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10 de junho de 2022
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Prezadas leitoras, caros leitores —

A Marcha da Maconha, que ocupa a Avenida Paulista amanhã, a partir das 16h20, completa 20 anos. Bem diferente daquela primeira que levou cerca de 500 pessoas da igreja Nossa Senhora da Paz ao Posto 9, no Rio, a versão atual agrega, além dos cultivadores e entusiastas da legalização social, mães de pacientes que precisam de tratamento com maconha; o movimento antimanicomial e contra internação compulsória de usuários problemáticos de drogas; os defensores de direitos humanos contrários à guerra às drogas; a turma dos psicodélicos.

A Edição de Sábado vai mostrar como essa miríade já conquistou avanços importantes, mas tem muita pauta da marcha travada pelo reacionarismo. Vamos falar também de reduflação, esse recurso que a indústria usa para disfarçar o aumento de preços — o valor continua o mesmo, mas a quantidade no pacote diminui. Quais os impactos nos consumidores? E, claro, Estados Unidos. Ontem à noite, uma comissão parlamentar acusou o ex-presidente americano Donald Trump de tentar um golpe de Estado. Nunca antes na história daquele país uma acusação do tipo foi feita oficialmente. Mas isso não quer dizer que o movimento trumpista esteja fraco. Pelo contrário, a extrema-direita americana vem se transformando e se consolidando desde que ele deixou o poder. Nós vamos explicar o que mudou.

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Os editores


EUA: Comissão parlamentar acusa Trump de incitar golpe de Estado


O ataque ao Capitólio no dia 6 de janeiro, quando o Congresso dos EUA homologou a vitória de Joe Biden, foi uma tentativa de golpe de Estado liderada pelo então presidente Donald Trump. Essa foi a conclusão apresentada ontem pela comissão parlamentar na primeira audiência pública para apresentar o resultado de suas investigações. Ao longo de um ano, os sete parlamentares de ambos os partidos ouviram mais de mil testemunhas e analisaram cerca de 1,4 mil documentos. Na audiência foram apresentados vídeos inéditos da violência, além de gravações de depoimentos. “A violência não foi acidental”, disse o presidente da comissão, o democrata Bernie G. Thompson. “Ela representou a última e mais desesperada tentativa de Trump de impedir a transferência de poder”. (Washington Post)

Para ler com calma. Como um presidente que não aceitava a derrota trabalhou com um grupo de apoiadores em busca de uma estratégia atrás da outra para subverter a democracia e reverter o resultado das eleições. (New York Times)


Em seu primeiro encontro com o presidente americano Joe Biden, Jair Bolsonaro (PL) mudou o tom e amenizou as ameaças à democracia. Os dois chefes de Estado se reuniram durante a Cúpula das Américas, em Los Angeles. Embora tenha enfatizado querer eleições “limpas, confiáveis e auditáveis”, Bolsonaro disse ter certeza de que elas acontecerão num “espírito democrático”. “Cheguei pela democracia e tenho certeza que, quando deixar o governo, também será de forma democrática", disse. A manutenção da democracia no Brasil é, segundo assessores de Biden, um dos principais temas que o presidente americano quer abordar. (UOL)

Biden, por sua vez, afagou o convidado dizendo que o Brasil “sempre será prioridade” para os EUA, mas enfatizando a defesa da democracia. “Não há razão pela qual o Ocidente não possa ser a região mais progressista, democrática, próspera, pacífica e segura do mundo. Temos potencial ilimitado e imensos recursos”, afirmou. Ele também defendeu que o Brasil aceite ajuda de outros países na preservação da Amazônia. (Poder360)

A Justiça do Amazonas decretou ontem a prisão temporária de Amarildo da Costa de Oliveira, suspeito de envolvimento no desaparecimento do indigenista Bruno Araújo e do jornalista inglês Dom Phillips. O pedido foi feito pela polícia após uma perícia identificar vestígios de sangue no barco dele, embora ainda não se saiba se é humano ou de algum animal. Conhecido como ‘Pelado’, Amarildo foi preso por posse de munição de uso restrito e drogas, e testemunhas disseram que ele saiu de barco logo em seguida a Araújo e Phillips na manhã de domingo, antes de os dois desaparecerem. (g1)

A família de Dom Phillips reagiu à declaração do presidente Jair Bolsonaro de que ele e Araújo fizeram uma “aventura não recomendável”. “Acho que ele [Bolsonaro] está colocando a culpa no meu irmão por uma ‘aventura’. Não é uma aventura. Ele é um jornalista, ele está pesquisando para um livro que vai escrever sobre como salvar a Amazônia”, disse Sian Phillips, irmã do jornalista. (Poder360)

Aliás... As famílias de Dom e Bruno estão precisando de ajuda, de recursos mesmo, enquanto há esperança. Uma vakinha foi posta no ar. Se puder, colabore.

A Executiva Nacional do PSDB aprovou ontem o apoio à candidatura da senadora Simone Tebet (MDB-MS) à presidência da República e deve indicar o senador Tasso Jereissati (CE) como candidato a vice. Tanto tucanos como emedebistas, porém, já puseram na conta as traições que a chapa, também apoiada pelo Cidadania, vai enfrentar. O deputado Aécio Neves (PSDB-MG), por exemplo, tentou puxar um voto contrário à aliança, mas acabou vencido. O presidente do partido, Bruno Araújo, disse a aliados que o objetivo do mineiro é que a legenda não tenha candidato, abrindo caminho para seu grupo apoiar Jair Bolsonaro (PL), o que Aécio nega. No MDB, a ala nordestina está fechada com Lula, enquanto o Sul prefere a reeleição do presidente. (Estadão)

Enquanto isso... Simone Tebet começou a articulação de sua campanha remotamente, pois foi diagnosticada com covid-19. (Poder360)

E já que o assunto é traição, o União Brasil abandonou o governador tucano Rodrigo Garcia, candidato à reeleição em São Paulo, e diz estar conversando tanto com o petista Fernando Haddad quanto com o bolsonarista Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos). Pois é, você leu certo. O partido resultante da fusão de PSL e DEM estaria negociando com o PT... (UOL)

O Supremo Tribunal Federal (STF) mudou ontem, por 8 votos a 1, o entendimento sobre votos no plenário virtual de ministros aposentados. Antes, se um destaque levasse o caso ao plenário presencial, o voto do ex-ministro era descartado, e seu substituto votava. Agora, os votos continuam valendo. Na prática, isso impede que o ministro André Mendonça, o mais recente da Corte, mude o resultado de julgamentos com maioria formada pelo voto de seu antecessor, Marco Aurélio. Mendonça, aliás, foi o único a votar contra a mudança. (UOL)

E o ministro Nunes Marques decidiu pautar na Segunda Turma, que preside, sua liminar suspendendo a cassação pelo TSE do deputado bolsonarista Valdevan Noventa (PL-SE). Nesta semana, a turma derrubou, por 3 votos a 2, decisão semelhante que beneficiava o deputado estadual Fernando Francischini (UB-PR). Marques e Mendonça foram os votos vencidos. (g1)

Meio em vídeo. A semana foi marcada pelo desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, pelas pesquisas eleitorais que apontam Lula vencendo no primeiro turno, e por tantas outras notícias comprovando que, como diz Mariliz Pereira Jorge, De Tédio a Gente Não Morre. E quem também apareceu bastante, demonstrando todo o seu destempero, foi o presidente Jair Bolsonaro, em discursos com zero inteligência emocional. Confira a coluna, que, a partir de hoje, vai ao ar um pouco mais tarde, às 11h15. (YouTube)

E tem o Ponto de Partida, já no ar... 2016 foi golpe? Depois de tomar a milésima ducentésima-quarta cancelada, fica óbvio que a gente precisa ter coletivamente essa conversa. Não sobre golpe, ou mesmo sobre impeachment, mas sobre que democracia é essa na qual nos tratamos como inimigos. Esquerda, sozinha, não vai salvar a democracia brasileira. O centro muito menos, nem mesmo a direita democrática. O trabalho é coletivo. A próxima crise já está encomendada. Confira. (YouTube)

Não quer brincar, não desce pro play

Tony de Marco & Spacca

Gangorra


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Cultura


A Justiça de Alagoas determinou ontem que o estado e os municípios não podem pagar cachês acima de R$ 50 mil e R$ 20 mil, respectivamente. Na mesma decisão foi cancelado um show do cantor Wesley Safadão na cidade de Viçosa, pelo qual ele receberia R$ 600 mil. Promotores de todo o país tem investigado o pagamento de cachês volumosos por municípios, incluindo alguns dos mais pobres do Brasil, a artistas populares, no que ficou conhecido como “CPI do sertanejo”. O caso começou quando o cantor Zé Netto criticou a funkeira Anitta e artistas que usavam “dinheiro público” via Lei Rouanet durante um show em Sorriso (MT) pago pela prefeitura local. (Folha)

A novela Johnny Depp x Amber Heard pode ter um final, se não feliz, ao menos mais econômico para a atriz. Em entrevista, os advogados do ator sugeriram que ele pode abrir mão da indenização de US$ 8,35 milhões (R$ 40,2 milhões) que sua ex-mulher teria de lhe pagar em consequência dos processos mútuos por difamação julgados na semana passada. “Como o Sr. Depp testemunhou, nunca foi sobre dinheiro para ele. Tratava-se de restaurar sua reputação”, afirmou o advogado Benjamin Chew. Logo após o veredicto, a defesa de Amber Heard disse que ela não tem recursos para pagar a indenização. (UOL)

Escrito e dirigido por Laís Bodanzky, o longa A Viagem de Pedro (trailer) foi escolhido Melhor Filme Americano no Festival Septimus, em Amsterdã. Estrelado por Cauã Reymond, o filme narra, com direito a muitos flashbacks, a viagem de Dom Pedro I de volta a Portugal, após abdicar do trono brasileiro, a fim de depor seu irmão, Dom Miguel, o usurpador. E não é só isso. Na última segunda-feira, o longa foi exibido no Brooklyn Film Festival, que qualifica produções para prêmios como o Bafta e o Oscar. A Viagem de Pedro estreia no Brasil em agosto. (Pipocas Club)

Mas nem tudo é boa notícia nos cinemas. A rede de salas britânica Cineworld retirou de cartaz o filme The Lady In Heaven (A Senhora no Céu, trailer), de Eli King, devido a protestos e ameaças de grupos islâmicos. O filme conta a história de Fátima, filha mais velha de Maomé, e mostra na tela o fundador do Islã, cuja representação é considerada uma blasfêmia. O produtor-executivo Malik Shlibak classificou os autores das ameaças como bandidos e disse que a retirada do filme abre um precedente perigoso no Reino Unido. (Globo)

O Brasil já viu filmes sofrerem perseguição por intolerância religiosa. Em 1986 o então presidente José Sarney mandou censurar Je Vou Salue, Marie (trailer), de Jean-Luc Godard. Dois anos depois, A Última Tentação de Cristo (trailer), de Martin Scorcese, foi alvo de protestos. (Globo)

Viver


Cerca de 70% dos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) registrados no Brasil nas últimas quatro semanas se devem à covid-19. A informação, divulgada ontem pela Fiocruz, confirma o recrudescimento da pandemia no país. Além disso, diz a instituição, 92,22% das mortes causadas por vírus respiratórios entre 29 de maio e 4 de junho foram decorrentes do sars-cov-2. Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe da Fiocruz, defendeu que a população volte a adotar medidas como o uso de máscaras e tome as doses de reforço da vacina. (CNN Brasil)

O IBGE ameaçou ontem adiar a realização do censo 2022, caso tenha de cumprir a decisão judicial que determinou a inclusão de questões sobre orientação sexual. A instituição alega que a alteração dos sistemas para incluir novas perguntas “põe em risco toda a operação censitária” e implicaria um gasto adicional de até R$ 2,3 bilhões, sem detalhar esse custo. Já a Justiça afirma que as informações sobre orientação sexual são importantes para a elaboração de políticas públicas voltadas para a comunidade LGBTQIA+. Essas questões já estarão nas próximas Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), Pesquisa Nacional de Demografia em Saúde (PNDS) e Pesquisa Nacional de Saúde (PNS). (UOL)

O Ministério da Saúde elaborou uma cartilha com informações falsas sobre aborto. O texto, que tem como “editor geral”, o secretário nacional de Atenção Primária, Raphael Camara, sustenta que “não existe aborto ‘legal’” e defende “investigação policial” para comprovar “excludentes de ilicitude”. O aborto no Brasil é legal em casos de estupro, risco para a mãe e, por decisão do STF, anencefalia do feto. Para a advogada Marina Ruzzi, especialista na área de saúde, a cartilha traz “um argumento retórico muito torto para justificar a carga de moralidade em cima dessas condutas”. (g1)

Cotidiano Digital


O TikTok anunciou novos recursos para ajudar usuários a gerenciar o tempo que passam no aplicativo. A novidade permite definir limites diários de tela, controlar o tempo de cada sessão e programar avisos para lembrar de fazer uma pausa após uma determinada quantidade de tempo no app. Outro recurso mostrará uma central com todos os dados de uso, na qual será possível ver quantas horas a pessoa permaneceu e abriu o TikTok. Tanto o aplicativo chinês quanto outras redes sociais têm sido alvo de debates e críticas sobre os impactos destes serviços no comportamento e saúde mental de crianças e adolescentes. (The Guardian)

Meio em vídeo. Pedro Doria e Cora Rónai comentam uma grande notícia: o cabo USB-C vai virar padrão, até mesmo os iPhones. A União Europeia anunciou que a partir de 2024 todos os aparelhos vão ter o mesmo cabo para carregar. (YouTube)

E o Google vai investir US$ 1,2 bilhão (cerca de R$ 5,9 bilhões) na América Latina nos próximos cinco anos. O objetivo é apoiar o desenvolvimento econômico da região, segundo a empresa. O investimento será feito nas áreas de infraestrutura digital, capacitação em habilidades digitais, empreendedorismo e comunidades inclusivas e sustentáveis. Entre os projetos estão o lançamento do cabo submarino Firmina em 2023, a ampliação da equipe de engenharia no Brasil e o lançamento da carteira digital Google Wallet no Brasil e Chile. (g1)

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