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24 de junho de 2019
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Histórias para ouvir

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Moro pediu ajuda a MP para evitar conflito com STF


Em 22 de março, 2016, a Polícia Federal anexou por descuido documentos apreendidos na casa de um executivo da Odebrecht aos autos do processo da Lava Jato sem preservar sigilo. O conteúdo foi logo publicado pela imprensa, o que deixou o então juiz Sérgio Moro apreensivo. Ele havia acabado de receber uma bronca pública do ministro Teori Zavascki, do STF, por ter divulgado a conversa telefônica entre a presidente Dilma Rousseff e o ex, Lula. “Tremenda bola nas costas da PF”, ele se queixou com o procurador Deltan Dallagnol. “Vai parecer afronta.” Dallagnol passou a queixa a Márcio Anselmo, o delegado responsável. “Moro está chateado”, afirmou, “vai apanhar mais do STF.” A percepção do Supremo andava angustiando o juiz por aqueles dias. Ele temia que a Corte desmembrasse os inquéritos sob seu comando, em Curitiba, tirando o controle das investigações a respeito da Odebrecht. Quando o MBL fez um protesto na frente da casa de Zavascki, ele tornou ao procurador. “Não sei se vcs têm algum contato, mas alguns tontos daquele Movimento Brasil Livre foram fazer protesto na frente do condomínio do ministro”, escreveu via Telegram. “Isso não ajuda, evidentemente.” O MPF não tinha contato. (Folha)

O momento foi divulgado domingo como manchete da Folha de S. Paulo que anunciou parceria com o Intercept Brasil para também publicar mensagens a partir das trocas de mensagens vazadas da Lava Jato. O jornal entrou um pouco mais em detalhes a respeito de como buscou indícios sobre adulteração do vazamento. Seus repórteres procuraram mensagens que haviam trocado com integrantes da Força Tarefa — e as encontraram. (Folha)

Moro pediu desculpas ao MBL, enviando áudio. “Sempre respeitei o Movimento Brasil Livre, sempre agradeci o apoio”, disse. “Consta ali um termo que não sei se usei mesmo, acredito que não, pode ter sido adulterado, mas queria assim pedir minhas escusas, se eu eventualmente utilizei.” (Estadão)

No Supremo, alguns ministros viram nos diálogos indícios de que Moro e os procuradores manipularam o timing para retardar a chegada de informações sensíveis à Corte. (Folha)

A Segunda Turma do Supremo retoma amanhã, terça-feira, o julgamento de um pedido da Defesa de Lula. Os advogados alegam que a ida de Moro ao ministério da Justiça revela parcialidade e, portanto, pedem que seja apontada a suspeição. Já votaram dois, Edson Fachin e Cármen Lúcia. Ambos contra. Faltam Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. (G1)

Elio Gaspari: “Num ponto Moro tem alguma razão: o site Intercept Brasil deveria divulgar todo o acervo de grampos que amealhou. A divulgação parcial e seletiva dos grampos, acompanhada por insinuações ameaçadoras do repórter Glenn Greenwald, é um feitiço que pode se virar contra o feiticeiro. Antes da internet era comum que revelações jornalísticas fossem expostas em séries, mas Greenwald vem fazendo bem outra coisa. Promete isso ou aquilo, às vezes em tom de vaga ameaça. A divulgação de denúncias num regime de conta-gotas foi uma das piores táticas dos procuradores da Lava-Jato. Em 1971, quando o New York Times e o Washington Post publicaram os documentos do Pentágono, submeteram seus critérios editoriais ao juízo do público. Conhecido todo o papelório, viu-se que trabalharam direito.” (Globo ou Folha)

Desde que assumiu a presidência, Jair Bolsonaro editou 17 Medidas Provisórias, dez projetos de lei, quatro projetos de lei complementar e uma Proposta de Emenda Constitucional. Todas têm de ser aprovadas, em última instância, por deputados e senadores. Uma análise dos repórteres Bruno Góes e Daniel Gullino indica que o Congresso está fazendo andar as propostas voltadas para a economia e segurando aquelas ligadas a costumes. (Globo)

O documentário Democracia em Vertigem, da cineasta Petra Costa, se tornou tema inevitável das rodas de conversa. Exibido via Netflix, constrói uma visão sobre o que a diretora enxerga como momento de ameaça à democracia no Brasil. Pinçamos a opinião de dois críticos. Assista.

Luiz Carlos Merten: “Petra não é somente rica. A fortuna de sua família está ligada à construtora Andrade Gutierrez, na mira da Lava Jato. ‘É a minha classe que está comandando essa guerra — de ricos contra pobres’, ela diz. O impeachment da presidenta Dilma Roussef foi só um começo. Para entender aquilo ela precisava decifrar o Congresso, o isolamento da classe politica no Planalto Central, e aí voltou aos anos JK. Teve de entender o antipetismo, e voltou às greves do ABC, a ascensão de Lula como sindicalista, líder político, presidente. O filme foi crescendo de tamanho, Petra poderia ter-se perdido no caminho, mas não. E ela logra um momento único — Dilma, após o impeachment, no carro com seu advogado. A presidenta, tirado o peso de cima dela está livre, solta, poderia-se dizer até alegre. E Dilma faz aquela análise. Está vivendo uma situação kafkiana, mas não a do ProcessoO Castelo. Sua lucidez intelectual é acachapante, nesse novo Brasil de bárbaros em que o QI deve ser medido pelos armamentos, e o ministro da Educação confunde Kafka com kafta.” (Estadão)

Marcelo Ikeda: “A forma didática, com relações de causa-e-efeito forçadas, sem grandes sutilezas, desvela uma narrativa sem novidades em relação ao discurso hegemônico da esquerda. Sinto falta no filme de Petra que ela realmente olhe para as imagens, antes de manuseá-las como função no interior da narrativa. As imagens parecem que estão aprisionadas diante do discurso prévio da realizadora. O que sobrevive não é sua costura forçada, mas os pequenos momentos em que as imagens, sorrateiras e traiçoeiras, se libertam e se deixam revelar em suas bordas e lacunas. A quem o filme se destina? Pela exposição minuciosa dos temas já exaustivamente apresentados pela imprensa, sem apresentar novidades ou reflexões mais aprofundadas, me parece que se destina primordialmente para um público estrangeiro. Ainda mais pelo fato de o filme ser produzido e distribuído mundialmente pela Netflix, a suspeita se reforça. Democracia em Vertigem é o outro lado de O Mecanismo — série de José Padilha que causou polêmica ao tratar os acontecimentos da Lava Jato de forma caricata como um mero thriller policial.”

Segundo a IndieWire, The Edge of Democracy é um dos favoritos para figurar entre os cinco indicados ao Oscar de Melhor Documentário.

Em tempo... O Castelo, romance inacabado de Franz Kafka, conta a história de K, um agrimensor que tenta falar com as autoridades de uma vila, que o contrataram, e nunca consegue. Leia o artigo na Wikipédia.

Viver


Marta, seis vezes melhor do mundo, maior artilheira de Copas, consciente de sua grandeza e papel, se dirigiu às mulheres após a eliminação da seleção brasileira pela França. Ela ainda estava em campo quando foi entrevistada pelo SportTV. “É lógico que emociona, o momento é muito emocionante. Eu queria estar sorrindo aqui ou até chorando de alegria. E eu acho que é esse o primordial. A gente tem que chorar no começo para sorrir no fim. Quando eu digo isso é querer mais, é treinar mais, é se cuidar mais, é estar pronta para jogar 90 minutos e mais 30 minutos, quantos minutos forem. É isso que eu peço para as meninas. Não vai ter uma Formiga para sempre, não vai ter uma Marta para sempre, não vai ter uma Cristiane. E o futebol feminino depende de vocês para sobreviver. Então pensem nisso, valorizem mais. Chorem no começo para sorrir no fim”.

Marta focou no futuro. “Essas meninas que sonham em estar em uma seleção, comece a fazer agora. O nível do futebol feminino não permite mais que você treine a hora que quer. O negócio está em alto nível, e isso é importante porque abrilhanta o espetáculo, mostra que somos capazes. Não é aquele futebol devagar, mortinho. Gente, o jogo hoje foi maravilhoso! Infelizmente, a gente não venceu, mas era lá e cá, lá e cá, lá e cá”. A atacante viu evolução na forma como o torneio tem sido tratado no Brasil. “A gente vem recebendo muitas mensagens. E o mais importante: não deixe de apoiar e estar junto com a gente”, pediu.

Em tempo... a craque é capa da Vogue Brasil de julho.

Galeria: Parada LGBT no mundo. Em São Paulo, a 23ª edição foi marcada por críticas ao governo Jair Bolsonaro. “Estamos vibrando por um país cujo futuro é de menos armas, mais amor e mais inclusão”, declarou Lulu Santos, em cima do último trio elétrico, sem citar diretamente o presidente. A Parada também reforçou a defesa da decisão do STF que criminalizou a homofobia.

Cultura


Um brasileiro de 13 anos é o primeiro latino-americano a ser chamado para participar da Competição Menuhin, em Londres, a mais prestigiosa premiação do mundo para violinistas. Guido Sant’Anna foi um dos seis finalistas entre 317 músicos, de 51 nacionalidades e o potencial do seu talento é tanto que o garoto ‘ganhou’ um violino novo para se apresentar. Trata-se de um Cremona de 1833. Não é dado, mas emprestado pelo tempo que estiver disposto a guardá-lo.

Galeria: Cremona. Considerada a Capital do Violino, a cidade está a cerca de uma hora de Milão e fabrica desde o século 16 alguns dos melhores instrumentos de corda do mundo. É patrimônio da humanidade pela UNESCO desde 2012. E sabe o delicioso torrone? Também foi criado lá.

Viciante, genial e brilhante são alguns adjetivos usados para descrever Dark. A segunda temporada da série, considerada uma das melhores originais da Netflix, voltou após um hiato de quase um ano e meio e a crítica é bem positiva.

Cotidiano Digital


Na quinta-feira, o presidente americano cancelou no último minuto um ataque por caças a uma instalação militar iraniana. Mas, no mesmo momento, os EUA promoviam um ciberataque ao país dos aiatolás. Os militares americanos desativaram remotamente os sistemas de lançamento de mísseis do Irã — não foi divulgado se via vírus ou invasão dos servidores. (Washington Post)

Enquanto isso... O Departamento de Comércio americano incluiu mais cinco companhias chinesas na lista de proibição de negócios. As cinco estão envolvidas no desenvolvimento do próximo supercomputador chinês. Até 2017, a China tinha o computador mais rápido do mundo. Os EUA a ultrapassaram no ano passado. Com a proibição, competir ficará mais fácil para os americanos.

Colunista de Tecnologia do Washington Post, Geoffrey Fowler navegou durante uma semana tanto com o Chrome quanto com o Firefox. Descobriu que o primeiro browser aceitou 11.189 cookies que o outro bloqueou. Ou seja: Google Chrome permite que sites acompanhem seus passos pela web, Mozilla Firefox protege sua privacidade.





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