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22 de julho de 2022
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Prezadas leitoras, caros leitores —

A história de como uma inovação tecnológica pode se entrelaçar ao consumismo exagerado e moldar um sistema econômico se traduz quase inteiramente em um material. O plástico. De versatilidade única, com aplicações em áreas que tocam toda nossa rotina, o plástico une indústrias como a do petróleo e a dos insumos médicos; a alimentícia e a cosmética; a automotiva e a espacial. E é justamente essa onipresença que pode nos matar.

O plástico está em tudo e, ao se decompor, permanece em tudo. Na forma dos micro ou nanoplásticos, ele já foi detectado em animais das mais variadas espécies. Nos humanos também. Inalamos, ingerimos, absorvemos plástico sem sequer ver. Conforme a ciência estuda esse fenômeno — seus efeitos e o que parece ser sua irreversibilidade —, estamos diante de uma daquelas encruzilhadas humanas: como superar uma “evolução” tão dramática? Substituí-la com o que? E quem vai realizar esse movimento para valer, os indivíduos ou o coletivo?

Esse é o tema principal da Edição de Sábado. Uma resposta inevitável para a última questão é o capital. Sem uma mobilização real das corporações e dos investidores, a luta é inglória. Parte das grandes gestoras de investimento já sacou isso e voltou-se aos negócios sustentáveis. Esse pensamento tem uma sigla, ESG (Environmental, Social and Governance). A onda ESG faz barulho, e tem pressionado empresas de todos os setores a adotar mudanças práticas, para além do greenwashing.

Vamos celebrar ainda a vastidão de Machado de Assis, fundador da Academia Brasileira de Letras, que completa 125 anos. Sua obra, seu legado, sua negritude.

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— Os editores


Mais um massacre da polícia do Rio. Mais um


Em menos de um ano, o Rio de Janeiro testemunhou três das quatro operações policiais mais violentas de sua história. A quarta mais letal aconteceu ontem, quando 18 pessoas morreram em decorrência de uma ação das polícias Civil e Militar no Complexo do Alemão, uma das maiores favelas da Zona Norte da capital. Entre os mortos estão o cabo da PM Bruno de Paula Costa, atingido durante um ataque à Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Fazendinha, e a moradora Letícia Marinho de Sales, de 50 anos, baleada no peito dentro de um carro parado em um semáforo. Testemunhas disseram que não havia confronto na hora que os tiros foram disparados por um agente. “Foi para matar. O policial atravessou na frente do nosso carro e deu o tiro”, disse Denilson Glória, namorado da vítima, que estava com ela. “Não tinha bandido. Não estava tendo tiroteio.” Os 400 agentes envolvidos na operação prenderam quatro pessoas e apreenderam quatro fuzis, duas pistolas e uma metralhadora .50. (g1)

A violência nos confrontos parece uma marca do governo de Cláudio Castro (PL). Além da ação de ontem, quarta mais letal, as duas piores aconteceram em sua gestão. Em maio do ano passado, 28 pessoas, entre elas um PM, foram mortas no Jacarezinho; um ano depois foram 24 vítimas na Vila Cruzeiro. Como de hábito, Castro não fez qualquer crítica à operação de ontem. Em vez disso, afirmou, via Twitter, ter pedido ao Ministro da Justiça Anderson Torres que os quatro presos sejam enviados para presídios federais. (Globo)

Em sua live semanal, o presidente Jair Bolsonaro, colega de partido de Castro, fez uma homenagem ao cabo Bruno, mas não comentou a morte da moradora nem das outras 16 pessoas. (UOL)

E o número de óbitos pode ser maior. A ouvidoria da Defensoria Pública do Rio de Janeiro e a Comissão de Direitos Humanos da OAB contabilizam ao menos 20 mortes a partir de dados das unidades de saúde da região. (BBC Brasil)

Com medo dos disparos, moradores se trancaram dentro de casa. “Comecei a ouvir os tiros por volta das 6h, quando estava tomando banho. Chamei minha filha e ficamos lá por mais de 30 minutos. Sentíamos que os tiros estavam muito perto, preferimos não pagar para ver”, conta a manicure Patrícia do Carmo, de 43 anos. (Folha)

Enquanto isso... Um integrante do PCC, maior facção criminosa do país, comprou legalmente um fuzil, pistolas e carregadores, segundo denúncia da Polícia Federal, que apreendeu as armas por ordem judicial. Mesmo tendo 16 processos na Justiça, incluindo homicídio qualificado e tráfico, ele obteve do Exército registro de caçador, atirador e colecionador (CAC), grupo beneficiado pelo relaxamento nas lei de compra e posse de armas. O Exército já admitiu não ter controle sobre esse armamento. (Folha)

Meio em vídeo. Há muito grupos misóginos na internet, mas os incels (celibatários involuntários em inglês) são uma versão turbinada. Numa visão simplista, é o ‘virjão’ que passa o dia na internet dizendo que a culpa é das mulheres. Mas desse caldeirão cheio de frustração surge um machismo ainda pior, um machismo elevado à loucura. Mariliz Pereira Jorge explica esse triste fenômeno na coluna De Tédio A Gente Não Morre, que vai ao ar hoje às 11h. (YouTube)

A onda de calor que chegou aos Estados Unidos nesta semana segue preocupando o governo, com termômetros ultrapassando os 40°C. 48 estados americanos já emitiram alertas, enquanto um aumento mais severo de temperatura é esperado nos próximos dias. O serviço de meteorologia alertou para um “alto risco de doenças relacionadas ao calor” em Las Vegas, que deve encarar até 43°C nesta sexta. (Estadão)

Após sete semanas de crescimento no número de testes positivos de covid nas farmácias, a Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) anunciou a segunda semana consecutiva de queda nas testagens. Foram 37 mil resultados positivos para a doença entre 11 e 17 de julho, 30% a menos que nos sete dias anteriores. Apesar da redução, o número de testes positivos deste mês é semelhante ao registrado em junho. (Folha)


O peso da rejeição

Tony de Marco

Peso

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Política


Foram necessários quase quatro dias desde que o presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou a embaixadores sua Grande Mentira sobre fraudes eleitorais para que o procurador-geral da República reagisse — ou quase. Augusto Aras divulgou no YouTube um vídeo com trechos de uma entrevista que concedeu a jornalistas estrangeiros uma semana antes dos ataques de Bolsonaro. No texto de abertura do vídeo, o PGR não faz referência ao encontro com diplomatas nem menciona o presidente. Em vez disso, fala nos “últimos acontecimentos no país” antes de defender o processo eleitoral: “Nós aqui não aceitamos a alegação de fraude porque temos visto o sucesso da urna eletrônica ao longo dos anos, especialmente no que toca à lisura dos pleitos.” (g1)

Alvo direto dos ataques de Bolsonaro, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Edson Fachin, deu um prazo de cinco dias para o chefe do Executivo e o PL se explicarem sobre as mentiras a respeito do sistema eleitoral ditas aos embaixadores. A decisão faz parte de uma ação aberta pelo PDT. (Metrópoles)

Depois da Embaixada dos EUA e do porta-voz da Casa Branca, ontem foi a vez de a Embaixada do Reino Unido no Brasil divulgar uma nota enfatizando a confiança no sistema eleitoral brasileiro e na “força da democracia” do país. (Poder360)

Meio em vídeo. Arthur Lira, o presidente da Câmara dos Deputados, está em silêncio faz quatro dias sobre o golpismo de Jair Bolsonaro. O sistema apodreceu de vez. Mas não apodreceu nos últimos dois anos — apodreceu lentamente, do governo Fernando Henrique para cá. Cada presidente que veio, desde então, pôs um tijolo nesse muro. Agora virou um nó. Confira a análise de Pedro Doria no Ponto de Partida. (YouTube)

Sem a presença de sua estrela, o PT oficializou ontem a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a presidente, tendo como vice o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB). O candidato foi representado na “convenção protocolar” pela presidente do partido, Gleisi Hoffmann. Na avaliação da cúpula petista, era mais proveitoso que Lula continuasse em campanha pelo país, em vez de parar em São Paulo e participar da convenção. Para que a chapa seja apresentada ao TSE, ela terá de ser chancelada também pelo PSB, que realiza sua convenção no dia 29. (UOL)

Se em nível nacional a relação entre PT e PSB é só amor, no Estado do Rio a situação é tensa. Os petistas adiaram sua convenção regional, marcada para o dia 25, na qual sacramentariam o apoio à candidatura do deputado Marcelo Freixo (PSB) ao governo. O nó da questão é a disputa pelo Senado. O PT quer que o deputado pessebista Alessandro Molon desista em favor do petista André Ceciliano. A questão é que Molon está cinco pontos à frente de Ceciliano nas pesquisas. (CNN Brasil)

Enquanto isso... Às voltas com a rebelião da ala lulista de seu partido, a senadora Simone Tebet (MDB-MS) enfrenta agora a traição do PSDB mineiro. O candidato tucano Marcus Pestana disse que o partido vai dar palanque para o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), em represália à decisão do MDB de apoiar a reeleição de Romeu Zema (Novo). (Exame)

Para ler com calma. A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) era “honestíssima”, e seu impeachment em 2016 se deveu a “dificuldades no relacionamento com a sociedade e com o Congresso”. A opinião não é de um correligionário inconformado, mas de seu vice e sucessor, o ex-presidente Michel Temer (MDB). Ele defendeu a constitucionalidade do processo que o alçou à presidência. (UOL)

Sob gritos de “miliciano” e “assassino”, o presidente da Funai, Marcelo Xavier, teve de deixar a assembleia geral do Fundo para o Desenvolvimento dos Povos Indígenas da América Latina e Caribe (Filac), em Madri. Xavier foi hostilizado por Marcelo Rao, indigenista especializado exonerado da Funai que coordenava o órgão no Maranhão e exilou-se na Europa após ameaças. “Este homem é miliciano, é responsável pela morte do (indigenista) Bruno Pereira (...) e do (jornalista Dom) Phillips”, gritou Rao. A Funai disse que Xavier optou por sair voluntariamente do local e que deve processar o indigenista. (g1)

Cultura


O mundo dos quadrinhos está de luto com a morte, aos 73 anos, do roteirista britânico Alan Grant, responsável por algumas das melhores fases de personagens como Batman, Juiz Dredd e Lobo. Ele começou a carreira na revista britânica 2000 AD, onde assumiu as histórias do policial-juiz em parceria com o também roteirista e criador do personagem John Wagner. O trabalho da dupla chamou a atenção da DC, que os contratou para o escrever as histórias do Batman na Detective Comics. Wagner logo iria embora, mas Grant faria seu nome com o título, criando vilões como o assustador Victor Zsasz. Nos anos 1990, transformou o vilão alienígena Lobo, ruim a ponto de exterminar a própria espécie, num anti-herói querido do público. Grant nunca parou de produzir. Com a pandemia comandou o projeto comunitário de um quadrinho sobre o coronavírus na cidadezinha de Moniaive, na Escócia, onde vivia. A família não informou a causa da morte. (Omelete)

A cantora americana Billie Eilish pegou os fãs de surpresa ao lançar na tarde de ontem o single Guitar Songs com duas canções inéditas, TV e The 30th, compostas, como de hábito, em parceria com o irmão Finneas. A primeira faz referência ao crescente radicalismo online e à derrubada do direito ao aborto pela Suprema Corte dos EUA, no verso “A internet está ficando selvagem/ Enquanto eles anulam Roe v. Wade”. Já The 30th foi a primeira que ela e irmão compuseram desde o sucesso Happier Than Ever. A cantora disse ainda que planeja lançar um novo álbum no ano que vem. (Rolling Stone)

Condenado a 19 anos de prisão pelo assassinato, em 1992, da atriz Daniella Perez, o ex-ator e hoje pastor batista Guilherme de Pádua ameaça processar o pesquisador Bernardo Braga Pasqualette, que está concluindo uma biografia de Daniella. Juliana Lacerda, atual mulher de Pádua e que fala em nome dele nas redes sociais, enviou a Pasqualette mensagens com frases como “ele vai travar esse livro” e “o advogado dele vai resolver isso tudo”. O crime, acontecido quando Guilherme de Pádua era par romântico da vítima na novela De Corpo e Alma, é tema também da minissérie Pacto Brutal, que estreou esta semana na HBO Max. (Folha)

Cotidiano Digital


A Meta tem feito com que suas redes sociais se aproximem cada vez mais do rival TikTok. Um dos recursos inspirados no aplicativo chinês foi o Reels, que ontem ganhou novas funcionalidades dentro do Instagram. A rede social anunciou que postagens de vídeo com menos de 15 minutos serão publicadas no formato semelhante ao TikTok. Também será possível remixar vídeos e fotos compartilhados no feed por usuários que tenham uma conta pública. Enquanto isso, o Facebook anunciou mudanças no feed de notícias, adicionando uma guia apenas com postagens de amigos, grupos, páginas e favoritos em ordem cronológica. (Estadão)

O governo da China multou a empresa de transporte por aplicativo Didi, dona da 99, em US$ 1,2 bilhão após uma investigação sobre violação de leis de segurança de dados e informações pessoais. Segundo o órgão regulador do país, a empresa com sede em Pequim coletou ilegalmente 12 milhões de informações de “captura de tela” de álbuns de fotos em celulares de usuários e acumulou 107 milhões de dados sobre reconhecimento facial de passageiros, entre outras violações de privacidade. Além das multas aplicadas à empresa, o regulador também impôs uma multa pessoal de US$ 147 mil ao CEO da Didi, Cheng Wei, e à presidente Liu Qing. (The Washington Post)

Meio em vídeo. Já falamos no Pedro+Cora que urna eletrônica não se hackeia. Mas o presidente Jair Bolsonaro juntou os embaixadores para falar que a nossa eleição não é segura. Pedro Doria e Cora Rónai estão longe de casa, mas vão explicar porque o presidente está mentindo. (YouTube)

Um novo jeito de ficar por dentro dos principais assuntos da semana é acompanhando as análises e comentários críticos, mas com leveza, de Mariliz Pereira Jorge no programa De Tédio a Gente Não Morre. Toda sexta às 11h da manhã no nosso canal do Youtube. Veja.





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