Prezadas leitoras, caros leitores —
Começa hoje mais uma semana política, e até outubro virão muitas iguais a esta.
Hoje, às 17h, no YouTube, Creomar de Souza — cientista político, sócio da Dharma, colunista do Meio Político — abre ao vivo a aula inaugural do curso Desvendando Brasília. Uma hora com ele respondendo, em tempo real e sem edição, às perguntas que mais se repetiram entre os quase 400 leitores que escreveram para a gente: a terceira via existe? O Centrão devolve o orçamento? Como separar ruído de risco real?
É aberta, gratuita. Não precisa ter comprado nada. Basta aparecer.
Depois da aula, a decisão é sua. As inscrições no curso completo encerram na quarta, 27 de maio. Mas isso é depois. Hoje, às 17h, é o convite.
Os editores.
EUA dão sinais dúbios sobre acordo de paz com o Irã

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Após três meses de uma guerra que duraria “poucas semanas”, os Estados Unidos estão a um passo de fechar um acordo de paz com o Irã. Ou não, dependendo da hora em que se fala com as autoridades americanas. Ao longo do fim de semana, o presidente Donald Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, deram sinais dúbios sobre as negociações. No sábado, Trump publicou em sua rede Truth Social que um acordo preliminar estava “em grande parte acertado”, mas moderou o tom no domingo, orientando seus negociadores a “não fazerem um acordo na pressa” e gabou-se de “nunca ter feito um negócio ruim”. Já Rubio disse no domingo que Trump daria “boas notícias” ao longo do dia, mas depois jogou o anúncio para hoje. A Casa Branca tem pressa em reabrir o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção mundial de petróleo e cujo fechamento vem impactando os preços nos EUA. Trump também quer que o Irã entregue seu suprimento de urânio enriquecido, que pode ser usado para fabricar armas nucleares, mas Teerã diz que esse ponto só deve ser discutido em 30 ou 60 dias. Rubio admitiu o impasse, dizendo que “não se escreve um ‘lance’ nuclear em 72 horas num guardanapo”. (New York Times)
Os detalhes do provável acordo ainda não foram divulgados, mas Trump já enfrenta críticas dentro do próprio Partido Republicano. Congressistas da ala mais conservadora do partido e que apoiaram o conflito iniciado por EUA e Israel dizem que Trump está “cometendo um grande erro”. Já o presidente conclamou a população a não “ouvir fracassados que criticam algo que não conhecem”. (Guardian)
Quem também não está feliz é o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a despeito de Trump ter lhe telefonado para garantir que o Irã irá se desfazer do material nuclear. O premiê respondeu que seu país se reserva o direito de reagir a ameaças “em todas as frentes”, incluindo o Líbano. A relação entre os dois ficou tensa nas últimas semanas, com Netanyahu insistindo para que os ataques ao Irã fossem retomados. (Times of Israel)
Enquanto isso... Um homem foi morto no sábado do lado de fora da Casa Branca após trocar tiros com agentes do serviço secreto. De acordo com as autoridades, Nasire Best, de 21 anos, sacou uma arma da mochila e disparou contra os agentes. Na confusão, um transeunte foi ferido por uma bala perdida. Best, que já tinha passagem pela polícia por invasão, apresentava distúrbios de comportamento, isolando-se de amigos e afirmando ser Jesus. (Washington Post)
Uma das principais bandeiras eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o fim da escala de trabalho 6x1 deve ser votado pelos deputados nesta semana. Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), vão se reunir hoje para discutir o impasse sobre outro ponto da PEC que está travando o tema: a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. O governo gostaria que essa mudança entrasse em vigor imediatamente, mas admite uma transição de até dois anos, enquanto a oposição, com apoio de empresários, quer um prazo de até dez anos. O relator da PEC, Leo Prates (Republicanos-BA), e os ministros do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e das Relações Institucionais, José Guimarães, também devem participar do encontro. (CNN Brasil)
A relação com Daniel Vorcaro abalou a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas não atingiu seu eleitorado mais fiel, segundo a última pesquisa Datafolha. De acordo com os dados, divulgados na sexta-feira, o candidato do PL caiu de um empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) (ambos com 45%) para uma desvantagem de quatro pontos, 47% a 43% em favor do petista. Por outro lado, 88% dos eleitores declarados de Flávio Bolsonaro defendem que o senador mantenha sua candidatura, mesmo diante do escândalo. (Folha)
Mariliz Pereira Jorge: “Esse efeito imediato captado pelo Datafolha era mais do que esperado. Acontece que ainda faltam meses para as eleições. Um erro recorrente da análise política no Brasil é tratar o eleitor bolsonarista como racional. Estamos falando de um eleitorado do qual grande parte defendeu o uso de cloroquina na pandemia”. Confira na coluna De Tédio a Gente Não Morre. (Meio)
A madrasta
Spacca

O bolsonarismo também teve boas notícias na sexta-feira. A Suprema Corte de Cassações, última instância da Justiça italiana, negou a extradição da ex-deputada Carla Zambelli e determinou sua libertação, que aconteceu em seguida. O processo, porém, ainda será examinado pelo ministro da Justiça italiano. Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por invadir, com a ajuda de um hacker, os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e fugiu para a Itália, na qual também tem cidadania. A ex-deputada estava presa no país europeu desde julho do ano passado, e sua extradição havia sido autorizada por todas as instâncias inferiores da Justiça italiana. (g1)
Com autorização de tribunal da Flórida, advogados das empresas Rumble e Trump Media notificaram por e-mail no domingo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes em um processo sobre violação da liberdade de expressão. Segundo o documento, o ministro tem 21 dias para apresentar sua defesa e não ser julgado à revelia. Em fevereiro de 2025, Moraes suspendeu o acesso à plataforma Rumble no Brasil após a empresa desobedecer a uma ordem para retirar do ar, inclusive nos EUA, perfis que atacavam a democracia. As companhias alegam que a ordem viola a Primeira Emenda da Constituição americana, que garante liberdade de expressão plena. (Poder360)
Viver
A China lançou no domingo a missão Shenzhou-23, uma etapa importante para a ambição de enviar humanos à Lua até 2030. O foguete levará a espaçonave Shnezhou e seus três tripulantes para a estação espacial Tiangong, Palácio Celestial em chinês, onde um deles permanecerá por um ano inteiro. A experiência permitirá estudos sobre os efeitos da microgravidade prolongada, essenciais para potenciais missões futuras à Lua ou Marte. (g1)
E a SpaceX realizou com sucesso o 12º voo de teste do Starship a partir de sua base em Boca Chica, no Texas, estreando a versão V3 do megafoguete. O modelo é o mais potente já construído pela empresa e peça fundamental para os planos da Nasa de levar astronautas de volta à Lua pelo programa Artemis. Durante a missão suborbital não tripulada, a espaçonave principal enfrentou problemas em um dos motores. Apesar das dificuldades o teste foi um avanço importante no desenvolvimento do sistema de transporte espacial totalmente reaproveitável de Elon Musk. (New York Times)
Uma equipe de físicos confirmou a existência do “tempo negativo”, um dos fenômenos mais estranhos da mecânica quântica, que é estudo há um século. O experimento publicado na revista científica Physical Review Letters analisou o comportamento de fótons atravessando uma nuvem de átomos. As partículas de luz pareciam sair do material antes mesmo de entrar completamente na nuvem. O resultado chamou a atenção porque o intervalo calculado deu negativo em parte das medições. Apesar de surpreendente e intrigante, os cientistas esclarecem que o estudo não representa uma quebra das leis da física, tampouco prova viagens temporais. (UOL)
Pesquisadores descobriram uma das razões para que a Grande Pirâmide de Gizé, no Egito, fosse tão resistente ao tempo. A estrutura foi projetada e erguida com características que a ajudaram a resistir aos terremotos desde sua construção, há cerca de 4.600 anos. Avaliando a dinâmica estrutural com sismômetros, os cientistas concluíram que a pirâmide apresentou uma resposta estrutural homogênea e estável a vibrações, apesar de seu tamanho. Isso ajuda a entender como terremotos como o de 1992 causaram danos severos a milhares de edifícios, matando mais de 560 pessoas, enquanto a pirâmide sofreu danos mínimos. (Folha)
Cultura
O diretor romeno Cristian Mungiu conquistou sua segunda Palma de Ouro no Festival de Cannes com Fijor, estrelado por Sebastian Stan e Renate Reinsve. O filme conta a história de uma família romena de evangélicos envolvida em um caso de abuso infantil em conflito com o sistema social norueguês. O prêmio de Melhor Diretor foi dividido entre o polonês Pawel Pawlikowski por Fatherland e os espanhóis Javier Calvo e Javier Ambrossi por La Bola Negra. Os dois prêmios de atuação foram para pares de coestrelas. Virginie Efira e Tao Okamoto dividiram o prêmio de Melhor Atriz por sua atuação em All of a Sudden, de Ryusuke Hamaguchi. Já o troféu de Melhor Ator foi para Valentin Campagne e Emmanuel Macchia por sua atuação em Coward, do belga Lukas Dhont. (Variety)
Segunda mostra mais prestigiada do festival, Un Certain Regard escolheu Everytime, de Sandra Wollner, como o grande vencedor desta edição. O Prêmio do Júri foi para Elephants in the Fog, de Abinash Bikram Shah, enquanto Iron Boy, dirigido por Louis Clichy, recebeu o Prêmio Especial do Júri. (Variety)
Longa da diretora Pegah Ahangarani sobre décadas de repressão política no Irã, Rehearsals for a Revolution ganhou o prêmio principal de documentários em Cannes. O filme foi escolhido entre outros 20 exibidos em mostras paralelas do evento. (Deadline)
O rapper canadense Drake fez história ao conquistar simultaneamente as três primeiras posições da Billboard 200 com os seus novos álbuns ICEMAN, HABIBTI e MAID OF HONOUR. Esta é a primeira vez que um artista ocupa o pódio completo da Billboard 200 desde o início de sua publicação, em março de 1956. ICEMAN também rendeu a Drake o seu 15º álbum número 1 na Billboard 200, ultrapassando Jay-Z como o artista solo masculino e de R&B/hip-hop com mais álbuns na primeira posição. (Billboard)
Clássica franquia criada por Mario Puzo e eternizada nos cinemas por Francis Ford Coppola, O Poderoso Chefão vai ganhar uma nova sequência, dessa vez centrada em Connie Corleone, filha de Dom Vito interpretada por Talia Shire na trilogia original. O filme será inspirado no livro Connie, da escritora ítalo-americana Adriana Trigiani, previsto para chegar às livrarias apenas em 2027. A produção não deve contar com a participação de Coppola, já que um representante do diretor afirmou que é “improvável” seu retorno à franquia. (Rolling Stone)
Cotidiano Digital
A Meta lançou discretamente o Forum, novo aplicativo independente para grupos do Facebook, similar à lógica do Reddit, que reforça a aposta em comunidades digitais. O app reúne grupos, perfis e atividades da rede social em um ambiente separado, onde usuários podem publicar com apelidos e acompanhar discussões mais aprofundadas dentro de comunidades. A plataforma também traz uma aba de perguntas com inteligência artificial, que compila respostas a partir de debates entre grupos, além de ferramentas de moderação automatizada para administradores. O lançamento ocorre próximo da novidade do Instants, outro aplicativo recente da companhia, e integra a estratégia mais ampla de Mark Zuckerberg de expandir o número de produtos próprios similares ao de concorrentes. (TechCrunch)
Criadores de conteúdo estão adulterando os próprios óculos inteligentes para fazer pegadinhas com desconhecidos sem consentimento, acendendo um alerta sobre exposição indevida nas redes. Esses aparelhos são óculos com lentes de grau ou de sol que trazem câmeras, microfones e alto falantes embutidos, permitindo gravar vídeos, fazer fotos e atender ligações sem precisar tirar o celular do bolso. De maneira pouco ética, esses usuários estão danificando as luzes de led que indicam o processo de gravação para que as vítimas não percebam que estão sendo filmadas. (g1)
Para ler com calma. Na semana passada, o Google apresentou uma nova leva de agentes de inteligência artificial durante sua conferência anual de desenvolvedores, o que ampliou a disputa com a OpenAI e a Anthropic. As ferramentas serão integradas tanto ao Gemini quanto ao mecanismo de busca da empresa e prometem executar tarefas de forma autônoma. Mas essa ofensiva também reforça a percepção de que o Google ganhou terreno na corrida da IA generativa e também expõe o aumento dos custos da tecnologia. Segundo a empresa, o consumo mensal de tokens já multiplicou por quase sete em um ano, enquanto os gastos de capital devem chegar a US$ 190 bilhões em 2026. (Economist)

Na última Edição de Sábado, os bastidores da semana mais cambaleante de Flávio Bolsonaro até aqui e o que vem a seguir, por Giullia Chechia. Flávia Tavares reflete sobre o cancelamento do Late Show e o que ele revela sobre a liberdade de expressão nos Estados Unidos de Trump. E Guilherme Werneck entrevista o pianista pernambucano Vitor Araújo sobre Toró, seu novo disco-filme com a Metropole Orkest. Três textos que mudam como você lê política, comportamento e cultura. Só para quem é Meio Premium. Leia agora.


