Com manobra do governo, CPI rejeita relatório contra ministros do STF

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Depois de muita gritaria no STF e movimentação intensa no Planalto, a CPI do Crime Organizado rejeitou por 6 votos a 4 o relatório final apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que pedia o indiciamento de três ministros do Supremo e do procurador-geral da República. Horas antes da votação, uma manobra do Executivo alterou a composição da comissão, com a substituição de três titulares, o que garantiu maioria contrária ao parecer. O relatório apontava indícios de crimes de responsabilidade envolvendo os ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do PGR, Paulo Gonet. Caso aprovado, o texto poderia embasar pedidos de impeachment, a serem analisados pelo Senado em rito próprio. Após a votação, Gilmar Mendes afirmou que CPIs não têm base legal para pedir indiciamento de ministros do Supremo e classificou a iniciativa como “proposta tacanha”. (g1)
Mais cedo, Dias Toffoli afirmou que o relatório configurava abuso de poder e poderia ter consequências na Justiça Eleitoral, incluindo inelegibilidade de seus autores. Segundo ele, o texto apresentado pelo senador Alessandro Vieira seria “completamente infundado” e teria como objetivo obter ganhos políticos. A declaração foi feita durante sessão da Segunda Turma, após críticas de Gilmar Mendes ao relatório. Outros integrantes da Turma também saíram em defesa dos colegas. Kassio Nunes Marques apoiou as críticas ao relatório; Luiz Fux defendeu que o plenário do STF discuta os limites de atuação das CPIs. (Folha)
Já o presidente do STF, Edson Fachin, repudiou a inclusão dos ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli no relatório da CPI do Crime Organizado. Em nota divulgada na noite desta terça-feira, ele afirmou que desvios de finalidade de CPIs enfraquecem a democracia e ameaçam direitos fundamentais. Fachin ainda destacou que a atuação do Legislativo deve respeitar responsabilidade e pertinência, além da autonomia entre os Poderes. (Metrópoles)
No Senado, o relator da CPI, Alessandro Vieira, reagiu às críticas de ministros do STF ao relatório final da comissão e elevou o tom do embate entre Congresso e Judiciário. Ele afirmou que os magistrados “não são donos do país” e disse que não se curvaria a “ameaças” de punição. Vieira afirmou ter sido intimidado pelos magistrados e citou falas de Gilmar e Toffoli sobre eventuais sanções. O senador associou sua atuação à defesa das prerrogativas do Legislativo. (Globo)
Vera Magalhães: “O que a CPI do Crime Organizado promove no seu epílogo é um espetáculo midiático de baixa qualidade para tentar ‘protestar’ contra a blindagem que a impediu de ir a fundo nas investigações do Caso Master”. (Globo)
Flávia Tavares: “A CPI que nasceu para investigar o avanço do Comando Vermelho e do PCC terminou de forma melancólica: com um pedido de indiciamento contra três ministros do Supremo e o Procurador-Geral da República. O relatório final de Alessandro Vieira se tornou um documento sobre a guerra entre Legislativo e Judiciário e como o caso Master se tornou o ‘buraco negro’ que sugou a energia da CPI e declarou seu fim antecipadamente.” A análise completa no Cá Entre Nós. (Meio)
O governo federal encaminhou ao Congresso Nacional uma mensagem informando o envio de um projeto de lei em regime de urgência que prevê o fim da escala 6x1. O conteúdo completo da proposta ainda não foi divulgado. Antes do envio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para alinhar os detalhes da tramitação. Motta vinha defendendo a análise de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema, que já está em discussão na Casa, e chegou a indicar a possibilidade de votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta semana. O governo preferiu o projeto em regime de urgência, que tem tramitação mais rápida e exige menos votos que uma PEC. Com forte apelo popular, a redução tem apoio no Congresso, mas é combatida pelo empresariado. (g1)
Autoridades brasileiras preparam um relatório com informações e documentos para tentar acelerar a deportação do ex-deputado Alexandre Ramagem, preso nesta segunda-feira pelo serviço de imigração dos Estados Unidos. O material será encaminhado ao Enforcement and Removal Operations (ERO), divisão responsável por casos de violação das leis migratórias. A estratégia busca reforçar o pedido brasileiro e agilizar o retorno de Ramagem ao país. Segundo fontes, o governo também tenta se antecipar a possíveis medidas que possam levar à soltura do ex-parlamentar enquanto o processo ainda estiver em curso. (g1)
Mas o desfecho do caso ainda é incerto e depende muito da justificativa formal das autoridades migratórias para a detenção de Ramagem. Há três cenários principais em análise: a eventual retomada do pedido de extradição feito pelo Brasil em dezembro de 2025, a deportação por irregularidade migratória — já que o visto de turista estaria vencido — ou o andamento de um possível pedido de asilo político, ainda sem evolução concreta. (CNN Brasil)
Meio em vídeo. No Conversas com o Meio especial, Pedro Doria entrevista Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD à Presidência da República. Além de apresentar suas propostas, o ex-governador de Goiás critica seu principal concorrente à direita, Flávio Bolsonaro, aponta o que vê como falhas do governo Lula e discute Congresso, corrupção, STF, caso Master e anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro. Não perca, hoje, às 14h, logo após o Central Meio.
No Meio Político desta quarta-feira, exclusivo para assinantes premium, Wilson Gomes mostra como a intolerância e mobilização persecutória, características da direita há menos de uma década, mudaram de lado e hoje são brandidas com sanha justiceira pelo campo progressista. Faça agora uma assinatura premium e receba o Meio Político hoje, às 11h.
O presidente americano Donald Trump afirmou que as negociações de paz entre Estados Unidos e Irã podem ser retomadas nos próximos dois dias em Islamabad, no Paquistão. Segundo ele, há possibilidade concreta de novos avanços diplomáticos no curto prazo, indicando maior disposição de Washington para seguir com as negociações. (Guardian)
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Viver
Um levantamento do Ministério das Mulheres mostra que a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) recebeu mais de 1 milhão de chamados em 2025, com os casos de violência psicológica sendo os mais recorrentes, somando 679.058 registros, ou 49,9% do total, seguida pela violência física (15,3%). Foram 3 mil atendimentos por dia entre pedidos de informação sobre a rede de proteção a mulheres e denúncias diretas de crimes, uma alta de 45% em relação ao ano anterior. A tendência de alta segue no início de 2026, com denúncias de violência subindo 23% no primeiro trimestre, totalizando 45.735 registros. (g1)
Apesar de quase todas as gestantes brasileiras fazerem a primeira consulta pré-natal, uma em cada cinco não segue o ciclo mínimo durante a gravidez, segundo um estudo da Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul. A continuidade no acompanhamento está ligada a populações mais favorecidas, já que o abandono se deve a problemas de acessibilidade e à falta de recursos financeiros das gestantes. A escolaridade também é um dos principais determinantes para a conclusão do pré-natal, sendo que 86,5% das mulheres com ao menos 12 anos de estudo completam o ciclo, ante 44% das que não são escolarizadas. (Folha)
Um homem de 63 anos teve remissão do HIV após receber um transplante de medula óssea do irmão, que tinha a mutação genética CCR5, que tem resistência ao HIV. Denominado “paciente de Oslo”, ele precisou do transplante para tratar uma síndrome mielodisplásica, um tipo de câncer no sangue. O caso estudado no Hospital Universitário de Oslo foi divulgado em artigo na revista científica Nature Microbiology. Os pesquisadores afirmam que o paciente não apresenta sinais de vírus mesmo dois anos após a interrupção da terapia antirretroviral. (Metrópoles)
A Nasa divulgou, nesta terça-feira, imagens inéditas do primeiro contato de funcionários da Nasa com a tripulação da Artemis II, logo após o pouso no Oceano Pacífico, ao retornarem de viagem pela órbita da Lua. (g1)
Cultura
Selton Mello estará no Festival de Cannes como parte do elenco do filme La Perra, da diretora chilena Dominga Sotomayor, selecionado para ser exibido na Quinzena dos Realizadores, uma mostra paralela do festival. O longa é uma coprodução entre Chile e Brasil, com participação de Rodrigo Teixeira, produtor de Ainda Estou Aqui. Além de Selton, o longa conta com Manuela Oyarzún, David Gaete, Paula Luchsinger e Paula Dinamarca. Na trama, uma mulher que vive sozinha em uma ilha no sul do Chile precisa enfrentar seus traumas do passado ao resgatar uma cachorra filhote. (Folha)
O Hall da Fama do Rock and Roll anunciou a inclusão de Luther Vandross, Phil Collins, Oasis, Billy Idol, Iron Maiden, Wu-Tang Clan, Sade, Joy Division e New Order em sua lista de membros. Collins já era membro desde 2010, quando sua banda Genesis foi indicada, mas agora será homenageado por sua carreira solo, que inclui sete singles número 1 na Billboard Hot 100. A cerimônia de indução será realizada em 14 de novembro em Los Angeles. Em 2025, Outkast, White Stripes e Cyndi Lauper estiveram entre os homenageados. (Globo)
Mais conhecida como vocalista da banda Clannad, a cantora e musicista irlandesa Moya Brennan (Spotify) faleceu, aos 73 anos, sem ter a causa revelada. Compositora e harpista de música folclórica celta e irmã da também cantora Enya, Moya gravou cerca de 25 álbuns e vendeu milhões de discos em todo o mundo. O grupo Clannad, formado por membros de sua família, se tornou um dos principais nomes da música tradicional irlandesa, vencendo prêmios como Grammy e BAFTA. Com uma carreira solo de sucesso, Moya colaborou com artistas como Mick Jagger, Paul Young e Bono Vox. Em 2011, ela também recebeu um Emmy pelo documentário Music of Ireland, filmado com a emissora americana PBS. (BBC)
Cotidiano Digital
A Novo Nordisk anunciou uma parceria estratégica com a OpenAI para integrar inteligência artificial em diversas frentes da companhia, abrangendo desde a pesquisa de novas moléculas até a gestão logística e comercial. A fabricante do Ozempic e do Wegovy busca ampliar sua eficiência para sustentar a liderança no mercado de emagrecimento, que enfrenta a concorrência direta da Eli Lilly nos Estados Unidos. Com a estimativa de que o setor movimente US$ 100 bilhões na próxima década, a farmacêutica planeja utilizar a tecnologia para agilizar a análise de dados e o cumprimento de trâmites regulatórios. (Reuters)
A Amazon fechou a aquisição da rede Globalstar por US$ 11,57 bilhões, incorporando as licenças de espectro e ativos da companhia à sua futura constelação de satélites de internet Leo. O acordo também altera a parceria com a Apple, que detinha 20% da Globalstar e agora contará com o suporte da Amazon para manter serviços de emergência em iPhones e Apple Watches. As duas empresas também pretendem colaborar no desenvolvimento de novos recursos de conectividade direta para dispositivos móveis, utilizando a expansão da rede de órbita baixa da Amazon. O movimento aumenta a concorrência com a Starlink. A conclusão do negócio está prevista para 2027, dependendo da aprovação de órgãos reguladores. (The Verge)
Segundo o relatório do Índice de IA da Universidade de Stanford, o avanço tecnológico já superou a capacidade global de medir e gerenciar os impactos da inteligência artificial. O estudo ressalta o elevado custo ambiental dos modelos de ponta, com demandas de energia e água comparáveis às de grandes centros urbanos. Na disputa pela liderança do setor, a China praticamente eliminou a vantagem dos Estados Unidos em desempenho, ao mesmo tempo em que a migração de pesquisadores para o território americano caiu 89% desde 2017. No mercado de trabalho, a substituição de funções iniciais já é realidade, resultando em uma queda de 20% nas vagas para desenvolvedores de software mais jovens. (Meio)
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