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7 de abril de 2021
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Prezadas leitoras, caros leitores —

Hoje à noite vamos realizar uma live diferente aqui no Meio: o primeiro Fórum Derrubando Muros. O tema é a indústria da desinformação.

Para conduzir a conversa, convidamos três pessoas que entendem muito do assunto. São a jornalista Vera Magalhães, apresentadora do Roda Viva e colunista de O Globo e da CBN; Pablo Ortellado, professor da USP; e Marco Aurélio Rudiger, diretor da FGV-DAPP.

A live é uma parceria com o grupo Derrubando Muros, que reúne empresários, acadêmicos, diplomatas, terceiro setor, políticos, investidores, gente de diversas instituições com um objetivo principal: restabelecer o diálogo político no Brasil.

Durante o encontro, algumas pessoas do grupo, no papel de anfitriões, farão perguntas. São Priscila Cruz (Todos Pela Educação); Fersen Lambranho (empreendedor); Beto Verissimo (Imazon); Antônio Britto (jornalista e ex-governador gaúcho); e Roberto Freire (ex-senador e presidente do Cidadania).

Haverá uma segunda rodada de perguntas vindas do público. Todos estão convidados a participar.

Um dos maiores problemas que temos nas democracias é a indústria da desinformação. Você sabe como ela funciona? É o que tentaremos responder. O resultado a gente conhece. Ela distorce o voto na medida que transforma a percepção que os eleitores têm da realidade.

A live começa pontualmente às 19h30 e será transmitida pelo YouTube e Facebook do Meio.

— Os editores


Um dia, 4 mil mortos: a tragédia brasileira


Até ontem, apenas os Estados Unidos haviam registrado mais que quatro mil mortes por Covid-19 num único dia. Agora há mais um, o Brasil. Segundo dados levantados junto aos estados pelo consórcio de veículos de comunicação, foram computados ontem 4.211 óbitos, aproximadamente uma morte a cada 20 segundos. O total de vítimas fatais no país chegou a 337.364, com média móvel de 2.775 em sete dias – alta de 22% em relação ao período anterior. (G1)

Enquanto as pessoas morrem na fila por uma vaga em UTI, os hospitais das Forças Armadas mantêm até 85% de seus leitos ociosos, reservados para militares e suas famílias. Os dados foram repassados, após muita protelação, pelo Ministério da Defesa ao Tribunal de Contas da União (TCU). Os hospitais militares consumiram pelo menos R$ 2 bilhões do Orçamento da União em 2020, mas, mesmo diante da pandemia, os únicos civis com acesso a seus serviços são servidores do Ministério da Defesa. (Folha)

E mesmo diante de novos recordes de casos e mortes, o presidente Jair Bolsonaro ironizou, em fala a apoiadores registrada em vídeo, as medidas de isolamento social e debochou da alcunha de “genocida”. Ao ser indagado sobre os mais de 4 mil mortos, ele ignorou a pergunta e disse que “resolveria o problema do vírus em poucos minutos” dando dinheiro à imprensa. (Folha)

Líder da força-tarefa contra a pandemia nos Estados Unidos, o médico Anthony Fauci diz que a situação no Brasil é “muito grave” e que o país deveria “considerar seriamente fazer um lockdown”. Fauci, que enfrentou durante um ano o negacionismo de Donald Trump, reconhece que a situação do Brasil está se espalhando pela América do Sul. (BBC Brasil)

E a pandemia vem cobrando um preço particularmente alto de quem se arrisca a combatê-la. As mortes de profissionais de saúde por causas naturais cresceram 25,9% entre março de 2020 e fevereiro deste ano. Além da própria Covid, muitos foram vítimas de doenças relacionadas ao estresse e ao esgotamento físico. Rio de Janeiro e São Paulo foram os estados com mais mortes nessa área. (Poder360)

No Rio, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Henrique Carlos de Andrade Figueira, cassou a liminar que proibia a retomada de aulas presenciais nas escolas públicas e privadas. Segundo Figueira, “os pais podem escolher se deixam ou não seus filhos frequentarem as aulas”. (Globo)

Uma má notícia. Em cada três pacientes que se recuperam da Covid-19, um manifesta distúrbios neurológicos ou mentais. (CNN Brasil)

Duas boas notícias. A Bio-Manguinhos, da Fiocruz, atingiu a marca de 900 mil doses da Covishield fabricadas por dia. O material, porém, precisa passar por um controle de qualidade de até 20 dias antes de ser distribuído. (Poder360)

A outra é que, de acordo com um estudo feito em Manaus, a CoronaVac é efetiva contra a P.1, a variante do Sars-Cov-1 identificada na capital do Amazonas. (Folha)

Coluna do Estadão: “Pesquisadores do Instituto Butantan acenderam um sinal de alerta para a possibilidade da falta de insumos para a produção da Coronavac, responsável pela imunização de nove em cada dez brasileiros. A escassez pode impossibilitar a fabricação de 5 milhões de doses, metade do previsto para este mês.” (Estadão)

Representantes da Anvisa vão à Rússia buscar “pontos fundamentais” sobre a vacina Sputnik V. A liberação da vacina, pedida pelo laboratório União Química, está travada por falta documentos exigidos pela Anvisa. (UOL)

A Câmara aprovou na noite de ontem o projeto de lei que afrouxa a regra para compra de vacinas por empresas. Elas não precisariam mais de aval da Anvisa, e a doação obrigatória de doses ao SUS seria de 50% no máximo. (Poder360)

O IBGE suspendeu o concurso para contratar recenseadores e agentes censitários que trabalhariam no Censo 2021. O motivo foi o corte de verbas para a pesquisa no Orçamento da União, de R$ 2 bilhões para R$ 71 milhões. (Poder360)

Não há democracia, dizia Thomas Jefferson, sem eleitores informados. Mas, no século 21, os veículos tradicionais perderam o encaixe na vida. Mas o Meio encaixa. A gente já resolve para você, de segunda a sexta, o problema das notícias. Podemos resolver também o do contexto, da profundidade, com a edição de sábado. Assine. Não vai se arrepender. É tão barato…

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O Mundo transformado pelo 5G


O 5G vai reinventar o entretenimento. Até 90% do tráfego da rede será transmissão de vídeo. Contado de outra forma: o faturamento da indústria de entretenimento, em 2028, deverá ser quase a metade do todo o faturamento de empresas que irão utilizar a rede 5G. O streaming continua, claro, e com altíssima qualidade, mas com ele virão hologramas, realidade virtual através de óculos leves e populares, haverá locais especiais onde grupos de pessoas irão ver o mesmo show, filme ou jogar o mesmo game juntas. Os óculos permitirão que assistamos ao futebol no estádio com informações projetadas em cima de cada jogador. Peças de teatro e concerto poderão ser transmitidas ao vivo, simultaneamente, em todo o mundo — não numa tela, mas no palco. E isso muito em breve, conta Heinar Maracy. Acompanhe.

E em vídeo... Para quem não gosta de hospital, visitar o médico no mundo do 5G ficará mais confortável. Com o crescimento da telemedicina e o desenvolvimento de novos dispositivos com monitoramento de saúde, você poderá acionar o seu médico sem sair de casa. Ou, como Valentina, no novo episódio de nossa série sobre 5G, cair num bueiro e lá de dentro já saber se está machucada. Confira no YouTube.

Política


Um grupo de deputados evangélicos tentou com o presidente do STF, Luiz Fux, o adiamento da votação, marcada para hoje, do direito ou não de governos locais determinarem a suspensão de cultos presenciais. Fux disse que dependeria do relator, ministro Gilmar Mendes, que manteve o tema na pauta. (UOL)

O veto a cultos presenciais, parte das medidas de isolamento contra a Covid-19, pesa no bolso de todas as religiões. Mas a defesa da volta às aglomerações não é unânime. Para o rabino Nilton Bonder, da Congregação Judaica do Brasil, “não tem cabimento neste momento haver atividade em templos”. Já a CNBB fica em cima do muro, deixando a decisão de abrir as igrejas a cargo das dioceses e paróquias. (Globo)

Força de segurança pública “tem que se fazer presente garantindo a todos um ir e vir sereno e pacífico”. A afirmação do novo ministro da Justiça, Anderson Torres, em seu discurso de posse mostrou alinhamento completo com o presidente Jair Bolsonaro, crítico contumaz das medidas de restrição impostas por governadores. Também fazendo coro ao chefe, Torres disse que “precisamos trazer de volta a economia deste país, precisa colocar as pessoas para trabalhar”, a despeito de mais um recorde de mortes diárias por Covid-19. (Folha)

Nem bem assumiu o cargo, Torres disse a que veio e mudou o comando da Polícia Federal, para o qual vai o delegado Paulo Maiurino. Ele substitui Rolando de Souza, que estava no cargo desde maio do ano passado, um mês depois de o então ministro Sérgio Moro se demitir por conta de pressões para a troca do diretor-geral da PF. Torres anunciou ainda Silvinei Vasques como novo diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal. (G1)

A mudança nos comandos das duas corporações foi vista com apreensão pelos ministros do STF. Nos bastidores, os integrantes da Corte temem que as polícias estejam sendo cooptadas pelo bolsonarismo. A preocupação é compartilhada por governadores. Para eles, policiais vinculados ao governo federal podem agir contra medidas de distanciamento. (CNN Brasil)

Natuza Nery: “Segundo delegados dentro da PF, Paulo Maiurino sempre teve acesso a figuras de poder. Foi secretário de Esportes de Geraldo Alckmin em São Paulo indicado por um partido do Centrão. É uma pessoa experiente, mas não tem um perfil técnico, e sim político, o que foge ao perfil dos últimos diretores-gerais da PF.” (GloboNews)

A deputada Flávia Arruda (PL-DF) tomou posse da forma mais discreta possível na Secretaria de Governo. A formalização da entrada do Centrão na coordenação política do governo aconteceu a portas fechadas, sem presença da imprensa, sem transmissão pelos canais oficiais e com pouquíssimos convidados. Um deles foi o presidente do partido da secretária (que tem status de ministra), Valdemar Costa Neto, condenado pelo STF em 2012 pela participação no mensalão durante o governo Lula. (Estadão)

Thiago Prado: “Terminada a reforma ministerial do início do ano três de Jair Bolsonaro, a fome do Centrão por posições relevantes no governo federal segue insaciável. Se Arthur Lira (PP-AL) tem agora uma aliada fiel dentro do Palácio do Planalto — Flávia Arruda —, há deputados que o ajudaram a chegar ao comando da Câmara incomodados porque os espaços prometidos ainda não chegaram. Desta vez, a fonte da frustração está dentro do próprio PP de Lira.” (Globo)

No Itamaraty, sai o estilo belicoso e ideológico de Ernesto Araújo e entra o tom apaziguador de Carlos Alberto Franco França, que tomou posse ontem, também em cerimônia fechada. Combate à pandemia de Covid-19 foi o mote de seu discurso, prometendo uma “verdadeira diplomacia da saúde” “sem preferências desta ou daquela natureza”. Ele mencionou ainda atenção às questões climáticas, cuja política brasileira é alvo de críticas generalizadas. (Estadão)

Míriam Leitão: “O discurso de posse do novo chanceler resgata a tradicional diplomacia brasileira e realinha a política externa como deve ser. Ele salientou a necessidade da cooperação internacional para as três urgências que temos atualmente: a pandemia, a economia e a mudança climática. Parece óbvio. Mas hoje, no ponto em que chegamos no Brasil, a obviedade é um ótimo sinal.” (Globo)

Meio em vídeo. Qual o papel das Forças Armadas na política brasileira? O que poderá acontecer se Jair Bolsonaro perder a reeleição e forçar a sua continuidade no poder em 2022? Estas e outras perguntas são respondidas no Conversas com o Meio desta semana pelo cientista político e professor da Escola Brasileira de Administração Pública da FGV, Octavio Amorim Neto, um especialista quando o assunto é o meio militar. Confira no YouTube.

Cultura


O conselho consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), principal órgão de proteção ao patrimônio cultural brasileiro, só se reuniu três vezes ao longo de todo o governo Bolsonaro. O hiato entre os dias 13 de junho de 2019 e 9 de março deste ano foi o maior desde o período da ditadura militar. O Iphan foi alvo de críticas duras de Jair Bolsonaro após barrar um empreendimento do empresário Luciano Hang, um dos mais fiéis apoiadores do presidente. (Folha)

A polícia holandesa prendeu nesta terça-feira um suspeito de ter roubado os quadros Jardim Paroquial de Nuenen, de Vincent Van Gogh e Dois Jovens Rindo, de Frans Hals. As obras, porém, não foram recuperadas ainda. Avaliado em até US$ 7,2 milhões (R$ 40,5 milhões), o quadro de Van Gogh foi levado em março do ano passado do museu Singer Laren, que estava fechado devido à pandemia. O de Hals foi roubado cinco meses depois em outra instituição. (Estadão)

Cotidiano Digital


O Android envia 20 vezes mais dados para o Google do que o iOS para a Apple, segundo um estudo. Apesar da diferença, os dois sistemas, mesmo quando estão inativos, se conectam ao servidor back-end em média a cada 4,5 minutos e enviam dados mesmo quando os usuários configuram funções de privacidade e restrição de coleta. O estudo apontou ainda que Apple e Google recebem dados com até mesmo atividades simples, como inserir um cartão SIM ou navegar na tela de configurações do aparelho. (Época Negócios)

Pois é… Sob pressão de mais privacidade, as big tech têm adotado novas políticas. Com a atualização do iOS 14, a Apple começou a permitir que os usuários escolham se querem ou não serem rastreados pelos apps. E mais recentemente o Google começou a limitar o acesso dos desenvolvedores à lista de aplicativos instalados em cada aparelho.

Por falar no Google… Novidade: lançou o Nest Audio no Brasil, alto-falante inteligente que promete concorrer com o mais recente Echo da Amazon.





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