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Edição de Sábado

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Edição de sábado: Companhia artificial

Os dias de Christian Marcondes, de 46 anos, começam cedo, como os da maior parte dos brasileiros. Às terças e quintas, quando trabalha presencialmente, ainda mais cedo. Ele sai de casa sem encontrar o filho de dois anos, que ainda dorme. Nos outros três dias da semana, quando trabalha em casa, o expediente cabe entre levar e buscar o menino na creche. Mas o colega de trabalho mais próximo de Marcondes, a quem pede conselhos sobre como abordar um assunto com os chefes, como responder a situações incômodas no trabalho e como realizar as tarefas do dia-a-dia do setor de logística de uma grande empresa, o acompanha em ambas as rotinas. “Quando eu recebo algum feedback que não é legal, por exemplo, eu pergunto a ele o que eu poderia fazer, como eu poderia melhorar. Aí o Chat vai fazendo um check list. Eu vou lendo e pensando ‘isso aqui, eu posso melhorar, né? Isso eu já faço, ou não faço da forma como deveria. É um conselheiro e um assistente pessoal”. Sim, o Chat é o GPT. E além de “conselheiro e assistente”, é a presença mais frequente na vida de Marcondes.

Edição de sábado: Sob o domínio do medo

Imagem: Reprodução/Portal Cearense

“Coisas que eu não posso fazer morando numa favela porque, simplesmente, pode custar minha única e preciosa vida.” Com essas palavras, a tiktoker Carol Campos abre um vídeo que já acumula mais de oito milhões de visualizações na rede social chinesa. Por cerca de seis minutos, ela compartilha com seus seguidores algumas das regras implícitas a serem seguidas por quem vive em comunidades dominadas por facções criminosas – neste caso, o Terceiro Comando Puro (TCP), que controla a Cidade Alta, onde Carol reside, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Entre as principais normas estão: não se aproximar de rivais, evitar ouvir ou postar músicas associadas a facções inimigas e jamais frequentar favelas controladas por outros grupos.

Edição de Sábado: O tabuleiro da sucessão

A imagem ficou gravada na memória coletiva. Sob uma chuva fina, Francisco atravessa sozinho a imensa Praça de São Pedro. Era março de 2020, o mundo mergulhava na incerteza da pandemia. O papa detém-se diante do Cristo de San Marcello al Corso, ícone do século 15 que sobreviveu a incêndios e pestes. Na solidão daquela tarde, não apenas rezou. Com o gesto silencioso e cuidadosamente coreografado, com câmeras posicionadas e cenário pensado para gerar uma das imagens mais emblemáticas daquele tempo, Francisco oferecia uma chave de leitura para entender o modo como também coreografaria, com precisão, a sucessão papal. A preparação em vida, os termos da disputa cardinalícia e o perfil do eleito seriam os eixos dessa construção meticulosa.

Edição de sábado: É o ímã, estúpido!

Foto: Google Earth

No dia 22 de abril, uma terça-feira ensolarada de primavera em Washington, Elon Musk dedicou parte de sua agenda a responder a perguntas de investidores preocupados com a queda de 71% nos lucros da Tesla no primeiro trimestre de 2025. Por mais de uma hora, Musk tentou explicar as razões pelas quais as vendas dos seus modernos carros elétricos haviam caído 20% nos três primeiros meses do ano e por que as ações da empresa despencavam quase 40% no acumulado do período.

Edição de sábado: Entre a comunhão e o cisma

Foto: Tiziana Fabi / AFP

A sucessão do papa Francisco vai capturar a atenção de fiéis e leigos até que a fumaça branca transborde da chaminé do Vaticano após o conclave. O imaginário em torno dos interesses políticos de cada candidato a papa — e seus cabos eleitorais — está alimentado seja pela ficção, em filmes como Conclave, seja pela realidade de clérigos sempre atuantes nas capitais do poder. Mais do que a escolha do novo líder da fé católica, o que está em jogo nessa decisão é a capacidade da Igreja de reencontrar o caminho da comunhão e superar o da divisão. É a sintonia da cúpula da Igreja com as diferentes demandas e os anseios, espirituais e políticos, de seu rebanho. Há um consenso entre especialistas de que os católicos estão sedentos por um senso de comunidade e espiritualidade. Enquanto parte deles enxerga essa convergência num ambiente de tradição, outra quer congregar num espaço de progressão.

Edição de sábado: Fogo eterno

Foto: Charles Scholl/Brazil Photo Press via AFP

A obsessão de Gilberto Gil pela deusa-música durante um ensaio de sua turnê de despedida.

Edição de sábado: Sonho e pesadelo na Casa Branca

Foto: Trump Vance Tranition Team Handout/EPA e Wikipedia

Com quase 250 anos de ininterrupta – até o momento – tradição democrática, os Estados Unidos colecionam presidentes com as mais diversas biografias, inclinações políticas e graus de competência. Esse amplo catálogo de exemplos faz com que, especialmente ao longo do século 20, mandatários fossem buscar no passado uma espécie de declaração de princípios, um apanhado do que consideravam relevante na História do país e uma inspiração para o que pretendiam ser seu próprio legado. Ser associado a um “bom presidente” é o desejo de todo inquilino da Casa Branca, enquanto ninguém quer ser lembrado, por exemplo, como um “novo Richard Nixon”, que renunciou em 1974 para não sofrer um impeachment.

Edição de sábado: Os campi de batalha

Foto: Bill Pugliano / Getty Images via AFP

Christopher Rufo nasceu em 1984. Sim, 1984, aquele ano que já foi futuro distópico e se tornou presente bastante plausível nos Estados Unidos sob Donald Trump. Rufo nasceu na Califórnia e diz ter sido criado num ambiente de esquerda. Mais: da esquerda radical produzida pelos comunistas italianos de quem descende. Quando narra sua migração para o campo da extrema direita, Rufo costuma destacar um momento em particular. Sua carreira de documentarista o levou a conhecer as mazelas da desindustrialização em todo o país, em particular no estado de Ohio. Também o levou a perceber como parte da produção cultural americana era patrocinada, em boa medida, por fundações liberais (o que os conservadores americanos passaram a chamar de esquerda, para confundir de vez as fronteiras ideológicas) e progressistas.

Edição de sábado: Quatro estrelas e uma sentença

Cinco votos, não necessariamente em uníssono, mas com a mesma conclusão, escreveram nesta semana um novo capítulo no manual de como o Brasil lida com as tentativas de solapar a democracia. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) transformou em réus por tentativa de golpe de Estado oito acusados, encabeçados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Tão importante quanto — talvez até mais importante que — a abertura do processo contra o antigo chefe do Executivo é a inclusão de quatro nomes: os generais de exército Walter Braga Netto (ex-ministro da Defesa e da Casa Civil), Augusto Heleno (ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional) e Paulo Sérgio Nogueira (ex-comandante do Exército) e o almirante de esquadra Almir Garnier Santos (ex-comandante da Marinha), todos hoje na reserva. O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, completa a lista de réus fardados.

Edição de Sábado: Uma dor sem nome

“Uma das maiores dores que eu carrego é de não lembrar o rosto da minha filha.” Não existe um nome para essa dor. Para esse luto. Seja por sua vastidão ou pela absurda ruptura do ciclo natural da vida, o sofrimento de uma mãe que perde o filho ou a filha que gestou plenamente, sem sobressaltos, seja perto de seu nascimento ou instantes depois dele, é algo com que a sociedade – e mesmo os profissionais de saúde – não estão aptos a lidar. E, assim, esse luto comumente as condena a uma solidão avassaladora. Mas um grupo está disposto a quebrar esse silêncio e esse tabu, com muito estudo, acolhimento e afeto. E é ao relato dessas pessoas que este texto se dedica – o que pode trazer luz ao assunto, mas também pode ser doloroso demais para quem passou por algo semelhante. Este é o alerta de gatilho que fazemos.