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10 de junho de 2019
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Hack expõe interferência de Moro na Lava Jato


Trechos de mensagens divulgadas pelo Intercept Brasil, no início da noite de ontem, mostram que, em dados momentos da operação Lava Jato, o então juiz Sérgio Moro orientou os procuradores da Força-Tarefa, assim como fez cálculos políticos durante o processo. “Parabéns a todos nós”, respondeu Moro as congratulações do procurador Deltan Dallagnol após uma manifestação pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em março de 2016. “Ainda desconfio muito de nossa capacidade de limpar o Congresso. O melhor seria o Congresso se autolimpar, mas isso não está no horizonte.” Quando Dallagnol lhe informa, em dezembro do mesmo ano, que a delação de executivos da Odebrecht inclui nove presidentes, 29 ministros, 34 senadores, 82 deputados federais e 63 governadores, o juiz recomenda cautela. “Opinião: melhor ficar com os 30% iniciais. Muitos inimigos e que transcendem a capacidade institucional do MP e do Judiciário.” Quebrando a imparcialidade, o atual ministro da Justiça também fez sugestões a respeito de data e ordem das operações conduzidas pela Força-Tarefa e, num momento, repassou ao MP pistas envolvendo um filho do ex-presidente Lula. (Intercept)

De acordo com os editores do site, eles receberam de fonte anônima grandes arquivos que incluem mensagens privadas, gravações em áudio, vídeos, fotos e documentos. Prometem outras reportagens para os próximos dias e afirmam que se limitarão ao que for de interesse público. O Intercept optou por não consultar os envolvidos antes da publicação — “para evitar que atuassem para impedir sua publicação e porque os documentos falam por si.” (Intercept)

Dallagnol chegou a ter dúvidas a respeito das provas colhidas para afirmar que o tríplex do Guarujá de fato pertencia a Lula. “Falarão que estamos acusando com base em notícia de jornais e indícios frágeis”, jogou no grupo Incendiários ROJ. “Fora isso, tenho receio da ligação entre Petrobras e o enriquecimento” — sem ligar vazamentos da Petrobras ao apartamento, o caso não poderia estar com a Força-Tarefa. Em outra conversa, quando o ministro Ricardo Lewandowski chegou a autorizar uma entrevista do ex-presidente Lula antes das eleições, Laura Tessler, uma das procuradoras, revelou preocupação política. “Uma coletiva antes do segundo turno pode eleger o Haddad”, especulou. (Intercept)

O ministro Sérgio Moro soltou nota ontem mesmo — “Lamenta-se a postura do site que não entrou em contato antes da publicação”, escreveu. “Quanto ao conteúdo, não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento enquanto magistrado, apesar de terem sido retiradas de contexto.” O MP também publicou nota. “A ação vil do hacker invadiu telefones e aplicativos de procuradores usados para comunicação privada e no interesse do trabalho”, afirma. “Uma vez ultrapassados todos os limites de respeito às instituições e às autoridades, é de se esperar que a atividade criminosa continue e avance para deturpar fatos, apresentar fatos retirados de contexto, falsificar integral ou parcialmente informações e disseminar fake news.”

Artigo 254, inciso IV, do Código do Processo Penal: “O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes se tiver aconselhado qualquer das partes.”

O PSOL apresentará hoje um requerimento para que Moro explique perante o plenário da Câmara as trocas de mensagens, segundo Lauro Jardim. O pedido terá de ser aprovado por maioria simples. (Globo)

Segundo juízes ouvidos pelo Painel, as chances de uma indicação de Moro ao STF vingar, hoje, seriam próximas de zero. (Folha)

Já faz um mês que a Polícia Federal instaurou inquérito para investigar os ataques hackers aos procuradores de Curitiba, Rio e São Paulo. Além de Moro, que divulgou um ataque ao seu celular na última semana, também o ex-procurador-geral Rodrigo Janot denunciou ação semelhante no final de abril. (Estadão)

Celso Rocha de Barros: “Vamos ao que os vazamentos até o momento não mostram: não há falsificação de provas ou coisas do gênero. Ninguém foi inocentado pelos vazamentos do Intercept. No geral, as conclusões gerais sobre como o cartel das empreiteiras financiava todos os grandes partidos políticos continuam de pé. Mas o quadro que emerge sobre o julgamento de Lula é ruim. Não há nada nos vazamentos que prove que Lula é inocente, mas há a possibilidade real do julgamento de Lula ser contestado, e dessa vez com mais razão. Haverá argumentos jurídicos e pressão política de todos os lados, ninguém pode prever o que vai acontecer, mas o fato é que a tese de que Lula não foi julgado dentro da normalidade jurídica ganhou força. É uma hora difícil para pedir nuance e equilíbrio, mas vamos lá: a Lava Jato não foi desmoralizada, ninguém foi inocentado. Mas há bons motivos para suspeitar que não houve equidistância. O ministro Sergio Moro parece ter cruzado linhas importantes no julgamento de Lula.” (Folha)

Josias de Souza: “A Lava Jato já esteve na berlinda muitas vezes. Sobreviveu a todos os ataques. Mas nenhuma investida anterior teve o potencial corrosivo do vazamento das mensagens eletrônicas trocadas entre Moro e Dallagnol. O estrago político será inédito. O que não está claro, por ora, é se haverá prejuízo jurídico capaz de alterar sentenças passadas. A leitura das mensagens capturadas nos celulares dos personagens conduz à conclusão inequívoca de que Moro desenvolveu com Deltan uma proximidade juridicamente tóxica. Os dois combinam ações, consultam-se mutuamente. Ultrapassam a fronteira que separa o relacionamento funcional do comportamento abusivo. O então juiz por vezes adota um timbre de superioridade hierárquica, imiscuindo-se no trabalho da Procuradoria. Algo que destoa da isenção que a Constituição exige de um magistrado. A roubalheira que a Lava Jato retirou debaixo do tapete da República é colossal. Nenhum avanço, porém, autoriza juiz e investigadores a fugir do manual. Mal comparando, Moro se aproxima de Lula e do petismo quando reclama que as notícias sobre o vazamento ‘ignoram o gigantesco esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato.’” (UOL)

Ao receber o jornalista Guilherme Amado, o vice-presidente Hamilton Mourão era outro. “Alguém chegou para essa turma e disse ‘chega’”, explicou o general reservista. Referia-se aos olavistas. “Acho que o próprio presidente pode ter feito isso. O Carlos parou.” Ele vê com otimismo uma das áreas que o deixava mais preocupado — a política externa. “Otávio Brandelli é respeitado como força de moderação no Itamaraty”, afirma, referindo-se ao secretário-geral, número dois do ministério. “Conversei com o Otávio para sermos pragmáticos na nossa política externa.” A desconfiança em relação ao chanceler Ernesto Araújo e ao assessor internacional do presidente, Filipe Martins, segue, no entanto. “O Filipe fica falando no ouvido do presidente. O negócio dele é no Twitter.” (Época)

Diogo Mainardi: “Algo mudou nas últimas semanas. As redes sociais de Carlos Bolsonaro foram sedadas. Olavo de Carvalho passou a dedicar-se às teorias terraplanistas. Nas raras ocasiões em que ele se atreveu a atacar os militares, foi achincalhado por seus comentaristas. Muito mais relevante do que tudo isso, claro, foi a metamorfose de Jair Bolsonaro. Ele trocou o Twitter pelo programa do Ratinho, os conflitos com parlamentares pelas emendas parlamentares. A marcha de seus seguidores, em vez de intimidar os congressistas, fortaleceu-os. Desde então, o presidente tenta costurar um acordo com seu ‘irmão’ Rodrigo Maia.” (Crusoé)

Mas... Há quem prepare um retorno em grande estilo de Olavo. Não se sabe como. (Época)

Enquanto isso... As alas moderadas de PT e PSDB estão voltando a conversar, observa Tales Faria. (UOL)

Na Câmara, foram apresentados 5 projetos de lei que aumentam a pena para quem faz denúncias falsas sobre crimes hediondos ou relacionados a dignidade sexual. Todos foram protocolados em 6 de junho, após a repercussão do caso em que o jogador de futebol Neymar Jr. é acusado de estupro e agressão. As propostas, inclusive, começaram a ser chamadas nas redes sociais de 'Neymar da Penha'. (Poder 360)

Cultura


A terceira temporada de The Handmaid's Tale estreia dia 15 no Brasil no serviço de streaming Paramount+, com um novo episódio a cada semana. A série abraça de vez, nesta nova temporada, o vínculo com a realidade política vivida hoje nos EUA e noutros países. Parte importante das gravações ocorreu em Washington, a capital americana e também de Gilead. "É muito mais esperançosa, é uma história de revolução", diz o ator Max Minghella, que faz Nick, personagem que no meio da temporada vai levar a narrativa a uma reviravolta. June, papel de Elisabeth Moss, atravessou os dois primeiros anos tentando sobreviver. Agora, também ela vai passar por uma "radicalização" e abraçar a "resistência", expressões usadas por atores e produtores da série, em entrevistas.

Na HBO GO, está disponível desde ontem o primeiro episódio da segunda temporada de Big little lies. A primeira temporada foi um sucesso: de elenco, críticas e premiação. Na segunda, as personagens tentam voltar à normalidade: as mesmas quedas de braço por poder, as intrigas pelos filhos. Mas agora, lidam com luto, culpa e medo.

H. P. Lovecraft nasceu em 1890, nos Estados Unidos, e começou a publicar terror em 1917, com o conto Dagon, sobre uma entidade mitológica que habita os oceanos. A Universidade de Adelaide, uma das mais célebres instituições de ensino da Austrália, disponibilizou em seu acervo virtual todos os títulos do autor, considerado o rei do horror. É visto, hoje, com um dos maiores percussores e influências do estilo, e compete pelo trono apenas com Edgar Allan Poe (1809 - 1949), o autor de outros clássicos como O Corvo (1845) e Os Assassinatos da Rua Morgue(1841). Seus livros também estão disponíveis para download.

Viver


Andre Matos, ex-vocalista do Angra, morreu sábado os 47 anos.“É com profundo pesar que confirmamos o falecimento do André esse sábado de manhã devido a uma parada cardíaca”, informou a família através de nota. Cantor, compositor, pianista e maestro, Matos começou a carreira ainda adolescente nos anos 80, com a banda Viper. Em 1991, fundou o Angra com seus amigos de faculdade. Ele deixou o Angra em 2000 e fundou o Shaman. A formação original durou até 2006, e, a partir de 2007, o vocalista seguiu em carreira solo. Em 2018, o Shaman voltou com sua formação original para uma turnê comemorativa. Relembre uma de suas apresentações.

A Nasa se abre para o setor privado. As empresas poderão incorporar módulos à estrutura em um futuro não muito distante e enviar turistas ao espaço utilizando veículos da SpaceX ou da Boeing. “As receitas geradas com essa atividade serão utilizadas para apoiar outras missões, como o retorno à Lua e a primeira viagem espacial humana para Marte”. Não é a primeira vez que a NASA pensa em abrir a estação espacial a empresas privadas para que estas explorem novos mercados. A transição para o novo modelo ainda deverá levar pelo menos dois anos para começar. A NASA permitirá que a estação espacial seja usada para missões turísticas a partir de 2020. Os turistas espaciais poderão ficar em órbita por até 30 dias. O custo da estadia será de 35.000 dólares (135.000 reais) por noite, mas essa quantia não inclui o transporte nem o treinamento prévio necessário para poder viajar para o espaço (El País)

Cotidiano Digital


O WhatsApp começará a levar à Justiça casos de violação dos seus termos de serviço, como envio de mensagens em massa ou automatizadas. A ação começa em 7 de dezembro de 2019 e vale, inclusive, para empresas que simplesmente anunciarem capacidade para fazer estes disparos. (Folha)

A Amazon vai inaugurar, na terça-feira, um centro de distribuição em Cajamar, São Paulo. Com 120 mil produtos em estoque, conseguirá vender diretamente ao consumidor sem intermediários e inaugurar assim, no país, o sistema de entrega em até dois dias.





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