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10 de setembro de 2021
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Prezadas leitoras, caros leitores —

Que semana.

Na madrugada de segunda para terça, golpistas chegaram a 500 metros do Palácio do Supremo.

Na terça, perante uma turba de mais de cem mil, o presidente Jair Bolsonaro prometeu quebrar a Constituição e desobedecer ordens do STF.

Durante a quarta-feira, no PIB e no alto comando de partidos, de zero a 120 num segundo, apertou uma conversa sobre a possibilidade de impeachment.

De quarta para quinta, começou uma paralisação de caminhoneiros em vários estados do país — e o Palácio do Planalto entrou em pânico.

E na quinta-feira Jair Bolsonaro mandou o avião presidencial chamar o ex-presidente Michel Temer para escrever uma carta de desculpas e intermediar uma conversa com o STF.

No mesmo dia, enlouquecidos e frustrados, bolsonaristas de quatro costados se lamentavam nas redes pelo recuo de seu mito.

Que semana.

Mas o que pode acontecer? Quais são os cenários?

Como seria um golpe de Estado bolsonarista? Ou: como seria uma lenta transição para a ditadura? Um impeachment, que caminho seguiria? Cassação pelo TSE é possível? Como seria um cenário de derrota eleitoral — ou de vitória para Bolsonaro?

Em essência, quais são os cenários que podemos vislumbrar para o futuro próximo a respeito do pior presidente da história?

Este é o tema da edição de Sábado do Meio e, como vocês sabem, esta é uma edição que os assinantes premium recebem.

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Sob tutela de Temer, Bolsonaro abranda tom com STF


Pressionado pela reação dura do STF a seus discursos golpistas em 7 de setembro e vendo sair do controle os bloqueios de estradas feitos por caminhoneiros apoiadores do governo, o presidente Jair Bolsonaro pediu socorro a seu antecessor. Michel Temer foi levado para Brasília num avião da FAB e, nas próprias palavras, já chegou com uma nota à qual Bolsonaro fez “uma pequena observação”. Com a marca de Temer da primeira à última linha, na “Declaração à Nação” Bolsonaro diz que nunca teve “intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar”, e que suas “palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum”. (UOL)

Mas não ficou só nisso. Antes de a nota ser divulgada, Temer telefonou para o ministro do STF Alexandre Moraes, indicado por ele para a Corte, e o colocou na linha com Bolsonaro. Condutor do inquérito dos atos antidemocráticos, Moraes é o alvo preferencial do presidente, que o chamou de “canalha” no discurso em São Paulo. Segundo Temer, não houve um pedido de desculpas, mas uma conversa educada. (Metrópoles)

Ah, e Boslonaro ainda elogiou a parceria com a China na produção de vacinas em vídeo na abertura da conferência dos Brics. Logo a China. (Globo)

Vera Magalhães: “Vale tanto quanto uma cédula de R$ 3 a nota em que Jair Bolsonaro usa o marqueteiro de Michel Temer como ghost-writer para ajoelhar no milho diante do Supremo e fingir um arrependimento que não tem das ameaças de golpe que sinceramente proferiu no 7 de Setembro. Quem fingir que acredita é cínico, burro ou ingênuo. Ou um mix dos três.” (Globo)

No encontro com Temer, Bolsonaro disse que os bloqueios de caminhoneiros era “movimento espontâneo contra Moraes. A resposta do ex-presidente foi cortante: “Presidente, eu já passei por isso, sei como é. Mais cedo ou mais tarde, com desabastecimento, aumento de preços, essa greve vai cair diretamente no seu colo.” Foi a senha para Bolsonaro desmobilizar os caminhoneiros. (Estadão)

Com o recuo de Bolsonaro, a vanguarda do golpismo foi temporariamente assumida pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Comentando as afrontas ao Supremo feitas por Bolsonaro, o deputado disse que “ninguém é obrigado a cumprir decisão inconstitucional” Pelo ordenamento jurídico brasileiro, cabe ao STF, e somente a ao STF, decidir o que é ou não constitucional. (CNN Brasil)

Temer deveria ter ligado também para o ministro Luís Roberto Barroso. Ao abrir ontem a sessão do TSE, do qual é presidente, ele disse que a “democracia só não tem lugar para quem pretenda destruí-la” e lembrou que Bolsonaro nunca apresentou provas para suas acusações de fraude na urna eletrônica: “É tudo retórica vazia. Hoje em dia, salvo os fanáticos e os mercenários, todas as pessoas de bem sabem que não houve fraude e quem é o farsante nessa história.” (G1)

O aparente recuo de Bolsonaro, agravado pelo telefonema a Moraes, caiu como uma bomba sobre a base conservadora, especialmente sobre os ditos influenciadores, como conta o Radar. Allan dos Santos, alvo de inquérito no STF, disse que não votou em Temer, enquanto Rodrigo Constantino usou a expressão “game over” (fim de jogo). Para Leandro Ruschel, a impressão era que Bolsonaro estava abrindo mão da reeleição. Aliados de Bolsonaro, porém, acham que a revolta vai refluir, como aconteceu na demissão de Sérgio Moro. (Folha)

Nos grupos de Telegram, reduto da militância digital bolsonaristas, o clima era de desolação e revolta. (Núcleo)

Após a divulgação da nota de Temer, quer dizer, de Bolsonaro, parte dos militantes que ainda estavam na Esplanada dos ministérios começou a se dispersar. (Crusoé)

Entre os políticos, as reações foram do apaziguamento à ironia. Rodrigo Pacheco (DEM-MG), presidente do Senado, disse que a carta de Bolsonaro “vai ao encontro do que a maioria dos brasileiros espera”, enquanto o governador paulista João Doria (PSDB) alfinetou: “O leão virou um rato! Grande dia!”. (G1)

Mas as redes sociais não perdoaram. A hashtag #bolsonaroarregou foi uma das mais compartilhadas no Twitter, e, como era de se esperar, os memes vieram às falanges. (Poder360)

Deixados literalmente à beira da estrada por Bolsonaro, os caminhoneiros começaram ontem a desmobilizar os bloqueios em rodovias federais, embora mantivessem atos políticos em 10 estados. (G1)

E a Polícia Federal localizou no México o ativista foragido Marcos Antônio Pereira Gomes, vulgo Zé Trovão. Ele havia fugido do Brasil após ter a prisão decretada por Alexandre Moraes. (CNN Brasil)

Um dos boatos que circularam entre os caminhoneiros era de que o áudio de Bolsonaro distribuído na quarta à noite na verdade era do humorista Marcelo Adnet, que não perdeu tempo e gravou mensagens para os patriotas da boleia. (Poder360)

O ex-ministro e presidenciável Ciro Gomes (PDT) anunciou a participação nos atos contra Bolsonaro convocados para domingo pelo MBL, assim como PSB e PCdoB, embora ressaltem suas diferenças ideológicas com os organizadores. PT e PSOL já avisaram que não vão. (Globo)

Na mesma linha, revela o Painel, a CUT resiste à insistência das demais centrais, que apelaram até para o exemplo de união das Diretas Já. Ligada historicamente ao PT, a central quer guardar forças para atos próprios em outubro e novembro. (Folha)

Meio em vídeo. A democracia brasileira está sob risco. O risco é real. A ameaça é de vermos uma ditadura instaurada no Brasil. Ditadura mesmo, com exílio, tortura, mortes, censura. Nós temos uma escolha. A de caminharmos todos juntos, não importa a cor da camisa, no dia 12. Por que escolheríamos a alternativa? Confira o Ponto de Partida no YouTube.

Adversários (até inimigos políticos) já somaram forças quando o interesse do país estava em jogo. Meio contou essa história numa edição especial de sábado. Confira.

Por 378 votos a 80, a Câmara aprovou o texto base no novo Código Eleitoral, deixando para hoje a apreciação de 13 destaques. Entre as mudanças estão o veto à divulgação de pesquisas na véspera da eleição e a redução do poder da Justiça Eleitoral. Ficou de fora a proposta de quarentena para que juízes, militares e policiais possam se candidatar. Patrono do novo código, Arthur Lira tem pressa. Para que entre em vigor já na eleição do ano que vem, a legislação precisa ser aprovada no Senado e sancionada pelo presidente até 1º de outubro. (Poder360)


Se você quer paz

Tony de Marco e Spacca

Afiando-a-justiça
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Cultura


Em 1999, quando Matrix revolucionou a ficção científica no cinema, ainda havia monitores de quartzo verde e a internet era discada. Como é a Matriz num mundo em que cada um carrega um computador no bolso e milhões de pessoas acreditam em “verdades alternativas”? Matrix 4, ou Matrix Resurrections, de Lana Wachowski, pode nos responder. O filme só estreia em dezembro, mas o trailer já está disponível, trazendo Neo (Keanu Reeves), Trinity (Carrie-Anne Moss) e mais um monte de gente no qual não vamos prestar atenção porque Neo e Trinity estão ali.  (UOL)

Como? Não conhece a música que dá alma ao trailer? Prezadas leitoras, caros leitores, Jefferson Airplane (YouTube).

Essa ninguém esperava. Após ser escalado para substituir Fausto Silva na transição para o programa de Luciano Huck, Tiago Leifert decidiu não renovar seu contrato com a TV Globo, que vence em dezembro. Seu último compromisso na emissora será apresentar o The Voice Brasil. Tiago estava havia 15 anos na Globo, onde foi um dos pioneiros na migração da cobertura esportiva do jornalismo para a comédia. Ainda não se sabe quais são os planos do apresentador. (Poder360)

Que NFTs são arte já não há mais debate. A artista programadora brasileira Monica Rizzoli lança, na segunda-feira, a coleção de NFTs gerativos Fragmentos de um Campo Infinito, no site Artblocks. As 13h, horário de Brasília, o software criado pela artista vai gerar 1.024 “pinturas” com paisagens criadas a partir do número único que cada contrato do NFT gera. Somente após a compra a imagem é revelada. O sorteio desta arte-vegetação determina as estações do ano, afeta a distribuição das flores e cria fenômenos como a chuva, o sol e a neve.

Confira a agenda cultural.

O Inhotim transmite amanhã, às 11h, um show da cantora Xenia França gravado nas patas-de-elefante do jardim botânico da instituição. No repertório, canções do disco Xenia, lançado em 2017.

Mais tarde é a vez de Gal Costa apresentar o álbum Nenhuma Dor em apresentação para a Virada Sustentável SP. No mesmo dia, mais de 30 artistas se reúnem em torno da causa indígena no Festival Demarcação Já Remix, incluindo Gilberto Gil, Elza Soares, BNegão, Dona Onete e Djuena Tikuna.

Já se programou para o Circuito Sesc de Artes? Realizado de forma online e gratuita até o dia 19, o evento reúne mais de mil artistas e 250 atividades, entre música, teatro, cinema, artes visuais e outras áreas.

Para ver a agenda completa, clique aqui.

Viver


A ocupação de leitos de UTI por pacientes com Covid-19 está abaixo de 60% em 85% das capitais brasileiras, segundo o Boletim da Covid elaborado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Apesar do bom número, os especialistas alertam que a mortalidade da doença (3%) ainda é alta, que a pandemia está longe de ser contida. (UOL)

Enquanto o Ministério da Saúde e o Instituto Butantan não se entendem sobre a utilização da CoronaVac na terceira dose da vacinação contra a Covid-19 em idosos, ao menos oito municípios paulistas interromperam a aplicação da dose de reforço à espera de imunizantes da Pfizer. (Globo)

Nesta quinta-feira o Brasil registrou 747 mortes por Covid-19, elevando o total de vítimas a 585.205 desde o início da pandemia. A média móvel de óbitos em sete dias, 457, ficou abaixo de 500 pelo segundo dia consecutivo. (UOL)

Foi música (de qualidade) aos ouvidos dos indígenas acampados em Brasília o voto do ministro do STF Edson Fachin contra o marco temporal na demarcação de terras dos povos nativos. Por essa tese, índios só têm direito a terras que comprovadamente ocupavam em outubro de 1988, quando foi promulgada a Constituição. Fachin defendeu que a posse indígena da terra é um direito originário, diferente da posse civil. O julgamento vai ser retomado na próxima quinta-feira, com os votos dos demais ministros. (G1)

Cotidiano Digital


Metaverso. A expressão virou hype entre os amantes da tecnologia depois de uma entrevista em que Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, disse que o futuro da rede social seria a construção de um metaverso. Na ficção científica, o conceito se refere a um universo digital, construído acima e em paralelo à realidade em que vivemos. No caso do Facebook, o metaverso pode abranger realidade virtual, vídeos e formatos imersivos. Esta, aliás, já é uma tendência no Vale do Silício. A Microsoft, por exemplo, está trabalhando em um “metaverso empresarial”, e a Epic Games já captou US$ 1 bilhão para investir no tema. Mas a visão de Zuckerberg é mais ambiciosa. Segundo ele, “o metaverso abrange muitas empresas, na verdade toda a indústria de tecnologia. Pode-se pensar nele como o sucessor da internet móvel”. De histórias de ficção num contexto distópico para um mundo virtual criado por big techs, resta saber: estamos prontos para o metaverso? (Folha)

Entenda o que é o metaverso e porque ele pode estar mais próximo do que você imagina. (CNN Brasil)

Smart TV… da Amazon? A empresa anunciou nesta quinta-feira uma linha totalmente nova de dispositivos Fire TV, incluindo televisões completas. Serão duas linhas de TVs inteligentes: Amazon Fire TV Omni Series e Fire TV 4-Series. Ambas terão comando de voz da Alexa e imagem em 4K Ultra HD. Por enquanto, a novidade é para os EUA  Conheça os modelos. (Gizmodo)

E o WhatsApp conta com mais de 1 mil funcionários terceirizados para analisar denúncias enviadas por usuários. Saiba como funciona a moderação do aplicativo de mensagens. (G1)





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