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Prezadas leitoras, caros leitores —

Estamos em meados de maio e o cenário eleitoral apresenta um caráter dúbio inédito. Ao mesmo tempo em que há uma tremenda instabilidade, com o escândalo do caso Master podendo abalar candidaturas, há também um grau de resiliência e cristalização em torno dos nomes de Lula e Flávio Bolsonaro que parece inabalável. Tentar prever o futuro, atividade não recomendada em qualquer eleição, tornou-se ainda mais arriscado.

Mas buscar aprender com o passado é mandatório. E poucos cientistas políticos têm se dedicado com mais afinco do que Jairo Nicolau, professor e pesquisador do CPDOC da FGV, a essa tarefa. Às vésperas de lançar “O país dividido — Duas décadas de eleições presidenciais no Brasil (2002-2022)”, ele conversou com o Meio sobre os padrões encontrados na extensa pesquisa que fez sobre como os brasileiros votaram nesses últimos 20 anos e as mudanças abruptas nas bases de PT e direita que detectou. O eleitorado está mais velho, mais feminino, mais escolarizado e polarizado. Com a prudência dos acadêmicos de irretocável honestidade intelectual, Nicolau não faz predições sobre 2026, mas ensina que país é esse que se prepara para outubro. A íntegra da conversa estará disponível em vídeo no nosso streaming.

E mais. Adriano Oliveira mostra como as gírias, que fortalecem a identidade de grupo e muitas vezes deixam perdido quem está de fora da comunidade, ganham força com o mundo digital. E Guilherme Werneck nos apresenta aos mais novos trabalhos da atriz e escritora Luísa Micheletti, que está em cartaz em São Paulo com duas peças do canadense Daniel MacIvor, “Comunhão” e “Nada É Suficiente”.

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Os editores.

PF apura se dinheiro de Vorcaro bancou Eduardo nos EUA

Fotos: Reprodução/Redes Sociais e Saul Loeb/AFP

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A Polícia Federal apura se parte dos recursos solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro teria sido usada para custear a permanência do deputado cassado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A investigação busca esclarecer se os valores enviados ao exterior foram efetivamente destinados à produção cinematográfica Dark Horse ou se o projeto serviu como justificativa para transferências financeiras ligadas a outras atividades políticas e jurídicas no exterior. Segundo reportagem do Intercept Brasil, Vorcaro teria repassado cerca de R$ 61 milhões para o filme entre fevereiro e maio de 2025. Um dos documentos citados aponta transferência de US$ 2 milhões para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e ligado a um advogado de Eduardo Bolsonaro. (Globo)

Em entrevista à GloboNews, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou ter usado o dinheiro que pediu a Vorcaro para bancar as despesas pessoais do irmão, mas admitiu ter mentido ao negar relações com o ex-dono do Master, alegando que estava vinculado a uma cláusula de confidencialidade relacionada ao financiamento de Dark Horse. “Eu menti. Eu podia descumprir uma cláusula contratual?”, declarou o senador, ao ser questionado sobre entrevistas anteriores nas quais dizia não ter contato com Vorcaro nem haver ligação da família Bolsonaro com o banqueiro. Flávio insistiu, porém, que sua relação com Vorcaro era “exclusivamente” ligada ao financiamento do filme. (g1)

Apesar de afirmar que sua relação com Daniel Vorcaro se resumia a financiar Dark Horse, Flávio Bolsonaro tentou organizar um encontro entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e o banqueiro do Master para a exibição de um documentário em Brasília. Flávio e o deputado Mario Frias (PL-SP) queriam levar Jair Bolsonaro à casa do banqueiro para assistir ao documentário A Colisão dos Destinos. O encontro acabou não acontecendo. (Intercept Brasil)

Já a Go Up, produtora de Dark Horse negou ter recebido recursos de Vorcaro para financiar Dark Horse. Karina Ferreira da Gama, sócia-executiva da empresa, afirmou que a produção conta apenas com investimentos estrangeiros e que não há qualquer vínculo financeiro com Vorcaro ou empresas ligadas ao banqueiro. Segundo ela, Flávio pode ter buscado apoio privado por iniciativa própria, mas isso não teria resultado em contratos, transferências ou negociações formais. Karina também controla organizações culturais beneficiadas por emendas parlamentares de deputados do PL, entre eles, Mario Frias. Ele é produtor-executivo do longa e também negou que tenha havido repasses financeiros do banqueiro para a produção. (Folha)

A ligação entre Frias e Karina Ferreira anda na mira do STF. O tribunal tenta há mais de um mês intimar o deputado para que ele preste esclarecimentos sobre possíveis irregularidades no uso de emendas parlamentares destinadas ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por ela. A investigação foi aberta após representação da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que pediu apuração sobre repasses de recursos públicos ao que classificou como um “ecossistema” de empresas e organizações ligadas à produção do filme Dark Horse. (g1)

Além disso, a empresa Entre Investimentos e Participações, apontada como intermediadora de pagamentos do Banco Master para o filme, movimentou ao menos R$ 139 milhões para empresas investigadas pela Polícia Federal por suspeitas de lavagem de dinheiro e ligação com esquemas criminosos ligados ao PCC e à máfia italiana. (Globo)

E o diretor americano Oliver Stone negou que seu documentário Lula tenha recebido qualquer recurso de Daniel Vorcaro, em resposta a movimentações de aliados bolsonaristas que tentavam associar o ex-banqueiro também a produções ligadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (Folha)

Uma curiosidade. O valor que teria sido solicitado por Flávio Bolsonaro a Vorcaro para financiar Dark Horse coloca a produção entre os projetos cinematográficos mais caros já associados ao mercado brasileiro. É muito até para padrões internacionais. Com US$ 24 milhões, seria possível financiar diversos vencedores recentes do Oscar de melhor filme, incluindo produções independentes como Parasita, Moonlight e Anora. (InfoMoney)

Fora do circuito policial-financeiro-cinematográfico, o pedido de Flávio a Vorcaro segue movimentando o meio político. Nesta quinta-feira, o presidente Lula se manifestou pela primeira vez sobre o caso. “Eu não vou comentar. É um caso de polícia, não é meu. Eu não sou policial, eu não sou procurador-geral. O meu caso é tratar do povo brasileiro, tratar da Petrobras e tratar do emprego”, disse Lula. (g1)

Embora o comando de campanha de Flávio Bolsonaro procure passar a ideia de normalidade, Guilherme Amado conta que parte do Centrão considera a candidatura do senador enterrada e já trabalha com a hipótese de lançar a senadora Tereza Cristina (PP-MS) à Presidência, tendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) como vice. (Amado Mundo)

Outro grupo irritado com o áudio de Flávio e Vorcaro é formado por pastores de grande atuação política. Em grupos de WhatsApp, o clima é de revolta, e já se fala em migrar o apoio para Ronaldo Caiado (PSD) ou Romeu Zema (Novo), embora este desperte menos entusiasmo. (Folha)

Para completar, a Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, em mais uma fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes e esquemas de proteção ligados ao Banco Master. A prisão foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo a investigação, Henrique era apontado como um dos beneficiários de recursos movimentados pelo filho, que teria realizado depósitos diretamente em suas contas bancárias. Além de Henrique Vorcaro, um agente da Polícia Federal também foi preso. Entre os alvos das buscas estão ainda um delegado e um agente aposentado da corporação. (CNN Brasil)

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Cinema é a maior lavação

Marcelo Martinez

Donald Trump encerrou nesta madrugada sua visita-relâmpago à China sem levar na bagagem qualquer acordo sobre os temas-chaves, como a situação de Taiwan e a guerra no Irã. O presidente dos Estados Unidos afirmou que “muitos problemas” foram resolvidos e que diversos acordos comerciais foram fechados, mas os números mostram que, com a China mais autossuficiente, o volume de negócios foi bem menor que na visita anterior, em 2017. (CNN)

Esses dias o noticiário está chegando em alta velocidade: muita informação, muitas versões, declarações, muitos prints para dar conta. O Meio existe para combater a cegueira informacional: ligar os pontos, dar contexto, mostrar o que está em jogo. Sem partidarismo ou cabo de guerra. Se isso é o que você procura, o próximo passo é simples. Assine o Meio Premium e tenha acesso à nossa produção completa em áudio, texto e vídeo.

Viver

O desmatamento na Mata Atlântica registrou queda de 28% em 2025 ante o mesmo período do ano anterior, passando de 53.303 hectares de áreas derrubadas, para 38.385. Esse é o menor nível da série histórica iniciada em 2022 pelo Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica, desenvolvido pela Fundação SOS Mata Atlântica, MapBiomas e Arcplan. Houve uma redução da destruição em 11 dos 17 estados do bioma, com destaque para Bahia e Piauí, embora ambos ainda estejam entre os maiores responsáveis pela perda florestal em 2025. Outro relatório apresentou uma melhora mais expressiva em florestas maduras, com redução de 40% no desflorestamento. (DW)

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Menos de 40% dos livros em braile prometidos pelo Ministério da Educação (MEC) para este ano chegaram às escolas até agora. O material deveria ter sido distribuído para os 4.591 estudantes cegos ou surdo-cegos que estão na rede pública de ensino, mas o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) afirma que os volumes terminarão de ser distribuídos apenas em junho, ou seja, no final do primeiro semestre letivo. Segundo o FNDE, até o momento foram entregues nas escolas 7.354 dos 19.373 livros previstos. A falta de acesso a obras em braille prejudica o desenvolvimento cognitivo de crianças com deficiência visual. (g1)

De grãos de pólen presos em flores a fibras de lignina que se assemelham a dunas vistas do alto, a sexta edição do Evident Image of the Year premiou as principais fotos microscópicas enviadas por pesquisadores de 34 países. Organizado pela Evident, o evento seleciona as melhores imagens com base em critérios como impacto científico, domínio técnico e força estética. A vencedora global da edição foi a pesquisadora britânica Katie Holden, com o retrato de neurosferas, agrupamentos de células desenvolvidas em laboratório a partir de células-tronco pluripotentes, cuja estrutura azulada lembra uma galáxia. (Um Só Planeta)

Cultura


Expoente do neo-concretismo, o escultor, desenhista, artista gráfico e cenógrafo carioca Waltercio Caldas é o destaque do fim de semana cultural no Rio, com exposição que reúne cerca de cem obras produzidas a partir de 1967, e fica em cartaz até 27 de setembro na Casa Roberto Marinho. Celebrando dez anos do RATO, Chelpa Ferro e Fausto Fawcett apresentam pela primeira vez no Rio o show do álbum Pesadelo Ambicioso. Em São Paulo, acontece até domingo a segunda edição do Festival Poesia no Centro com mais de cem nomes, entre poetas, artistas e mediadores ocupando o Cultura Artística. E tem peça de Samuel Beckett, com Marco Nanini no elenco, no Sesc Pinheiros. Leia todas as sugestões no site do Meio.

O ator Selton Mello segue em produções internacionais, se juntando a Britt Lower, estrela da série Ruptura, e Inga Ibsdotter Lilleaas, de Valor Sentimental, no elenco de Zero K, próximo longa de Michael Almereyda que está sendo produzido em São Paulo. Baseado no romance homônimo de Don DeLillo, o filme apresenta um bilionário da tecnologia que prepara sua esposa moribunda para a criopreservação em uma avançada instalação médica, enquanto seu filho distante busca estabilidade com uma mulher que cria um filho pequeno. O longa também conta com produção do brasileiro Rodrigo Teixeira, o mesmo de Ainda Estou Aqui. (Deadline)

A produtora Ashé Ventures, da atriz Viola Davis, fechou um acordo com a editora Todavia para apoiar diversos livros de raiz afro-brasileira para alavancar essa literatura dentro e fora do Brasil. A participação da Ashé será moldada de acordo com cada livro, podendo ter desde prefácios de Davis a grandes eventos de lançamento ou mesmo adaptações extraliterárias. O intuito também é facilitar a entrada da literatura afro-brasileira nos Estados Unidos, impulsionando novas edições e traduções. O primeiro projeto da parceria será o romance Velha Guarda, da paulistana Lilia Guerra, que deve ser lançado em julho. (Folha)

Cotidiano Digital

A OpenAI está avaliando entrar com uma ação judicial contra a Apple por conta da insatisfação com os resultados da integração do ChatGPT aos sistemas operacionais do iPhone. Segundo apurações, a startup contratou um escritório de advocacia para analisar uma possível quebra de contrato, alegando que a visibilidade e o número de novos assinantes ficaram muito abaixo do esperado. A empresa reclama que os recursos de inteligência artificial foram escondidos dentro da Siri e que a fabricante não cumpriu as promessas de destaque no ecossistema móvel. Não seria a primeira vez que a Apple frustra aliados e por isso mantém fama de parceira difícil que costuma descartar aliados quando eles se tornam competitivos demais, como ocorreu no passado com o Google Maps e o Flash da Adobe. (Bloomberg)

O Instagram anunciou nesta quinta-feira que enviará alertas para os pais e responsáveis quando adolescentes realizarem buscas repetidas por termos ligados a suicídio e automutilação na plataforma. O recurso estará disponível para contas que utilizam a ferramenta de supervisão parental e deve chegar ao Brasil já na próxima semana, acompanhando o lançamento na Índia e na União Europeia. A Meta explicou que o sistema bloqueia esse tipo de pesquisa e direciona o jovem para canais de apoio especializados, enquanto as notificações chegam aos responsáveis via e-mail ou mensagens. Essa funcionalidade já funciona em países como Estados Unidos e Canadá. (g1)

Meio em vídeo. No Pedro+Cora (ou Luiza e Cora, desta vez), as jornalistas Cora Rónai e Luiza Silvestrini abrem um papo sobre como educar as inteligências artificiais e lidar com suas questões éticas. Na conversa, ainda falam sobre a relação dos filmes de ficção científica com a IA, os impactos da tecnologia na eleição de 2026 e o que o futuro promete para o comportamento desses modelos de linguagem. Não perca. (YouTube)

O filme que Daniel Vorcaro está pagando para defender Jair Bolsonaro chocou o Brasil. Vale lembrar que tem outro filme, lançado faz pouco tempo, sobre exatamente o mesmo personagem — só que do outro lado da história. É o filme do Meio que reconstitui como a Polícia Federal investigou a tentativa de golpe de Estado: Democracia: Uma História Sem Fim, episódio O Julgamento do Século. Não é opinião. É reportagem em vídeo, com fontes, com documentos, com as cenas que decidiram o caso. O que tudo isso diz sobre o país que vai às urnas em 2026? Descubra no streaming do Meio.

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