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9 de abril de 2021
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Prezadas leitoras, caros leitores —

Há forças históricas se movendo nos Estados Unidos.

De tempos em tempos a maneira de compreender o mundo, o país, o Estado, muda. São arcos de décadas. Um Estado ativo foi a regra entre a posse de Franklin Delano Roosevelt, em 1933, e a ascensão de Ronald Reagan — 1980. Quase meio século. Democratas como Lyndon Johnson, republicanos como Dwight Eisenhower, o jeito de entender era o mesmo. Nos últimos quarenta anos a regra foi um Estado ausente — “a era do governo grande terminou” disse certa vez o democrata Bill Clinton.

Não mais.

Mas não é só o jeito de pensar o Estado que o governo Joe Biden está mudando. A política do século 21 até aqui tem sido, mundialmente, dominada por populistas. Governantes que fazem o discurso de que há uma elite contra o povo. O novo presidente americano é o oposto disso. Um centrista cordato, low profile, em tudo discreto — menos na ambição. Está prestes a aprovar o segundo pacote de US$ 2 trilhões. Some ambos e dá dois Brasis mais uma Argentina em PIB.

Por um lado, Biden é o anti-Reagan — quer ampliar os impostos sobre grandes corporações para distribuir renda e investir em tecnologias do futuro. Por outro é exatamente o que Reagan foi. O objetivo de um era incrementar o armamentismo para enfrentar a União Soviética onde ela demonstrava força — arsenal nuclear. O objetivo do outro é disputar com a China onde ela demonstra força — tecnologia e criação de riqueza. Os EUA se vêem como o bastião da democracia liberal no mundo. Um como o outro se alimentam da competição entre regimes.

Não se trata de nacional-desenvolvimentismo. Não há estatais, investimento de banco público em campeãs nacionais. Mas, se der certo, pode muito bem ser chamado de um novo New Deal. Se gerar crescimento, contagiará o mundo.

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— Os editores.


Barroso manda Senado desengavetar CPI da Pandemia


A base governista no Congresso vai ter que desarmar uma bomba. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Roberto Barroso determinou, por liminar, que o Senado tem de abrir uma CPI para investigar a conduta do governo federal durante a pandemia de Covid-19. A decisão atende a ação dos senadores Jorge Kajuru (Cidadania-GO) e Alessandro Vieria (Cidadania-SE). Segundo ministro, o pedido de CPI que está há 63 dias na gaveta do presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), cumpre todos os requisitos legais para sua instalação, não cabendo à presidência da Casa impedi-la. (Globo)

Pacheco disse que vai cumprir a decisão judicial, mas classificou-a como “equivocada”. Segundo ele, além dos requisitos legais, a instalação de uma CPI depende de “juízo de conveniência e oportunidade”. O presidente do Senado acredita que a comissão vai se tornar “um palanque para 2022”. (Poder360)

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, evitou comentar a decisão de Barroso, afirmando que é um assunto entre o Judiciário e o Legislativo. “Eu cuido da gestão do ministério”, disse ele. Já o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta comemorou, dizendo que a sociedade ganha “quando os atos praticados e suas consequências tão penosas para as pessoas do nosso país são esclarecidos”. (Estadão)

Painel: “Antes de assinar a decisão que determina que o Senado instale a CPI da Pandemia, Barroso fez uma consulta informal a todos os colegas do STF. Ele ouviu da maioria um endosso ao principal fundamento da decisão, o de que a jurisprudência do tribunal determina a instalação obrigatória de CPI quando preenchidos os requisitos, sem possibilidade de análise política por parte do presidente da Casa. Ou seja, obteve aval da maioria dos colegas para conceder a liminar.” (Folha)

Malu Gaspar: “Luiz Fux, presidente do STF, deixou claro a senadores que a liminar de Barroso seria inevitável e que preferia que o presidente do Senado instalasse a CPI antes que a decisão fosse tomada. O recado chegou a Pacheco. Eleito com o apoio de Bolsonaro para a presidência do Senado, Pacheco resistiu o quanto pode a abrir a CPI. A ordem do STF lhe dá o argumento de que apenas obedece ordens judiciais, enquanto toma distância dos erros do governo no combate à pandemia.” (Globo)

Bela Megale: “Integrantes do governo acusaram o ministro do STF de ‘interferir na competência do Legislativo’ e disseram que, se Barroso quer ter poder de decisão sobre a CPI, precisa se candidatar e se eleger.” (Globo)

A suspensão temporária de cultos religiosos presenciais durante a pandemia não fere o princípio da liberdade religiosa. Essa foi a decisão tomada por 9 votos a 2 pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) ontem. O resultado resolveu o conflito entre liminares de Gilmar Mendes a favor dos governos locais e Nunes Marques a favor das igrejas. Além de Marques, somente Dias Toffoli acompanhou essa tese, num voto de apenas uma frase e sem justificativas. Todos os demais integrantes ressaltaram a gravidade e a excepcionalidade da pandemia de Covid-19 e que as medidas de restrição não são dirigidas exclusivamente a igrejas. (G1)

Bruno Boghossian: “Nunes Marques ignorou o morticínio nacional e o risco de transmissão do vírus. Candidato ao tribunal na vaga reservada a um ministro ‘terrivelmente evangélico’, Augusto Aras afirmou que ‘o Estado é laico, mas as pessoas não são’. Seu principal concorrente, André Mendonça, citou versículos bíblicos e disse que os cristãos ‘estão sempre dispostos a morrer para garantir a liberdade de religião’. Sozinho, Kassio já produz estragos, mas logo deve ganhar companhia.” (Folha)

Bela Megale: “Augusto Aras ligou para Gilmar Mendes e se desculpou por ter insistido que a ação apresentada pelo PSD fosse transferida para o ministro Nunes Marques. Em seu voto, Gilmar chamou a medida de uma ‘estratégia processual que beira a litigância de má-fé’. Aras sabe que o ministro é uma voz de peso na indicação para a próxima vaga do STF, posto que trabalha para ocupar.” (Globo)

A Associação Nacional dos Advogados Públicos Federais (Anafe) defendeu a criação de um período de desincompatibilização para que integrantes da AGU e da PGR sejam indicados a vagas no STF. Pegou mal a atuação de André Mendonça, da AGU, no julgamento sobre suspensão de cultos presenciais. Evangélico e candidato a uma vaga no Supremo, ele usou mais argumentos teológicos que jurídicos em sua sustentação. (Poder360)

Na cerimônia de posse de novos generais, o presidente Jair Bolsonaro voltou a usar a expressão “meu Exército”, interpretada como uma tentativa de politizar a instituição. Ao mesmo tempo, ele ressaltou que as Forças Armadas representavam “uma estabilidade” para o país e disse que atua dentro das “quatro linhas da Constituição”. (Folha)

No mesmo evento, o chefe do Estado-Maior do Exército, general Antonio Amaro, citou o Duque de Caxias dizendo “minha espada não tem partido”. Amaro disse ainda que os generais recém promovidos devem zelar pela hierarquia na tropa. (G1)

The Economist, revista inglesa tida como porta-voz do neoliberalismo, publicou uma dura charge “estrelada” por Jair Bolsonaro. Enquanto um esqueleto enche a cabeça do presidente com galões “ignorância”, “obstinação” e “arrogância”, outro comenta com a Morte: “As pessoas estão erradas quando dizem que a resposta de Bolsonaro à pandemia no Brasil é (feita de) cabeça-oca.”

Meio em vídeo. A indústria da desinformação não trata apenas de fake news, de mentiras. Ela mexe com a emoção, produz opinião com cara de notícia — faz propaganda. Este Ponto de Partida traz as principais lições da live produzida pelo Meio com o grupo Derrubando Muros sobre como o bolsonarismo desinforma. Confira no Youtube.

Apesar dos protestos da oposição, o senador Marcos do Val (Podemos-ES), relator das ações para derrubar os decretos do presidente Jair Bolsonaro aumentando o acesso da população a armas, conseguiu retirar os projetos da pauta. Com isso, os decretos, duramente criticados por especialistas, entram em vigor na próxima semana. (Folha)


Enquanto o governo brasileiro quer ampliar o acesso às armas, o presidente americano Joe Biden anunciou medidas de controle. (G1)


Flexibilização do culto presencial

Tony de Marco

Igreja-Dolar

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Viver


Pela segunda vez em uma semana o Brasil teve mais de 4 mil mortos por Covid-19 em um único dia. Segundo os dados apurados junto aos estados pelo consórcio de veículos de comunicação, foram registrados 4.190 óbitos, elevando o total a 345.287, com média móvel de 2.818 mortos em sete dias, 17% a mais que no período anterior. Na terça-feira haviam sido notificadas 4.221 mortes, o maior número até agora, pelos dados do consórcio. (Globo)

Com o agravamento da pandemia, já faltam insumos para o tratamento dos pacientes. Cerca de 40% das unidades de saúde no estado de São Paulo já estão sem o “kit intubação”. Em Minas, os estoques desses medicamentos devem durar no máximo dois dias, segundo o governador Romeu Zema (Novo). (UOL)

No Rio, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgaram uma nota técnica recomendando que a prefeitura não adote medidas de flexibilização do isolamento social. (Estadão)

Mesmo assim, o prefeito Eduardo Paes (DEM) liberou o funcionamento de bares e restaurantes. Praias e cachoeiras continuam fechados ao público. (G1)

O Instituto Butantan anunciou ontem que vai receber no próximo dia 20 metade do lote de insumos prometidos pela China para fabricação da CoronaVac, cuja produção está suspensa por falta de matéria-prima. O material será suficiente para produzir três milhões de doses da vacina. (CNN Brasil)

Então... Os líderes do Senado querem colocar em banho-maria o projeto aprovado pela Câmara liberando a compra de vacinas por empresas para imunizar funcionários. Eles querem discutir melhor a proposta e ouvir o Ministério da Saúde sobre o impacto sobre o programa nacional de imunização. (G1)

O passado de atleta não é proteção contra a Covid-19. Roseli Machado, segunda brasileira a vencer a São Silvestre, morreu ontem, aos 52 anos, em Curitiba. (Folha)

O Amapá sofreu ontem um novo apagão em 15 de seus 16 municípios. A energia começou a ser restabelecida ainda na quinta-feira em alguns bairros da capital Macapá. Em novembro, o estado chegou a ficar quatro dias às escuras, o que levou ao adiamento das eleições municipais. (G1)

Meio em vídeo. Confira no Meio Explica as mudanças nas regras da declaração do Imposto de Renda 2021, detalhes sobre o prazo de envio do documento, a multa por atraso e o calendário de restituição. Veja no Youtube.

Cultura


Confira a agenda cultural da semana que vem.

O festival de documentários É Tudo Verdade já começou e na primeira semana, entre os destaques, estão os filmes MLK / FBI, longa de Sam Pollard que aborda a vigilância do Estado americano sobre Martin Luther King, e Máquina do Desejo – Os 60 Anos do Teatro Oficina, feito a partir do acervo audiovisual do grupo de Zé Celso Martinez Corrêa.

Está no ar a revista digital Coquetel Molotov.EXE, que apresenta sessões de música e dança, aula em vídeo com o cantor Thiago Pethit e vídeo-instalação do pianista Vitor Araújo, entre outros.

Dirigido por Myriam Taubkin, o festival online Violeiros do Brasil apresenta, a partir de hoje, shows de mestres contemporâneos no instrumento, como Neymar Dias e Paulo Freire.

Online e gratuita, a mostra Cine Esquema Novo exibe uma seleção de títulos brasileiros recentes, além de curtas dirigidos pelo também ator luso-guiniano Welket Bungué.

Shows do grupo Clarianas, amanhã, e do acordeonista Toninho Ferragutti, no domingo, estão entre as atrações da semana no Palco Virtual do Itaú Cultural.

Começa neste sábado o 3º Festival Candeia, que celebra a cultura popular em oficina e show de Alessandra Leão e em apresentação da ala musical da Vai-Vai, entre outros.

Projeto da banda Tuyo e da poeta Kimani, o Slam Papo de Poeta recebe o slammer baiano Kuma França neste domingo.

Na quinta, começa a edição virtual do Festival Serrote, que neste ano traz convidados como a jornalista americana Isabel Wilkerson, o cartunista Claudius Ceccon e as historiadoras Wlamyra Albuquerque e Heloisa Starling.

Encruzilhada Nordeste(s): (Contra)narrativas Poéticas é o tema do primeiro Cena Agora, projeto do Itaú Cultural que recebe, a partir do dia 15, bate-papos e apresentações de artistas de cinco estados da região.

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Morreu de Covid-19 ontem em São Paulo, aos 66 anos, o coreógrafo e bailarino Ismael Ivo. Um dos mais respeitados brasileiros do mundo da dança no exterior, ele deixou o Brasil nos anos 1980 e exerceu cargos como diretor artístico do festival ImpulsTanz, de Viena. De volta ao Brasil, comandou o Balé da Cidade de São Paulo, que deixou no ano passado sob acusações de assédio moral. (Folha)

Cotidiano Digital


Antes de começar a desenvolver o seu produto de áudio, o Twitter chegou a discutir comprar o Clubhouse. Segundo a Bloomberg, há alguns meses, as empresas discutiram uma avaliação potencial de cerca de US$ 4 bilhões para o app de áudio. As discussões, no entanto, não estão mais em andamento e não ficou claro por que elas pararam. Mesmo assim, a negociação mostra o potencial do Clubhouse que nem tem um ano desde o seu lançamento. O seu sucesso tem levado vários concorrentes a criarem os seus próprios. Facebook, Spotify, Slack e LinkedIn são só alguns que estão entrando nesse mercado. (Bloomberg)

Meio em vídeo. O Google lançou a Nest Audio, sua nova caixa de som inteligente que atende a comandos ditos em voz alta. Nem tudo é boa notícia. A sul-coreana LG anunciou ter desistido do mercado de smartphones. E a crise de abastecimento de microchips afeta os mais diferentes setores da indústria. Saiba tudo isso no Pedro+Cora no Youtube e no Spotify.





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