Bolsonaro trabalha para desarticular 3a via
Por trás da prevista saída do União Brasil da aliança com MDB, PSDB e Cidadania há, em parte, a mão pesada do Palácio do Planalto, em particular do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira. A ala governista no UB tem recebido recados de que vão perder os cargos que controlam se o presidente do partido, Luciano Bivar, não abandonar o grupo. O líder do partido na Câmara, Elmar Nascimento (BA), pode perder o controle sobre a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), por exemplo. Nascimento, por isso, é o principal articulador da pré-candidatura de Bivar. Ontem, um evento dos grupos Derrubando Muros e Roda Democrática reuniu líderes de MDB, PSDB e Cidadania, e mostrou os descompassos internos. Dentre o público presente em São Paulo, a emedebista Simone Tebet foi aplaudida e o tucano João Doria, criticado. (Estadão)
Bolsonaro acena com golpe, ameaçando suspender eleições
O evento tinha por objetivo exaltar a livre expressão — a pauta, porém, foi outra. O presidente Jair Bolsonaro (PL) levantou a possibilidade ontem, no Palácio do Planalto, de suspender as eleições. “Não pensam que seria só para presidente”, afirmou. “Isso seria para o Senado, para a Câmara, se tiver algo de anormal.” Descartando sua antiga bandeira do voto impresso, o presidente saiu-se com outro caminho — agora quer que os militares façam uma apuração paralela dos votos. A solenidade de ontem, transmitida ao vivo pela TV Brasil e inflada pelas bancadas Evangélica e da Segurança Pública, era um desagravo ao deputado bolsonarista Daniel Silveira (PTB-RJ), condenado no Supremo Tribunal Federal (STF) por declarações antidemocráticas e incitação à violência contra ministros da Corte. Silveira esteve presente e exibiu, numa moldura o decreto com o indulto que recebeu de Bolsonaro. (UOL)
STF: Com ou sem indulto, Daniel Silveira é inelegível
A despeito de ter recebido um indulto do presidente Jair Bolsonaro (PL), o deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) está inelegível, disse ontem o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre Moraes, relator do processo que condenou o parlamentar a quase nove anos de prisão por pregar atos contra a democracia e violência contra ministros da Corte. Moraes justificou a avaliação citando jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) segundo a qual o indulto “não equivale a reabilitação” e incide somente sobre os efeitos primários da condenação, a pena, não sobre o secundário, a perda dos direitos políticos. O ministro deu 48 horas para que a defesa de Silveira inclua o decreto de Bolsonaro nos autos do processo. (CNN)
Conselho aceita oferta e Musk comprará o Twitter
Elon Musk, o homem mais rico do mundo de acordo com a revista Forbes, vai comprar o Twitter por US$ 44 bilhões (R$ 215 bilhões). O conselho de administração da empresa havia inicialmente rejeitado a proposta mas, sob pressão dos acionistas, capitulou. O negócio deve fechar o capital da rede social pela qual hoje transitam, diariamente, 217 milhões de pessoas. É pouco perante os bilhões que frequentam Facebook, Instagram ou TikTok, mas entre os usuários pessoalmente ativos no Twitter estão os mais influentes políticos, jornalistas, cientistas e artistas de boa parte das democracias. Os acionistas receberão US$ 54,20 por ação, segundo o Twitter. “Quero tornar o Twitter melhor do que nunca, aprimorando o produto com novos recursos, tornando os algoritmos de código aberto para aumentar a confiança, derrotando os bots de spam e autenticando todos os humanos”, escreveu Musk em comunicado sobre a aquisição na própria plataforma. O Twitter foi lançado em 2006 e vale US$ 40 bilhões. Em novembro de 2021, o cofundador Jack Dorsey deixou o cargo de CEO, passando o comando da empresa para Parag Agrawal, ex-diretor de tecnologia. (New York Times)
Macron é reeleito na França, mas extrema-direita vira 2a força
Cinco anos depois, Emmanuel Macron e Marine Le Pen voltaram ontem a se enfrentar no segundo turno das eleições francesas, e, como em 2017, o centrista venceu a disputa contra a ultradireitista. Primeiro presidente reeleito desde 2002, ele obteve 58,55% dos votos. Le Pen reconheceu a derrota, mas comemorou o próprio desempenho: ela obteve 41,45%, cerca de 12 milhões de votos, o melhor resultado da extrema-direita na história da França. Mesmo assim, a reeleição de Macron foi recebida com alívio pela comunidade internacional, uma vez que Le Pen é eurocética, crítica da Otan e tem fortes laços com o russo Vladimir Putin. Líderes como os presidentes dos EUA, Joe Biden, e da Ucrânia, Volodymyr Zelenski, não esperaram o resultado oficial para cumprimentar o presidente reeleito. (CNN Brasil)
Bolsonaro perdoa Silveira e parte para a guerra contra STF
O presidente Jair Bolsonaro (PL) abriu ontem sua mais grave crise com o Supremo Tribunal Federal (STF) ao anunciar a graça presidencial, um indulto individual, ao deputado Daniel Silveira (PTB-RJ). Na véspera, a Corte havia condenado o parlamentar a oito anos e nove meses de prisão por atentar contra a democracia, defendendo a volta do AI-5 e incitando agressões aos ministros do Supremo. Em sua live semanal, Bolsonaro justificou a decisão dizendo que “a liberdade de expressão é pilar essencial da sociedade em todas as suas manifestações” e que havia uma “legítima comoção” na sociedade com a sentença. Silveira foi condenado por 10 votos a 1. Somente o revisor, ministro Nunes Marques, indicado por Bolsonaro, votou pela absolvição. (CNN Brasil)
PGR livra a cara de Bolsonaro. De novo.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) disse ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) não ver elementos que justifiquem uma investigação contra o presidente Jair Bolsonaro (PL) por suspeita de tráfico de influência no MEC. Em um áudio divulgado em março, o então ministro da Educação, Milton Ribeiro, disse a um grupo de prefeitos que, atendendo a um pedido de Bolsonaro, daria prioridade a “amigos do pastor Gilmar (Santos)”. Santos e o também pastor Arilton Moura teriam montado um gabinete paralelo no MEC para cobrar propinas em troca da liberação de verbas. Relatora do caso no STF, a ministra Cármen Lúcia pediu o parecer à PGR. Na resposta, a vice-procuradora-geral da República, Lindora Araújo, disse que “uma mera citação” não pode tornar alguém investigado. Mesmo que venha de um ministro de Estado. (g1)
Federação de PT, PCdoB e PV planeja revogar reforma trabalhista
A revogação da reforma trabalhista e do teto de gastos públicos vai ser parte do programa da Federação Brasil Esperança, que reúne PT, PV e PCdoB e foi registrada ontem na Justiça Eleitoral. O documento foi resultado de dois dias de debates e teve como base as decisões do diretório nacional petista aprovadas na semana passada. Embora também tenha se manifestado a favor da revogação, o ex-presidente Lula, pré-candidato da federação, reconhece que há entraves para sua implementação. (Folha)
STM sabia de torturas no regime militar, mostra áudio
Os ministros do Superior Tribunal Militar (STM) durante a ditadura (1964-1985) tinham conhecimento da prática de torturas. Se ainda restava alguma dúvida, ela se desfez com a divulgação ontem por Miriam Leitão de gravações feitas em sessões da corte nos últimos dez anos do regime (ouça e leia as transcrições). O material foi copiado e analisado desde 2017 pelo historiador Carlos Fico, da UFRJ. Numa das gravações, feita em 1977, o general Rodrigo Octávio Jordão Ramos relata o caso de Nádia Lúcia do Nascimento, que sofreu um aborto decorrente dos maus tratos quando esteve presa no Doi-Codi. No ano seguinte, o general Augusto Fragoso disse ter passado por outras crises militares “em 30, 32 e 35” sem ver acusações tão graves. Havia entre os ministros quem duvidasse das acusações, especialmente quando envolviam militares e não policiais. Nas sessões secretas, também gravadas, o ministros faziam piadas com os relatos de torturas, conta Carlos Fico. (Globo)
PoderData põe Bolsonaro a 5 pontos de Lula
A saída de cena do ex-ministro Sérgio Moro (UB) deu um novo impulso à campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) à reeleição. Segundo pesquisa divulgada ontem pelo PoderData, a diferença entre ele e o ex-presidente Lula caiu para apenas cinco pontos: 40% para o petista e 35% para o atual mandatário na simulação de primeiro turno. Bem distante aparecem Ciro Gomes (PDT), com 5%; João Doria (PSDB) e André Janones (Avante), com 3% cada; Simone Tebet (MDB), com 2%; e José Maria Eymael (DC), com 1%. O levantamento indica também que Lula e Bolsonaro estão em empate técnico na preferência dos homens, das pessoas até 44 anos, dos moradores das regiões Sul e Sudeste e de quem tem ensino médio e superior. Lula lidera com folga entre as mulheres, pessoas acima de 45 anos, ensino fundamental e renda até dois salários-mínimos e moradores do Nordeste. Bolsonaro está na frente no Centro Oeste e no Norte e entre quem ganha acima de dois salários-mínimos. (Poder360)