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4 de maio de 2022
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Exército encampa ataques de Bolsonaro às urnas perante TSE


O discurso do presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre supostas fragilidades no sistema eleitoral foi encampado em boa parte dos 88 questionamentos enviados nos últimos oito meses ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por militares. Foram cinco ofícios sigilosos assinados pelo general de Divisão do Exército Heber Garcia Portella, que participa da Comissão de Transparência do TSE, quatro dos quais já foram respondidos. Desde a adoção das urnas eletrônicas, em 1996, nem um caso de fraude na apuração foi comprovado. Portella foi indicado para a comissão pelo ex-ministro da Defesa Walter Braga Neto, hoje potencial candidato a vice na chapa de Bolsonaro. (Estadão)

Aliás... Bolsonaro participou ontem da reunião do ministro da Defesa com o alto-comando das Forças Armadas. De acordo com o Twitter oficial, os temas em debate foram sobre ‘defesa nacional’. Um dos poucos generais na foto é, justamente, Portella. (Twitter)

Enquanto isso... Por pressão do Palácio do Planalto, através do Itamaraty, o TSE cancelou o convite feito à União Europeia para enviar observadores às eleições deste ano. Segundo Andreia Sadi, Bolsonaro não gostou da presença de europeus e acionou o Ministério das Relações Exteriores, que soltou uma nota dizendo que o país nunca teve eleições “avaliadas por uma organização internacional da qual não é membro”. A Organização dos Estados Americanos (OEA), o Parlamento do Mercosul (Parlasul) e a Rede Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) vão ter representantes acompanhando o pleito de outubro. (g1)

Após a reunião com Bolsonaro, o ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, procurou ontem o presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, para estancar a crise entre as Forças Armadas e a Corte aberta por declarações do ministro Luís Roberto Barroso. Numa palestra, ele disse que os militares estavam sendo “orientados a atacar o processo eleitoral”, o que motivou uma nota dura de Nogueira. Na reunião de ontem, o general afirmou “que as Forças Armadas estão comprometidas com a democracia brasileira e que os militares atuarão, no âmbito de suas competências, para que o processo eleitoral transcorra normalmente e sem incidentes”. (CNN Brasil)

Mais cedo, Fux também se reuniu com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que negou haver um isolamento do STF em relação aos demais poderes e também agiu para serenar os ânimos. Ao ministro, disse que o Congresso não vai derrubar o indulto dado pelo presidente Jair Bolsonaro ao deputado Daniel Silveira (PTB-RJ). No Senado, negou pedido de bolsonaristas para convidar o ministro Alexandre de Moraes a explicar o inquérito das fake news. (Poder360)

Termina hoje o prazo para tirar ou regularizar o título de eleitor a fim de votar no pleito de outubro. E, como sempre, o brasileiro deixa para a última hora. Ontem, o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) bateu o recorde de acessos em um dia, com 381 mil eleitores pedindo serviços como mudança de local de votação ou inclusão do nome social. O número é 15% maior que o registrado em 2020. (CNN Brasil)

Diante dessa procura, o senador Alessandro Vieira (PSDB-SE) e os deputados federais Tabata Amaral (PSB-SP) e Felipe Rigoni (União Brasil-ES) pediram ao ministro Edson Fachin, presidente do TSE, que prorrogasse o prazo para regularização e emissão do título. Até o momento não houve resposta. (Correio Braziliense)

E você? Está com o título de eleitor em dia? Se não, clique aqui para acessar o aplicativo Titulo.Net ou procure um cartório eleitoral ainda hoje.

Meio em vídeo. No Conversas com o Meio, o jornalista Thomas Traumann, da Veja e do Poder360, explica que tipo de campanha podemos esperar para as eleições de 2022. A realidade que vai ser as campanhas eleitorais de agora até o segundo turno, os erros e acertos dos principais candidatos e quais as chances de um golpe. (YouTube)

Parlamentares de oposição protestaram ontem na Câmara contra a presença do deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) como titular na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), considerada a mais importante da Casa. Condenado a quase nove anos de prisão pelo STF e indultado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), Silveira esteve na comissão e assinou a ficha de presença, mas foi embora antes que começasse a primeira reunião deliberativa da CCJ com a nova composição. Eleito presidente da comissão, Arthur Maia (UB-BA), disse que a indicação de Silveira partiu do PTB e que ele não tinha o poder de anulá-la. (Poder360)

Enquanto isso... O ministro do STF Alexandre Moraes multou Silveira em R$ 405 mil por desobedecer a ordem de usar tornozeleira eletrônica. Para garantir o pagamento, Moraes determinou que o Banco Central bloqueie as contas bancárias do deputado. (CNN Brasil)


Se a Suprema Corte dos EUA derrubar a garantia constitucional do direito ao aborto, outros direitos fundamentais podem cair em seguida. O alerta foi feito ontem pelo presidente Joe Biden após o vazamento de um rascunho de acórdão indicando que o tribunal, de maioria conservadora, deve rever duas decisões, uma de 1973 e outra de 1992, que impedem estados de proibir a interrupção da gravidez. “Me preocupa que, após 50 anos, vamos dizer que uma mulher não tem o direito de escolher”, disse o presidente. “Significa que outras decisões relativas à privacidade podem ser questionadas. Atinge outros direitos básicos. Com quem você se casa, se decide ou não ter filhos etc.”. (Politico)

O presidente da Suprema Corte, John Roberts confirmou ontem a autenticidade do rascunho e determinou que a polícia judiciária investigue o vazamento, um incidente inédito na história do tribunal. Estima-se que metade dos estados americanos proíba o aborto se a garantia constitucional foi abolida, o que afetaria aproximadamente 36 milhões de mulheres. (BBC)

A ameaça ao direito de abortar teve outro efeito. Deu foco aos democratas para eleições legislativas deste ano. O partido não vinha encontrando um tema e, segundo as pesquisas, corre o risco de perder tanto a tênue maioria na Câmara, quanto o equilíbrio no Senado. (CNN)

Aliás... Os assinantes premium recebem logo mais a segunda edição do Meio Político. Nesta semana, Pedro Doria examina como a possível decisão da Suprema Corte americana reflete dois fenômenos — e o que eles dizem sobre o Brasil. O primeiro é o constitutional hardball, ou o jogo duro constitucional, a artimanha de, dentro dos limites da lei, esticar a corda para extremos que, ao fim e ao cabo, ferem a sociedade. Ele é decorrente do segundo: a forma como grupos que não necessariamente representam a maioria da sociedade capturam o Judiciário ao serem escolhidos para cargos eletivos por votações proporcionais. Quer entender mais? Assine o conteúdo premium do Meio.

A invasão da Ucrânia tem revelado imagens de barbarismo, como as dos civis executados em Bucha, mas a violência acontece dos dois lados. O repórter Yan Boechat e o fotógrafo André Liohn mostram corpos (atenção, imagens muito fortes) de homens com uniformes russos e sinais de mutilação e profanação no vilarejo Kutuzvika, nos arredores de Kharkiv, retomado pelas forças ucranianas. Alguns dos cadáveres foram dispostos para formar a letra Z, que se tornou símbolo das forças de Moscou. (Globo)

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Viver


Os testes de covid-19 feitos em farmácias brasileiras não estimulam otimismo. Segundo a Associação Brasileira de Redes de farmácias e Drogarias (Abrafarma), os resultados positivos cresceram 82% na semana de 18 a 24 de abril, na comparação com os sete dias anteriores. Foram feitos 67.314 testes em farmácias e drogarias brasileiras no período, dos quais 10.307 deram positivo. A taxa de positividade subiu 59%, chegando a 15,3%. Embora a média móvel de mortes pela doença siga em patamar baixo, cinco estados veem esse número crescer: Rio de Janeiro (com alta de 278%), Goiás (50%), Pará (25%), Minas Gerais (18%) e São Paulo (15%). (Globo)

Desde o início do governo de Jair Bolsonaro (PL), mais de 97% dos alertas de desmatamento foram ignorados pelos órgãos de fiscalização, segundo levantamento do BioMapas divulgado ontem. Segundo especialistas, há dois motivos principais para esse número. Um, histórico, é a crônica falta de pessoal no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a quem caberia a fiscalização. Outro, é que o Ibama vem deixando de investir no próprio trabalho. Na era Bolsonaro, o instituto gastou apenas 41% da verba prevista, contra cerca de 92% nos governos anteriores. Não é à toa que os recordes de desmatamento coincidem com o menor índice de multas emitidas pelo órgão. (g1)

Há mais de dois anos, por decisão da 1ª Vara da Infância e Juventude de João Pessoa, a dona de casa Josileide da Gama perdeu para uma tia a guarda dos dois filhos e só conseguiu vê-los quatro vezes em março do ano passado. Segundo o ex-presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB na Paraíba, Franklin Soares, que hoje defende Josileide, o motivo foi intolerância religiosa. Ela é mãe de santo e mantém um templo em casa. “A denúncia do Ministério Público é recheada de termos que considero preconceituosos. Por exemplo, quando se fala que o culto da Jurema é uma algazarra, regada a bebida, fumo e com presença de pessoas de índole duvidosa”, diz o advogado. O caso não é isolado. Tribunais de Pernambuco, Rio de Janeiro, Distrito Federal e São Paulo têm casos em que a proximidade de crianças com cultos afro-brasileiros é usada como argumento para tirar dos pais a guarda delas. (Intercept Brasil)

Cultura


“Deus salve a rainha, o regime fascista. Eles fazem de você um retardado, uma bomba atômica em potencial.” Com essa letra iconoclasta, embalada no som cru dos Sex Pistols, God Save The Queen (Spotify e YouTube) sacudiu a Inglaterra em maio de 1977 e chegou ao segundo lugar da parada de compactos, mesmo banida da BBC e de quase todas as rádios independentes. Era uma “homenagem” aos 25 anos de reinado de Elizabeth II, celebrados em 2 de junho daquele ano. Agora, os remanescentes da banda anunciaram o relançamento do compacto em duas versões, mais uma vez no dia 27, para “celebrar” o 70º aniversário da coroação da monarca. No future, people. (IstoÉ)

Era uma vez um professor de história que, por conta de um vídeo viralizado, acaba se elegendo presidente da Ucrânia e tendo que lidar, de forma atrapalhada, com as atribuições do cargo. E era uma vez um comediante, Volodymyr Zelenski, que, com a fama conquistada no papel desse professor, elegeu-se presidente de verdade e agora está enfrentando a invasão russa a seu país. Servo do Povo (trailer), série que provocou esses fatos improváveis, chega ao Brasil, via Netflix, no próximo dia 16, juntamente com um longa metragem com os mesmos personagens e elenco. (Tangerina)

Falando na guerra. Os cinemas de Rússia aderiram de vez à pirataria, uma vez que país foi excluído pelos estúdios americanos dos lançamentos internacionais devido à invasão da Ucrânia. Batman, Não Olhe Para Cima e Red: Crescer É Uma Fera estão entre os títulos exibidos clandestinamente no país. Antes da invasão as produções americanas respondiam por 70% dos filmes exibidos nos cinemas russos. (Globo)

Aliás... May the fourth be with you. (Canaltech)

Cotidiano Digital


Em disputa com Brasília e Porto Alegre, a cidade do Rio de Janeiro foi escolhida para sediar a edição brasileira do Web Summit, uma das maiores conferências de tecnologia do mundo. O evento acontece entre os dias 1 e 4 de maio de 2023 no Riocentro. Serão, a princípio, três edições em território carioca, com patrocínio principal do Senac. O anúncio foi feito ontem pelo fundador do Web Summit, Paddy Cosgrave, e pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD). Apesar de hoje ser tradicionalmente em Lisboa, o Web Summit nasceu e teve as primeiras edições em Dublin (entre 2009 e 2016). (g1)

E o bilionário Elon Musk manifestou interesse em iniciar operações da Starlink, divisão de satélites de internet da SpaceX, no Amazonas. A empresa enviou um ofício ao governo amazonense, que deu “sinal verde” e já iniciou as tratativas de negociação. Com serviços de banda larga em áreas remotas, os pacotes de internet da Starlink já foram anunciados no país e devem chegar ainda este ano. (Seu Dinheiro)

Meio em vídeo. Pedro Doria e Cora Rónai conversam com o psicólogo e educador Rossandro Klinjey. Ele ajuda a entender melhor a radicalização que a sociedade vem sofrendo nos últimos anos e os motivos, incluindo as redes sociais, para isso acontecer. (YouTube)

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