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7 de junho de 2022
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Prezadas leitoras, caros leitores —

Em 7 de junho de 1977, três mil jornalistas brasileiros assinaram um manifesto pedindo o fim imediato da censura que havia se instaurado no fim de 68, com o AI-5. Hoje é, por causa desse documento, o Dia Nacional da Liberdade de Imprensa.

Neste exato momento, o repórter inglês Dom Phillips e o indigenista da Funai Bruno Araújo Pereira estão desaparecidos em algum lugar do Vale do Javari, na Amazônia. No domingo, os dois partiram da comunidade de São Rafael em direção a Atalia. A viagem deveria durar duas horas — nunca chegaram. Pereira vinha sendo ameaçado por garimpeiros e madeireiros clandestinos. Até o fechamento desta edição, o Comando Militar da Amazônia não havia ainda se mexido para ajudar nas buscas. Por quê? Porque ainda espera ordens de Brasília que nunca chegam.

O presidente Jair Bolsonaro cria, no país, um ambiente de constante ameaça à imprensa. Ele legitima lobos solitários, que se sentem autorizados à prática de violência contra jornalistas no exercício de sua profissão. Mas as ameaças não vêm apenas do bolsonarismo. Neste exato momento, o repórter Rubens Valente faz uma vaquinha online para conseguir pagar as centenas de milhares de reais que a Justiça lhe cobra. Por quê? Por ter mencionado informações públicas sobre Gilmar Mendes, ministro do Supremo, num livro que não era a respeito de Gilmar.

A condenação de Rubens não tem pé nem cabeça e deveria ser, para todos os colegas de Gilmar no STF, um constrangimento profundo. Também assim se ameaça a liberdade à imprensa, quando gente poderosa impõe a jornalistas na pessoa física a ameaça de completa falência pessoal para poder trabalhar.

Enquanto isso, o líder nas pesquisas eleitorais, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vem repetindo que pretende regular a imprensa. O máximo que diz é que gostaria de fazê-lo no ‘modelo britânico’. Ocorre que, no Reino Unido, o que impera é a autorregulação. Os veículos escolhem se participam ou não do programa. Não há qualquer problema regular qualquer espaço da economia — incluindo a indústria jornalística. Mas Lula é candidato à presidência. Se quer regular, deveria ser claro e colocar em debate, em cima da mesa, exatamente o que deseja fazer.

Para podermos conversar abertamente, com franqueza, sobre as qualidades ou defeitos de seu plano. Regulação pode ser boa e ampliar liberdade. Pode ser ruim e impor controle governamental. Temos, como sociedade, o direito de conhecer o plano no qual podemos votar ou não.

É que vivemos um tempo em que a desinformação impera. A prática do jornalismo está mais difícil. Mas é o jornalismo profissional que, todos os dias, traz aos brasileiros informação sobre a sociedade, sobre o governo, informação sem a qual democracias não existem. Democracias, para funcionarem bem, precisam de estruturas independentes do Estado, de fora do poder, sempre desconfiadas de quaisquer governos, investigando, analisando, informando.

O voto nasce de opinião construída a partir de informação de qualidade. Políticas públicas nascem do debate informado no centro da sociedade. A imprensa, a livre imprensa, atua nessas duas pontas.

Uma imprensa livre, diversificada, e exposta ao público. Quem deve avaliar que imprensa é boa e qual é ruim é o público, que escolhe o que lê, assiste, ouve. Neste dia Nacional da Liberdade de Imprensa, nós cá do Meio aguardamos aflitos por notícias de Dom e Bruno. O ambiente lá fora está tóxico. E perigoso.

— Os editores.


Mendonça interrompe julgamento e salva deputado bolsonarista


Durou apenas um minuto o julgamento no Plenário Virtual do Supremo Tribunal Federal (STF) do recurso contra a decisão monocrática de Kassio Nunes Marques suspendendo a cassação pelo TSE do deputado estadual bolsonarista Fernando Francischini (UB-PR). Tão logo a votação foi aberta, André Mendonça, o outro ministro indicado à Corte por Jair Bolsonaro, pediu vista e interrompeu o processo. Com a manobra, Nunes Marques fica livre para levar o caso para a sessão de hoje da Segunda Turma sem a pressão dos votos dos outros ministros. Ele preside a Turma, integrada pelo próprio Mendonça e por Gilmar Mendes, Edson Fachin e Ricardo Lewandowski. Como os prazos de vista raramente são cumpridos, caso o ministro terrivelmente evangélico interrompa o processo também na Segunda Turma, Francischini ficará livre para cumprir até o fim do ano seu mandato. (UOL)

Em outubro do ano passado, o TSE decidiu, por 6 votos a 1, cassar o deputado por disseminar, durante uma live, notícias falsas sobre as urnas eletrônicas nas eleições de 2018. O caso foi considerado emblemático, uma sinalização de que a Justiça Eleitoral não toleraria desinformação este ano. Na tarde da última quinta-feira, porém, Nunes Marques suspendeu sozinho a condenação, alegando, entre outros argumentos, que “não se pode criminalizar a internet”. A decisão foi tomada a tempo de ser elogiada por Bolsonaro em sua live semanal, junto com renovados ataques ao sistema eleitoral. Mais tarde, o ministro voltou à carga e devolveu o mandato a outro bolsonarista, o deputado Valdevan Noventa (PL-BA), cassado por unanimidade pelo TSE por abuso de poder econômico. No sábado, a pedido da ministra Cármen Lúcia, que recebeu recurso de um suplente de Francischini, o presidente do STF, Luiz Fux, marcou no Plenário Virtual a votação interrompida em tempo recorde por Mendonça. Além de Cármen Lúcia, Edison Fachin já havia votado para derrubar a decisão de Marques. (UOL)

A Marinha e a Polícia Federal retomam hoje as buscas na região de Atalaia do Norte (AM) na tentativa de localizar o jornalista britânico Dom Phillips, colaborador do jornal The Guardian, e o indigenista brasileiro Bruno Araújo. Os dois estão desaparecidos desde o domingo, segundo a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). De acordo com a entidade, eles deixaram de barco a comunidade ribeirinha São Rafael às 6h de domingo e deveriam chegar a Atalaia do Norte duas horas depois, mas não apareceram. Considerado profundo conhecedor da região, Araújo levou Phillips, que está escrevendo um livro, para entrevistas indígenas. (g1)

No fim da tarde de ontem a Polícia Federal deteve dois suspeitos, os pescadores conhecidos como “Churrasco” e “Jâneo”, mas ambos foram liberados após prestarem depoimento. Funcionário licenciado da Funai e ativista na proteção do Vale do Javari, Bruno Araújo Pereira é alvo de ameaças constantes. As mais recentes partiram de pescadores ilegais que retiram dos rios da região toneladas de peixes e cágados. “Sei que quem é contra nós é o Beto Índio e Bruno da Funai, quem manda os índios irem para área prender nossos motores e tomar nosso peixe. Só vou avisar dessa vez que, se continuar desse jeito, vai ser pior para vocês. Melhor se aprontarem. Tá avisado”, diz um dos bilhetes mandados para o indigenista. (Globo)

Vera Magalhães: “O desaparecimento mostra o grau de abandono da região amazônica pelas forças federais. A Funai foi desmantelada no governo Jair Bolsonaro: passou por sucessivos comandos, sempre dissociada das pautas que realmente atendem aos povos originários, capturadas pela ideologia bolsonarista. O caso tem potencial de causar ainda mais danos à imagem do Brasil que os já provocados pelas sucessivas violações aos direitos humanos dos povos indígenas pelo governo Bolsonaro.”

Revogação da reforma trabalhista do ex-presidente Michel Temer e do teto de gastos públicos, ampliação do Bolsa Família e oposição às privatizações. Todos esses temas, já tratados publicamente pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), constam das diretrizes de seu futuro programa de governo, divulgadas ontem pelo PT (íntegra). Pelo menos um assunto que deu dor de cabeça ao petista, a defesa do direito ao aborto, foi escamoteado. O documento fala de “garantia de direitos reprodutivos” sem entrar em detalhes. O partido deixa claro que esse é um guia das linhas que estão sendo traçadas. O programa de governo só deve ser divulgado oficialmente no dia 10 de agosto, já no período oficial de campanha eleitoral, e requer o apoio de PSB, PCdoB, PSOL, Rede, PV e Solidariedade, legendas que compõem a aliança. (Poder360)

Meio em vídeo. Saiu o esboço do programa de governo da campanha Lula-Alckmin. E é uma proposta Lula sem Alckmin, PT puro. É só esboço, e outros cinco partidos precisam concordar com ele. Mas, ao produzir um programa de esquerda raiz, sem contemplar o centro em nada, demonstra que não entendeu sua missão histórica: a de promover um governo de união nacional. A esta altura, é um risco. Confira no Ponto de Partida. (YouTube)

Então. Esquerda e direita nem sempre são parâmetros de votos. Segundo pesquisa do Datafolha, 23% dos eleitores que declaram preferência por Lula se afirmam “de direita”, a despeito, por exemplo, das diretrizes divulgadas pelo PT serem explicitamente esquerdistas. Da mesma forma, o presidente Jair Bolsonaro (PL), assumidamente de extrema-direita, tem entre seus eleitores 29% de “esquerdistas”. (Folha)

Depois de ter suas sugestões sobre o sistema de votação brasileiro descartadas — parte delas já estava em prática —, o Ministério da Defesa prepara uma tréplica à resposta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), maior autoridade sobre eleições, revela Marcelo Godoy. Os militares ficaram incomodados com os comentários da área técnica do tribunal sobre imprecisões e “erros grosseiros” em suas observações. Quem leu o novo documento do Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber) diz que o texto é “suave” e “técnico” e atribui as incorreções à falta de informações da Corte. Ainda assim, é mais um capítulo de uma crise entre as Forças Armadas e um Poder constituído da República numa área fora da jurisdição militar. (Estadão)

E por falar nisso... A Procuradoria-Geral da República avaliou ontem, em manifestação ao STF, que as declarações do presidente Jair Bolsonaro de que as eleições são decididas numa “sala secreta” no TSE não constituem crime e não devem ser investigadas. Para a vice-procuradora-geral da República, Lindôra Araújo, a fala do presidente, mesmo sem provas, está protegida pela liberdade de expressão. (Metrópoles)


Pressionado por ter dado festas para a própria equipe no auge da quarentena da covid-19, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson conseguiu se manter no cargo após superar um voto de desconfiança do Partido Conservador, sua legenda. Mas pode ter sido uma vitória de Pirro, já que 148 parlamentares, 41% da bancada, votaram contra ele. Além da rebelião de quatro em cada dez colegas, Johnson enfrenta uma investigação no Parlamento, e seu partido pode perder duas cadeiras em eleições suplementares este mês. Em dezembro de 2018, sua antecessora, Theresa May, venceu um voto de desconfiança por 63% a 37% e, mesmo assim, renunciou meses depois, diante da falta de apoio dos colegas. (Guardian)

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Viver


Parcialmente destruído por um incêndio em 2018, o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista faz 204 anos correndo atrás de dinheiro para concluir sua reforma. Até agora, a instituição conseguiu 65% dos R$ 380 milhões estimados para a obra. Segundo o diretor do museu, Alexander Kellner, somente 5% do projeto total já estão concluídos, incluindo a restauração de 30% do primeiro dos quatro blocos que compõem o prédio. A conclusão dos trabalhos está prevista para 2027. (CNN Brasil)

Pesadelo de quase todo universitário, o trabalho de conclusão de curso (TCC) pode ser também caso de polícia. Uma plataforma que oferece online trabalhos prontos – o que, por si só, é fraude – usa as marcas de importantes universidades públicas, como USP, Unicamp e UFRGS. Segundo o site, os trabalhos são feitos por “ex-alunos das melhores universidades do país”. A Unicamp já anunciou que vai processar a empresa. (g1)

Panelinha no Meio. A pressa da semana não é desculpa para apelar a alimentos ultra processados. Em vez da massa instantânea, experimente esta receita de macarrão com molho rústico de tomate. Fica pronta num estalar de dedos, é saudável, pois os ingredientes são frescos e você controla a quantidade de sal, e ainda conta como uma refeição sem carne.

Cultura


Não é preciso conhecer a história ou o contexto por trás das canções de Gilberto Gil para apreciar sua vitalidade como letrista, mas a experiência fica ainda melhor. Isso é o que nos proporciona a edição ampliada do livro Todas as Letras, de Gilberto Gil, organizado por Carlos Rennó, que chega às livrarias físicas e virtuais no início de julho. De sua primeira canção, Felicidade Vem Depois (Spotify), de 1962, à mais recente, Refloresta (Spotify), de 2021, Gil se desnuda na análise de aproximadamente 350 letras. Morte, amor, tecnologia, crenças e descrenças são o resultado das mais de cem horas de entrevistas a Rennó para as três edições do livro, em 1996, 2003 e agora. (Folha)

O corpinho é (cada vez mais) de adolescente, mas a verdade e que o Homem-Aranha chegou à terceira idade. No último domingo completaram-se 60 anos que Peter Parker foi picado por uma aranha radioativa no número 15 da revista Amazing Fantasies, a cargo de dois revolucionários dos quadrinhos, o roteirista Stan Lee (1922-2018) e o desenhista e roteirista Steve Ditko (1927-2018). Talvez eles não tivessem ideia do impacto cultural de sua criação, a ponto de continuar relevante e bem-sucedida após seis décadas, com pouca ou nenhuma mudança em relação ao conceito original. Confira alguns dos mais importantes momentos do “amigo e vizinho” nos quadrinhos, escolhidos por fãs e artistas. (Estadão)

O site oficial do Bon Jovi (Spotify) anunciou a morte, aos 70 anos, de Alec John Such, baixista original da banda, de causa não divulgada. Segundo o próprio Jon Bon Jovi, Such foi crucial para o surgimento do conjunto, já que o apresentou ao baterista Tico Torres e ao guitarrista Richie Sambora, demais membros originais, ao lado do tecladista David Bryan. O baixista deixou o grupo em 1994, supostamente por problemas com álcool e drogas. (Louder Sound)

Luto (e choque) também no rap. Parceiro de nomes consagrados como Drake e The Weeknd, o rapper Trouble (Spotify), de 34 anos, foi assassinado a tiros na noite de domingo. Segundo a polícia, o artista, chamado Mariel Semonte Orr e que também usava o pseudônimo Skoob, estava no apartamento de uma amiga quando o local foi invadido um homem de 33 anos com quem ela tinha um relacionamento. Não se sabe as circunstâncias em que os suspeito, que está preso, atirou no cantor. Nas redes, gravadoras, artistas e fãs lamentaram a morte de Trouble. (BBC)

Cotidiano Digital


Começou ontem a WWDC 2022, conferência anual da Apple que ocorre na Califórnia, EUA. Entre as novidades, a companhia anunciou o novo iOS 16, sistema operacional de celulares iPhone, e diversas funcionalidades para dispositivos como Apple Watch 7, MacBook Air e MacBook Pro. A gigante de tecnologia também apresentou o macOS Ventura, que roda em computadores Apple. Com abertura do CEO, Tim Cook, e condução liderada pelo vice-presidente sênior de engenharia de software da Apple, Craig Federighi, a conferência teve como grande destaque o iOS 16. O sistema levará os celulares da maçã uma nova tela de bloqueio, modo foco melhorado e ainda recursos de privacidade Live Text. Confira as novidades da Apple no WWDC. (TechTudo)

Enquanto isso, Elon Musk ameaçou desistir da aquisição do Twitter. Em documento protocolado na SEC, órgão regulador do mercado financeiro nos EUA, o CEO da Tesla acusou o Twitter de cometer uma “violação” do acordo para a compra da empresa, operação calculada em US$ 44 bilhões. Em outra carta anexada ao Twitter, o executivo alega que a empresa se recusa a fornecer informações suficientes solicitadas sobre o número de contas falsas e de spam na plataforma. (The Guardian)

Você pagaria por conteúdo do Instagram? Está em fase de testes nos Estados Unidos a opção “Assinar”. O novo botão aparece em perfis de criadores de conteúdo e vai permitir que usuários paguem por materiais exclusivos. O pacote pode incluir acesso a Stories e transmissões ao vivo fechadas, além de um selo indicando quem é assinante. Mas, por enquanto, só está disponível nos EUA. (UOL)

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7 de junho de 2022
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