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MP enfrenta ataque bolsonarista à responsabilidade fiscal

Aprovada com apoio quase unânime no Senado – só José Serra (PSDB-SP) votou contra —, a PEC que aumenta o Auxílio Brasil e institui ajuda a caminhoneiros e taxistas pode parar no Tribunal de Contas da União (TCU), como conta Guilherme Amado. O Ministério Público pediu que a Corte impeça o governo de furar o teto de gastos, condição necessária para que gaste R$ 41,25 bilhões a três meses das eleições. Apelidada de “PEC das bondades”, o projeto torna letra morta ainda as leis eleitoral e de responsabilidade fiscal. E não é só o MP que é contra. A Confederação Nacional de Municípios (CNM) promete levar hoje mais de mil prefeitos ao Congresso para protestar contra a PEC e contra medidas do governo que reduzem receitas e aumentam despesas municipais. (Metrópoles)

Governo quer CPI do MEC só depois da eleição

Após perder a batalha para impedir que a CPI do MEC recebesse o número necessário de assinaturas no Senado, o governo tem duas novas estratégias para tentar conter o dano potencial à campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) à reeleição. A primeira é jogar o início dos trabalhos para depois das eleições de outubro. A outra envolve uma queda de braço com a oposição para atrair o PSD, segunda maior bancada da Casa e um dos protagonistas na CPI da Pandemia. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), promete decidir sobre a instalação da comissão após a reunião de líderes, marcada para amanhã. (Folha)

Com 1 voto contra, Senado aprova estado de emergência bolsonarista

O Senado aprovou nesta quinta-feira, por 67 votos a 1, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia programas sociais e cria benefícios para caminhoneiros e taxistas. O texto segue para votação na Câmara. O único voto contrário foi o do senador José Serra (PSDB-SP). Embora a lei eleitoral proíba a criação de benefícios sociais em ano de eleições, a PEC contorna essa regra ao reconhecer o estado de emergência, medida também aprovada ontem. Dessa forma, toda a despesa será viabilizada por meio de créditos extraordinários, fora do teto de gastos. Na proposta, o Auxílio Brasil passará de R$ 400 para R$ 600, e o vale-gás de R$ 53 para R$ 120. Já o novo benefício para caminhoneiros e taxistas prevê R$ 1.000 por mês, movimento criado para fazer frente à alta nos preços dos combustíveis, um dos principais entraves para o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), que tenta a reeleição este ano. (g1)

Presidente da Caixa cai por assédio a mulheres

Um dia depois de o colunista Rodrigo Rangel revelar que o presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Pedro Guimarães, era investigado por denúncias de assédio sexual a funcionárias, o Palácio do Planalto anunciou ontem sua substituição por Daniella Marques, secretária de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia e tida como ‘braço direito’ do ministro Paulo Guedes. A demissão não foi tão sumária quando queria a ala política do governo, preocupada com o impacto das denúncias na campanha eleitoral. Guimarães, que estava à frente do banco desde 2019 e era um dos colaboradores mais próximos de Jair Bolsonaro, chegou a se reunir duas vezes com o presidente, na noite de terça-feira, quando a denúncia se tornou pública, e na manhã de ontem. À tarde, ele entregou sua carta de demissão, negando as acusações. (Metrópoles)

Governo gasta alto para impedir CPI do MEC

Com quatro assinaturas a mais que as 27 exigidas, a oposição protocolou ontem no Senado o pedido de criação de uma CPI para investigar denúncias de corrupção e tráfico de influência no MEC durante a gestão do ex-ministro Milton Ribeiro. A reação do Planalto não demorou e veio em duas frentes. De um lado, o líder do governo, Carlos Portinho (PL-RJ), ameaça recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), caso do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), instale a CPI, alegando que há outros pedidos na fila e que a ordem cronológica deve ser respeitada. De outro, o governo vem acelerando a liberação de verbas via “orçamento secreto” para esvaziar a comissão. Desde a prisão de Ribeiro, no último dia 22, já foram liberados R$ 3,2 bilhões, cerca de 20% do total previsto para este ano. (Globo)

Bolsonaro muda regras para se blindar da Justiça Eleitoral

Pressionado de um lado pela desvantagem nas pesquisas e de outro pela proibição legal à criação de programas de auxílio financeiro em ano eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro (PL) reagiu ontem com um decreto que amplia os poderes da Advocacia-Geral da União (AGU) e, segundo especialistas, busca blindá-lo contra ações no TSE. Pelo texto, a AGU, ora ocupada por Bruno Bianco, passa a dar previamente parecer sobre a constitucionalidade de medidas de âmbito eleitoral no último ano do mandato, em vez de opinar quando provocada por uma ação na Justiça. O governo estuda decretar estado de calamidade para conceder um “auxílio-caminhoneiro” mensal de R$ 1 mil reais à categoria, proibido em condições normais pela Lei Eleitoral. O aval prévio da AGU serviria para dar mais respaldo jurídico às medidas quando estas fossem contestadas no TSE. (Estadão)

Ministro da Justiça nega vazar para Bolsonaro ação da PF contra Ribeiro

O ministro da Justiça, Anderson Torres, negou ontem ter repassado ao presidente Jair Bolsonaro informações sobre as investigações que levaram à prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro. Em escuta telefônica feita pela Polícia Federal no último dia 9, Ribeiro disse à filha que Bolsonaro lhe telefonara dizendo “ter um pressentimento” de que fariam uma “busca e apreensão” (ouça a gravação). Naquele dia, Torres, a quem a PF é subordinada, estava com o presidente nos EUA. (g1)

Delegado denuncia interferência no caso de Ribeiro

Responsável pelo inquérito que levou à prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, o delegado da Polícia Federal Bruno Callandrini denunciou ontem, em mensagem a colegas, “interferência na condução das investigações”. Segundo ele, Ribeiro, preso em Santos (SP), deveria ter sido transferido para a sede da PF em Brasília. A defesa tentou mantê-lo em São Paulo e teve o pedido negado. Mesmo assim, sob alegação de questões financeiras, a corporação não fez a transferência, e ontem ele foi solto por ordem do desembargador federal Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). O magistrado argumentou que Ribeiro não integra mais o governo e que os fatos denunciados são antigos. (Folha)

Bolsonaro abandona ex-ministro preso para tentar sobreviver

Avaliando que o estrago provocado pela prisão na manhã de ontem do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro já está feito, o governo parte agora para a contenção de danos e tenta impedir a instalação de uma CPI no Senado para investigar corrupção no MEC. A oposição diz já ter 25 assinaturas, duas a menos do que o mínimo necessário para que a comissão seja instalada. A estratégia do governo e de sua base para evitar que isso aconteça é intensificar a liberação de verbas para parlamentares e a apresentação urgente de outros pedidos de investigação, criando uma fila. O ex-presidente do Senado Davi Alcolumbre (UB-AP) estaria gerenciando até R$ 5 bilhões do orçamento secreto para desestimular adesões. Aliados do Planalto também argumentam que a Polícia Federal já está investigando o caso, o que tornaria a CPI redundante. (Estadão)

PF agora investiga tráfico pelas mortes de Bruno e Dom

Após descartar a existência de um mandante nos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, a Polícia Federal abriu uma nova linha de investigação e agora apura o envolvimento de traficantes de drogas com o crime, além dos pescadores ilegais já presos. De acordo com os policiais, a venda do pirarucu, abundante nas terras indígenas, é usada na lavagem de dinheiro do tráfico, o que uniria os dois grupos criminosos. O combate à pesca ilegal era uma prioridade de Pereira, que sofria constantes ameaças de morte. (Jornal Nacional)