Rei do Pop invade as telas em versão ‘autorizada’

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Existem cinebiografias feitas para contar a história do personagem e cinebiografias para agradar aos fãs. Estas nem precisam ser grosseiramente mentirosas como Bohemian Rapsody (aliás, do mesmo produtor), basta varrerem para baixo do tapete fatos indesejáveis. É aí que se enquadra Michael, de Antoine Fuqua, contando a vida de Michael Jackson (1958-2009) da infância ao lançamento do álbum Bad, em 1987. O Rei do Pop é vivido na fase adulta por seu sobrinho Jaafar Jackson, o que empresta mais autenticidade ao longa. O problema é que momentos sombrios da trajetória do astro foram muito diluídos, como a brutalidade de seu pai/empresário Joe Jackson, ou simplesmente apagados, como as diversas acusações de abuso sexual. Os fãs, claro, vão amar, cantar junto, sair do cinema fazendo moonwalk etc.
Sam Rockwell estrela a comédia sombria de ficção científica Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra, de Gore Verbinski. Ele faz um sujeito com pinta de mendigo e roupa aparentemente feita de pedaços de lixo que invade um diner (aqueles restaurantes semifuleiros dos EUA) dizendo que veio do futuro para impedir que uma IA destrua a humanidade. Não, ele não está procurando Sarah Connor para fazer um filho nela. Segundo sua história, as pessoas que estão ali, e somente elas, têm a capacidade de impedirem o cyberapocalipse se agirem em conjunto naquela noite — e acaba convencendo diversos deles. A polícia, o governo e a empresa dona da IA é que não gostam muito da ideia.
Já Papagaios, de Douglas Soares, aborda o desejo desenfreado pela celebridade. Gero Camilo é Tunico, um “papagaio de pirata”, narcisistas anônimos que caçam repórteres de TV para aparecerem no fundo das matérias. Já Ruan Aguiar vive Beto, um jovem que também deseja aparecer a qualquer custo. Os caminhos dos dois se cruzam após um grave acidente em um parque de diversões, e a relação entre o “mestre” e o “aprendiz” pode desaguar em algo mais sombrio.
Dirigido por Maria Clara Escobar e Marcelo Gomes, Dolores fala de mulheres que sonham em melhorar de vida em um cenário onde isso é cada vez menos provável. A personagem título é uma mulher que, ao fazer 65 anos, sonha (literalmente) que vai ficar rica abrindo um bingo e depois um cassino — embora sejam ilegais. Para agravar, ela é uma “ex”-apostadora compulsiva e não conhece limites para dar forma ao sonho. Sua relação com a filha e a neta, cada uma com um projeto de vida diferente, também vai entrar na balança.
Para rir um pouco, Um Pai em Apuros, de Carolina Durão, traz Rafael Infante como Fred, um homem acostumado, sob a desculpa de trabalhar demais, a deixar toda a responsabilidade da casa e dos quatro filhos nas costas da esposa Roberta (Dani Calabresa). Até o dia em que ela decide tirar férias de tudo, pega sua mala, cai na estrada e deixa Fred encarregado da rotinha doméstica. Desnecessário dizer que ele vai aprender — da pior maneira possível uma — lição importante sobre responsabilidade.
E completando a programação há o documentário O Ano em Que o Frevo Não Foi Pra Rua, de Mariana Soares, Bruno Mazzoco. O longa celebra o catártico Carnaval de 2023 em Olinda e Recife, no qual os foliões extravasaram a alegria reprimida por dois anos da pandemia de Covid-19. Anônimos e famosos se misturam na folia represada.
Confira a programação completa nos cinemas da sua cidade. (AdoroCinema)


