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11 de julho de 2019
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De lavada: Por 379 a 131, Câmara aprova Previdência em 1º turno


O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, se emocionou, chorou. A vantagem no placar — 71 votos mais do que os 308 necessários — foi tão grande que nem entre os próprios deputados houve quem acertasse no bolão que corria solto. O parlamentar mais ousado imaginou que o texto-base teria 361 votos. Foram 379, e assim foi aprovada, em primeiro turno, a reforma da Previdência. Foi neste momento que Maia deixou a mesa diretora, se encaminhou para a tribuna e discursou. Não mencionou o presidente da República, Jair Bolsonaro, uma única vez. Mas elogios sobraram para o Parlamento, os líderes, os partidos, a oposição e até o Supremo. (Folha)

Ascânio Seleme: “O grande vitorioso pela aprovação da reforma em primeiro turno é o deputado Rodrigo Maia. Não só pelo impressionante número de presentes na casa e de votos a favor, mas também pela articulação impecável ao longo de toda a tramitação. O presidente da Câmara superou todos os obstáculos interpostos, inclusive os criados pelas escaramuças com um dos filhos de Bolsonaro e pelo próprio presidente, que muitas vezes interferiu como se fosse um líder da oposição. Por isso, coube a ele o discurso da vitória. Um discurso que apostou na convivência dos políticos em meio a diferenças. Coube a ele os aplausos e a ovação do plenário, que só teve lotação desta qualidade na promulgação da Constituição de 1988 e nos impeachments de Collor e Dilma. Papel fundamental também teve o ministro Paulo Guedes. Embora não tenha emplacado a ideia da capitalização, seu discurso missionário ajudou muito a consolidar no espírito dos parlamentares a importância fundamental da reforma. Ao presidente Bolsonaro coube um papel secundário. Mas, enfim, foi em seu governo que a reforma andou. E a Bolsonaro, portanto, não se pode negar este mérito.” (Globo)

No detalhe: Entenda ponto a ponto o que foi aprovado. E veja como votou cada parlamentar. (G1)

Como está, segundo especialistas da Instituição Fiscal Independente, as mudanças feitas na proposta do governo reduziram em 28% da economia de despesas em dez anos. O impacto na redução de 2020 a 2029 deverá ser de R$ 714 bilhões. Era de R$ 995 bi quando chegou ao Congresso, pelas contas do mesmo IFI. (Folha)

Hoje e amanhã, os dias ainda serão intensos na Casa, pois o clima de euforia durou pouco. Mal começou a votação dos destaques, as mudanças propostas ao texto, e Maia percebeu que a situação poderia ficar fora de controle. O primeiro destaque propunha retirar os professores da reforma. 265 deputados votaram a favor. Não foi o suficiente — era preciso o mesmo mínimo de 308. Mas foi muita gente. Com outros destaques pela frente desidratando a emenda constitucional, o presidente da Câmara viu no plenário desarticulação. “As pessoas estavam mal orientadas, mal informadas”, concluiu. E suspendeu a sessão para que seja retomada hoje, de forma que seja possível reorganizar as forças. (Poder 360)

Há pelo menos 15 destaques por avaliar. Para um deles há acordo — o que muda as regras de aposentadoria para mulheres. Elas passariam a ter direito a 60% do valor do benefício após 15 anos de contribuição, e não 20. O mais polêmico é aquele pelo qual Bolsonaro vem se empenhando: suaviza ainda mais as regras para inúmeras carreiras policiais. (G1)

Míriam Leitão: “O Brasil está dividido entre quem defende corporações e quem não as defende. A divisão nunca foi entre esquerda e direita. O presidente trabalha para tirar da reforma os agentes de segurança da União. Já no plenário, o deputado Marcelo Freixo acusou o governo de estar contra os policiais. Nesse debate, as corporações têm ao lado delas tanto Bolsonaro quanto Freixo. No momento decisivo é quando os reais compromissos são testados. Durante a tramitação da reforma os discursos eram a favor dos mais pobres, mas a elite do funcionalismo foi beneficiada com mais concessões.” (Globo)

Aliás... Para a esquerda, a votação de ontem é um divisor de águas. Sem propor alternativas, mostrou-se incapaz de obstruir. E o Datafolha indicou reconhecimento, por parte da maioria da população, de que a reforma é necessária. Um de seus líderes, conversando em off com o jornalista Alberto Bombig, comentou que o grupo termina por reforçar a percepção de que prega o desequilíbrio das contas públicas. (Estadão)

Pois é... Sob ameaça de expulsão pelo PDT, que fechou questão pelo voto contra, a deputada Tabata Amaral gravou vídeo explicando por que votou sim. “Ser de esquerda não pode significar que vamos ser contra um projeto que de fato pode tornar o Brasil mais inclusivo e mais desenvolvido”, afirmou. “Não é um voto pelo dinheiro de emendas, é um voto que segue as minhas convicções e tudo que estudei até aqui. A reforma não pertence ao governo, ela sofreu diversas alterações feitas por este Congresso.” (BR18)

E ela não ficou sozinha. Perante sua defesa enfática, carregou consigo mais sete dos 27 parlamentares do partido. No PSB, o racha foi maior. Onze dos 32 deputados decidiram ir contra a orientação da liderança e votaram pela reforma. As bancadas de PT, PCdoB e Psol votaram fechadas contra. (Globo)

Morreu ontem, aos 76 anos, o jornalista Paulo Henrique Amorim. Começou na carreira cobrindo, para o vespertino A Noite, a renúncia de Jânio Quadros. Também escreveu no Jornal do Brasil e passou pelas TVs Manchete, Globo e Bandeirantes. No período Lula, encabeçou um grupo de jornalistas que criaram blogs governistas — o seu chamava-se Conversa Afiada. Tendo entrado na TV Record em 2003, apresentava o dominical Domingo Espetacular desde 2006. Foi afastado do programa em junho por conta da oposição ao governo, expressa na internet. Paulo Henrique sofreu um infarto fulminante. (R7)

Cultura


Elza Soares se uniu aos ritmos da Bahia no primeiro single de Planeta fome, 34º álbum da cantora. A música Libertação foi gravada com a produção musical da BaianaSystem e chega às plataformas no dia 16 de agosto. O lançamento do álbum está programado para 13 de setembro.

Em Berlim, os visitantes da Ilha dos Museus encontrarão uma massa de pedra reluzente que se eleva do Canal Kupfergraben. A nova Galeria James Simon, do arquiteto britânico David Chipperfield, é majestosa e imponente, um híbrido de design neoclássico e moderno. Veja fotos.

Composta por cinco museus, incluindo o Pergamon, a Ilha dos Museus foi construída aos poucos durante os séculos XIX e XX, e foi bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial. Reconstruir a ilha tem sido um processo meticuloso e controverso, com estilos de design e necessidades mudando ao longo das décadas.

E a corrida temática de Onde Está o Wally? chega ao Brasil. A partir de agosto, São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro vão receber o evento esportivo que está aberto para corredores amadores. Segundo a organização, haverá surpresas no meio do caminho, como painéis para o público encontrar Wally e seus objetos pessoais.

Viver


Não tem a ver só com religião. Estudos mostram que o desenvolvimento econômico e a democracia num país estão relacionados à aceitação do relacionamento entre pessoas do mesmo sexo. Uma teoria é que a economia de uma nação molda as atitudes de seu povo – incluindo como as pessoas se sentem em relação aos direitos LGBT. "Muitas vezes, os países mais pobres tendem a ser menos favoráveis, em parte porque os valores culturais tendem a se concentrar mais na sobrevivência básica. As pessoas que vivem em nações mais ricas, por outro lado, estão mais propensas a ter liberdade para tomar decisões que lhes convêm e a acreditar na expressão de ideias próprias". Nem todo mundo em países mais desenvolvidos apoia relações do mesmo sexo, mas os dados indicam que esta é a tendência majoritária. Outra possibilidade é pensar que pessoas de faixas etárias diferentes podem mudar seus pontos de vista e algumas pesquisas sugerem que isso está acontecendo. Reportagem completa na BBC.

Vídeo da atleta americana Megan Rapinoe durante a festa do título, ontem, em Nova York: "Temos garotas de cabelo rosa e de cabelo roxo. Temos tatuagens e dreadlocks. Temos garotas brancas, garotas negras e tudo entre elas. Temos garotas héteros e garotas gays. Eu não poderia estar mais orgulhosa de ser co-capitã, ao lado de Carli (Lloyd) e Alex (Morgan), desta equipe. É uma honra liderar essa equipe em campo. Não há qualquer outro lugar em que eu preferia estar - mesmo em uma disputa presidencial. Estou ocupada, me desculpem", disse a estrela do futebol feminino que brilhou na Copa do Mundo. Defensora de bandeiras de igualdade racial e de gênero, Rapinoe, artilheira e eleita a melhor jogadora do torneio, travou um conflito com o presidente americano durante o mundial. Relembre.

Aliás... Os Simpsons homenagearam a seleção americana.

O Homo sapiens não africano mais antigo descoberto até agora era grego e tem até 210 mil anos, de acordo com um estudo publicado ontem na Nature. Isso antecipa em mais de 150 mil anos a previsão dos cientistas da chegada da espécie na Europa. A nova descoberta reforça a ideia de que aconteceram múltiplas dispersões de humanos fora da África. O movimento migratório e a colonização da Eurásia foram certamente mais complicados do que se pensava anteriormente e o mais curioso é que todos os grupos que se desenvolveram fora da África, há mais de 60 mil anos, desapareceram sem deixar rastros em nosso genoma atual.

Quem recebe benefícios do INSS pelo banco precisa provar que está vivo para manter o pagamento ativo. O G1 explica como.

E por que é erro científico usar dias frios para negar o aquecimento global.

Cotidiano Digital


Saiu publicada ontem, no Diário Oficial, a sanção presidencial da Lei de Proteção de Dados. Bolsonaro impôs vetos importantes. O mais relevante deles: a obrigatoriedade de revisão por uma pessoa de decisões automatizadas quando o cliente pedir. Algoritmos de inteligência artificial tomam cada vez mais decisões. Sobre quem tem direito a empréstimo ou não, sobre quem pode ser aprovado para um emprego, sobre o valor de apólices de seguro. É o tipo de tecnologia que tende a aumentar em uso. A lei aprovada pelo Congresso permitia, a exemplo do que ocorre com a lei europeia, que qualquer um que se sinta injustiçado possa pedir a revisão por um ser humano. Bolsonaro eliminou esta garantia, como pediam as empresas de tecnologia, mas perante as críticas de especialistas. “Em um momento em que o mundo debate o uso ético da Inteligência Artificial e formas de tentar minimizar os vieses da tecnologia”, escreve a jornalista Cristina De Luca, “deixar aos cuidados de outro algoritmo a revisão de uma decisão automatizada é um contrassenso, para dizer o mínimo.” Os vetos podem ser derrubados pelo Congresso.

Enfim saiu um papel. O secretário de Comércio, Wilbur Ross, anunciou que a Huawei continuará na lista de empresas com as quais companhias americanas estão proibidas de se relacionar. Mas seu Departamento dará permissões avulsas para que negócios ocorram quando avaliar que não há ameaça à segurança nacional. Uma das decisões já anunciadas é que fabricantes de chips estão autorizadas a seguir vendendo para a gigante chinesa. Ainda não houve anúncio a respeito do Android. (New York Times)

Até lá... O CEO da Huawei, Ren Zhengfei, se manifestou a respeito do sistema para celulares que pretende lançar, competidor de Android e iOS. Vai se chamar Hong Meng e será 60% mais rápido do que o concorrente do Google e já está sendo testado por outras fabricantes chinesas de smartphones.





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