Kristen Stewart brilha em sua estreia como diretora

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Ridicularizada no passado pela atuação na saga Crepúsculo, Kristen Stewart já tinha dado a volta por cima como atriz há tempos. Agora, ao debutar como diretora e roteirista com A Cronologia da Água, ela mostra que seu talento é ainda maior atrás das câmeras. Baseado nas memórias da ex-nadadora Lidia Yuknavitch, o longa é estrelado por Imogen Potts e trata ao mesmo tempo com sensibilidade e crueza o passado de abusos sexuais, físicos e emocionais vividos pela autora/protagonista, que buscou a tábua de salvação nas piscinas e encontrou nas letras. Sem fugir do peso desse tema, Kristen Stewart mostra que, aos 35 anos, tem uma promissora carreira de cineasta pela frente.
Um clichê comum diz que casais não devem ter segredos, mas a questão é que pouca gente está interessada na verdade. Este é o mote de O Drama, escrito e dirigido por Kristoffer Borgli. Robert Pattinson (olha o Crepúsculo aí de novo!) e Zendaya vivem Charlie e Emma, noivos apaixonados na reta final para o casamento. Até que, meio bêbados com um casal de amigos, são desafiados todos a contar a pior coisa que cada um já fez na vida. A revelação de Emma cai como uma bomba na mesa e destrói a imagem perfeita que Charlie tinha da noiva — não, não vamos dar spoiler. Ele será capaz de aceitar que sua amada não é a mais a pessoa que cometeu aquele ato? E ela realmente mudou?
Em tempos de Odete Roitman gata, A Mulher Mais Rica do Mundo, de Thierry Klifa, explora o poder e a fragilidade da feminilidade madura, em uma narrativa inspirada na história real de Liliane Bettencourt, herdeira da L’Oreal. A sempre diva Isabelle Huppert é Marianne Farrère, uma bilionária que um belo dia acorda com a polícia invadindo sua mansão e prendendo seu convidado, o escritor e fotógrafo Pierre-Alain (Laurent Lafitte), cuja amizade platônica — sendo ele abertamente gay — deu novas cores a sua vida. Voltamos no tempo e descobrimos como a conservadora Marianne e o anárquico Pierre se conheceram e sedimentaram sua relação. E como ele montou uma rede de corrupção sem precedentes na França.
Codirigido pela iraniana Zar Amir Ebrahimi e israelense Guy Nattiv, Tatame retrata a repressão do regime dos aiatolá, focada aqui no esporte. A judoca iraniana Leila (Arienne Mandi) e sua treinadora Maryam (a própria codiretora) viajam para participar de um campeonato mundial da modalidade na capital da Geórgia, de onde pretendem voltar com uma inédita medalha de ouro. Para isso, porém Leila terá de enfrentar uma atleta israelense, algo proibido pelo governo de Teerã. As ordens são claras: ela deve simular uma contusão e desistir do torneio. Do contrário sua família sofrerá as consequências nas mãos do regime xiita. Mais uma vez, não vamos dar spoilers.
Em clima de Semana Santa há dois filmes de inspiração bíblica. O primeiro é A Última Ceia, de Mauro Borelli, com Jamie Ward no papel de Jesus — não confundir com a quinta temporada da série Os Escolhidos, que teve o mesmo título e cujos três episódios foram exibidos em cinemas. Este longa narra os últimos dias de Jesus antes de sua crucificação, com destaque para a relação com seus apóstolos. O longa reproduz passagens inteiras dos Evangelhos de João e Lucas, que descrevem mais detalhadamente a Paixão.
Se no filme anterior Jamie Ward é Jesus, em Zero d.C., dirigido por Alejandro Monteverde, ele vive José. O longa foca na descrição da Natividade no Evangelho segundo Mateus — bem diferente da versão contada por Lucas, e ambas consideradas mitológicas pela maioria dos estudiosos do texto bíblico. Jim Caviezel, que foi Jesus no controvertido A Paixão do Cristo, agora é o rei Herodes, atormentado pelo rumor de que o Messias nasceu em Belém e disposto às piores atrocidades para manter o poder.
O drama LGBTQIA+ Ruas da Glória, com direção e roteiro de Felipe Sholl, se passa no bairro carioca que lhe dá nome. Gabriel (Caio Macedo) é um professor que se muda para lá a fim de dar aulas em um cursinho, ao mesmo tempo em que frequenta (segundo ele, para fins de pesquisa) o cenário da prostituição homossexual na região. É lá que ele conhece o uruguaio Adriano (Alejandro Claveaux), que vai tirá-lo do armário e acrescentar amor, sexo e perigo a sua vida.
Baseado no livro de Daniel Galera, Barba Ensopada de Sangue, de Aly Muritiba, tem a resistência ao outro como pano de fundo. No caso a resistência ao personagem principal, vivido por Gabriel Leone, que busca refúgio numa vila de pescadores no litoral de Santa Catarina de onde seu avô desapareceu em circunstâncias violentas muito antes de ele nascer. Ninguém o quer ali — na verdade, nem ele mesmo —, mas ele simplesmente está lá, ouvindo as histórias que cada pessoa tem para contar e incapaz de encontrar as respostas que aparentemente busca.
O documentário Cheiro de Diesel, de Natasha Neri e Gizele Martins, aborda, pela ótica dos moradores, as ocupações do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, pelo Exército durante megaeventos esportivos na década de 2010. Sem treinamento adequado para cumprir papel de polícia, soldados, em sua maioria muito jovens, envolveram-se em situações que resultaram na morte de moradores.
E, claro, há o mais famoso encanador do mundo. Super Mario Galaxy: O Filme, de Aaron Horvath e Michael Jelenic, leva para as telas o jogo homônimo da Nintendo, com um elenco estelar na dublagem. Mario, Luigi, Yoshi e a princesa Peach são levados para outra dimensão a fim de enfrentarem um antigo inimigo. A animação é impressionante, e assistir na telona do cinema praticamente nos coloca no jogo. Mais aí está o problema: é um filme, não um jogo. O tempo todo queremos controlar os personagens e interagir com a história, o que, claro, não acontece.
Confira a programação completa nos cinemas da sua cidade. (AdoroCinema)


