial da Saúde (OMS). A instituição vem insistindo, sem sucesso, para que campanhas de reforço e terceira dose só sejam adotadas após uma cobertura vacinal mais ampla nos países pobres. (UOL)

Nem todas as pessoas que deixam de tomar vacinas são negacionistas. Há um grande contingente que tem fobia grave a agulhas. A questão preocupa epidemiologistas, enquanto psiquiatras e psicólogos dão conselhos para lidar com o medo. (Globo)

Aliás... Há um vídeo hilariante do Porta dos Fundos sobre o tema. (YouTube)

O STF interrompeu mais uma vez o julgamento do marco temporal para demarcação de terras indígenas. A sessão será retomada hoje com a conclusão do voto do relator, ministro Edson Fachin, e, com sorte, o início dos votos dos demais integrantes da Corte. Para evitar choques com bolsonaristas que estão no centro de Brasília, os indígenas que acompanham o julgamento assistiram à sessão em telões longe da Praça dos Três Poderes. (G1)

Panelinha no Meio. É época da polarização, do “ame ou odeie”. Ou seja, é época da beterraba. Pensando no bolso e sem entrar em polêmicas, fica a sugestão de um macarrão roxo de beterraba assada. É bem mais simples do que parece tingir a massa, e a ricota e o endro dão novas camadas de sabor. Se a beterraba deixar.

Cultura


Aretha Franklin (1942-2018), uma das maiores cantoras de R&B e soul de todos os tempos, ganha uma merecida cinebiografia estrelada pela igualmente talentosa Jennifer Hudson. Respect (trailer) é um dos destaques dos lançamentos nos cinemas hoje. Confira os demais filmes e a programação em sua cidade. (Adoro Cinema)

Projetos longos com atores mirins sempre são complicados devido a uma mania chata das crianças. Elas crescem mais rápido que seus personagens. A pandemia agravou a situação ao atrasar produções. O adorável Turma da Mônica: Laços (2019), por exemplo, era para a ser o primeiro de uma trilogia, mas a história vai parar em Turma da Mônica: Lições (trailer no YouTube), que já estava filmado quando a Covid-19 nos atingiu. O terceiro filme foi cancelado porque as crianças agora são rapazes e moças. (Folha)

Cotidiano Digital


O Twitter anunciou um novo recurso para a plataforma, chamado “comunidades”. A ferramenta cria grupos na rede social gerenciados pelos próprios usuários. Com proposta semelhante aos grupos do Facebook, o recurso deve permitir a criação de novas comunidades vinculadas a hashtags populares, no intuito de reunir pessoas com gostos similares. Por enquanto, a novidade está em testes e é necessário convite para entrar, mas pessoas de todos os países poderão participar dos espaços. No aplicativo, a opção ainda está restrita para iPhone. (Canaltech)

Então… o WhatsApp compartilhou nesta semana uma lista de smartphones que deixarão de ter acesso ao aplicativo de mensagens a partir de novembro. A explicação é que os modelos estão obsoletos para receber as atualizações necessárias para que o app funcione normalmente. Não custa conferir se o seu celular está na lista. (CNN Brasil)





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