O medo vem do Egito para as telas

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Esqueça o clássico com Boris Karloff de 1932, a adorável aventura com Brendan Fraser e Rachel Weiss de 1999 e (ainda bem) a bomba protagonizada por Tom Cruise em 2017. A Maldição da Múmia, escrito e dirigido por Lee Cronin, parte para o terror absoluto ao contar a história das muitas tragédias na família de um jornalista. Durante uma viagem ao Egito a pequena Katie desaparece sem deixar vestígios, sendo encontrada viva oito anos depois, “mumificada” dentro de um sarcófago. A agora adolescente, com o corpo gravemente atrofiado, é levada pelos pais para os Estados Unidos, mas eles não sabem que junto vai algo muito maligno.
Angelina Jolie estrela Vidas Entrelaçadas, da escritora e diretora francesa Alice Winocour, como uma personagem que fala em diversos níveis com sua vida real. Jolie, que cada vez mais atua por trás das câmeras, vive Maxine Walker, uma cineasta americana contratada para fazer o filme oficial da Semana de Moda de Paris. Logo no início dos trabalhos, ela é diagnosticada com câncer de mama — a atriz retirou os seios e ovários entre 2013 e 2015 após descobrir que tinha 87% de desenvolver tumores malignos nesses órgãos. Ter de conciliar o trabalho com o tratamento acaba aproximando-a de uma modelo sul-sudanesa e uma maquiadora francesa que passam por dramas pessoais, embora de naturezas diversas.
Também ambientado na França, Caso 137, de Dominik Moll, trata de um tema com o qual somos tristemente familiarizados: a dificuldade em punir a violência policial. Léa Ducker interpreta uma detetive da corregedoria da polícia francesa, encarregada de investigar denúncias de abusos cometidos por colegas durante a repressão a um protesto. As provas da brutalidade são acachapantes, mas ela vai ter de lidar com o medo das testemunhas, a pressão corporativista e uma nada discreta complacência da sociedade com a conduta dos agentes.
Uma mulher policial, neste caso vivida por Giovanna Antonelli, é protagonista também de Rio de Sangue, de Gustavo Bonafé. Patrícia Trindade, a personagem de Giovana, é afastada da polícia após uma operação dar errado e acaba jurada de morte por traficantes. Aconselhada por um colega, ela se refugia na Amazônia, onde a filha médica Luiza (Alice Wegmann) atua em uma ONG. O que era para ser uma reaproximação se torna um pesadelo quando os criminosos a localizam e sequestram Luiza.
Outro caso policial movimenta O Estrangeiro, de François Ozon, baseado no romance de Albert Camus contando a história de Meursault, um jovem francês na Argélia dos anos 1930. Completamente apático diante da vida, ele acaba se envolvendo em um assassinato. No julgamento, sua postura inerte que relação a tudo o que o cerca é tão esquadrinhada quanto o crime em si.
Mudando de um polo a outro vem uma dobradinha de filmes de pegada religiosa. Baseado no livro de Zibia Gasparetto psicografando “Lucius”, O Advogado de Deus, de Wagner de Assis, conta com Nicolas Prattes no papel de Daniel, um advogado recém-formado e idealista que não quer seguir o caminho do pai, um político influente e corrupto. Um de seus primeiros casos, porém, vai envolver acontecimentos de encarnações anteriores e uma sede de justiça que extrapola o plano material.
Já o documentário A Voz de Deus, de Miguel Antunes Ramos, acompanha dois pastores mirins que se tornaram fenômenos neopentecostais. Um é Daniel Pentecoste, que inflamava multidões aos 10 anos e hoje, aos 17, tenta se agarrar a restos da velha fama. Seu pai, patrocinador de sua carreira como minipastor, ainda debocha, dizendo que “Jesus vai voltar” antes de o filho reencontrar o sucesso. O outro é João Vitor Ota, de 12 anos, atualmente o pregador infantil mais famoso do país.
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