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30 de setembro de 2020
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Prezadas leitoras, caros leitores —

Esta é a edição de número mil do Meio.

O Meio nasceu na segunda-feira seguinte ao primeiro turno do pleito municipal de 2016. Quando publicamos nossa tábua de crenças, ressaltamos que somos digitais. Que acreditamos na capacidade que o digital tem de unir, na importância do diálogo entre esquerda e direita, na centralidade que a ciência tem de assumir em nossas decisões sobre o mundo e a sociedade. Falávamos de um mundo sem fronteiras. Reafirmávamos nossa aposta na conversa e em argumentos.

Quatro anos depois, em meio ao surto nacionalista e anticiência que é por natureza antidemocrático, não estamos em nossa zona de conforto. E é justamente por isso que acreditamos em seguir fazendo o trabalho: um passo por vez, reafirmando através da seleção do melhor jornalismo o papel transformador que uma sociedade bem informada pode ter.

Daqueles 5.293 assinantes iniciais, 3.074 ainda estão conosco. Muito cá entre nós, temos uma queda por vocês ;-)

O Meio segue sendo apartidário e muito preocupado em manter o diálogo entre forças antagônicas. É só não tocar na democracia. Esta é nossa linha de corte.

Somos isto que vocês leem todos os dias. Um recorte do que consideramos o melhor da imprensa, uma janela para o mundo, um esforço de reflexão. Com o tempo, o vídeo também entrou. Se tudo der certo, brevemente entrará o áudio. Estamos na assistente virtual Alexa. E aos poucos preenchendo quaisquer espaços digitais.

Prezadas leitoras, caros leitores, o que vocês querem saber sobre o Meio? Respondam a esta edição da newsletter. Basta dar um reply. Nós vamos responder hoje, às 19h, numa live em nosso YouTube. Toda a equipe reunida. Venham.

Também a partir de hoje, e até a próxima terça, publicaremos a editoria Mil e Uma Manhãs. São nossas memórias das primeiras 999 edições. Assim como, até esta sexta, deixaremos aberto o acervo das edições de sábado — aquela que só os assinantes premium recebem. Vamos, aliás, recomendar algumas das quais gostamos mais.

E se há um único pedido que gostaríamos de lhes fazer, bem, se o Meio é importante em suas vidas, falem da newsletter a seus amigos. Recomendem nosso site — canalmeio.com.br. Já somos mais de cem mil, todos os dias. Gente informada, é nossa crença fundamental, é a base de qualquer conversa. Debate. Democracia. Mesmo num tempo em que é tão difícil separar tempo para informação. Resolver este problema, aliás, é justamente nossa missão.

Muito obrigado pela companhia.

Cláudia. Erica. Anne. Tony. Vitor. Pedro.


Primeiro debate presidencial americano termina em caos


O primeiro dos três debates que ocorrerão entre o presidente americano Donald Trump e o ex-vice-presidente Joe Biden, que disputam a Casa Branca, terminou em caos. Aproveitando-se de que a interrupção era permitida pelas regras, Trump não permitiu que Biden completasse frases, atravessando suas respostas quase todas as vezes. “Os dois candidatos expressaram uma rejeição ácida um do outro jamais visto na política americana moderna”, observou o New York Times. “O evento mais esperado do trecho final da campanha foi um espetáculo incontrolável de interrupções e intimidação, de vozes alteradas e explosões”, descreveu o Washington Post. “Foi um debate marcado por interrupções e insultos”, seguiu o Wall Street Journal. Exasperado, em alguns momentos Biden deixou clara sua irritação. “Cala a boca, cara”, disse ao presidente da República. “É difícil passar uma mensagem com esse palhaço”, disse noutro momento, para logo se corrigir, “quer dizer, com esta pessoa.”

Talvez o momento mais surpreendente foi aquele em que o moderador, Chris Wallace, pediu a Trump que condenasse o grupo Proud Boys, uma milícia particularmente agressiva de supremacistas brancos. “Proud Boys, segurem a onda mas fiquem atentos”, disse o presidente. “E tenho de dizer, é preciso que alguém faça algo a respeito dos antifa e da esquerda.” Biden imediatamente respondeu. “O próprio FBI diz que este grupo é supremacista branco e antifa é uma ideia, não é uma organização.” Assista. (Twitter)

A CNN americana realizou uma pesquisa ontem mesmo, após o debate, perguntando aos americanos sua avaliação. 60% consideraram que Joe Biden teve a melhor performance. E 28% indicaram Trump como vencedor. O mesmo painel de espectadores também fez um prognóstico antes do debate. 56% acreditavam que Biden seria melhor e, 43%, Trump. (CNN)

Pois é... Joe Biden citou o Brasil. “A Floresta Amazônica está sendo destruída, arrancada”, ele afirmou em dado momento. “Mais gás carbônico é absorvido ali do que todo carbono emitido pelos EUA. Tentarei ter a certeza de fazer com que os países ao redor do mundo levantem US$ 20 bilhões e digam (ao Brasil): ‘Aqui estão US$ 20 bilhões, pare de devastar a floresta. Se você não parar, vai enfrentar consequências economicas significativas.’” O candidato não deixou claro que consequências são estas, mas já indicou que se alinhará com as nações europeias na pressão que fará sobre o governo Bolsonaro caso seja eleito. (Globo)

Nate Silver: “Não sei se compro a tese de que foi o ‘pior debate da história’. Biden não estava particularmente afiado, principalmente nos primeiros 30 minutos. Mas sua performance foi correta. Não era ele o sujeito que estava interrompendo a toda hora, ou que se recusou a respeitar os resultados das eleições, ou que fugiu de responder se denunciava movimentos supremacistas brancos. E não era ele o sujeito que precisava vencer, afinal é ele quem está à frente das pesquisas.” (FiveThirtyEight)


A Justiça Federal derrubou as novas resoluções impostas pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente. Na segunda-feira, o Conama havia derrubado três normas de proteção ambiental, em essência permitindo o avanço de projetos imobiliários sobre áreas de restinga e manguezais, assim como afrouxando o uso de agrotóxicos. A decisão é liminar e cabe recurso. (Poder 360)

Meio em vídeo: Começamos esta semana o período de campanha eleitoral para prefeitos e vereadores. No Brasil, é como se fosse uma eleição menor. A tradição do país é centralizadora, importante é a capital que define os destinos da nação. Arquiteto, urbanista, Washington Fajardo é talvez quem melhor conheça os dilemas das cidades brasileiras. E é ele nosso entrevistado da semana. Assista.


Milésimo gol do Meio

Tony de Marco

 
Mil_Meios

Mil e uma manhãs


E noites também. Esta é uma editoria especial para comemorar nossa milésima edição. É também um resgate do nosso histórico com a seleção de fatos, curiosidades, reflexões políticas, leituras prazerosas e percepções diferentes sobre um mesmo assunto. Desde que começamos o Meio, publicamos mais de 60 mil links e 115 edições premium. Muitas chamaram a atenção. Outras menos. Com o olhar atento dos nossos leitores, notas também ganharam erratas — constrangedoras, mas sempre transparentes. Uma editoria para contar ganhos, aprendizados e registros importantes da nossa história recente. Aliás, alguma delas foi especial pra você? Conte para a gente.

Começando pela edição premium com maior taxa de abertura: Como Bolsonaro Surgiu. Aliás, abrimos as edições de sábado temporariamente para os assinantes gratuitos. Adoraríamos ter você como assinante premium também.

Também em Política, Rodrigo Maia protagonizou uma das notas mais clicadas: o dia em que o presidente da Câmara confrontou um deputado bolsonarista sobre faixas pedindo o fechamento do Congresso.

E pode-se afirmar, com base em cliques...Que as capas da New Yorker são populares. Mas não com todos... Alguns enviaram e-mails dando conta de que não aguentam mais esta nossa obsessão. Errados não estão. Mea-culpa, mas há quem goste. A mais clicada é recente, de outubro: uma homenagem à juíza Ruth Bader Ginsburg. A segunda, de abril de 2020, homenageou os profissionais de saúde no começo da pandemia. A terceira, de junho, mostrou uma Nova York de cabeça pra baixo. E vamos combinar que são boas.

Foram 26 erratas nessas mil edições. Foram aqueles erros que consideramos sérios a ponto de necessitar correção. A que teve maior taxa de abertura foi uma errata de edição inteira. Literalmente publicamos duas edições no mesmo dia para corrigir a manchete: E já caiu um ministro... Só que não caiu. Diferentemente do que publicou o Meio em sua manchete em 2019, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, não foi exonerado por conta do esquema de desvio de verbas de campanha que foi acusado de ter dirigido. Sua exoneração, publicada no Diário Oficial, ocorreu para que Antônio tomasse posse na Câmara dos Deputados. Ele retornou às atividades como ministro no dia seguinte.

Algumas erratas foram dolorosas... E só podem ter acontecido por emoção e perda de consciência de quem vos escreve, uma grande fã de Beth Carvalho. Reproduzimos:

No seu enterro, “Samba, agoniza mas não morre/ Alguém sempre te socorre/ antes do suspiro verdadeiro”, entoou Nelson Sargento na despedida de Beth Carvalho. A cantora foi enterrada ontem na sede do Botafogo, onde artistas, políticos, familiares e amigos deram adeus à Madrinha do samba.” Foi o velório, não o enterro, que havia ocorrido no clube carioca. A correção virou outra nota, uma homenagem. “Torcedora ilustre do Botafogo, nunca escondeu sua paixão pelo futebol e, na primeira partida que o time disputou desde a sua morte, uma homenagem rolou no estádio Nilton Santos. Ao invés de um minuto de silêncio, o Botafogo fez um minuto de samba, com o clássico Vou Festejar". 

E erros de ortografia também aconteceram. Ficamos arrasados quando vemos, dois minutos após o disparo da newsletter, que faltou um acento grave ou engolimos uma vogal. Não vamos nos justificar, mas durante fechamentos, às 7h, e numa newsletter, erros de digitação não conseguem ser editados após o envio. Pedimos desculpas. A linguagem no Meio, também, vez ou outra, é atualizada, mas sem ferir o português, claro. Pois é: lemos todos os e-mails e não tem uma crase que escape dos nossos leitores. Sugestões e correções são sempre avaliadas e bem-vindas.

Mil e uma manhãs continua...

Viver


Sobre a pandemia, o Brasil registrou 849 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas, chegando ao total de 143.010 óbitos. Com isso, a média móvel de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 693 óbitos, uma variação de -12% em relação aos dados registrados em 14 dias. Em casos confirmados, já são 4.780.317 brasileiros com o novo coronavírus, 31.990 desses confirmados no último dia. A média móvel de novos casos foi de 26.426 por dia, uma variação que aponta queda, com -17% em relação aos casos registrados em 14 dias. É a menor média móvel de casos registrada desde o dia 18 de junho.

O país tem 11 estados, além do Distrito Federal, com tendência de queda na média móvel de óbitos: Acre, Alagoas, Ceará, Mato Grosso, Pará, Paraná, Piauí, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo e Sergipe. Quatorze unidades federativas têm tendência de média móvel estável: Amapá, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Tocantins. Em dois, Amazonas e Roraima, a tendência é de alta.

O Brasil está entre os países que menos confiam em cientistas apontou um estudo do centro de pesquisas americano Pew Research Center. Conduzida de outubro de 2019 a março de 2020, a pesquisa aconteceu na Europa, Rússia, Américas e região da Ásia-Pacífico. Entre os países que mais acreditam na ciência estão Índia, Austrália, Espanha e Países Baixos, com índices de alta confiança de 59%, 48%, 48% e 47%, respectivamente. A média de pessoas que têm “muita” confiança nos cientistas é de 36%, a mesma parcela que responde a mesma coisa sobre os militares. O número é superior à parcela que diz isso sobre líderes empresariais, governo nacional e mídia. O levantamento mostra que a ciência é vista de forma positiva pelo público global, indo de acordo com a atual expectativa em torno de tratamentos para a Covid-19. Contudo, brasileiros são os que menos acreditam que os cientistas fazem o que é certo para a sociedade – 36% dos entrevistados disseram confiar pouco ou nada neles. Apenas 23% acreditam muito nas atitudes dos cientistas. Brasileiros também acreditam que o país está abaixo da média em empreendimentos tecnológicos, conquistas científicas e no ensino de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. É a população que pior avalia seu país em todas essas áreas.

Cultura


Edward Hopper copiou outros artistas no começo da sua carreira como pintor. Ao pesquisar a obra do célebre artista americano, conhecido por retratar a solidão nas suas telas, Louis Shadwick, estudante de doutorado no Courtauld Institute em Londres, descobriu que três das primeiras pinturas a óleo de Hopper, da década de 1890, não são imagens originais. Shadwick explica sua descoberta na edição de outubro da The Burlington Magazine. A descoberta não surpreendeu tanto visto que, antes do advento da arte moderna e de suas liberdades, os artistas quase sempre começavam pela cópia.

Gilberto Gil foi um dos escolhidos para representar a volta da Elle Brasil ao mercado. Com uma edição focada em cultura, Gil foi fotografado por Bob Wolfenson e estampa uma das capas de outubro. Veja.

A Amazon Prime Video comprou os direitos de Borat 2 e vai lançar o filme na última semana de outubro, pouco antes das eleições americanas. Sacha Baron Cohen precisou usar colete à prova de balas e a sequência foi filmada em segredo. Segundo o Film Stage, o filme se concentrará na pandemia de Covid-19 e no relacionamento de Trump com o investidor falecido e condenado por crime sexual Jeffrey Epstein.

Cotidiano Digital


Marque na agenda: o Prime Day vem para o Brasil. O Black Friday dos assinantes da Amazon acontecerá pela primeira vez por aqui, nos dias 13 e 14 de outubro. Os descontos podem chegar até 30% para produtos de diversas categorias.

Por falar na Amazon, a empresa lançou um novo sistema de pagamentos. Chamada de Amazon One, a tecnologia é similar aos pagamentos por aproximação feitos pelos celulares. Só que em vez dos aparelhos, escaneia os detalhes da palma da mão, como linhas e rugas, para identificar o usuário cadastrado. O primeiro local com o sistema será em Seattle, nos EUA, nas lojas Amazon Go, estabelecimentos que não têm caixa e nem atendentes.





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30 de setembro de 2020
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