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20 de dezembro de 2021
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Boric eleito, a extrema-direita não levou o Chile


Gabriel Boric, de 35 anos, será o próximo presidente do Chile. O ex-líder estudantil e deputado de centro-esquerda venceu ontem o segundo turno das eleições presidenciais, obtendo 55,87% dos votos, contra 44,13% do ex-deputado de extrema-direita José Antonio Kast. Além de ser o presidente mais jovem da história do país, Boric é também o mais votado: 4.620.671 votos, um recorde histórico no Chile, onde o comparecimento às urnas não é obrigatório. (g1)

Falando para milhares de apoiadores no centro de Santiago, Boric prometeu ser o presidente “de todos os chilenos” e agradeceu “a todos os que foram votar”, incluindo os eleitores de seu adversário, e dos demais candidatos que participaram da eleição. Voltando a um tema constante de sua campanha, ressaltou a importância da diversidade. “Em nosso governo, a não discriminação e o combate à violência contra a diversidade, as mulheres e as associações feministas serão fundamentais.” (BioBio Chile)

Tão significativa quanto a vitória de Boric foi a atitude de Kast. Antes mesmo que o resultado fosse anunciado, ele comunicou nas redes sociais ter telefonado para parabenizar o vencedor. É o normal numa democracia, mas difere muito do que fizeram outros conservadores derrotados, como Donald Trump nos EUA e Keiko Fujimori no Peru. (Twitter)

Pelo Twitter, o atual presidente chileno, Sebastián Piñera, e líderes de países da América Latina, como Argentina, Uruguai, Cuba, Peru, Equador e Colômbia, além do governo da Espanha, felicitaram Boric. O Brasil ainda não se manifestou. (CNN Brasil)

Passada a festa, a vida não será tranquila para o novo presidente. Ele precisará negociar com um Congresso no qual não tem maioria temas como a reforma no sistema ultraliberal de previdência, o empobrecimento da população e o combate à pandemia. Paralelamente, uma assembleia de maioria independente discute a Constituição que sepultará a última herança da ditadura que dominou o país de 1973 a 1990. (Folha)


Adversários nas eleições de 2006 e possíveis companheiros de chapa em 2022, o ex-presidente Lula (PT) e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, que deixou o PSDB, fizeram ontem seu primeiro encontro público. Os dois participaram de um jantar na capital paulista organizado pelo Prerrogativas, um grupo de advogados críticos à Lava-Jato. Fotos dos dois se abraçando circularam pelas redes sociais antes mesmo do fim do evento. Os dois desconversaram sobre uma possível aliança. “É só um jantar de fim de ano”, disse o ex-governador, enquanto Lula afirmou que a decisão será dos partidos e minimizou o enfrentamento entre os dois no passado. “Independente de qualquer coisa, quero dizer que aprendi a respeitar certas pessoas”, disse. E falou explicitamente como candidato: “Sei que o Brasil que eu vou pegar em 2023 é muito pior que eu peguei em 2003”. Alckmin, que lidera pesquisas para o governo de São Paulo, estuda entrar para o PSB para formar a chapa com Lula. Ontem o ex-governador se reuniu com o deputado Marcelo Freixo (PSB-RJ), filiado recente à legenda e potencial candidato ao governo do Rio. (Estadão)

Interlocutores de Lula dizem que ele prefere ter Alckmin na chapa pelo PSD, não pelo PSB. Os motivos seriam trazer o partido de Gilberto Kassab logo para sua aliança e pressionar os socialistas a desistirem da candidatura de Márcio França ao governo paulista em favor de Fernando Haddad. O PSD já lançou o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), como seu pré-candidato ao Planalto, mas ele aparece com números irrisórios nas pesquisas. (Poder360)

Segundo o Datafolha, 65% dos eleitores veem Lula como defensor dos pobres, enquanto o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem apenas 17% nesse quesito. Lula também é visto como mais preparado para combater a fome (58%) e desemprego (51). Para 56%, Bolsonaro é visto como maior defensor dos ricos. É também tido como o que mais pensa em Deus na hora de tomar decisões, segundo 34% dos entrevistados. (Folha)

A Advocacia Geral da União (AGU) entrou ontem com um recurso contra o afastamento da presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Larissa Rodrigues Peixoto Dutra, determinado na sexta-feira pela Justiça Federal do Rio. Ela foi afastada a pedido do Ministério Público Federal após o presidente Jair Bolsonaro afirmar em eventos para empresários que “ripou” o Iphan após uma obra da Havan, de seu aliado Luciano Hang, ser embargada por técnicos do órgão e nomeou pessoas que não lhe “dessem dor de cabeça”. A nomeação de Dutra em 2020 chegou a ser suspensa pela Justiça, mas o governo recorreu e conseguiu reverter a decisão. (Poder360)

Parte do imbróglio no Iphan, o empresário Luciano Hang confirma ter botado “a boca no trombone” quando os técnicos do patrimônio histórico suspenderam por 40 dias a construção de uma de suas lojas em Rio Grande (RS) em 2020, mas nega que tenha apelado diretamente a Bolsonaro. (Globo)

Pelo menos 290 parlamentares, a maioria da base do governo foram beneficiados com verbas do “orçamento secreto”, principal ferramenta na negociação entre Executivo e Legislativo desde 2020. O levantamento feito pelos repórteres Patrik Camporez e Eduardo Gonçalves, porém, se refere somente a R$ 3,2 bilhões dos R$ 36 bilhões movimentados via emendas do relator ao Orçamento. Os recursos sob essa rubrica são liberados sem que se saiba quais os parlamentares que tiveram seus redutos eleitorais beneficiados. Os dados completos só devem estar disponíveis em março do ano que vem. Pelos números disponíveis até agora, o campeão em liberações foi o ex-presidente do Senado Davi Alcolumbre (DEM-AP), que enviou R$ 295 milhões a seu estado. A lista inclui até mesmo parlamentares de oposição, como o senador Rogério Carvalho (PT-SE), que liberou R$ 17 milhões. (Globo)

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Viver


A Anvisa acionou ontem órgãos como a Polícia Federal, o MPF e o Gabinete de Segurança Institucional por conta de uma nova onda de ameaças a seus diretores e funcionários por conta da autorização para que crianças entre cinco e 11 anos sejam vacinadas contra a covid-19.  (g1)

Em resposta a uma tentativa de intimidação por parte do presidente Jair Bolsonaro, servidores da Anvisa gravaram um vídeo com cartazes dizendo “eu aprovei a vacina”. Na quinta-feira, Bolsonaro disse que havia pedido “extraoficialmente” os nomes dos responsáveis pela decisão, a fim de expô-los publicamente. (Correio Braziliense)

Bolsonaro, ontem, voltou a atacar a Anvisa e disse que a vacinação de crianças só será feita com “receita médica” e “autorização dos pais”. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse no sábado que a imunização das crianças ainda teria de ser debatida na Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (CTAI) do ministério. Porém, na sexta-feira a CTAI já havia se reunido e recomendado, por unanimidade, a vacinação nos moldes previstos pela Anvisa. (Metrópoles)

Também na sexta o ministro do STF Ricardo Lewandowski deu ao governo 48 horas se manifestar quanto à vacinação de crianças, mas AGU recorreu pedindo mais tempo. (CNN Brasil)

Enquanto isso... A variante ômicron se alastra pelo mundo. A Alemanha classificou o Reino Unido como “área de risco muito alto”, mas descartou novo lockdown, ao contrário da Holanda. Israel reconheceu que enfrenta uma quinta onda da doença, colocou diversos países europeus na “lista vermelha” de risco e estuda fazer o mesmo com os EUA. A União Europeia deve receber 20 milhões de doses extras de vacina na Pfizer para reforçar a defesa contra a nova cepa. (UOL)

Alerta de barraco. O secretário Nacional de Cultura, Marcelo Frias, protestou furioso porque a mulher, acompanhada da filha, não pôde se hospedar em um hotel do Rio por não ter comprovante de vacinação, chamando os responsáveis de “vagabundos” e publicando um vídeo do prefeito Eduardo Paes numa roda de samba. Paes reagiu: “Aqui, só vacinado”. (Twitter)

Para ler com calma. Paralisada por um ano devido à pandemia de covid-19, a ciência brasileira retorna à Antártida. Pesquisadores da Fiocruz chegaram a região para estudar micro-organismos, técnicos do Inpe constroem uma estação meteorológica e equipes da UFRN montam um módulo para estudar a alta atmosfera. (Globo)

Quem visita o Centro Georges Pompidou, em Paris e o Millennium Dome de Londres ou passa por um dos terminais do Aeroporto Barajas, em Madri, testemunha a genialidade do arquiteto inglês Richard Rogers, que morreu ontem aos 88 anos. Pioneiro do movimento “high-tech” ele revolucionou a paisagem das capitais britânica e francesa. (Folha)

Cultura


Existem duas indústrias cinematográficas separadas. Uma é voltada para a arte, outra para o negócio. Essa é a avaliação do cineasta americano Woody Allen, de 86 anos, que está lançando seu 50º longa, o Festival do Amor (trailer). Embora já tenha obtido grande sucesso comercial ao longo de 70 anos de carreira, ele não tem dúvidas em se colocar no primeiro grupo. “Eu estou interessado em filmes mais artísticos, com público menor. Meu desejo ao fazer um filme não é financeiro, mas, sim, de fazer um bom filme. Então, mesmo que a audiência seja pequena, tudo bem”, diz Allen. Rodado na Espanha, o longa traz o eterno coadjuvante Wallace Shawn como encarnação da vez do diretor, numa trama sobre infidelidade cheia de referências a clássicos do cinema. (Estadão)

A obra de um dos mais importantes artistas plásticos populares do Rio de Janeiro está ameaçada. Cinco dos 13 afrescos de Nilton Bravo (1936-2005) pintados em bares da cidade e tombados pela prefeitura foram destruídos por má conservação ou reformas não comunicadas às autoridades do patrimônio cultural carioca. Conhecido como o “Michelangelo dos Botequins”, Bravo aprendeu a arte com o pai e pintou mais de duas mil paisagens em estabelecimentos da cidade. Ele chegou a expor em galerias nos anos 1980 e se tornou membro da Academia Brasileira de Belas Artes. Apesar do esforço de pesquisadores, estima-se que cerca de 15 de suas obras estejam hoje preservadas. (Globo)

Tudo bem, ninguém gosta de ter seu lazer estragado pela falta de noção alheia, mas as coisas não precisam sair do controle. Na noite de sábado, uma sessão de Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa (trailer) em um cinema do shopping paulista Pátio Higienópolis terminou em confusão quando três adolescentes que já haviam visto o filme começaram a contar detalhes da trama, os infames spoilers. Revoltada, uma mulher atacou o grupo com spray de pimenta, que acabou atingindo outras pessoas e provocando correria, como contaram testemunhas nas redes sociais. A mulher e seu acompanhante, que não tiveram os nomes divulgados, foram entregues por outros espectadores aos seguranças do shopping. (UOL)

Claro que às vezes spoilers podem ser divertidos, como nos lembra Marcelo Adnet. (GloboPlay)

Cotidiano Digital


Então… Pelo quarto ano seguido, o Brasil é o país que mais recebe ligações telefônicas “spam” no mundo – as chamadas que vêm de números desconhecidos e oferecem produtos ou serviços não solicitados. A informação é do relatório global do aplicativo Truecaller, que identifica e bloqueia este tipo de ligação. Só este ano, o Brasil registrou uma média de 32,9 chamadas spam por usuário ao mês, sendo o tipo mais comum o de serviços financeiros, cartões e empréstimos. Em 2º no ranking está o Peru, seguido pela Ucrânia (3º). (BBC News Brasil)

O 5G é seguro? É o que a Unidade Acadêmica de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), vai descobrir. A instituição foi contratada a pedido da Anatel para um estudo a fim de avaliar potenciais riscos da nova tecnologia. A UFCG foi escolhida e contratada em uma resolução oficializada neste mês. Os estudos devem durar 20 meses e os resultados serão apresentados até agosto de 2023. A ideia do projeto, que deve custar R$ 3,1 milhões, é descobrir como o 5G vai necessitar de aprimoramento de segurança para todos os pontos, inclusive a chamada internet das coisas (IoT), compreendendo melhor os desafios de segurança cibernética da tecnologia. (UOL)

Meio em vídeo. O Ministério da Saúde sofreu um ataque hacker e não se sabe até agora o tamanho do estrago, e parece que tudo envolvendo a segurança cibernética do atual governo está totalmente inseguro, como comentam Pedro Dora e Cora Rónai. (YouTube)





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