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17 de fevereiro de 2021
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STF prende deputado bolsonarista por ameaças à Corte


Mal se instalou e o novo comando da Câmara dos Deputados tem uma missão delicada pela frente. Já passava das 22h, ontem, quando a Polícia Federal bateu à porta do deputado bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ). Trazia um mandado de prisão assinado pelo ministro Alexandre Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Mais cedo, o parlamentar havia divulgado um vídeo cheio de ofensas pessoais a ministros do STF, entre outras coisas acusando-os, sem apresentar provas, de venderem sentenças. A prisão aconteceu no âmbito do inquérito das fake news e manifestações antidemocráticas, relatado por Moraes. (Poder360)

Ao ser preso, Silveira gravou um novo vídeo em desafio a Moraes. “Ministro, quero que você saiba que você está entrando numa queda de braço que não pode vencer. Não adianta você tentar me calar. Já fui preso mais de 90 vezes na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro”, disse ele. “A Câmara vai decidir sobre minha prisão ou não. Eu tenho a prerrogativa. Você acabou de rasgar a Constituição mais uma vez”, concluiu. (Globo)

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), foi avisado previamente por Moraes de que Silveira seria preso. A conversa entre eles, segundo fontes, foi calma. O deputado concordou que o vídeo divulgado pelo colega era excessivo, mas questionou se não haveria medida mais branda, sendo informado que o mandado de prisão já havia sido expedido. No Twitter, Lira afirmou que a questão será tratada “com serenidade” e que a decisão final será dada pelo Plenário da Câmara. São necessários 257 votos para revogar a prisão. (Poder360)

De acordo com o Radar, o presidente da Corte, Luiz Fux, já incluiu a prisão de Silveira como primeiro item na pauta do Supremo hoje à tarde. (Veja)

O Executivo ainda não se manifestou. Auxiliares do presidente Jair Bolsonaro defendem que ele não se envolva, o que deve ser difícil, dada a proximidade entre os dois. Segundo fontes do Planalto, Bolsonaro já estava dormindo quando a notícia da prisão chegou. (Globo)

A prisão dividiu os parlamentares. Enquanto oposicionistas como Luísa Erundina (PSOL-SP) e Jandira Feghali (PCdB) comemoravam, Filipe Barros (PSL-PR) a classificou como “abuso de autoridade de Alexandre Moraes”. (G1)

Então... Colega de Silveira na bancada fluminense do PSL, Carlos Jordy elevou o tom e, num tuíte, chamou o ministro do STF de “vagabundo” e cobrou de Lira “postura contra esses ditadores”. (Twitter)

Daniel Silveira ganhou notoriedade já durante a campanha ao quebrar, durante um ato político, uma placa em homenagem à vereadora do PSOL carioca Marielle Franco, assassinada em março de 2018. Ontem, sua irmã Anielle Franco ironizou: “Quero ver quebrar plaquinha na cadeia”, disse no Twitter. (UOL)

O vídeo com os ataques de Silveira ao STF veio como provocação num contexto maior. O deputado desafiava o relator da Lava Jato na Corte, ministro Edson Fachin, a prender o comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas. Pois o próprio Villas Bôas debochou de Fachin, também ontem, por conta da nota divulgada na segunda pelo ministro. No texto, Fachin comentava a revelação de que o Alto Comando do Exército participou da elaboração de um tuíte pelo qual Villas Bôas pressionava o STF na véspera do julgamento de um habeas corpus do ex-presidente Lula, em 2018. Para Fachin, a pressão de militares sobre o Poder Judiciário é “intolerável e inaceitável”. Ontem, Villas Bôas reproduziu no Twitter a notícia da nota do ministro com o comentário: “Três anos depois”. Uma referência ao fato de Fachin, que já integrava o STF, ter ficado calado na época. (Globo)

Após o tuíte do general, hoje na reserva, o ministro Gilmar Mendes usou a mesma rede social para reagir: “Ao deboche daqueles que deveriam dar o exemplo responda-se com firmeza e senso histórico: Ditadura nunca mais!” escreveu. (Twitter)

Para o público externo, a oposição defende o impeachment de Jair Bolsonaro por, entre outras coisas, crimes de responsabilidade cometidos na gestão da pandemia. Da porta para dentro, porém, a conversa é outra. O ideal para esses partidos é que o presidente permaneça no cargo, mas com um “clima de impeachment” permanente a desgastá-lo até 2022. A estratégia se baseia também na avaliação de que, com o apoio do centrão ao governo, nenhum processo de afastamento do presidente vai prosperar no Congresso. (Folha)

A oposição, aliás, tem problemas mais urgentes pela frente. Com aval do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o Centrão quer mudar o regimento interno da Casa para dificultar o uso de ferramentas legislativas como a obstrução, que permitem à minoria travar ou até inviabilizar votações. (Estadão)

Quando duas correntes políticas perdem a capacidade de conversar, a democracia se vê ameaçada. Quando não há mais fontes de informação que não tendam para um lado ou para o outro, a ameaça se agrava. O Meio é crítico — e sempre será, não importa qual governo ou qual a oposição. Investir em jornalismo é uma aposta na democracia. Assine o Premium.

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O Mundo transformado pelo 5G


As aplicações da nova geração da internet móvel no campo são inúmeras. Quando o 5G for enfim instalado, sensores serão espalhados por toda a cadeia — nas plantações, nos caminhões que transportam, no mercado e até na geladeira — e vão permitir que muito seja automatizado. A agricultura de precisão leva a equipamentos automatizados que borrifem água e insumos sobre as plantas com precisão milimétrica. Tratores, colheitadeiras e outros equipamentos autônomos poderão ser geridos à distância. Toda a logística do plantio até o produto agrícola chegar ao consumidor poderá ser monitorada. Isto quer dizer muito mais informação para o consumidor final. No terceiro episódio da série, conheça a Internet das Sojas.

Viver


Rio de Janeiro, Cuiabá e Salvador interromperam suas campanhas de vacinação por falta de doses. Outras capitais devem seguir pelo mesmo caminho, sem que haja uma previsão de reabastecimento por parte do Ministério da Saúde. A Frente Nacional dos Prefeitos (FNP) atribuiu o problema a uma “sucessão de equívocos” do governo federal, enquanto a Confederação Nacional de Municípios (CNP) pediu a demissão do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello. (Globo)

E ontem o governo federal concluiu a compra de 54 milhões de doses da CoronaVac, além dos 46 milhões adquiridos anteriormente. A estimativa é que as vacinas sejam entregues pelo Instituto Butantan até setembro. (Folha)

Nesta terça-feira o Brasil superou 240 mil mortes pela Covid-19, com o registro de 1.090 óbitos. A média móvel de mortos em sete dias ficou em 1.056, completando 27 dias na faixa dos quatro dígitos e se aproximando do recorde de 31 dias registrado entre 3 de julho e 2 de agosto do ano passado. Ontem foram diagnosticadas ainda 55.428 novas infecções, elevando o total para 9.921.339. (UOL)

Um dos novos pacientes é o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Ele é o 15º integrante do primeiro escalão do governo a testar positivo. (Band)

Jamil Chade: “Enquanto o número global de novas mortes pela covid-19 sofreu uma queda importante na última semana, as taxas referentes ao Brasil não acompanham a evolução global. De acordo com o levantamento semanal da OMS sobre a pandemia publicado nesta terça-feira, foram 81 mil mortes na semana no mundo, 10% a menos que nos sete dias anteriores. Já no Brasil, os índices não perdem força.” (UOL)

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) confirmou nesta terça-feira a presença no Rio de Janeiro da variante do Sars-Cov-2, o vírus da Covid-19, identificada incialmente em Manaus. Chamada de P.1, a variante já está presente em outros dez estados. Embora não haja ainda dados que a relacionem a casos mais graves da doença, ela é semelhante às variantes britânica e sul-africana que têm comprovadamente uma taxa de transmissão maior. (Poder360)

As mutações do coronavírus preocupam cada vez mais os cientistas, pois podem ameaçar mesmo que já se curou da doença ou foi vacinado. A França comunicou o primeiro caso de reinfecção grave decorrente da variante sul-africana. Os poucos casos anteriores de reinfecção no mundo provocaram apenas sintomas leves. E testes indicam que essa variante é mais resistente a pelo menos cinco vacinas em uso no mundo (El País)

Além do número de mortos e das mutações, as “vacinas de vento” provocaram revolta. Foram pelo menos três casos registrados em vídeo de profissionais de saúde que fingiam aplicar o imunizante em idosos no Estado do Rio. A polícia investiga se houve peculato por parte dos profissionais. Os casos só foram descobertos porque os acompanhantes filmaram a aplicação. (G1)

Em São Paulo, o centro da crise é Araraquara, cuja rede de saúde está entrando em colapso. O município registrou aumento recorde no número de casos, incluindo 12 confirmados da variante amazonense do coronavírus. Desde segunda-feira a cidade está em lockdown rígido, sendo proibida a circulação de pessoas sem justificativa. (G1)

E o governo da Bahia decretou toque de recolher em quase todo o estado, das 22h às 5h, a partir desta sexta-feira. (Poder 360)

O ser humano nunca está sozinho de fato. Cada um de nós pode contar sempre com a companhia de micro-organismos que chamam nosso corpo de lar. É a chamada “microbiota humana”, uma infinidade de bactérias, vírus e fungos que cumprem funções importantes no organismo, em particular no aparelho digestivo. O problema é que as (necessárias) medidas de higiene e isolamento contra o coronavírus estão dificultando a proliferação ou aquisição da microbiota, o que pode ter impacto sobre a imunidade e o funcionamento do organismo no futuro, alertam os cientistas. (Globo)

Cultura


“Todos nós nos sentimos atraídos pelo mistério, porque todos os seres humanos somos curiosos.” Essa é uma das explicações do francês Joël Dicker para o sucesso de seus livros policiais. O mais recente deles, O Enigma do Quarto 622, foi o mais vendido na França ano passado e está chegando agora ao Brasil. Sua trama envolve um escritor suíço, um espião e banqueiros em torno de um assassinato num hotel nos Alpes. Parte da crítica torce o nariz, acusando-o de fazer “literatura fácil” de olho no grande público. Dicker toma como elogio. (Folha)

Qual gamer nunca sonhou em ter uma tela de 22m x 16m para enfrentar um Reaper, salvar os androides da opressão humana ou, vá lá, disputar uma partida de futebol ou uma corrida de carros com o Mario? Pois na Coreia do Sul isso é possível. Sem público ou filmes, os cinemas estão alugando suas salas para jogadores, um por vez ou em pequenos grupos sentados a uma distância segura uns dos outros. Em valores brasileiros a brincadeira sai cara: R$ US$ 90 (R$ 483) por hora durante o dia e US$ 135 (R$ 725) à noite. Mas, só para lembrar, o salário-mínimo da Coreia do Sul equivale a R$ 4.763,20. (BBC)

Não conseguiu assistir à live arrebatadora de Maria Bethânia no último sábado? Tudo bem. Quer ver de novo? Melhor ainda. A apresentação ainda está disponível para todo o público na Globoplay. E vale cada segundo.

Cotidiano Digital


Eles passam quase despercebidos, mas a escassez de chips pelo mundo já começou a ser notada. Ano passado, a Apple teve que escalonar o lançamento dos iPhones, enquanto os Xbox Series e PlayStation 5 estão em falta pelo mundo. A Samsung avisou que está lutando para atender aos pedidos para seus próprios produtos e também para outras empresas. E o mesmo acontece com a Qualcomm. O fenômeno tem sido chamado em inglês de chipageddon (algo como o armagedom dos chips). Um dos responsáveis é a pandemia: com o isolamento social, as fabricantes de chips restringiram suas produções priorizando eletrônicos. Mas com o retorno, aos poucos, da economia, não só a demanda por eletrônicos continuou em alta, como a de carros, sobrecarregando ainda mais as fabricantes. Montadoras como Ford e General Motors já paralisaram algumas de suas linhas de produção.

Então… Intel, Qualcomm e mais empresas de chips dos EUA mandaram uma carta para Joe Biden pedindo “financiamento substancial para incentivos à fabricação de semicondutores”. Os chips que faltam são fabricados principalmente em países como Taiwan e Coreia do Sul, locais que recebem mais incentivos, segundo o grupo de empresas americanas.





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17 de fevereiro de 2021
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