Flávia Tavares

Editora executiva de conteúdo premium do Meio. Jornalista com 20 anos de carreira, com passagens pelo Estadão, no caderno Aliás e como repórter especial de política e cidades; pela revista Época, como repórter em Brasília e editora de política em São Paulo; e na CNN, como editora-chefe do site. Ama escrever sobre política e direitos humanos.

O Brasil que afunda em Maceió

Foi a Braskem que fez as 35 minas para extrair sal-gema do solo e que ameaça destruir boa parte da cidade. Mas tem cúmplice em todas as esferas de governo. Uma empresa com esse tipo de poder econômico tem enorme influência política. Está na hora de olharmos para Alagoas, terra de alguns dos nomes mais poderosos da República, e atribuirmos responsabilidade a todos de direito.

O quebra-cabeças político das indicações de Dino e Gonet

As indicações de Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal e Paulo Gonet para a Procuradoria-Geral da República se confirmaram. E, por trás delas, há um cálculo político do presidente Lula que inclui esforços para reforçar sua coalizão, pacificar os Poderes, pavimentar condições para a reeleição ou para fazer um sucessor e conquistar apoio popular. (E nessa conta, mulheres - e principalmente as negras - ficam de fora.)

Repercussão no STF: houve ‘traição’ do governo e Senado é ’tchutchuca’ com militares

O dia seguinte à aprovação no Senado da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita as decisões individuais dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) foi de duras críticas e ultimatos. Um dos pontos de maior surpresa e desgaste foi o fato de o líder do governo na Casa, Jaques Wagner (PT-BA), ter votado a favor da proposta, apesar da orientação do PT para a bancada votar contra. Falando sempre reservadamente, ministros expressaram seu descontentamento com o que acreditam ter sido uma “traição” do Planalto, apresentaram ameaças de romper a interlocução com o Executivo e de pautar julgamentos que contrariam o governo e ainda manifestaram que entendem que o Senado é “tigrão” com o Supremo, mas alivia para os militares.

“Presidente argentino não vai conseguir governar só com sua coalizão”, diz Sylvia Colombo

A eleição de Javier Milei, no último domingo (19), encerrou um processo eleitoral marcado pela polarização entre o peronismo e a vontade da sociedade argentina, sobretudo a parcela jovem, por uma mudança. O outsider venceu, o "mercado" gostou e até as relações internacionais já estão em ebulição. O que a vitória do extremismo liberal de Milei representa para nossos vizinhos? A jornalista Sylvia Colombo, correspondente da Folha de S. Paulo no país, é a convidada de Flávia Tavares no Conversas com o Meio desta semana para decifrar os principais enigmas às margens do Rio da Prata.

A seita de Milei, Trump e Bolsonaro

A gente sabe que as palavras têm um peso, um significado — e que isso importa. Nós, jornalistas, que as usamos como ferramenta de trabalho, devemos ser ainda mais cuidadosos com elas.

Lula, terrorismo e o lugar do Brasil no mundo

No café da manhã com o presidente, a live semanal que faz do Palácio do Planalto, Lula disse o seguinte:

Israel x Hamas e a guerra com nossos pares ideológicos

Lula desautorizou Haddad?

No café da manhã com jornalistas, na sexta-feira, o presidente Lula disse que “dificilmente” a meta do déficit fiscal zero será atingida em 2024. “Tudo que a gente puder fazer para cumprir a meta fiscal, a gente vai fazer. O que eu posso te dizer é que ela não precisa ser zero. O país não precisa disso. Eu não vou estabelecer uma meta fiscal que me obrigue a começar o ano fazendo corte de bilhões nas obras que são prioritárias para este país.” A reação do mercado foi imediata. De parte dos políticos também. Assim como da imprensa tradicional. Sabe que eu não canso de me surpreender com a “surpresa” desse pessoal? Duas coisas que foram repetidas incessantemente desde sexta e que, pra mim, simplesmente não fazem sentido. A primeira é que Lula falou isso de improviso. Olha, é notório e sabido que o presidente fala, sim, de improviso, no sentido de que nem sempre consulta alguém antes ou escreve a mensagem que quer passar. Mas deduzir, daí, que sua fala é inconsequente ou impensada soa até como ingenuidade a essa altura.

Rio em guerra: o que Lula e Dino podem fazer?

Foi grave demais o que aconteceu no Rio, com 35 ônibus e um trem em chamas, numa cena de guerra conflagrada, por conta da morte de um chefe de milícia da Zona Oeste. A gente que não mora nas comunidades costuma falar de uma cidade “refém” do crime organizado - e das operações policiais de combate ao crime -, de forma metafórica, e só quando algo dessa magnitude explode é que a coisa fica mais palpável. Mas pras quase 50 mil crianças que dia sim, dia também ficam sem aula nas escolas onde as operações acontecem, não tem metáfora nenhuma nisso. É bem concreta a situação de sequestro das suas vidas, de seus futuros, de qualquer oportunidade de, pelos estudos, encontrar uma saída.

AGU fecha acordo para pagar R$ 9 bilhões por precatórios do Fundef

A Advocacia-Geral da União (AGU) fechou duas negociações e pretende encerrar a disputa com dez estados que movem ações no Supremo Tribunal Federal contra o governo por conta de valores do Fundef. O valor a ser pago pela União deve ficar em torno de R$ 9 bilhões, o que representaria menos de um terço dos R$ 30 bilhões que o governo federal arriscava perder se as ações prosseguissem. Em 2017, a União foi condenada a complementar repasses feitos à educação entre 1998 e 2007, porque o STF decidiu que o valor mínimo por aluno destinado aos estados não podia ser inferior à média nacional. Esses repasses foram responsáveis por um aumento de gastos com precatórios na proposta de Orçamento de 2022. A alternativa encontrada pelo governo Bolsonaro e aprovada pelo Congresso foi fixar um teto para o pagamento dos precatórios, adiando parte desses pagamentos para os anos seguintes, no que ficou conhecido como PEC do Calote. (Folha)