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16 de julho de 2018
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Ciro, que depende de alianças, acelera negociação


Ciro Gomes passou um bom naco do sábado na casa do empresário Benjamin Steinbruch, em São Paulo, reunido com os líderes de DEM, PP, Solidariedade e PRB. As legendas têm o que oferecer: tempo na TV e 49 votos na Câmara. E, passada a Copa, o tempo começa a se esgotar. Faltam três semanas para que o prazo bata e todos os partidos precisem se posicionar sobre seus projetos eleitorais. Ciro pôs foco: estas alianças, afinal, podem lhe valer o Planalto. Não à toa, teve gente que gostou do que ouviu. “Ele é muito mais atraente”, comentou um dos líderes após a conversa. Mais atraente do que Geraldo Alckmin. (Estado)

Mas há preço político a pagar. O DEM quer realinhar o programa econômico do pedetista. E Ciro está disposto a se movimentar para isso. Pôs Mauro Benevides Filho, responsável pela economia em sua campanha, para conversar e encontrar pontos em comum. A aposta do DEM é de que pode tornar Ciro palatável para o mercado. (Folha)

O Centrão, se incluir PR e PSB, tem três nomes para indicar a vice de Ciro: o ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda (PSB) ou os empresários Josué Alencar (PR) e o próprio Steinbruch (PP). Caso virem para Alckmin, porém, a lista mudaria. Fica Alencar, e entram Mendonça Filho (DEM), Aldo Rebelo (SD) e mais um nordestino a ser indicado pelo PP. (Folha)

Toda a movimentação preocupa Alckmin, que já dá pelo menos o PSB do governador paulista Márcio França por perdido. O tucano trabalha para que a legenda fique neutra. Pode não apoiá-lo, mas que ao menos não apoie outro. Nas contas do PSDB, o Centrão deve se espatifar e cada partido ir para um lado diferente. (Globo)

Há pesquisas disponíveis para os pleitos locais de 21 estados brasileiros. Neles, em 14 o não-voto passa dos 30% e só em 5% há um favorito que pode levar no primeiro turno. Onze governadores que tentam se reeleger não estão em primeiro. Veja os números estado a estado, organizados pelo Poder360.

O advogado Sepúlveda Pertence escreveu carta ao ex-presidente Lula anunciando que pretende deixar sua defesa. Pertence, que é ex-presidente do Supremo, explica que está em desacordo com a linha de seu outro representante, Cristiano Zanin, que discorda de críticas pessoais que vêm sendo feitas a ministros do STF e que vê, no episódio do habeas corpus que quase saiu no TRF-4, indícios de que o PT assumiu a direção da defesa. (Globo)

Filiada ao PSOL, Laura Carvalho, professora da USP, é o mais celebrado nome da economia de esquerda. E seu novo livro, Valsa Brasileira (Amazon), é elogiadíssimo na Quatro Cinco Um por uma das mais celebradas economistas liberais.

Monica de Bolle: “O diagnóstico sobre os graves erros da política econômica de Dilma Rousseff é o mesmo traçado e esmiuçado por diversos economistas. A falsa política industrial, fundamentada em desonerações e crédito público barato para atender a interesses específicos, está lá, desnudada. Os erros na condução da política fiscal e da política monetária foram igualmente apontados. No Brasil maniqueísta de hoje, com seus lados e disputas, imagino que possa acontecer com o livro de Laura o mesmo que aconteceu com o meu — Como Matar a Borboleta-Azul (Amazon). Lido e elogiado por muita gente que se identifica com os rótulos a ela associados, talvez desprezado por pessoas que não vão lê-lo por princípio, no pior estilo ’não li e não gostei’.”

Viver


Allez les Bleus! Vinte anos depois, a França é, pela segunda vez, campeã do mundo. Foi uma final emocionante, de seis gols — com direito a gol contra, interferência do árbitro de vídeo e invasão do gramado. O primeiro foi dos franceses: uma cobrança de falta de Griezmann que acabou desviando em Mandžukić e indo para o fundo da rede aos 18 do primeiro tempo. Dez minutos depois, Perišić deixou tudo igual. Mas aí, aos 38 minutos, o árbitro de vídeo apareceu. Mão na bola. Pênalti convertido por Griezmann. No segundo, os franceses dispararam: Pogba e Mbappé fizeram o terceiro e o quarto nos primeiros vinte minutos. E, de repente, um vacilo histórico reacendeu a esperança croata. Num recuo, o goleiro francês Lloris dominou sozinho a bola e tentou driblar Mandžukić. Mas o atacante chegou firme na dividida e mandou deslizando para o gol. Mesmo cansado, o time croata ainda pressionou até o fim da partida, mas não teve jeito. A França consagrou-se bicampeã vencendo a Croácia por 4 a 2. (Melhores momentos.)

E em meio a toda essa emoção, o público assistiu ainda a uma invasão de campo, logo no início da segunda etapa. Quatro pessoas usando uniformes de polícia, com camisetas brancas e calças pretas, invadiram o gramado a partir da área atrás do gol francês. O grupo punk feminista Pussy Riot, conhecido por inúmeros protestos de oposição ao governo autocrata de Vladimir Putin, assumiu a responsabilidade. Uma das mulheres conseguiu se aproximar de Mbappé e chegou a cumprimentá-lo com as mãos antes do grupo ser detido.

Carlos Eduardo Mansur, no Globo: “É curiosa esta França, nada generosa com o espetáculo, por vezes pragmática demais, para não dizer mesquinha. O termo talvez seja muito duro com uma campeã do mundo. Melhor dizer que, a cada passe de Pogba para Mbappé irromper num contragolpe, fica reforçada a quase permanente sensação de que era possível ver este time fazer mais, oferecer mais ao jogo. Todos nos pegamos lamentando que tais lances sejam, por vezes, tão esparsos. Então por que ganhou? Porque numa Copa de tão poucas diferenças, de seleções menores impondo tantas dificuldades, em que não surgiu o time que submetia rivais, se impunha como força dominante, a França teve o essencial. Não havia grandes lacunas: o time chegou à reta final sólido atrás, preferindo ter linhas recuadas, porque assim criava o espaço para suas estrelas correrem na frente. Assim elas rendem melhor. O rótulo de favorita nunca a deslumbrou. Didier Deschamps moldou um time difícil de ser batido. Por vezes, é o que vale num torneio de sete jogos, em que importa estar ajustado no mês da disputa, nem antes, nem depois.”

Galeria: A final da Copa do Mundo 2018 em imagens.

Jogo acabado, a Fifa anunciou as premiações para os melhores jogadores do Mundial. O croata Luka Modrić não levou a taça de campeão para casa, mas faturou a Bola de Ouro, eleito o melhor da competição, à frente de Hazard e Griezmann. Mbappé foi o vencedor do prêmio de melhor jogador jovem (abaixo dos 21 anos). O belga Thibaut Courtois foi premiado como melhor goleiro, e o inglês Harry Kane terminou como artilheiro isolado, com seis gols.

Pois é, faltou Neymar... E por culpa dele próprio, que agora vive uma séria crise de imagem. Saiu da Copa percebido como um ególatra que, sempre que pode, tenta enganar os árbitros jogando-se no chão. Exageradamente. Até o ex-técnico de vôlei Bernardinho já está se oferecendo para coaching.

Washington Olivetto: “Pela dimensão dele, e principalmente no Brasil, o Neymar é um fenômeno da mídia aberta, da grande mídia. Então, tanto no momento favorável quanto no desfavorável, é preciso ter preocupação em estar presente na grande mídia e, obviamente, nas mídias sociais. Ele errou em priorizar a grande mídia nos momentos de sucesso e, na dificuldade, ter optado pela mídia social. Tenho impressão de que, nesse momento, ele também cometeu alguns erros de comunicação. O produto tem de ser sempre mais importante do que a sua publicidade. E teve um momento em que se valorizou mais a publicidade do que o produto. O Neymar tem tudo para reverter, pois é um jogador que tem o talento natural. Ele precisa focar exatamente nisso, no trabalho e nas atenções como jogador. É o que vai recuperar a imagem dele como negócio.” (Estadão)

Já na área das previsões, quem se deu bem foi a editora de games EA Sports, que previu a França ganhando o Mundial, uma semifinal toda europeia e o Brasil caindo para a Bélgica nas quartas. É a terceira vez consecutiva que a simulação acerta o resultado final.

Isto posto... A Copa 2018 acabou, mas bateu um bocado de recordes. Foi a edição com o maior número de gols contra da história do torneio — 12 no total, ante seis em 1998. Teve o maior número de pênaltis marcados — 29, mais que o dobro da anterior. E registrou o cartão amarelo mais rápido da história — o mexicano Jesus Gallardo recebeu a punição aos 13 segundos de jogo contra a Suécia, na última rodada da fase de grupos. Veja outras curiosidades.

E você achou que não ia ter brasileiro na final da Copa? Ronaldinho Gaúcho estava lá, tocando percussão no gramado em meio à apresentação da soprano russa Aida Garifullina. Virou meme, claro.

Quem emocionou mesmo foi o comentarista da Globo Walter Casagrande, que fez um breve e orgulhoso relato sobre sua sobriedade durante a cobertura na Rússia.

Cultura


Em 1º de janeiro de 2019, todos os títulos do escritor paulista Monteiro Lobato, cuja morte completou 70 anos no último dia 4, serão de domínio público. Isso significa que qualquer editora poderá publicar suas histórias sem obrigação de responder à Lei de Direitos Autorais. Daí podem surgir reedições cuidadosas de seus títulos. Mas também adaptações que podem soar distantes do espírito original. Sabe aquele encontro dos personagens do Sítio do Picapau Amarelo com o Pequeno Príncipe — outra obra que está em domínio público desde 2015 e já recebeu adaptações inusitadas? Pois é. Ele não será mais impossível. (Globo)

Aos saudosos fãs de Downton Abbey, uma boa notícia: a série vai ganhar um filme. As gravações serão iniciadas nas próximas semanas e o longa deve ser lançado ainda no ano que vem. O roteiro será assinado pelo criador da série, Julian Fellowes, e o diretor será o britânico Brian Percival. O elenco original também já está confirmado. (Globo)

Enquanto isso... A BBC aproveitou o intervalo da final da Copa do Mundo para divulgar o primeiro teaser da 11ª temporada de Doctor Who.

Cotidiano Digital


Uma das fronteiras ainda por romper nos celulares é a tela dobrável. A tecnologia já existe faz algum tempo, mas ninguém conseguiu aplica-la, ainda, num aparelho. Os rumores são fortes de que o melhor celular Samsung de 2019, possivelmente Galaxy X, será o primeiro. Mas para quê? O site Android Authority brinca com as possibilidades. Talvez o celular dobre ao meio para que seja mais compacto. Ou, então, a ponta dobra para que a câmera principal se torne a câmera de selfie.

Uma das paradas da Nobel da Paz Malala Yousafzai, no Rio de Janeiro, foi na Apple Developer Academy. A Rede Gulmakai erguida pela paquistanesa tem uma parceira com a multinacional para o desenvolvimento de apps que possam ajudar na educação de meninas. E um dos focos deste projeto é o Brasil.





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