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25 de abril de 2022
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Macron é reeleito na França, mas extrema-direita vira 2a força


Cinco anos depois, Emmanuel Macron e Marine Le Pen voltaram ontem a se enfrentar no segundo turno das eleições francesas, e, como em 2017, o centrista venceu a disputa contra a ultradireitista. Primeiro presidente reeleito desde 2002, ele obteve 58,55% dos votos. Le Pen reconheceu a derrota, mas comemorou o próprio desempenho: ela obteve 41,45%, cerca de 12 milhões de votos, o melhor resultado da extrema-direita na história da França. Mesmo assim, a reeleição de Macron foi recebida com alívio pela comunidade internacional, uma vez que Le Pen é eurocética, crítica da Otan e tem fortes laços com o russo Vladimir Putin. Líderes como os presidentes dos EUA, Joe Biden, e da Ucrânia, Volodymyr Zelenski, não esperaram o resultado oficial para cumprimentar o presidente reeleito. (CNN Brasil)

Macron sabe que tem nas mãos um país divido e, em seu discurso de vitória, procurou construir pontes. Agradeceu aos eleitores de esquerda que migraram para sua candidatura, mas acenou também aos apoiadores da adversária. “De agora em diante, não sou mais o candidato de um campo, mas sim o presidente de todos”, disse ele, aos pés da Torre Eiffel. O presidente pediu que o público não vaiasse quando citou Le Pen e prometeu que os próximos cinco anos não serão uma mera continuidade de seu mandato atual. (g1)

E os olhos da França estão voltados agora para as eleições legislativas, que acontecem nos dias 12 e 19 de julho. Partidos tradicionais, como o Socialista e o Republicanos, saíram da eleição destroçados, enquanto a extrema-direita de Le Pen se fortaleceu, e os eleitores de Jean-Luc Mélechon, terceiro colocado no primeiro turno, devem voltar para a esquerda. Mélechon está em campanha para formar uma bancada que lhe permita ser primeiro-ministro. (Poder360)

Matias Alencastro: “Macron pode se orgulhar de ser o primeiro presidente reeleito em 20 anos. Seus predecessores dificilmente teriam sobrevivido a um mandato recheado de revolta, pandemia e guerra. Num momento em que Jair Bolsonaro (PL) voltou a flertar com o vandalismo eleitoral, o episódio cria um precedente importante para o Brasil. A democracia está fragilizada, mas a eleição francesa mostra que a Europa e a América Latina ainda estão dispostas a luta por ela.” (Folha)

Jamil Chade: “Emmanuel Macron foi reeleito para mais cinco anos como presidente da França. Mas a realidade é que a extrema-direita venceu. Marine Le Pen, filha do fundador do movimento, registrou uma votação recorde para seu partido, com 12 milhões de votos, contra 17 milhões para Macron. E, como legado do processo eleitoral, obteve duas conquistas. Seu movimento foi normalizado como parte do cenário político e ganhou o status hoje de principal oposição ao poder.” (UOL)

Os secretários de Estado e de Defesa dos EUA, Antony Blinken e Lloyd Austin, se reuniram ontem em Kiev com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenski, na mais importante visita de autoridades americanas ao país desde a invasão russa, em 24 de fevereiro. O presidente aproveitou para pedir mais ajuda militar e econômica, dizendo que os americanos não deveriam “chegar de mãos vazias”. (Washington Post)

Enquanto isso... As tropas russas passaram o fim de semana bombardeando a siderúrgica Azovstal, onde estão refugiados civis e os últimos combatentes ucranianos a resistir em Mariupol. Na semana passada, o presidente russo Vladimir Putin disse que seus soldados iriam sitiar a usina em vez de atacá-la, mas isso não aconteceu. O governo de Kiev diz que há cerca de mil civis e 500 soltados no complexo. (CNN)


Em meio a um seminário promovido por uma universidade alemã, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo, afirmou que há uma tentativa de levar as Forças Armadas para o “varejo da política”. Segundo Barroso, a pressão faz parte de uma tentativa de desacreditar o processo eleitoral. “Esse é um risco real para a democracia”, ele afirmou durante a palestra virtual. “Nesses 33 anos de democracia, se teve uma instituição de onde não veio notícia ruim foi as Forças Armadas. Gosto de trabalhar com fatos e de fazer justiça.” Mas, ele afirma, isto mudou. “Desde 1996 não tem nenhum episódio de fraude. Eleições totalmente limpas, seguras. E agora se vai pretender usar as Forças Armadas para atacar. Gentilmente convidadas para participar do processo, estão sendo orientadas para atacar o processo e tentar desacreditá-lo.” (Globo)

O ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, respondeu com uma nota dura. “As eleições são questão de soberania e segurança nacional, portanto, do interesse de todos”, diz o texto que ele assina. “Afirmar que as Forças Armadas foram orientadas a atacar o sistema eleitoral, ainda mais sem a apresentação de qualquer prova ou evidência de quem orientou ou como isso aconteceu, é irresponsável.” E deu um passo além: “as Forças Armadas, como instituições do Estado Brasileiro, desde o seu nascedouro, têm uma história de séculos de dedicação a bem servir à Pátria e ao Povo brasileiro.” (gov.br)

Em tempo: Oficiais do Exército brasileiro se envolveram em movimentos armados para tirar do poder quem havia sido eleito pelo voto em 1889 (Visconde do Ouro Preto), 1922 (Epitácio Pessoa), 1924 (Artur Bernardes), 1930 (Washington Luís), 1937 (Congresso Nacional), 1954 (para impedir posse de Juscelino Kubitschek), 1959 (JK) em 1964 (João Goulart). Tiveram sucesso em quatro dos golpes de Estado.

As bancadas bolsonarista e evangélica estão pressionando para que a Câmara reaja à condenação do deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) pelo STF a quase nove anos de prisão por incitar a violência contra instituições de Estado e contra ministros do próprio Supremo. Até o momento, porém, o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), sequer se manifestou sobre a sentença. Aos colegas de bancada, o deputado confidenciou que a timidez se deve a ameaças vindas do STF de barrar novamente o repasse de emendas do relator, o chamado orçamento secreto. (Estadão)

Embora tenha dito que o perdão de Bolsonaro a Silveira deve ser mantido, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), reconhece que a prática deve sofrer limitações. Tramitam na Casa 19 projetos sobre o tema, sendo que cinco deles impediriam a graça ao deputado. A maioria foi apresentada em 2019, como reação ao perdão concedido pelo ex-presidente Michel Temer a criminosos de colarinho branco e a condenados na Lava-Jato. (Globo)

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Viver


Oficialmente, o carnaval fora de época deste fim de semana teria somente desfiles de escolas de samba e eventos fechados, como bailes e festas. Mas faltou combinar com os foliões, que tomaram as ruas de Rio e São Paulo em centenas de blocos. Na capital paulista, o prefeito Ricardo Nunes disse que não iria reprimir a folia, mas, por via das dúvidas, os blocos não comunicaram às autoridades seus trajetos. Um dos maiores problemas enfrentados foi que, sem apoio oficial, não havia banheiros químicos nas duas cidades, abrindo espaço para cenas lamentáveis. O chafariz histórico da Praça Quinze, no Centro do Rio, foi transformado em mictório. Em São Paulo, por outro lado, blocos pediram doações via PIX para instalarem os banheiros. Salvador, Recife e Olinda, palcos de alguns dos mais tradicionais carnavais do país, não tiveram festa, que segue sem data para acontecer. (g1)
 

A covid, ao que parece, pode deixar sequelas com bastante frequência, sugere um estudo da Universidade de Leicester, no Reino Unido. Segundo a pesquisa, um ano após a alta, somente uma em cada quatro pessoas que foram internadas com a doença está totalmente recuperada. Entre as sequelas mais frequentes estão fadiga, dores musculares, perda de mobilidade e problemas para dormir. Mulheres e pessoas obesas são os grupos com sintomas posteriores mais sérios. (Folha)

Cultura


Pela primeira vez em 127 anos da Bienal de Veneza, duas mulheres negras venceram o Leão de Ouro, prêmio principal de uma das mais importantes mostras competitivas de arte no mundo. A americana Simone Leigh ganhou o prêmio de melhor participação na exposição principal com Brick House, um busto de bronze de 16 metros, enquanto a britânica Sonia Boyce levou melhor participação nacional com a instalação multimídia Feeling Her Way. Foram de vídeos com musicistas negras cantando a capella. Outra barreira rompida pelas duas foi a de representação nacional. Nunca Reino Unido e EUA tinham sido representados na Bienal de Veneza por mulheres negras.  (Globo)

J.K. Rowling parece empenhada em dificultar a vida dos fãs que tentam defendê-la das acusações de transfobia. A criadora de Harry Potter usou sua conta no Twitter para dar boas-vindas a um usuário que havia sido suspenso da rede por dizer que preferia contrair Aids a apoiar a comunidade trans. Rowling acumula polêmicas sobre esse tema desde 2020 quando fez postagens polêmicas no Twitter e lançou, sob o pseudônimo Robert Galbraith, o romance policial Troubled Blood, no qual o assassino veste de mulher para atrair as vítimas. Ela se defende dizendo que o personagem é baseado em criminosos reais. (Estadão)

Enquanto isso... Uma das maiores apostas da nova fase do Universo Cinematográfico da Marvel, Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (trailer) não vai ser exibido nos países árabes. A Disney se recusou a cortar a personagem lésbica America Chavez (Xochitl Gomez), o que levou a Arábia Saudita a proibir o filme e os cinemas de Qatar e Kuwait e interromperem a venda antecipada de ingressos. Monarquias teocráticas, esses países tratam a homossexualidade como crime. (Folha)

Morreu neste fim de semana, aos 42 anos, Rafael Kent, um dos mais respeitados diretores de audiovisuais do país. Ele foi o responsável, entre outros, pelos clipes de Passarinhos (YouTube), de Emicida e Vanessa da Mata, e Hoje (YouTube), da funkeira Ludmilla. Também comandava o projeto Studio 62, com artistas como Projota, Maria Gadú e Fresno. Fãs e músicos lamentaram nas redes sociais. A produtora CAVE, da qual era sócio, não informou a causa da morte. (Rolling Stone)

Cotidiano Digital


A União Europeia (UE) chegou a um acordo no último sábado sobre as diretrizes da Digital Services Act (Lei de Serviços Digitais, em tradução livre), que obriga as grandes empresas de tecnologia a combater conteúdos ilegais online para tornar a navegação de usuários mais segura pela internet. Plataformas e ferramentas de busca com mais de 45 milhões de usuários mensais na UE, tais como Facebook, Twitter e Microsoft, são afetados pela legislação. Trata-se de um momento histórico para o bloco, já que as novas regras, que entrarão em vigor em 2024, substituirão os atuais regulamentos há mais de 20 anos em vigor. As novas obrigações incluem a remoção mais rápida de conteúdo ilegal, explicar a usuários e pesquisadores como seus algoritmos funcionam e tomar medidas mais rigorosas contra a disseminação de notícias falsas. As empresas que violarem as regras estão sujeitas à multa de 6% sobre seu faturamento global. (Washington Post)

E o Twitter está reavaliando a oferta do bilionário Elon Musk de comprar a rede social, segundo o Wall Street Journal. Embora a empresa tenha rejeitado no início, agora está disposta a tentar negociar, depois de o bilionário ter conseguido um financiamento de US$ 43 bilhões para honrar a proposta. Os dois lados se reuniram neste domingo para debater o tema. (Wall Street Journal)

Meio em vídeo. Esta edição de Pedro+Cora tem a presença de Bruna Buffara, jornalista do Meio, que conta uma história bem trágica para quem possui autenticação em dois fatores vinculada a um celular. E o episódio que ela passou nos leva a reflexão sobre como precisamos aprender mais sobre segurança tecnológica, algo que está muito em falta no cidadão comum.

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