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13 de maio de 2022
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Prezadas leitoras, caros leitores —

Nas semanas anteriores à invasão da Ucrânia, os analistas do Instituto para o Estudo da Guerra se debruçaram sobre as imagens de satélite com indicações de onde as tropas russas estavam concentradas. Os respeitados analistas em Washington, que com frequência prestam serviços ao Pentágono, concluíram que a Rússia faria uma invasão massiva ao país para um ataque concentrado à região de Donbas. É uma área próxima da Crimeia, que já era controlada por Moscou, e ainda por cima toda ligada por fronteira à Rússia. Um lugar onde as pessoas falam russo no cotidiano. A invasão, eles calcularam, seria com forças mecanizadas, principalmente tanques, possivelmente apoiados por caças e mísseis.

Estavam, os analistas, errados. Houve, sim, o avanço na direção de Donbas. Mas o Kremlin abriu outra frente, no centro do país, com o intento de cercar a capital Kiev. Com apoio aéreo ralo. A Rússia não concentrou suas forças. Ela as espalhou por fazer uma aposta dupla. A primeira, de que o governo ucraniano entraria em colapso. E, a segunda, que seus militares seriam recebidos com festa pelos ucranianos de fronteira. Mas os civis de Donbas os encararam como invasores, e o governo, em Kiev, se enrolou na bandeira, partiu externamente para a ofensiva diplomática e, internamente, promoveu uma campanha de incentivo à resistência.

A Edição de Sábado do Meio será sobre estratégia militar. Como a Rússia pensou a guerra, o que fez até aqui, onde estão seus pontos fracos e os fortes e, claro, por que já se tornou o Exército profissional a perder o maior número de generais num conflito desde a Segunda Guerra. A Rússia está no atoleiro.

Ainda nesta edição, traremos a segunda parte do debate sobre mercado de trabalho no Brasil e como a pandemia afetou essas relações. Fernando de Holanda Barbosa Filho, doutor em Economia pela New York University e pesquisador no Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE), defende que o que houve não foi necessariamente uma precarização do trabalho, mas uma readequação, com pessoas optando por um vínculo menos formal em troca de mais flexibilidade.

Por fim, uma discussão sobre o verde-amarelo em 2022. As cores pertencem aos brasileiros ou a um campo político? Historicamente disputado por quem garante ser mais patriótico, um resgate do duo canarinho vem sendo reivindicado por outras correntes e por quem simplesmente quer torcer em paz pela Seleção na Copa do Mundo.

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— Os editores.


Fachin: Quem cuida da eleição são as forças desarmadas


A paciência do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Edson Fachin, parece ter chegado ao limite. Ontem, ele deu uma declaração dura, afirmando que “quem trata da eleição são as forças desarmadas”. A fala veio após nova onda de ameaças feitas pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) e a rejeição pelo TSE de sugestões apresentadas pelos militares para mudanças no sistema eleitoral, muitas delas espelhando ideias do chefe do Executivo. “Além disso, a contribuição (das Forças Armadas) que se pode fazer é de acompanhamento do processo eleitoral”, disse Fachin. “E, portanto, as eleições dizem respeito à população civil que de maneira livre e consciente escolhe seus representantes.” (Folha)

Diante da reação de Fachin, Bolsonaro disse, sem sua live semanal, que “ninguém quer impor nada, ninguém quer atacar as urnas eletrônicas”. O presidente disse não saber de onde o ministro tirou o “fantasma de que as Forças Armadas querem intervir na Justiça Eleitoral”, lembrando que os militares integram a Comissão de Transparência Eleitoral (CTE) a convite do ex-presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso. (Poder360)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou ontem a disparar contra as reformas trabalhista e sindical do governo Temer, afirmando que foram feitas por pessoas com “mentalidade escravocrata”. “Mentalidade de quem acha que sindicato não tem que ter força, sindicato não tem representatividade. No mundo desenvolvido em que você tem economia forte, você tem sindicato forte”, afirmou. Lula reconheceu a necessidade de mudanças na CLT em função da nova realidade do mercado, mas defendeu que os sindicatos tenham força para “negociar e conseguir o máximo”. (Terra)

Bruno Boghossian: “Nas últimas semanas, o petista repetiu que pretende reverter três medidas implementadas em governos recentes: o teto de gastos, a reforma trabalhista e as privatizações. Lula não conseguirá se pendurar por muito tempo nessa agenda do “não”. Em breve, ele terá que apontar se pretende apenas encaixar as ideias de 2003 a 2010 (num contexto completamente diferente) e mostrar o que pode fazer para aprovar seus planos.” (Folha)

Na tentativa de construir uma candidatura única para as eleições de outubro, PSDB, seu federado Cidadania e MDB anunciaram ontem duas pesquisas, uma quantitativa e uma qualitativa, para decidir entre a senadora Simone Tebet (MDB-MS) e o ex-governador tucano João Doria. O resultado deve ser divulgado no próximo dia 18, data anteriormente prevista para o anúncio do candidato. (CNN Brasil)

A ala do PSDB contrária a Doria quer que a pesquisa inclua outros tucanos, revela a Coluna do Estadão. Liderados pelo deputado Aécio Neves (MG), o grupo deseja ver o ex-governador gaúcho Eduardo Leite, derrotado por Doria nas prévias do partido, e o senador Tasso Jereissati (CE) incluídos na consulta. Eles argumentam que, se o paulista admite abrir mão da candidatura em favor de Tebet, deve fazer o mesmo por um correligionário. (Estadão)

Meio em vídeo. A terceira via está tentando construir uma candidatura única. Tem alguma chance de conseguir. Mas há outra pergunta pairando no ar. A terceira via tem o direito de existir? Confira no Ponto de Partida. (YouTube)

Meio em vídeo. Na coluna De Tédio a Gente Não Morre, Mariliz Pereira Jorge fala sobre a participação feminina nas eleições, os planos para Michelle Bolsonaro, o retrocesso do talibã e a prisão da delegada Adriana Belém, entre outros assuntos da semana. (YouTube)


Assustada com a invasão da Ucrânia pela Rússia, a Finlândia pediu ontem ingresso imediato na Otan, organização militar que abrange os EUA e praticamente toda a Europa Ocidental. Caso a adesão seja aprovada, qualquer ataque ao país passa a ser considerado declaração de guerra a todo o bloco. A expectativa é que a vizinha Suécia faça o mesmo nos próximos dias. A reação, por enquanto verbal, de Moscou não demorou. O embaixador-adjunto da Rússia na ONU, Dmitry Polyanskyi, disse que a entrada na Otan faria da Finlândia e da Suécia “parte do inimigo” e “possíveis alvos de ataques”. “A expansão da Otan não torna nosso continente mais estável ou seguro”, completou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. (Washington Post)

Enquanto isso... Um rio vem definindo os limites do conflito na Ucrânia. Nascendo na Rússia, o Siverskyi Donets forma pântanos e áreas alagadas que representam um pesadelo para tropas. Foi ele que, em boa parte, impediu o avanço russo pelo norte do país. As forças ucranianas têm conseguido retomar território perto de Kharkiv e, em determinados pontos, já têm as linhas de suprimentos russas ao alcance de seus canhões. Mas o rio também é um obstáculo para que avancem em direção ao leste, cujo controle parece ser agora o único objetivo de Moscou. (CNN)


Inimigo à vista

Spacca

inimigo reduz

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Cultura


Confira os destaques da agenda cultural.

A Osesp e seu regente titular, Thierry Fischer, recebem hoje o húngaro Kristóf Baráti para interpretar o Concerto para Violino, de Tchaikovsky, em programa que inclui ainda a Sinfonia Alpina, de Strauss, e uma obra surpresa.

Conhecida nas rodas musicais cariocas, a soprista e compositora Aline Gonçalves lança hoje seu primeiro álbum solo, Pacífico (Spotify). São quatro instrumentais e quatro canções interpretadas por ela, passeando por vários ritmos latino-americanos.

Direto da Casa de Vidro, do Instituto Bardi, o arquiteto e professor Abílio Guerra apresenta a palestra Modernismo Paulista e Arquitetura Moderna Brasileira nesse sábado. O evento, que será transmitido pelo Instagram às 15h30, terá a participação de Renato Anelli e Eugênia Gorini Esmeraldo, curadores da exposição De 22 a 72: Bardi e o Modernismo Brasileiro.

Para ver a agenda completa, clique aqui, e, para outras dicas de cultura, assine a newsletter da Bravo!.

Cariocas, paulistas e, claro, visitantes têm até o final de junho para aproveitar o projeto Festa do Cinema, que abrange as principais salas independentes das duas cidades, com ingressos a R$ 10. São cinco mostras retrospectivas: Rainer Werner Fassbinder, no Cine Petra Belas Artes (SP); Won Kar Wai, no Estação Net Botafogo (RJ); Estreias sofridas na pandemia, no Reserva Cultural de São Paulo e de Niterói (RJ); Para Rever em 35mm, no Espaço Itaú de Cinema – Augusta; e Para Rever em Digital no Espaço Itaú Botafogo (RJ). Além disso, sete produções de diversos países terão pré-estreia na Festa do Cinema: Aline - A Voz do amor (trailer), Aos Nossos Filhos (trailer), Encontros (trailer), Má Sorte no Sexo ou Pornô Acidental (trailer), Meu Álbum de Amores, Paradise - Uma Nova Vida e Segredos em Família.

O samba está de luto com a morte, aos 58 anos, do cantor, instrumentista e compositor Eduardo Gallotti fundador de tradicionais “rodas” no Rio e em Niterói, em decorrência de um câncer nas cordas vocais. Galo, como era conhecido, compôs para blocos tradicionais da cidade, acompanhou artistas como Elza Soares e Paulinho da Viola e lançou, em 2002, o disco O Sambas das Rodas (Spotify). O cavaquinho, seu instrumento, o acompanhou até na UTI, quando precisou ser internado. (Globo)

Às vezes a arte ser posiciona. A direção do célebre museu Guggenheim de Nova York retirou de um de seus centros educacionais o nome da família Sackler, uma das mais importantes patrocinadoras das artes na cidade. Os Sackler são donos do laboratório que produz o OxyContin, analgésico altamente viciante, tido como um dos responsáveis pela crise da dependência em opioides nos EUA. O Metropolitan Museum, também em Nova York, já havia cortado laços com os Sackler. (Folha)

Outras vezes a arte é obrigada a se posicionar. O Instagram do Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (Malba) foi inundado por críticas devido à utilização de aranhas vivas na obra Sí, Quería, do artista paraguaio Joaquín Sánchez. A direção do Malba pediu desculpas e disse que os animais foram devolvidos a seu habitat natural. (Globo)

Viver


A diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou ontem um abrandamento das medidas de segurança contra covid-19 no transporte aéreo. As aeronaves podem voltar a voar com capacidade máxima de passageiros, e o serviço de bordo, onde ainda existe, fica liberado a partir do próximo dia 22. A agência, porém, manteve a exigência de máscaras nos aviões e nas áreas restritas dos aeroportos. (g1)

O número de mortes de pacientes que tiveram formas graves da covid-19 e continuaram usando anti-inflamatórios esteroides após a alta foi 51% menor em relação aos que não tomaram o medicamento. A conclusão é de um estudo feito com 1.200 pessoas pela Universidade da Flórida. Segundo os cientistas, a chamada covid longa, quando os sintomas persistem muito além da fase aguda da doença, tem características de inflamação, o que explica a eficácia do medicamento. (Globo)

A participação do casal Murillo e Diego Xavier em campanhas publicitárias da Volkswagen em 2021 já havia lhes provocado transtornos, com ataques nas redes sociais. Com a nova veiculação do anúncio, ação dos homofóbicos mudou do patamar e passou a atingir suas famílias. Segundo Diego, que é jornalista e ativista LGBTQIA+, os ataques agora foram direcionados a seus irmãos e sobrinhos. Mas ele diz que sua participação e do marido na campanha é importante. “O saldo é positivo, é uma questão de representatividade, de mostrar que o público também paga impostos e é consumidor. Mas não quero ser mártir. Ninguém quer morrer. Os ataques são preocupantes”, afirma. (UOL)

O STF decidiu, por unanimidade, que pais de recém-nascidos sem a presença da mãe têm o direito a licença de 180 dias. O caso em questão tratava de um servidor público pai de gêmeos concebidos por fertilização in vitro e concebidos por barriga de aluguel. O INSS alegava que o benefício se destinava somente a mulheres, mas o relator, ministro Alexandre de Moraes, concluiu que o beneficiário é a criança, não importando quem é seu responsável. A decisão é vinculante, valendo para todos os casos semelhantes na Justiça. (g1)

As primeiras imagens de Sagitário A*, o gigantesco buraco negro no centro da Via Láctea, foram divulgadas ontem pelos astrônomos do consórcio internacional Event Horizon Telescope (EHT). A imagem retrata o gás brilhante orbitando o buraco negro, a região escura no centro. Distante 26 mil anos-luz da Terra, SgrA*, como é conhecido, é quatro milhões de vezes mais massivo que o Sol. (CNN Brasil)

Cotidiano Digital


E a dança das cadeiras no Twitter começou antes mesmo da conclusão da aquisição pelo bilionário Elon Musk. A companhia anunciou ontem a demissão do chefe da área de produtos de consumo, Kayvon Beykpour, e o chefe de receita, Bruce Falck. A rede social também suspendeu novas contratações e vai revisar as vagas em aberto para determinar se alguma “deveria ser retirada”. O CEO do Twitter, Parag Agrawal, disse em um e-mail para os funcionários que a empresa não conseguiu atingir as metas de crescimento de usuários e receita para projetar metas ainda mais agressivas. “Precisamos continuar a ser intencionais sobre nossas equipes, contratações e custos”, escreveu. (The Guardian)

Desde o início da invasão russa na Ucrânia, os serviços de telecomunicações e internet do país têm sido afetados pela guerra, deixando os cidadãos isolados e sem comunicação com familiares. A coisa começou a mudar quando Elon Musk, o homem mais rico do mundo, decidiu interferir no conflito no Leste Europeu por meio da Starlink, projeto da SpaceX que fornece internet via satélite. A Ucrânia já recebeu mais de 10 mil dispositivos desde o começo da guerra e a internet tem sido usada no país para usos civis e até militares. Entenda. (Wired)

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