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Uma voz contra o colonialismo

Alexandre Bouyer vive o psiquiatra e ativista Frantz Fanon, que lutou contra o colonialismo europeu na África. Foto: Divulgação

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Muito se fala, com razão, da escravidão, mas houve um outro horror, bem mais recente, imposto pelos europeus à África: o colonialismo. Entre as décadas de 1880 e 1990, potências da Europa dividiram e exploraram o continentes africano, tratando seus habitantes, na melhor das hipóteses, como cidadãos de segunda classe. Não faltou quem resistisse, claro. E esse é o tema da principal estreia desta quinta-feira nos cinemas: Fanon, do cineasta martiniquês Jean-Claude Barny. O longa acompanha da trajetória do psiquiatra, filósofo e ativista Franz Fanon (1925-1961), também nascido na Martinica e considerado o pai do nacionalismo africano. Eu sua curta vida, Fanon, vivido no filme por Alexandre Bouyer, atuou como médico na Argélia e militou contra a dominação francesa no país, e seus livros se tornaram inspiração não apenas para os movimentos de descolonização, mas para discussões de identidade e cultura em todo o mundo.

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Uma tocante ação em família. Assim pode ser definido o longa Perto do Sol É Mais Claro, escrito e dirigido por Regis Faria e estrelado por seu pai, o grande Reginaldo Faria, e seu irmão Marcelo, interpretando pai e filho. Regi(naldo) é um escritor de 85 anos que precisa lidar com o luto da viuvez, com as limitações da idade e, principalmente, com a insistência do filho para que seja um “velho normal”. A situação ganha novos contornos quando Regis se envolve com uma atriz na faixa dos 50 anos, vivida por Vanessa Gerbelli, e precisa mostrar para o filho que a vida não tem idade.

Sai o etarismo, entra o capacitismo. Surda, de Eva Libertad García, retrata Ángela (Miriam Garlo), uma deficiente auditiva que dá à luz sua primeira filha, Ona. Os primeiros exames não conseguem concluir se a menina ouve como o pai, Héctor (Álvaro Cervantes), ou se herdou a surdez da mãe. Ángela terá de lidar com a maternidade e as mudanças que ela traz ao casamento, ao mesmo tempo em que pensa na inclusão da filha em uma sociedade que ainda não se adequou às diferenças.

Da surdez real para a metafórica, Eu Não Te Ouço, de Caco Ciocler e Isabella Teixeira, é inspirado em um fato real e nos memes que ele gerou. Durante as vigílias pedindo um golpe de Estado após a derrota de Jair Bolsonaro em 2022, um manifestante se agarrou à frente de um caminhão e foi levado, qual enfeite verde e amarelo, por quilômetros. No filme, Márcio Vito vive tanto o caminhoneiro quanto o “patriota” tresloucado, num road movie em que o para-brisas serve de barreira entre os monólogos dos dois personagens.

Também baseado em uma história real é O Rei da Internet, de Fabrício Bittar. Trata-se da ascensão e queda de Daniel Nascimento (João Guilherme Ávila), o mais prolífico hacker brasileiro, preso pela Polícia Federal em 2005, aos 17 anos, por integrar uma quadrilha que chegou a faturar R$ 1 milhão por mês com crimes cibernéticos. Como acontece com diversos golpistas, ainda mais tão jovens, mergulhou em uma vida de luxo e ostentação de atraiu a atenção das autoridades.

A diva Isabelle Huppert estrela As Pessoas ao Lado, de André Téchiné, como Lucie, uma solitária agente da polícia científica. Sua vida começa a ganhar algum colorido quando uma família se muda para a casa ao lado e, sem conhecer seu trabalho, praticamente a adota, em especial a mãe e a filhinha. O problema é que o pai é um ativista anti-polícia com um histórico de confrontos violentos com autoridades e condenações. Lucie vai se ver cada vez mais dividida entre o afeto e o dever.

Parte documentário, parte ficção e parte metalinguagem, Mambembe, de Fabio Meira parte da tentativa fracassada de rodar em 2010 um filme sobre o encontro de um topógrafo com três mulheres que atuam em um circo pequeno no interior do Nordeste. Meira retoma essa narrativa para discutir a vida dos artistas circenses.

Para quem acha que a programação está muito densa, calma. Os filmes-pipoca também têm sua vez. Jake Gyllenhaal e Henry Cavill vivem dois “especialistas em resgate” (ladrões) em Na Zona Cinzenta, de Guy Ritchie. A dupla é contratada para roubar de volta US$ 1 bilhão roubados por um chefão criminoso protegido por um exército particular em uma ilha do Caribe. Tiros, explosões e muito clichê.

Já no quesito susto, a pedida é Obsessão, escrito e dirigido por Curry Baker. Bear (Michael Johnston) é um típico mané, incapaz de se declarar para a amiga (e paixão) de infância Nikki (Inde Navarrette), até que consegue um “brinquedo mágico” que concede um, e somente um, desejo a seu possuidor. Ele, claro, pede que a moça o ame mais do que qualquer coisa, resultando na obsessão do título e em muito sangue e sobressaltos.

E para a criançada, há duas opções. O Gênio do Crime, de André Felipe Binder, acompanha as aventuras de quatro amigos que fazem as vezes de detetives mirins para desbaratar uma quadrilha que falsifica figurinhas da Copa do Mundo. Realmente, não há limites para a maldade dessa gente.

Já a animação Authentic Games no Império Desconectado, de Bruno Murtinho, surfa na fama do youtuber Marco Túlio, responsável pelo canal Authentic Games. Quando seus amigos são digitalizados e abduzidos pelo ditador do Império Desconectado, ele precisa entrar no sistema para resgatá-los. Pedaços de Tron, Minecraft e Reboot ancorados pelo talento dramático de um youtuber. Enfim…

Confira a programação completa nos cinemas da sua cidade. (AdoroCinema)

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